Revista VEJA e Carlos Cachoeira – A Máscara Caiu

Está acontecendo nesse momento um dos eventos mais polêmicos e importantes para a história do jornalismo brasileiro. Infelizmente, como 90% dos meios de comunicação do Brasil pertencem a 2 ou 3 famílias, esse evento jamais acontecerá nos palcos, e sim nos bastidores. Cabe a nós, como cidadãos, divulgar o outro lado da história e dar à população brasileira a chance de pensar e decidir. 


Por favor, concordando ou não com o que está descrito abaixo, divulgue mesmo assim, dando às pessoas que você conhece a chance de pensar e decidir por si só. Algo que nos tem sido negado por anos e anos de lobby jornalístico. 

No domingo, 30/04/2012, o Jornal da Record quebrou um enorme tabu do jornalismo brasileiro, ou executar uma reportagem onde denuncia relações estreitas entre a REVISTA VEJA (seu diretor e jornalista Policarpo Jr) com o bicheiro e criminoso Carlinhos Cachoeira:
ou
A reportagem denunciou em rede nacional aquilo que já era dito amplamente em blogs e portais progressistas da internet: Policarpo Junior sabia das relações entre Cachoeira e a empreiteira Delta. Os dois trocaram cerca de 200 ligações no ultimo ano.
Em uma das muitas ligações de Cachoeira que foram gravadas por meio de escuta (e exibidas na reportagem), Cachoeira diz que “abria o jogo para Policarpo” pois confiava nele para não “coloca-lo em roubada”. Disse também que a relação de confiança era recíproca: “O Policarpo confia muito em mim, viu?“.
A Revista Veja, que nos últimos anos têm tentado estabelecer para si a alcunha de “maior revista investigativa do país” manteve como um de seus principais informantes um criminoso, ocultando toda informação que o comprometesse em troca de material para outras denúncias – aquelas que interessavam sua agenda específica. Ou devemos dizer, a agenda das empresas parceiras do grupo Abril?
O bicheiro, atualmente atrás das grades, favorecia os “furos” a envolver os inimigos “esquerdistas”, tão constantemente atacados edição após edição. Por esse mesmo motivo não assistimos a reportagem citada acima em nenhum jornal da Rede Globo. E jamais assistiremos.
Pelo contrário. O jornal carioca O Globo publicou recentemente  um comovente editorial em defesa de Roberto Civita, dono da editora Abril e da Revista VEJA. Só não foi superado pela própria Revista VEJA, que no ultimo domingo conseguiu unir em um mesmo texto aranhas, robôs e comunistas, além de atacar diretamente a emissora RECORD pela reportagem deles. Se você ou alguém em sua casa assinam a revista, sabe do que eu estou falando.
Abaixo reportagem sobre o novo ataque:
Apenas quem não quer, não vai ver: A máscara caiu, o imenso lobby representado pela REDE GLOBO e pelo GRUPO ABRIL ficou claro e evidente. 
Se você vai continuar lendo VEJA, ou assistindo o JORNAL NACIONAL, acreditando nesses veículos como referência para perceber a realidade ao seu redor, escolher os políticos em quem você vai votar, etc, a escolha é sua. Mas pelo menos informe-se sobre o que está rolando nos bastidores.
E ajude a divulgar isso, para dar aos seus amigos e familiares a chance de decidir também…
Abaixo, reportagens importantes relacionadas:
1 – Civita, o nosso Murdoch? 
http://www.cartacapital.com.br/politica/civita-o-nosso-murdoch/
2 – Os valores da Globo mudaram?
http://www.cartacapital.com.br/politica/os-valores-eticos-da-globo-mudaram/
3 – Além de Bicheiro, VEJA usava sequestradores como fonte
http://noticias.r7.com/brasil/noticias/alem-de-bicheiro-jornalista-da-veja-usava-sequestradores-como-fonte-20120519.html
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Picolé de Chuchu, Omelete de Kassab

Nietzsche dizia que o real momento de nascimento de uma pessoa é quando ela lança pela primeira vez um olhar crítico sob si mesma. Nietzsche odiava ser citado fora de contexto, mas vou me arriscar e fazer isso mesmo assim.

Assistindo na TV alguns manifestantes enchendo o Kassab de ovos durante o aniversário de São Paulo, me ocorreu que talvez o brasileiro esteja, finalmente, começando a nascer para a política.

Naturalmente não estou vendo essa manifestação como um incidente isolado. Estou levando em conta todos os recentes levantes da população contra medidas absurdas do governo. Estou levando em conta as passeatas contra Belo Monte, a comoção geral contra a estupidez perpetrada na cracolândia, os diversos sinais de vida inteligente pipocando aqui e ali em um universo que parecia frio, vazio e desolado.

Sejamos francos sobre algo: o brasileiro, politicamente, é um bebê recém-nascido. Durante décadas, fomos uma nação governada por generais. Quando esses generais resolveram sair do poder, estávamos tão saturados que nos dispusemos a aceitar “qualquer Zé Mané, desde que ele não ostentasse uma patente”.

Entre generais, políticos corruptos e barbudos suados falando sobre a classe operária (enquanto o muro de Berlin caía…), a tucanada de terno e gravata, cabelo alinhadinho e diploma no exterior parecia a melhor alternativa. Um partido “social democrata” que sequer assumia claramente uma posição de direita. Quando em dúvida, vamos pelo moderado, correto?

A política desenvolvimentista pregada pelo PSDB na época que eles assumiram o poder no Brasil não era diferente da utilizada pelos militares (alguém se lembra do milagre econômico brasileiro?), mas seus métodos eram infinitamente mais brandos. Chega de estudantes apanhando, chega de fuzil apontado para civil desarmado. Vivemos em uma democracia agora! (cof cof)

Infelizmente, outra peculiaridade de uma política desenvolvimentista é que ela tende a varrer certos problemas e mazelas sociais (efeitos colaterais do ‘crescimento’?) para debaixo do tapete. Como todo mundo que ficou muito tempo sem fazer faxina em casa sabe, esse método tem prazo de validade curto.

Quando você ignora a questão social de um país por muito tempo, permitindo o enriquecimento de poucos e a miséria de muitos, você está combinando os ingredientes básicos para criar violência civil. Você tem dois caminhos: agir preventivamente, de forma a evitar o nascimento do bandido de amanhã, ou reativamente, descendo o cassete nesse bandido quando ele aparecer.

É por isso que no brilhante “Notícias de uma guerra particular”, já citado nesse blog, a polícia é retratada como um “instrumento para manutenção do status quo”. Ela faz muito mais do que “prender bandido”; ela cria a sensação de que as coisas “estão sob controle”.

Estamos em 2012, e esse ano começou tão movimentado, e com tantos eventos relevantes para se comentar, que não dedicarei muito tempo a falar da imensa violência policial demonstrada ano passado na desocupação da USP, na passeata da maconha ou no Acampa Sampa. Nem vou me aprofundar no fato de que quase fui atropelado por um caminhão de bombeiro usado para perfurar o bloqueio à rua Augusta na passeata contra Belo Monte em dezembro. A PM tem trabalhado muito em me manter atualizado e com exemplos recentes para utilizar em meus textos.

Acima, sargento André Ferreira ameaça estudante Nicolas Menezes durante discussão ideológica, na USP, no dia 06/01/2012.

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1211210&tit=PM-agride-aluno-dentro-da-USP

Admito que, ao ler essa notícia, sorri. Sabia que era só uma questão de tempo até que a presença da PM na USP se mostrasse um erro; só não esperava que isso fosse acontecer tão rápido. O policial citado acima não apontou a arma para Nicolas porque ele estava cometendo o “hediondo crime de fumar maconha no campus”. Nicolas também não estava “ocupando a reitoria”. Nicolas estava conversando com ele. E eles tiveram uma discordância ideológica.

Isso. Discordância ideológica.

Alguém mais pensou na palavra “fascismo” nesse momento?

