OCCUPY WORLD: Remoção do Acampa Sampa e Acampa Rio

Prezados,

Escrevo para informa-los de que entre as madrugadas de segunda e terça os Acampamentos do Ocupa Sampa e Ocupa Rio foram violentamente removidos por policiais, no Anhangabaú e Cinelândia respectivamente.

A proximidade dos dois eventos só me leva a acreditar que foi uma ação coordenada.

Os dois acampamentos eram legitimos e possuiam autorização judicial, o que caracteriza as remoções como atos ILEGAIS realizados pelos governadores que coordenam as respectivas divisões da policia militar responsáveis pelo ato.

Como de costume, a remoção foi feita muito cedo, de surpresa, longe dos olhos da opinião publica, e com abuso de violencia e destruição de propriedade particular.

Segundo relato de representantes do movimento na página do Acampa Sampa:

“A Guarda Civil Metropolitana chegou no Anhangabaú às 7h da manhã (quando muitos ainda dormiam em suas barracas) junto com um caminhão cata-bagulho da subprefeitura da Sé. Não houve qualquer tipo de negociação ou apresentação de ordem judicial. Eles retiraram tudo de forma truculenta, muita gente não teve tempo de tirar as coisas de dentro das barracas.

Por volta das 14h. a GCM retornou para terminar o serviço, com novas agressões e apreensões. Nesse momento recolheu parte dos celulares e câmeras a fim de apagar as imagens dos abusos cometidos.”

http://15osp.org/2011/12/06/final-de-semana-de-ataque-a-democracia-e-ao-direito-de-livre-manifestacao/

Agressões e ameaças da policia tambem frustraram a tentativa de ocupação da praça Mahatma Ghandi no Ibirapuera, idealizada para chamar a atenção da mídia devido à inauguração da árvore de natal do parque.

Relato do João K, que estava entre aqueles que tentaram ocupar a praça e foram rechaçados pela PM:

“Hoje foi tenso, estava tudo bem até umas 15:30, quando vieram os gcms (Guarda Civil Metropolitana) perguntar do acampamento, e nós dissemos que não sairíamos da praça em que estávamos (Tulio Fontoura), porém eles chamaram a PM, que veio com toda a sua truculência.

 Primeiro falaram que se baixássemos as barracas ficaria tudo bem e deram um prazo de 30 minutos para fazermos isso, senão iriam descer o cassete na galera.

Depois que baixamos as barracas, no prazo estipulado, o 1º tenente Tanarja (acho que era esse o sobrenome) disse para sairmos da praça no prazo de mais 30 minutos pois a praça seria fechada, para resguardar a segurança do evento de inauguração da árvore de Natal, ato totalmente autoritária da PM.

Tivemos que tirar a infra estrutura as pressas da praça para depois decidirmos o que faríamos.

Tive notícias que ainda tinha uma galera ao redor da árvore por volta das 20h,algumas pessoas ainda ficaram por lá pra fazer um ato. Conseguiram chegar com faixas bem na frente do palco, alguns se reagrupariam outros iriam pra casa.

Fizemos algumas filmagens que serão divulgadas em breve.

OBS: Mobilizaram umas 6 viaturas da PM e mais umas 3 da GCM, truculência para reprimir movimento pacífico. 

O policial ainda teve a cara de pau de dizer, “Isso é DEMOCRACIA”.

O que estamos celebrando mesmo?

O modus operandi dos governos do mundo todo para reprimir esse movimento, bem como outros movimentos que possam ser caracterizados como “subversivos”, tem sido basicamente o mesmo.

1. Demonize o inimigo.
2. Exagere a ameaça.
3. Finja um esforço diplomático.
4. Estabeleça um pretexto de que um limite foi supostamente ultrapassado.
5. Inicie a repressão.

De meu amigo e acampante no Acampa Sampa André Z. peguei esse interessante quadro que mostra uma evolutiva militarização das subprefeituras de São Paulo, só para ilustrar que há muito mais por baixo dos panos do que se tem discutido por aí:

Nas próprias palavras do André : “Das 31 subprefeituras de São Paulo, 29 são ocupadas por MILITARES. E você aí, achando que a pauta dos estudantes da USP é coisa de ‘maconheiro e vagabundo’.”

Vivemos em uma ditadura subliminar do capital, onde você realmente é livre para gastar seu dinheiro e calar a boca, mas se sair muito da linha, já está claro que seu destino é mesmo tomar borrachada.

Procurem algo sobre a militarização das subprefeituras nos jornais. Ou então sobre a remoção dos Acampamentos. Não vão achar.

Você pode achar que os relatos abaixo (é o que eu tenho por enquanto) são mentiras de agitadores querendo aparecer. É realmente um pensamento confortável. Ou então pode ligar os pontos.