Para mim, nada de novo. Apenas mais um gesto característico de uma corporação despreparada, treinada para a guerra (militares, não é?) e para atirar antes e pensar depois.

Como o colunista Vladimir Safatle, que eu admiro muito, colocou certa vez, Geraldo Alckmin deve ser daqueles que “rezam pelas virtudes curativas do porrete da polícia”. Sempre pregando o uso de “ações energéticas” para manter a ordem, o governador já havia protagonizado pelo menos uma notável “demonstração histérica de força” da polícia no ano passado, ao ordenar a invasão da reitoria e, para não perder o costume, já abriu 2012 com mais uma, enviando tropas de choque para combater gente enferma, uma multidão de pessoas doentes, fracas, perdidas e marginalizadas.

Sim, estou falando da cracolândia.

Eu poderia discorrer por 200 páginas sobre a imbecilidade com que os governos do mundo (Brasil incluso) têm lidado com a questão das drogas nas ultimas décadas. Poderia falar sobre o fracasso completo da política de tolerância zero criada por Reagan/Nixon na década de 70 nos EUA, sobre como a proibição e repressão extrema dos entorpecentes só serviram para aumentar vertiginosamente a criminalidade em países como o México ou a Colômbia, enquanto países que decidiram tratar a questão das drogas como um caso de saúde pública (e não policial), como Portugal, por exemplo, foram muito mais eficientes para reduzir não apenas o crime, mas o próprio consumo.

Aliás, eu ainda escreverei sobre isso.

No momento, eu só quero enaltecer o absurdo completo que é você jogar uma tropa de choque pronta para o combate contra um monte de gente doente e enferma (sim, feios e assustadores, mas no fundo, apenas gente doente). O absurdo de um governador, sustentado por uma força policial, ao procurar resolver uma questão tão profunda na base do cassetete. Difícil acreditar que o cara que elegemos para governar um estado inteiro ignora o fato de que ocupar a cracolândia simplesmente fará os viciados procurar outro lugar (o que, aliás, eles fizeram no dia seguinte).

Em defesa da ação policial, o coordenador de políticas sobre drogas de São Paulo, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, diz que não é pela razão, mas pela “dor e sofrimento” que eles farão os usuários procurarem ajuda. É exatamente isso que um estado autoritário faz com seu povo, o trata como criança. Não racionaliza, não confia na sua capacidade de julgamento. Dá ordens e, se for desobedecido, dá porrada.

O objetivo dessa ação nunca foi solucionar o problema do crack em São Paulo; foi limpar uma rua. E ostentar um pouco mais de força contra uma população já sofrida, fodida e colocada cada vez mais à margem da sociedade. E ai deles se decidirem que estão desesperados o bastante para assaltar alguém para sustentar o vício. Paulada de novo.

Isso nos leva ao último e mais absurdo caso de violência policial para o currículo de Geraldo Alckmin: a desocupação do Pinheirinho.

Antes de tudo, devo enaltecer uma peculiaridade desse caso: a Justiça Federal decidiu contra a desocupação do terreno, mas a polícia manteve a reintegração obedecendo a ordem da Justiça Estadual. Ou seja, para todo aquele que acha que “governo” é uma coisa só e “politico é tudo igual”, o governo federal foi contra a ação, mas a autonomia política que Alckmin possui como governador o possibilitou levar a ação adiante de qualquer forma.

O ataque aconteceu às seis da manhã, para surpreender e escapar dos olhos da maioria da mídia (qualquer relação com o ataque da PM à reitoria as 5 da manhã, em 2011, é mera coincidência).

A ação foi rápida, violenta, destrutiva. Cerca de 2 mil PMs, 220 viaturas, 100 cavalos e 40 cães foram mobilizados na ação, além de 2 helicópteros. Dezesseis moradores foram presos, um deles foi baleado e está no hospital. Incontáveis foram agredidos, espancados e tiveram suas casas queimadas. Duas mil pessoas foram arrancadas de seus lares.

Embora os comandantes da Polícia e o próprio Alckmin tenham ido à imprensa e dito que a corporação só tinha utilizado armas não letais, já se documentou em vídeo e foto o contrário. Bom, arma não letal não deixa ninguém internado em estado grave, não é mesmo?

Na foto acima, típica arma não letal usada na invasão.

O vídeo abaixo flagra DIVERSOS policiais empunhando armas de fogo e ameaçando a população, inclusive mulheres e crianças. As ameaças e violência continuaram sendo feitas mesmo contra aqueles já realojados para os abrigos do despejo:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=nEuGR0SBrjE

O que deve ser questionado aqui, acima da violência usada, acima da legitimidade da “reintegração de posse” de uma ex-propriedade do falido empresário Naji Nahas, é a ausência de alternativas que o estado ofereceu aos 2000 moradores do Pinheirinho.

A população já sabia que a invasão ocorreria. Se eles se prepararam, se eles montaram barricadas e se dispuseram a enfrentar de mãos vazias policiais com espingardas, não o fizeram por estupidez. O fizeram por desespero.

O governo Alckmin e Eduardo Cury, prefeito de São José dos Campos, sabiam que teriam que oferecer alguma alternativa para essas pessoas, mas seu humanitarismo de psdbistas não foi tão longe assim. Mais uma vez foi usada a estratégia de varrer para debaixo do tapete. Alguns barracos queimados, alguns milhões para a mídia desviar a atenção da população para outro assunto (quem sabe outro ‘estupro’ no Big Brother?) e assunto resolvido! Danem-se crianças, idosos, doentes e famílias inteiras que viviam em Pinheirinho há oito anos.

E aos que defendem a ação, pois apesar de tudo a ocupação na região era ilegal (e a lei sempre está certa, foi criada por Deus e deve permanecer imutável até o final dos tempos), vale pensar que mais da metade das casas no litoral norte paulista são ocupações ilegais, que metade das fazendas no Mato Grosso e no Pará também são. O problema aqui não é ser “legal” ou “ilegal”. No final, acabamos caindo na boa e velha luta de uma minoria detentora de poder contra uma maioria oprimida. Eu posso pagar o fiscal para ignorar minha mansão construída sobre a Mata Atlântica. Que alternativas essas pessoas terão?

E se, desesperada e sem teto, uma dessas pessoas concluir que precisa roubar alguma coisa para sustentar a família que foi jogada na rua? Paulada nela!

Essa é a imbecilidade da política social de Alckmin e do PSDB de uma maneira geral, ainda apoiada por uma parcela da população; felizmente, uma parcela cada vez menor.

As ruas do centro que foram cenário de uma batalha entre a polícia e usuários de crack no começo do ano já estão novamente entupidas de viciados, e novas “cracolândias” nasceram em outros lugares.

As pessoas desalojadas do Pinheirinho não terão escolha senão ocupar ilegalmente uma nova região; encontrar um novo terreno para erguer um novo barraco e começar tudo de novo.

Andamos em círculos. Pagamos esse festival de ineficiência com nossos salários.

Por quanto tempo continuaremos apoiando essa raça de político?

A manifestação popular da última quarta feira mostrou que começamos a lançar olhares cada vez mais críticos para nossa identidade nacional. Não foi um movimento orquestrado pela mídia, como o caras-pintadas. Foi um sintoma de uma população que está de saco cheio.

Kassab, em resposta à tentativa da população de preparar uma omelete com ele, declarou que “a violência não é o caminho para construir um país mais justo, um país mais igual, uma democracia fortalecida”. Ignora o fato de que foi justamente a violência perpetrada pelo estado que serviu de estopim para a manifestação. Ação e reação.

Talvez para a classe política de direita que se apoderou do Estado de São Paulo, só a reação da população pode ser considerada violência. Quando eles atiram primeiro, tudo bem. Isso me parece um típico argumento tirado diretamente da cartilha de Mussolini.

Sob meu ponto de vista, não há lugar para fascismo em uma democracia verdadeira. E para um cara que ganhou fama como “picolé de chuchu”, o Sr. Alckmin está me saindo um fascista de primeira categoria.

…..

PS: Após a redação desse texto a relatora da ONU, Raquel Rolnik, caracterizou a desocupação do Pinheirinho como um crime de estado. Vale a pena ler a entrevista na integra:

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/01/27/pinheirinho-onu-da-48h-a-nahas-e-alckmin/#.TyKnAPSo8hV.facebook

PS2: Mais um exemplo da “segurança” oferecida pela PM na USP. Aluna é estuprada por PM Renato Guimarães da Silva. Veja a noticia e leia a reportagem abaixo. Ah, e depois repare no silêncio com que o resto de nossa mídia vai reagir diante do fato…

http://www.youtube.com/watch?v=odD1vCLUvZg

http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=34809


AVISO IMPORTANTE – Preparando o retorno

A todos os meus queridos amigos e leitores, que talvez estejam visitando esse espaço e sentindo falta de um novo texto.

Por liberalidade, decidi dar uma pausa em meus escritos. Organizar alguns pensamentos. Colocar as coisas em ordem…

Totalmente não mercadológico não é? Mas eu sou assim…

Amanhã parto para Cuba, e de lá México, e naturalmente vocês devem aguardar textos reflexivos sobre o que eu ver lá. E sobre como isso pode se relacionar com esse momento histórico tão crucial em que vivemos.

Peço um pouco mais de paciência a todos (retorno no dia 15 de fevereiro) e prometo que valerá a pena.

Até lá fico fora do ar. Obrigado a todos que continuam acompanhando, lendo e divulgando meus textos, a despeito do hiato em que o blog se encontra.

Um forte abraço e até o retorno!

 


Tem alguém aí fora ! – Uma mensagem de fim de ano

Quando eu decidi começar um blog, meses atrás, o mundo parecia um lugar completamente diferente.

Eu o batizei com o provocativo nome “Tem alguém aí fora?”, pois essa foi minha maneira de ranger os dentes contra esse mundo. Estava rosnando contra sua apatia, para sua imbecilidade. Estava furioso.

Não se deve construir coisas por raiva, eu sei, mas devo admitir que esse blog nasceu de pura fúria condensada. Tive que transbordá-la na forma de palavras, pois se não fizesse isso acho que ia explodir. 

Era um mundo que parecia girar impassível, a despeito de todas as mentiras que nos eram contadas, de todos os valores errados que regiam nossas vidas, de toda a dor, miséria e injustiça provocados por um sistema completamente insustentável do qual parecia impossível se dissociar.

Só que a medida que eu fui escrevendo, e falando com as pessoas, e vendo os eventos explodirem aqui e ali, ao meu redor, tudo mudou.

Estamos nos ultimos dias de 2011, e enquanto faço uma pequena retrospectiva de tudo o que aconteceu, vejo que subestimei esse mundo. Vejo que minha pergunta foi respondida.

Sim. Tem alguém ai fora…

Tem MUITA gente aí fora….

Eles estão nos milhares de acampamentos e passeatas formados para protestar contra os abusos dos bancos e governos de seus paises, em praças do mundo todo, de São Paulo a Madrid, de São Petesburgo a NY, do Cairo a Shangai…

Estão nas cadeias, espancados pelas policias que juraram protege-los, sangrando, mas com os espiritos intactos. Estão se aquecendo em sacos de dormir, enfrentando o frio, os banqueiros, a polícia e o governo, para defender o futuro. Para defender o mundo que eles amam.

Eles estão em casa, escrevendo, planejando, comunicando. Estão perfurando a rede de mentiras formada pela mídia, estão mostrando a verdade para seus pais, seus amigos, estão criando blogs e movimentos. Estã se relacionando, se reinventando.

Eles estão também neste blog, nos brilhantes comentários, sugestões e críticas que recebi a cada novo texto que publiquei (OBRIGADO). Estão tomando parte em ótimas discussões e debates tanto neste quanto em tantos outros sites. Em assembléias. Em espaços publicos. Estão quebrando o silencio. Preenchendo o vazio.

Depois de tanto barulho, de tanta revolução, tanta gente presa, morta, tanto ditador derrubado, politico denunciado (já leu o Privataria Tucana?), talvez alguns até possam dizer que 2011 foi um ano infernal.

Pois para mim foi o melhor dos anos!

Ele veio como um balde de agua gelada e acordou um monte de gente.

Ele veio como um caminhão atropelando nosso “mundinho cenográfico” e expondo a inconveniente natureza verdadeira de nossa sociedade.

2011 veio e nos ofereceu a chance de tomar a “pilula vermelha”. De acordar para o “mundo real”

Eu tomei essa pilula sem pensar duas vezes.

Sinto que MUITA gente tomou.

Quero agradecer a todos vocês por lerem meus textos. Do fundo do coração.

Quero agradecer por ajudarem a divulgar meu blog. Agradecer pelas participações incriveis, pela ajuda oferecida, pelas criticas, sugestões, pelos insights e até por um ou outro insulto merecido.

De verdade… OBRIGADO DO FUNDO DO CORAÇÃO!

Estou planejando coisas excelentes para o ano que vem. Pretendo postar com mais frequencia. Pretendo melhorar o blog. Tenho mais de 90 artigos a caminho. Prometo que darei meu melhor para torna-los esclarecedores, interessantes, democraticos. Peço a confiança de vocês, para que continuem me visitando e participando.

Até lá, me despeço e desejo que todos aproveitem muito esses ultimos dias do ano mais importante que já vivemos até agora …

Aproveitem para celebrá-lo. Para festejar ao lado das pessoas que voces amam. E planejar…

Há muita coisa para construir. E muita coisa para destruir e tirar do caminho também…

Que venha 2012…. e com ele….que venha o fim do velho mundo ….

Já vai tarde.


OCCUPY WORD: A dentada da besta acuada

Nota do Autor: Esse artigo extraordinário (se você ainda não leu, o oficial dessa semana foi BELO MONTE: UM DESABAFO) diz respeito à LEI MARCIAL aprovada nos EUA essa semana e também à FRAUDE ELEITORAL RUSSA. Recomendo sua leitura URGENTE e divulgação, pois o que está rolando lá pode muito bem acabar rolando por aqui. Um grande abraço!

Em meu artigo “Sobre Wall Street e Tiranossauros” eu procurei deixar bem claro o que entendo sobre as duas principais ferramentas utilizadas pelo estado (e por sua cabala formada por bancos, barões da mídia e grandes corporações, é claro) para manter a população cativa:

1 – INFORMAÇÃO

2 – FORÇA

Desde o surgimento do ideal da democracia, o item 1 tem sido usado com muito mais freqüência do que o item 2. Maquiavel já dizia que o governante deve procurar ser AMADO e TEMIDO na proporção correta. O domínio da informação quando bem feito cria no povo uma deliciosa sensação de liberdade…

Quando essa sensação começa a cair, quando os artifícios para dominar o povo param de funcionar, essa ferramenta do domínio da informação começa a perder eficiência:

Nos EUA isso explodiu em 2011. Hoje temos mais de 500 focos de revolução e protesto só nos EUA, o movimento OCCUPY conquistou a opinião publica em poucas semanas e parece ter vindo para ficar.

Alguns milhares já foram presos pela polícia durante protestos ou ocupações, e são incontáveis os casos de enfrentamento entre a policia e o povo. A mascara caiu mesmo. Ooops O que acontece então?

Não vou dizer que isso me surpreendeu …

Ontem, dia 13/12/2011, o senado americano aprovou por 93 votos contra 7  uma proposta de LEI MARCIAL que vai possibilitar à policia ou exército (sim, o exército) prender qualquer cidadão americano, sem mandato, sem flagrante, sob acusação de “perturbar a ordem pública”, POR TEMPO INDETERMINADO E SEM JULGAMENTO.

Exato. EUA em estado de sítio.