Ligar os pontos entre os relatos de abuso de violencia policial no mundo todo, eses relatos de agora, os da desocupação da USP (e subsequente greve de 70% de seus alunos e professores).

E tirar uma conclusão menos comoda, mas um pouco mais realista, sobre o que estamos vivendo nesse momento.

PS: No dia 07/11/2011, quarta feira que vem, as 19h00 na Praça do Ciclista (Avenida Paulista) será realizada uma assembléia geral para decidir os destinos e proximos passos do movimento. Todo aquele que estiver interessado em se juntar, quiser aprender um pouco sobre o movimento ou simplesmente estiver curioso, está convidado a comparecer e averiguar a veracidade de tudo o que está sendo colocado aqui.

………

MATERIAL DISPONIVEL (ATË AGORA):

Depoimentos sobre a remoção do Acampa Sampa:

http://www.youtube.com/watch?v=apfEz6x2mI0&feature=youtu.be

http://www.youtube.com/watch?v=7W2-7ppB9g0&feature=youtu.be

“A Paulista prescisa dormir”. Um outro relato recente de violencia policial (dica da Diana H.):

https://www.facebook.com/paljranton/posts/273675782685127

Anúncios

OCCUPY WORLD: Fontes de Informação atualizado – 02/12/2011

Amigos,

Entre em contato com novos materiais interessantes sobre o movimento e gostaria de compartilha-los com vocês, como sempre:

http://occupiedmedia.us/

O site Occupiedmedia.us reune uma quantidade incrivel de textos e materias interessantes sobre o Occupy, naturalmente focando nos EUA (mas de igual relevancia para os demais movimentos do mundo).

Nesse site entrei em contato por exemplo com esse breve e pertinente resumo da situação economica atual dos EUA e por que as coisas estão explodindo assim:

http://occupiedmedia.us/2011/11/what-is-occupy-wall-street-all-about/

Também entrei em contato com esse interessante tumblr onde as pessoas contam suas histórias, sobre como elas estao sendo esmagadas pelo sistema e porque elas são os 99%:

http://wearethe99percent.tumblr.com/

No mais, me despeço por essa semana e convido todos que ainda nao tiveram a oportunidade, a ler meu ultimo texto: “Teorias da Conspiração”ou “A Fera Encurralada” (ultimo post) e comentar, discutir e divulga-lo por aí.

Um forte abraço. A luta continua !


OCCUPY WORLD: O transbordo do copo de cólera

A ocupação na reitoria da USP (e subsequente greve de mais de 60% da faculdade que persiste até agora), as centenas de ocupações espalhadas pelo mundo, os milhares de protestos em menos de 2 meses….

Eventos pontuais sem relação alguma?

Pouco provável.

Encaminho abaixo entrevista excelente publicada pelo Estado, o que é quase um oasis de conhecimento em uma publicação conhecidamente tendenciosa (atentem à natureza tendenciosa de cada uma das perguntas e como o entrevistado habilmente as responde).

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-transbordo-do-copo-de-colera,798151,0.htm

Aguardem em breve meu novo artigo…

______________________________________

Juliana Sayuri – O estado de São Paulo. Originalmente publicado no site do Estado de São Paulo no dia 13/11 as 3h09.

Quando era um jovem de 18 anos, estudante de ciências sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), ainda nos tempos da Rua Maria Antônia, ele assistia às conferências de Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti, Otávio Ianni e Paul Singer, mentores que o convidaram a participar do prestigiado núcleo de estudos de O Capital. Aos 26, pupilo de Lucien Goldmann e laureado sociólogo pela Sorbonne, em Paris, foi estudar hebraico num kibutz e lecionar história na Universidade de Tel-Aviv, em Israel. Aos 30, com o Maio de 68 sacudindo a França, recebeu (e aceitou) um convite para lecionar na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Em 1970, ainda longe dos 40, descobriu-se persona non grata no Brasil do general Médici, tornou-se um judeu paulistano sem passaporte brasileiro e se estabeleceu definitivamente em Paris para estudar Marx, Lukács e Guevara.

Estudantes em confronto com a PM na USP - ANDRE LESSA/AE
ANDRE LESSA/AE
Estudantes em confronto com a PM na USP

Agora, rejuvenescido aos 73, o sociólogo Michael Löwy anda entusiasmado com a volta dos estudantes às ruas brandindo livros de Marx e Walter Benjamin. “Não pode haver um movimento que não se refira às lutas, às vítimas, aos mártires e aos pensadores do passado porque nós nunca partimos do zero”, diz. Objeto de estudo em As Utopias de Michael Löwy: Reflexões sobre um Marxista Insubordinado, de Ivana Jinkings e João Alexandre Peschanski (Boitempo, 2007), organizador de Revoluções (da mesma editora) e atualmente pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) de Paris, nas últimas semanas Löwy acompanhou o noticiário da ocupação (e a posterior desocupação) da reitoria da USP. Interpretou como “faíscas” o clamor dos estudantes contra a presença policial e os berros por liberdade para se fumar maconha no câmpus. “O que se passa é muito maior que isso. Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera. E, diante dessa percepção de injustiça, os estudantes têm um papel essencial, começando movimentos de protesto. Não podemos subestimá-los.” A seguir, a entrevista que Löwy concedeu ao Aliás, por telefone, de sua residência na capital francesa.