Tudo em nome da sagrada “segurança nacional”. Segurança pra quem mesmo? O movimento Occupy é pacífico, até agora as unicas pessoas que se machucaram foram os proprios ocupantes, espancados pela policia aqui ou ali.

Onde está a amada liberdade americana agora?

Será que ela vai muito além da liberdade para gastar dinheiro?

Aparentemente não…

A lei foi aprovada com quase unanimidade no senado, e está aguardando apenas autorização final do Presidente Obama. Se entrar em vigor, essa lei representará o fim da liberdade americana para protestar, já que em teoria todo aquele que ir às ruas contra Wall Street poderá ser preso e o exército ganhará autorização federal para tomar as ruas.

Será o tiro de misericórdia no ideal americano, no ideal daqueles bravos revolucionários que fundaram o país sonhando com um mundo melhor…

Só que isso pode representar o inicio de uma nova GUERRA CIVIL AMERICANA, já que a população civil dos EUA é a mais armada do mundo, e certamente não vai se calar quando o exército começar a prender gente a torto e direito.

Na verdade, eu quase torço para essa lei ser aprovada. Seria a ultima máscara que os EUA poderiam tirar, antes de finalmente evidenciar para o mundo todo (e para sua própria população) que se tornaram, no final das contas, uma DITADURA.

Uma DITADURA de capital, com uma FARSA bem encenada de liberdade democrática necessária para manter o povo cativo. Cativo e gastando grana, é claro.

Em meu texto “Sobre Wall Street e Tiranossauros” eu deixei claro que quando a ferramenta da INFORMAÇÃO perde o uso, recorre-se à ferramenta da FORÇA. A fera, quando acuada, MORDE MAIS FORTE.

É quase uma piada histórica que a contraparte dos EUA durante décadas de Guerra Fria, a Russia, esteja passando por situação tão parecida.

Quando a fraude eleitoral absurda de VLADIMIR PUTIN foi revelada ao povo (o premiê foi eleito com 140% dos votos…) o país explodiu em protestos. Milhares. E o resultado ?

Quinhentas pessoas presas pela polícia, outras centenas agredidas violentamente. O líder da oposição, Ilia Yashin, preso. O resultado das eleições, a despeito do repúdio da população, permanecerá inalterado.

Quando a mascara de Putin caiu, ele mostrou o que realmente é: UM DITADOR.

Quando a máscara colorida e estrelada dos EUA caiu durante os levantes do Occupy Wall Street iniciados em setembro de 2011, o que você viu por trás?

Como será que está se sentindo o povo americano, ao descobrir que 93% de seus senadores aprovaram uma lei que vai coibir completamente a liberdade do PROPRIO POVO? O quão representados eles devem estar se sentindo?

Se isso está ocorrendo até na tal “terra da liberdade”, o que faz você pensar que no Brasil as coisas serão muito diferentes?

Por isso pense bem antes de aplaudir a próxima repressão da polícia contra uma manifestação popular, meu caro amigo.

Como os norte-americanos estão aprendendo agora da pior maneira, amanhã os olhos atingidos por spray de pimenta podem ser os seus…

……

 

OBS: Mais uma vez eu me surpreendo com o silencio da mídia brasileira sobre o que eu julgo ser o acontecimento mais importante da semana, senão de todo o mês. Mas enfim, eu já desisti de confiar neles faz tempo.

MATERIAL COMPLEMENTAR:

Sobre a Lei Marcial nos EUA 

Video :

http://www.youtube.com/watch?v=u0ZoWSyXh-E

Artigo:

 http://correiodobrasil.com.br/lei-marcial-e-aprovada-nos-eua-e-podera-iniciar-revolucao/341556/

Página no Facebook criada sobre o assunto –

https://www.facebook.com/groups/199150136836306/

As vezes só dando risada mesmo –

 http://www.thedailyshow.com/watch/wed-december-7-2011/arrested-development

Petição criada nos EUA para enfrentar a proposta de lei-

 https://wwws.whitehouse.gov/petitions/%21/petition/veto-national-defense-authorization-act-2012-several-provisions-bill-pose-threat-civil-liberties/GLfhBn6D?tm_source=wh.gov&utm_medium=shorturl&utm_campaign=shorturl

Sobre a “dentada” de Putin no povo da Russia 

Russia prende 500 manifestantes em marcha contra fraude:

 http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20111207-pelo-menos-500-sao-presos-em-passeatas-na-russia-contra-fraudes-nas-eleicoes

Denuncias de fraude não mudarão eleições na Rússia:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/12/12/denuncias-de-fraude-nao-mudarao-resultado-das-eleicoes-na-russia.jhtm


BELO MONTE: UM DESABAFO

Hegel disse há muito tempo atrás que todo processo histórico está destinado ocorrer duas vezes. Karl Marx acrescentou a essa frase a seguinte observação: ”Na primeira vez, o evento ocorrerá como tragédia, na segunda como farsa.”

Estima-se que no Brasil viviam cerca de cinco milhões de pessoas por volta de 1500. Índios, claro, mais de mil povos se comunicando em cerca de mil e trezentas línguas diferentes. Então atracaram no litoral, com suas imensas caravelas vindas de terras distantes, os exploradores portugueses. Foi dado inicio o processo que estou chamando de TRAGÉDIA.

O que se seguiu foi um genocídio capaz de fazer Hitler parecer moderado. Pólvora, sabres, catequização, escravidão e doenças trazidas da Europa reduziram esses cinco milhões de seres humanos a uma ridícula população de trezentos mil indivíduos nos dias de hoje. Dos mil povos, restaram duzentos e vinte e sete. Das mil e trezentas línguas, restaram cento e sessenta e nove. Nosso solo se tingiu de sangue. Culturas inteiras caíram no esquecimento.

O erro histórico que resultou no sangrento massacre descrito acima está sendo repetido, agora na forma de FARSA. Vemos ele se repetir, ano após ano, a medida que restringimos as reservas indígenas a espaços cada vez menores, a medida que ignoramos os massacres realizados por fazendeiros no Pará e estados vizinhos, a medida que realocamos os moradores originais de nossos tristes trópicos cada vez mais à margem de um mundo que ignora tudo aquilo que não se adequa à lógica econômica que o move.

Lógica que sustenta agora a construção da Usina de Belo Monte, personagem central dessa FARSA em 2011, e também assunto principal deste artigo que procurei dividir em 2 partes.

Na primeira vou resumir tanto quanto possível a polêmica e obscura história dessa usina.

Na segunda vou brincar de “Maquiavel”, ignorando todo o processo histórico duvidoso dessa barragem e focando apenas nos diversos pontos “positivos” e “negativos” de sua construção.

Como de costume, apresentarei toda a informação que puder, para que cada um tire suas próprias conclusões, mas também não tentarei fingir uma imparcialidade impossível para qualquer pessoa de carne e osso. Não sou imparcial. Sou contra a construção de Belo Monte. Mas convido todo aquele que for a favor a ler e comentar meu texto, expor seus argumentos, me criticar e quem sabe mudar minha opinião.

Esse texto, como tudo mais que eu escrevo, é dirigido aos dispostos a refletir, e não aos que procuram respostas prontas. Boa leitura!

Primeira Parte – A HISTÓRIA DA FARSA

A história da polêmica obra de Belo Monte começou em 1975, em plena Ditadura Militar, quando foi realizado o Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu. Identificado o enorme potencial hidrelétrico dessa bacia, o governo realizou em parceria com a Eletronorte um estudo de viabilidade econômica para a construção de uma hidrelétrica. O problema é que a obra sairia caro demais, e a região do Xingu era a área mais rica em populações indígenas de todo o país. O projeto acabou sendo engavetado e passaram-se muitos anos.

Segundo nossa constituição (artigo 231) qualquer exploração econômica feita em terra indígena só pode ser feita com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as lideranças comunitárias afetadas por essa exploração. Por esse motivo, quando decidiu-se retomar as discussões para construção da hidrelétrica, em 1989, foi realizado o primeiro encontro dos povos indígenas do Rio Xingu com a Eletronorte para discutir o projeto.

O encontro conseguiu reunir considerável representatividade dos povos Kaiapó, Xypaia, Tembé, Maitapu, Arapium,Tupinambá, Cara-Preta, Xicrin, Assurini, Munduruku, Suruí, Guarani, Amanayé, Atikum e Kuruaya, entre tantos outros. A oposição ao empreendimento foi unânime.

A barragem alagaria trechos imensos de floresta, desalojando comunidades e tribos inteiras, destruindo áreas de caça e pesca das quais os grupos dependiam para sobreviver.

Ficou famosa a foto da líder Kaiapó, Tuira, encostando uma faca no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz, em protesto contra a usina. A polemica inicial, a instabilidade política de um país ainda reconstruindo sua democracia, a falta de dinheiro, acabaram protelando a obra novamente.

Passados mais 10 anos de turbulências, e com muito mais dinheiro no bolso, o governo federal tomou a decisão de fazer acontecer de vez a polêmica obra. Traumatizados pela ultima vez que tentaram discutir a questão com os índios, nossos governantes tentaram se esquivar desse “detalhe”, iniciando medições sem consulta alguma dos povos do Xingu (decisão inconstitucional).Foi encomendado um novo Estudo de Impacto Ambiental.

O estudo, encomendado  pela própria ELETRONORTE (sem licitação, diga-se de passagem) para a FADESP, tinha naturalmente o objetivo de provar para todo mundo que Belo Monte seria ecologicamente viável. Ele foi concluído em março de 2001, antes de serem realizadas muitas das viagens de estudo de campo que a própria FADESP marcou. Vamos analisar essa passagem com mais atenção: Os estudos de campo seriam concluídos em novembro, mas o relatório final foi entregue oito meses antes, em março. Tempo é dinheiro não é mesmo?

Além de ter um cronograma bem esquisito, esse estudo é extremamente questionável pelo simples fato de que ele nunca foi aberto ao publico.

O estudo carecia de diversos documentos essenciais, entre eles a autorização do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, exigido quando a área em questão abriga sítios arqueológicos (como é o caso).

Diante de tudo isso, a Justiça Federal não encontrou solução além de determinar a paralisação de tudo. A primeira de muitas. O governo federal recorreu duas vezes, uma delas ao Supremo, e perdeu as duas. A obra, da forma que estava sendo projetada, era uma afronta direta à própria constituição, nas palavras do ministro Marco Aurélio. Uma primeira batalha estava vencida, mas a guerra estava longe de terminar.

Os cinco anos de paralisação que se seguiram mostraram para o governo federal que a obra não seria autorizada sem o amém do IBAMA, além da autorização do Congresso Nacional.

A transição de partido que estava no poder, no PSDB para o PT, pouco mudou o ímpeto original de viabilizar a usina, traduzido em uma nova proposta de decreto legislativo para autorizar Belo Monte.

Como já foi dito, nossa constituição estabelece que essa proposta só seria valida se tivessem sido ouvidas as comunidades indígenas, o que nunca ocorreu. Mesmo assim, em 15 dias úteis a proposta é aprovada na Câmara e no Senado. Aprovação relâmpago.

Engraçado como a velocidade com que uma proposta é aprovada em nosso país é diretamente proporcional a seu grau de impopularidade ou o quão questionável ela é, não é mesmo?

Por ser extremamente frágil e desrespeitar a constituição a proposta foi derrubada uma vez mais por liminar que a paralisou até 2007, quando o STF liberou novamente o projeto.

Com pressa em tentar viabilizar Belo Monte dessa vez, o governo federal se apressou a licenciar a obra quando ela foi liberada, esquecendo-se no processo de realizar novo Termo de Referência (documento exigido pelo IBAMA).

Claro que nessa altura do campeonato a obtenção desses documentos tornou-se uma mera burocracia, já que o interesse em realizar a obra datava em mais de 20 anos e um estudo sério sobre seu impacto ambiental jamais havia sido feito e muito menos apresentado ao publico.

Bom, “documento para inglês ver” ou não, foi elaborado um novo Relatório de Impacto Ambiental, em parceria com as 3 maiores empreiteras do país : Camargo Correa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez. Quando eu uso o termo “parceria” aqui, fica-se subentendido que estou falando de “contrato sem licitação” OK?

Esse detalhe merece um pouco mais de atenção: A Eletrobrás contratou os caras para fazerem um ESTUDO DE VIABILIDADE AMBIENTAL da obra, mas o motivo usado para explicar sua contratação sem licitação foi justamente a possibilidade de VIABILIZAR A OBRA O MAIS RAPIDO POSSÏVEL. Nessa altura do campeonato, se eles descobrissem com o estudo deles que a construção de Belo Monte afundaria a floresta amazônica inteira, provavelmente não iriam mudar de idéia. Isso já estava fora de cogitação.

Vale dizer que como o acordo tinha clausula de confidencialidade o resultado desse estudo não poderia ser divulgado até a expedição da Licença Prévia. Basicamente, só poderíamos ver o resultado desse estudo depois que a obra já estivesse em andamento. Interessante não é?

Vamos contando até agora:

  • Licitações ilegais
  • Desrespeito à Constituição ao ignorar o diálogo com os índios
  • Aprovações em congresso em tempo recorde, para se esquivar da opinião pública.
  • Ausência de documentação necessária…

O estudo foi entregue em 2009 ao IBAMA, extremamente incompleto, resultando em seu veto pela instituição. Foi solicitada uma revisão completa do estudo, mas no final do mesmo dia, esse documento foi submetido novamente e então aprovado. Qualquer suspeita de suborno ou corrupção nesse processo é mera paranóia OK?

Todas as audiências públicas convocadas posteriormente para discutir a Usina foram feitas de surpresa, em espaços reduzidos, limitando a participação da população. Enfim, uma farsa.

Devido à repercussão horrível dessas audiências fraudulentas, que além de tudo ignoravam oito dos onze municípios atingidos, o MPF entrou com Ação de Improbidade Administrativa contra a obra, conseguindo uma vez mais parar a execução de Belo Monte.

Buscando criar um espaço de dialogo que realmente representasse todos os povos atingidos, a liderança comunitária de Altamira/PA promoveu um enorme encontro de povos indígenas. Nesse evento o único representante enviado pelo governo federal, o engenheiro Paulo Fernando Rezende, falou por 40 minutos, se irritou com as vaias dos índios e concluiu sua fala dizendo que as barragens seriam construídas “quer eles quisessem ou não”.

Acho que estou me tornando repetitivo. A historia continua se repetindo em incidentes semelhantes em uma masturbação sem fim da qual eu pretendo poupá-los de agora em diante. Só pra resumir a situação hoje, o IBAMA concedeu uma LP (licença provisória) para que a Eletrobrás prossiga os estudos sobre a obra, mas ainda não concedeu a LI (licença de instalação). Ou seja, até agora, tudo pode acontecer.

Acontece que toda essa movimentação foi conquistando a atenção das pessoas. De um lado, lindos cartazes em aeroportos patrocinados pelo governo federal nos informavam sobre as maravilhas dessa usina. Do outro lado, escândalos e mais escândalos minavam continuamente a imagem do empreendimento.

O atual presidente do Ibama, Curt Trennepohl, declara em entrevista para rede Australiana que seu trabalho não é defender o meio ambiente, mas sim minimizar os impactos, e fala (sem saber que estava sendo filmado) que o Brasil fará com os indios a mesma coisa que a Australia fez com os aborigenes. Pra quem não sabe a Australia praticamente ACABOU com os aborigenes.

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/943942-presidente-do-ibama-causa-polemica-em-entrevista-a-tv-australiana.shtml

Algumas pessoas escolheram um lado ou outro. A maioria foi só ficando confusa.