Estudantes ocupando praças em Nova York, Madri, ruas em Santiago, a reitoria na USP. Estamos diante de um arrastão de rebeldia ou são episódios isolados?

Não são episódios isolados. São parte de um processo internacional que lembra os anos 1960. Quando há um sentimento de injustiça e insatisfação na sociedade, os estudantes são os primeiros a se organizar e a protestar. Agora, na maioria dos casos, seja na Europa, no Chile ou nos Estados Unidos, não são apenas estudantes. É a juventude em geral. Os estudantes naturalmente têm um papel importante, mas é um movimento bem mais amplo, ao qual vão se agregando outros grupos – desempregados, trabalhadores, sindicalistas. Torna-se algo muito plural. O que há de comum é a indignação. Essa palavra está servindo como um sinal de identidade dos protestos. Há uma indignação muito grande que pode estourar por com um pretexto mínimo. No caso de São Paulo foi uma intervenção policial na USP. Mas poderia ter sido outra faísca.

Indignação com o quê? No caso da USP, pode-se ter a impressão de que é com a impossibilidade de fumar maconha no câmpus.

É muito maior que isso. Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera – e cólera com alta qualidade ética e política. O começo de qualquer movimento ou mudança social sempre se dá com um estado de espírito indignado, a começar na juventude. E fácil de entender o porquê de tanta indignação. Estamos numa situação em que a ordem social parece cada vez mais irracional, promovendo desigualdades gritantes, promovendo os excessos do mercado financeiro, a destruição do meio ambiente. As razões para a indignação são evidentes. Têm a ver com o sistema. Por mais que comece com uma história de maconha e confronto com a polícia, acaba se transformando em um protesto antissistêmico. Em última análise, o objeto de indignação é o poder exorbitante do capital mostrando a sua irracionalidade e desumanidade. Muitas vezes, isso é formulado explicitamente nesses termos. Outras, não. Mas a questão está subjacente em todos os protestos recentes. Nós, sociólogos, precisamos tentar entender por que isso não começou mais cedo. Porque as razões para a indignação já existiam. Pelo jeito, foi necessário uma acumulação de descontentamento e um sentimento de que não é mais possível tolerar tal situação. E de que é preciso se revoltar, sabendo ou não se se conseguirá impor alguma mudança. Há um imperativo categórico de revolta, no sentido kantiano. Há coisas que você precisa fazer, mesmo sem ter certeza de em que vai dar. E quanto maior a participação ativa dos jovens, dos estudantes e de outros setores, cria-se uma relação de forças que pode pelo menos impor limites ao sistema e, sobretudo, criar uma tomada de consciência. Isso talvez seja o mais importante: a tomada de consciência. O Ocupe Wall Street não conseguiu arranhar o capital financeiro, mas despertou consciência crítica em grandes setores. Eis um evento importante. Histórico até.

Ocupações, greves e passeatas ainda são formas eficazes de protesto?

São as formas clássicas de protesto, que reaparecem sempre. Mas também há formas novas surgindo. Por exemplo, a comunicação através dos meios eletrônicos, como o Facebook e o Twitter, que permitem uma mobilização muito rápida. E as mobilizações de agora têm um caráter festivo, lúdico, com música, dança, festa, o que é próprio da expressão da juventude. O Facebook e o Twitter têm lugar importante, mas não é o caso de mitificá-los. Eles não bastam. Para que alguma coisa aconteça, você tem que sair de sua casa, descer à rua, reunir-se com outras pessoas, ir lá, brigar, protestar, talvez enfrentar a polícia. Então, o Facebook é um suporte, não vai substituir a ação direta das pessoas.

A juventude tem voz além do Facebook? Ela se sente representada politicamente?

Pouco, porque a representação política está nas mãos de setores sociais mais acomodados e de “mais idade”. Os jovens não se sentem representados. Há uma grande desconfiança em relação aos partidos e às instituições políticas existentes. Há certo rechaço a isso, muitas vezes com razão. Uma atitude cética diante da política institucional. Mas isso não quer dizer que haja desinteresse por eventos políticos. No meu tempo de aluno da FFLCH, nos anos 50, poucos estudantes achavam necessário ou sentiam vontade de se engajar em organizações políticas. Havia politização, mobilização em torno de determinadas causas, mas atividade política organizada era para uma minoria. Tenho a impressão de que atualmente a politização e a militância política são maiores do que nos anos 50, mas menores do que nos 60 e 70, durante a ditadura militar.