Comecou a circular na rede um video cheio de “atores globais”, necessário, porém um pouco leviano e cheio de argumentos errados, com direito a Maitê Proença tirando o sutiã, apoiando o Movimento Gota D’Agua (contrário à construção da usina) e a coisa pega fogo. Subitamente, todo mundo tem uma opinião sobre o assunto, apesar de pouca gente realmente saber o que está acontecendo.

Segunda Parte – OS PRÓS E OS CONTRAS

Acho que qualquer pessoa que estudar um pouquinho a história dessa barragem vai sentir que tem algo fedendo muito nisso tudo. A simples podridão subliminar na história de Belo Monte faz com que eu me sinta naturalmente impelido a ir contra ela, como eu seria automaticamente contra uma obra anunciada pelo Maluf, por exemplo.

Presumindo que algumas pessoas simplesmente não se importam com  falsas licitações, desvios de dinheiro e violações na constituição, e estejam preocupados pura e simplesmente com a capacidade da Usina em gerar energia e ajudar a “levar nosso país rumo ao futuro”, escrevi essa (mais breve) parte 2, onde me concentro nos aspectos técnicos da construção dessa barragem.

O perigo é que, em uma análise superficial desses aspectos técnicos, Belo Monte parece mesmo ser um empreendimento interessante:

1-      Um dos maiores argumentos técnicos contra Belo Monte, que é a incapacidade da usina de explorar 100% de seu potencial (vai usar 42% em média), é falacioso. A usina tem que estar preparada para os momentos de maior cheia. Não existe uma parte da bacia que “praticamente seca”, como aquele Vídeo da Globo fala.

2-      Os 640 km2 (ou 516 km2?) de floresta que serão alagados representam uma área razoavelmente modesta se comparada a obras como Itaipu, que alagou 1320 km2.

3-      O Brasil está crescendo muito, e demandará um crescimento de produção de energia de 2,2 % ao ano por pelo menos 20 anos. Em 2010 crescemos nosso consumo de energia em 7,8%.

4-      É fato que a energia hidrelétrica é uma das mais baratas que existem. Seriam necessárias 19 usinas termelétricas, ou 17 usinas nucleares ou 49,9 milhões de placas de energia solar, para gerar a mesma quantidade de energia de Belo Monte.  Ela não polui o ar e seus riscos são relativamente baixos.

Já mudou de idéia? Não tão rápido assim meu amigo. Vale à pena pensar no seguinte:

1 – Possuímos turbinas muito antigas ainda em operação em diversas hidrelétricas do país, e estima-se que a repotenciação dessas usinas poderia aumentar em até 20% a eficiência das barragens que JÁ POSSUIMOS. Claro, obras de manutenção não envolvem contratos milionários com empreiteiras, então deixemos isso de lado.

2- Segundo estudo do Instituto Akatu cerca de 30% da energia que o Brasil produz HOJE é desperdiçado por maus hábitos de consumo. Simplificando de uma forma esdrúxula, porém incomodativamente verdadeira: Se o governo possuísse leis mais rígidas contra o desperdício de energia nas indústrias nossa capacidade de produção atual atenderia o aumento de demanda por anos.

3 – A despeito de nosso IMENSO território, menos de 2% da energia produzida no Brasil hoje é eólica, contra mais de 10% nos EUA por exemplo.

4 – Hidrelétricas podem não poluir o ar, mas causam estragos irreversíveis na fauna dos rios onde são instaladas, afetando de forma totalmente imprevisível o ciclo de vida do Rio. Na China, por exemplo, o boto chinês e muitas outras espécies foram extintas pela construção de hidrelétricas.

5 – Além da extinção de espécies, esse tipo de impacto ambiental pode tornar a sobrevivência de uma população que dependa da coleta ou caça (como a indígena) completamente impossível em certo local. Não basta mandar os índios para outra área, se essa área não puder prover o mínimo necessário para sua sobrevivência. Esse é um erro recorrente na maneira com que o governo tem lidado com a questão indígena nas ultimas décadas.

6 – O fato da bacia do Rio Xingu (onde vive a maioria das populações indigenas) ficar no Mato Grosso e não no Pará, onde a barragem seria construida, não muda o fato de que 40.000 pessoas terão que ser SIM realocadas.

7 – Nosso investimento atual em pesquisas com energias verdes é 0,35% de nosso PIB. Em contrapartida, gastamos 44% dele em pagamento de juros bancários para sustentar nossa divida interna. Não estamos realmente nos esforçando muito para encontrar alternativas não é?

8 – Segundo Celio Bermann, especialista em eletricidade e antigo acessor da Dilma na obra, os dados apresentados pelo governo que pregam eficiencia e baixo custo por megawatt de Belo Monte são FALSOS:

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/belo-monte-nosso-dinheiro-e-o-bigode-do-sarney.html

….

De todos esses pontos, o que mais chama a minha atenção (tirando a entrevista com o Bermann …BOMBA) é o seguinte: Se fossemos mais rígidos no que concerne o recordista desperdício de energia de nosso país, e procurássemos atualizar as hidrelétricas que já possuímos e regular o uso da energia da qual já dispomos, conseguiríamos atender a demanda de nosso crescente desenvolvimento econômico por muitos e muitos anos.

“Mas não para sempre!”, dizem os defensores da barragem.

Isso nos leva ao ultimo ponto importantíssimo, que gostaria de ressaltar em meu texto.

Não adianta estudarmos de que maneira seremos capazes de atender a crescente demanda de energia, se não estudarmos as maneiras de reduzir essa demanda, que hábitos precisam ser mudados, qual será o fim disso tudo.

Retomando o que disse em meu artigo “Sobre Steve Jobs, Zeitgeist e Revolução”, para produzir mudanças realmente significativas no mundo temos que parar de usar a régua mental de nossos pais e avós para planejar o futuro. Temos que fazer uma auto-reflexão.

Vocês conhecem o famigerado exemplo do Sapo, usado por Al Gore em seu filme “Uma verdade inconveniente”, para falar sobre a forma com que a raça humana tem aceitado a destruição do próprio planeta?

Bom, se jogado em uma panela de água fervente, o sapo se assusta com o calor, salta pra fora rapidamente e se salva. Por outro lado, se você colocá-lo em uma panela de água fria e aquecer ela aos poucos, o sapo nem percebe o aumento da temperatura e morre cozido. Se coloque agora no lugar desse sapo: Quantas pequenas concessões nós não fizemos ao longo de dezenas de séculos, especialmente depois da revolução industrial? Será que a panela já não está fervendo?

Grande parte da floresta européia (ou da mata atlântica), centenas de milhares de espécies,a qualidade do nosso ar e metade da vida marinha do globo foram “sacrifícios necessários” em nome de nosso desenvolvimento, em nome da manutenção de nosso “estilo de vida”. Nós precisamos mesmo entrar em um colapso energético para concluir que o excesso de luzes de natal na Paulista é um desperdício? Precisamos acabar com todos os peixes do mar para entender que não dá pra almoçar sushi todo dia?

Da mesma forma que os habitantes da Ilha de Páscoa um dia acharam que cortar as árvores de sua própria casa era um “mal necessário” para manter seu estilo de vida, não estaremos abrindo concessões demais? Eles queriam adorar aqueles imensos ídolos de pedra que construíam e precisavam deslocar para toda parte, por outro lado nós queremos trocar o Iphone todo ano, trocar o carro a cada nova geração, nunca ter que pensar que os recursos do planeta são limitados. Pois vivemos como se não fossem.

A despeito do fetiche de nossa geração pelos filmes-catástrofe ou profecias apocalípticas (quantas vezes não anunciaram o fim do mundo desde que você nasceu?), nós não perderemos o mundo de uma só vez. Nós estamos fazendo isso de pouquinho em pouquinho, concessão por concessão.

Nós caminhamos em passos curtos, porém acelerados, em direção a um mundo pior, toda vez que aceitamos que a extinção de uma espécie, que o fim de uma cultura tradicional, é um “sacrifício aceitável” para o desenvolvimento econômico de nosso país.

Mas desenvolvimento em nome do que?

Veja bem, não sou nenhum tipo de fanático anti-progressista, que acha que a solução para os problemas do mundo é voltarmos a morar em cavernas. Eu mataria o ultimo urso polar do mundo, acenderia fogo no Louvre, transformaria a floresta amazônica em um enorme estacionamento de shopping, se isso representasse o fim da fome, da miséria ou da guerra no mundo. Faria isso sem remorso, em nome de um futuro melhor, em nome de um bem maior.

Mas infelizmente 99% da degradação ambiental do mundo hoje não está se refletindo em melhoras na vida das pessoas. Está enriquecendo meia dúzia de empresários, políticos ou banqueiros espalhados pelo mundo. Grande maioria dos celulares, televisões ou carcaças de carros que formam pilhas mais altas que a Torre de Babel em países de terceiro mundo só existem porque nós fomos doutrinados em uma religião de consumo irresponsável, de materialismo, de comportamento auto-destrutivo, porque se nossa economia não crescer uma certa porcentagem por ano isso siginificará que o mundo vai acabar.

Um aviso: O mundo não vai acabar se a economia não crescer. O mundo vai acabar no dia que não houver mais chão para plantar alimento, pois tudo estará asfaltado ou contaminado pela indústria. O mundo não vai acabar se o PIB de um país estagnar em um certo ano, ele vai acabar se a temperatura do planeta derreter as calotas polares e formar um tsunami capaz de engolir metade da superfície terrestre. Eu não estou desviando do assunto, eu não estou generalizando demais a argumentação e perdendo o foco. Ainda estamos falando sobre Belo Monte.

O vídeo dos atores globais é falacioso porque tenta explicar, sob nossa lógica atual, que Belo Monte não é necessária e nem trará benefícios reais. Por isso seus argumentos são falaciosos. Sob a ótica atual, Belo Monte (ou algo parecido com ela) será mais cedo ou mais tarde necessária. Podemos, com outras medidas, ganhar algumas décadas no máximo, mas não vai bastar.

Em um quadro de concessões aceitáveis, em uma relação custo-benefício meramente econômica, Belo Monte acaba sendo um bom negócio. Não é a toa que existe tanto esforço da parte de vários grupos para tornar esse projeto realidade, a despeito de todas as suas falhas e irregularidades.

O problema é que sob essa mesma ótica uma segunda, uma terceira, e uma quarta Belo Monte serão necessárias para acompanhar o desenvolvimento que esperamos ter daqui a 50, 100, 200 anos.

Ninguém investe em energia verde pois ela é cara, e porque os custos para trocar uma linha de produção inteira são milhões de vezes maiores do que os custos para mudar um pouco o design de uma coisa velha e vende-la como nova. Já falei disso em meu texto “Por que o Capitalismo não é a solução”.

Cuidado ao pesar os prós e contras de Belo Monte seguindo a mentalidade econômica atual. Como o (muito mais inteligente e bem argumentado) vídeo que alguns universitários gravaram em resposta ao vídeo dos globais, se você fizer isso (ignorando a historia da barragem e a tudo o que não tiver valor economico, como peixes ou indios por exemplo), Belo Monte ganha. Apenas elevando a discussão para um nível mais amplo, respeitando o processo histórico (tanto o passado quanto nossa perspectiva futura) a coisa muda de figura. Sob essa ótica Belo Monte, bem como todo nosso estilo de vida atual, é uma insanidade sem precedentes.

A ciência econômica tradicional busca atribuir um valor monetário a todas as coisas que existem, e por meio desse valor monetário determina o que é interessante ou viável em uma relação custo-benefício.

Quanto vale a sobrevivência do Tigre de Bengala ? do Urso Polar? Da floresta amazônica?

Quanto vale a preservação das pirâmides do Egito? De Matchu Pitchu?

Quanto valia o patrimônio cultural  dos 773 povos indígenas que desapareceram durante a colonização do Brasil?

Quanto vale a sobrevivência da raça humana?

Se quisermos continuar existindo nos próximos séculos, temos que aceitar a idéia de que certas coisas não podem ser valoradas, certas coisas simplesmente não tem preço.

Temos que começar a tomar decisões importantes baseados em uma lógica ética, em uma lógica filosófica, em uma lógica HUMANA. Temos que parar de deixar o Excel pensar por nós. Reassumir o controle.E assumir o preço que teremos que pagar por isso.

A maior importância da discussão levantada por Belo Monte não é decidir se aceitaremos que 640 km2 (ou 516 km2 ?) de floresta sejam alagados. Precisamos decidir se continuaremos aceitando essa grande FARSA que foi criada para nos distrair enquanto nossos índios morrem, enquanto nossa terra e nosso futuro são comprometidos, talvez para sempre, ou se vamos fazer alguma coisa a respeito.

Chegou a hora de invadir o palco, de rasgar os figurinos, de quebrar o cenário. Chegou a hora de tomar o controle do Teatro, de expulsar os diretores…

Se não nos permitirmos um pouco mais de urgência, logo chegaremos em um ponto onde a máxima de Karl Marx se provará imperfeita…

Vivenciaremos uma grande TRAGÉDIA.

E talvez não vá sobrar ninguém para representar a FARSA que poderia se seguir…

……….

 

NOTA POSTERIOR À PUBLICACAO DO ARTIGO: 

No dia 17/12/2011, foi realizada uma série de passeatas contra a Usina de Belo Monte em diversas capitais do país.

Tive a oportunidade de comparecer à passeata na Paulista. O que vi foi um maravilhoso grupo de mais de 500 pessoas, inclusive indígenas, que após se reunir sob o Vão do Masp, marchou pela Avenida Paulista (ocupando 3 faixas). A marcha seguiu até a Rua Augusta, onde bloqueou o cruzamento por mais de 10 minutos (todos deitados, simbolizando a morte da floresta). Depois o grupo desceu até a Republica.

Passeatas semelhantes ocorreram em Campinas, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e Belém.

A mídia praticamente ignorou o evento, que não mereceu sequer uma nota de rodapé no Estadão, por exemplo. Mas já sabemos que não se pode confiar neles não é?

MATERIAL COMPLEMENTAR:

Video muito bom sobre Belo Monte, os interesses da Unicamp, do Governo Federal e outros atores em sua construção:

http://www.youtube.com/watch?v=M7xyKQ7IGew&context=C38d1127ADOEgsToPDskJ7vntSowGKAyOkAKM0M0EW

Sobre a degradação de Altamira:

http://vimeo.com/33750674

Sobre os protestos do dia 17/12:

http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/sptv-2edicao/t/edicoes/v/protesto-contra-a-obra-da-usina-de-belo-monte-acontece-na-avenida-paulista/1735472/

Petição do Avaaz contra o financiamento de Belo Monte no BNDES:

http://www.avaaz.org/po/belo_monte_people_vs_profits/?vl

Artigos interessantes sobre Belo Monte:

http://belomontedeviolencias.blogspot.com/search/label/hist%C3%B3rico%20judicial

http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/09/28/prefeitura-de-altamira-pede-suspensao-de-belo-monte/

http://catarse.me/pt/projects/459-belo-monte-anuncio-de-uma-guerra

http://www.internationalrivers.org/files/Belo%20Monte%20pareceres%20IBAMA_online3%29.pdf

Videos Relevantes sobre o assunto:

http://www.youtube.com/watch?v=xnitmB22JtQ

http://www.youtube.com/watch?v=kAAdXrdXSpM&feature=related

Link da Wikipedia contando um histórico sobre Belo Monte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte

Estudo do próprio governo federal sobre a repotenciação de usinas (o estudo preve um potencial de acréscimo bem menor do que o apontado por estudos independentes):

http://www.epe.gov.br/mercado/Documents/S%C3%A9rie%20Estudos%20de%20Energia/20081201_1.pdf

Estudo de 230 páginas feito por 27 especialistas, mais 14 colaboradores

http://www.internationalrivers.org/files/Belo%20Monte%20pareceres%20IBAMA_onl…

Entrevista com Célio Bermann, professor da USP e ex assessor de Dilma no ministério de Minas e Energia

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/belo-monte-nosso-dinh…

Sobre a poluição DO AR gerada por hidrelétricas:

http://www.apoena.org.br/artigos-detalhe.php?cod=207

http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:rhtRhjDFWaoJ:www.oecologiaaustr…

Sobre a extinção de peixes em Belo Monte:

http://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=84882

Sobre a demissão do presidente do IBAMA:

http://exame.abril.com.br/economia/meio-ambiente-e-energia/noticias/president…

IBAMA concede licença pra construção de Belo Monte:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/06/ibama-concede-licenca-de-instala…

Sobre as críticas da OEA e a resposta do Itamaraty:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/04/posicao-da-oea-sobre-belo-monte-…
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/04/30/dilma-retalia-oea-por-be…

Crítica ao projeto gota d’Água, por Marcelo Carneiro da Cunha

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5475583-EI8423,00-Os%20Belos%2…

Sobre hidrelétricas como opção energética:

http://inovacao.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-2394200…

Apanhado crítico de Alexandre Porto

http://www.aleporto.com.br/blog.php?tema=4&post=2783

Sobre o Bispo Erwin Kräutler:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Erwin_Kr%C3%A4utler

Sobre superlotação de Altamira

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/10075-altamira-pede-suspensao-de-bel…

Reportagem da TV Folha sobre Altamira

http://www.youtube.com/watch?v=qNljSZZEWYk&feature=player_embedded

Vídeo do Daniel Fraga

http://www.youtube.com/watch?v=OJuxqXBPLPI

Usina de Três Gargantas na China, não só falhou em reduzir a poluição como PIOROU ela:

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/760942-poluicao-em-hidreletrica-de-tres…

Link do projeto Gota D’Água, com novos vídeos:

http://movimentogotadagua.com.br/

Tirinha-resumo do texto para viralizar:


OCCUPY WORLD: Remoção do Acampa Sampa e Acampa Rio

Prezados,

Escrevo para informa-los de que entre as madrugadas de segunda e terça os Acampamentos do Ocupa Sampa e Ocupa Rio foram violentamente removidos por policiais, no Anhangabaú e Cinelândia respectivamente.

A proximidade dos dois eventos só me leva a acreditar que foi uma ação coordenada.

Os dois acampamentos eram legitimos e possuiam autorização judicial, o que caracteriza as remoções como atos ILEGAIS realizados pelos governadores que coordenam as respectivas divisões da policia militar responsáveis pelo ato.

Como de costume, a remoção foi feita muito cedo, de surpresa, longe dos olhos da opinião publica, e com abuso de violencia e destruição de propriedade particular.

Segundo relato de representantes do movimento na página do Acampa Sampa:

“A Guarda Civil Metropolitana chegou no Anhangabaú às 7h da manhã (quando muitos ainda dormiam em suas barracas) junto com um caminhão cata-bagulho da subprefeitura da Sé. Não houve qualquer tipo de negociação ou apresentação de ordem judicial. Eles retiraram tudo de forma truculenta, muita gente não teve tempo de tirar as coisas de dentro das barracas.

Por volta das 14h. a GCM retornou para terminar o serviço, com novas agressões e apreensões. Nesse momento recolheu parte dos celulares e câmeras a fim de apagar as imagens dos abusos cometidos.”

http://15osp.org/2011/12/06/final-de-semana-de-ataque-a-democracia-e-ao-direito-de-livre-manifestacao/

Agressões e ameaças da policia tambem frustraram a tentativa de ocupação da praça Mahatma Ghandi no Ibirapuera, idealizada para chamar a atenção da mídia devido à inauguração da árvore de natal do parque.

Relato do João K, que estava entre aqueles que tentaram ocupar a praça e foram rechaçados pela PM:

“Hoje foi tenso, estava tudo bem até umas 15:30, quando vieram os gcms (Guarda Civil Metropolitana) perguntar do acampamento, e nós dissemos que não sairíamos da praça em que estávamos (Tulio Fontoura), porém eles chamaram a PM, que veio com toda a sua truculência.

 Primeiro falaram que se baixássemos as barracas ficaria tudo bem e deram um prazo de 30 minutos para fazermos isso, senão iriam descer o cassete na galera.

Depois que baixamos as barracas, no prazo estipulado, o 1º tenente Tanarja (acho que era esse o sobrenome) disse para sairmos da praça no prazo de mais 30 minutos pois a praça seria fechada, para resguardar a segurança do evento de inauguração da árvore de Natal, ato totalmente autoritária da PM.

Tivemos que tirar a infra estrutura as pressas da praça para depois decidirmos o que faríamos.

Tive notícias que ainda tinha uma galera ao redor da árvore por volta das 20h,algumas pessoas ainda ficaram por lá pra fazer um ato. Conseguiram chegar com faixas bem na frente do palco, alguns se reagrupariam outros iriam pra casa.

Fizemos algumas filmagens que serão divulgadas em breve.

OBS: Mobilizaram umas 6 viaturas da PM e mais umas 3 da GCM, truculência para reprimir movimento pacífico. 

O policial ainda teve a cara de pau de dizer, “Isso é DEMOCRACIA”.

O que estamos celebrando mesmo?

O modus operandi dos governos do mundo todo para reprimir esse movimento, bem como outros movimentos que possam ser caracterizados como “subversivos”, tem sido basicamente o mesmo.

1. Demonize o inimigo.
2. Exagere a ameaça.
3. Finja um esforço diplomático.
4. Estabeleça um pretexto de que um limite foi supostamente ultrapassado.
5. Inicie a repressão.

De meu amigo e acampante no Acampa Sampa André Z. peguei esse interessante quadro que mostra uma evolutiva militarização das subprefeituras de São Paulo, só para ilustrar que há muito mais por baixo dos panos do que se tem discutido por aí:

Nas próprias palavras do André : “Das 31 subprefeituras de São Paulo, 29 são ocupadas por MILITARES. E você aí, achando que a pauta dos estudantes da USP é coisa de ‘maconheiro e vagabundo’.”

Vivemos em uma ditadura subliminar do capital, onde você realmente é livre para gastar seu dinheiro e calar a boca, mas se sair muito da linha, já está claro que seu destino é mesmo tomar borrachada.

Procurem algo sobre a militarização das subprefeituras nos jornais. Ou então sobre a remoção dos Acampamentos. Não vão achar.

Você pode achar que os relatos abaixo (é o que eu tenho por enquanto) são mentiras de agitadores querendo aparecer. É realmente um pensamento confortável. Ou então pode ligar os pontos.

Ligar os pontos entre os relatos de abuso de violencia policial no mundo todo, eses relatos de agora, os da desocupação da USP (e subsequente greve de 70% de seus alunos e professores).

E tirar uma conclusão menos comoda, mas um pouco mais realista, sobre o que estamos vivendo nesse momento.

PS: No dia 07/11/2011, quarta feira que vem, as 19h00 na Praça do Ciclista (Avenida Paulista) será realizada uma assembléia geral para decidir os destinos e proximos passos do movimento. Todo aquele que estiver interessado em se juntar, quiser aprender um pouco sobre o movimento ou simplesmente estiver curioso, está convidado a comparecer e averiguar a veracidade de tudo o que está sendo colocado aqui.

………

MATERIAL DISPONIVEL (ATË AGORA):

Depoimentos sobre a remoção do Acampa Sampa:

http://www.youtube.com/watch?v=apfEz6x2mI0&feature=youtu.be

http://www.youtube.com/watch?v=7W2-7ppB9g0&feature=youtu.be

“A Paulista prescisa dormir”. Um outro relato recente de violencia policial (dica da Diana H.):

https://www.facebook.com/paljranton/posts/273675782685127