E podemos interpretar os protestos como um grito por participação política?

Analisemos o caso do Chile, que teve o movimento mais amplo até agora. Não é só um grito, é um protesto em cima de uma questão concreta: a privatização do ensino público desenvolvida no governo Pinochet, que não foi mudada pelos governos de centro-direita ou centro-esquerda que o sucederam. Trata-se de uma questão que concerne a todos os estudantes: o quase desaparecimento do ensino público gratuito, os preços exorbitantes da educação. E isso se coloca também no Brasil, na Inglaterra. Por toda a parte há essa tendência de transformar a educação em mercadoria, em indústria que deve dar lucro. E assim vai desaparecendo a educação pública gratuita, que era uma conquista de muitos anos de luta. O protesto dos estudantes chilenos começou criticando a privatização do ensino e depois tomou um caráter mais amplo, porque eles perceberam que os problemas na educação são parte de uma orientação geral de um sistema neoliberal. Notaram que esse modelo de educação é inseparável de questões maiores e, assim, o movimento ganha apoio de outros setores da sociedade.

A ideia de autonomia universitária está sendo colocada em xeque?

Autonomia universitária significa que o papel da universidade é transmitir conhecimento, cultura, ciência – e não mercadorias. Quando o papel do ensino se resume a permitir que estudantes adquiram um diploma, ou a prepará-los para encontrar um posto a serviço do management, do marketing, perde-se a qualidade humana, cultural e pedagógica da universidade. As universidades estão se tornando meras empresas voltadas para a produtividade, a racionalidade instrumental mercantil. E, obviamente, boa parte dos estudantes e professores resiste a isso, defende o estatuto da universidade como lugar de produção de cultura e conhecimento, com autonomia em relação ao mercado, à economia e às empresas.

No caso da USP, os estudantes se tornaram massa de manobra de partidos e sindicatos?

Não, pelo contrário. Há uma relação de desconfiança dos estudantes em relação aos sindicatos e sobretudo aos partidos. Uma parte do movimento sindical, geralmente a parte mais radical, se aproxima do movimento estudantil em busca de aliança. Mesmo que haja certo interesse dos jovens nessa aliança, ela não se dá com facilidade, porque os objetivos dos sindicatos são mais limitados. Os ritmos não são os mesmos, a cultura política não é a mesma. Então, há uma diferença que dificulta essa aliança. Mas, para os estudantes, é importante conseguir criar uma situação em que os sindicatos resolvam participar da mobilização. Isso tem acontecido no Chile, na Espanha, na Grécia, nos EUA. Longe de serem manipulados pelos sindicatos, esses movimentos de protesto têm grande autonomia. Eles buscam estabelecer a aliança, mas não no sentido de se tornarem apêndice dos sindicatos. Com os partidos políticos é mais complicado, porque a desconfiança é maior. Não há um único partido que controle ou manipule esses movimentos mundo afora.

Ao serem presos, estudantes da USP brandiam livros de Marx, Foucault e Walter Benjamin, imagens de Mao e Che Guevara. Essas referências continuam atuais?

É normal que cada vez que apareça um movimento de crítica antissistêmica as pessoas se refiram a personagens e pensadores que já exprimiram essa crítica. Então, Marx aparece como referência importante, porque ele foi o primeiro a elaborar uma crítica radical do sistema capitalista. Em muitos pontos, essa crítica é até mais atual hoje do que na época em que ele a escreveu. Fico feliz de saber que há estudantes que se referem ao pensamento desses autores. Benjamin tem uma reflexão profunda sobre o que é a modernidade capitalista, a ideologia do progresso. Ele dá elementos que Marx não dava. Guevara também é importante, sobretudo, como homem de ação e símbolo do compromisso ético com os ideais de libertação e emancipação. Tudo isso é necessário. Não pode haver um movimento, qualquer que seja, que não se refira às lutas, às vítimas, aos mártires e aos pensadores do passado, porque nós nunca partimos do zero. Mas, evidentemente, isso não basta. Precisamos também pensar com novos instrumentos teóricos para dar conta das questões que estão aparecendo neste começo do século 21. Por exemplo, a catástrofe ecológica que está se perfilando. Ela precisa de uma reflexão atual, utilizando elementos teóricos mais atualizados.

O sr. é um estudioso das revoluções dos séculos 19 e 20. Qual foi o papel dos jovens e estudantes nelas?

Depende, porque as revoluções são diferentes entre si. Em geral se pode dizer que a juventude sempre jogou um papel importante em qualquer movimento revolucionário. É uma constante. Movimentos revolucionários são levados por jovens, muitas vezes. Agora, se são estudantes ou não, isso depende da época, do país. Na Revolução Russa os estudantes não tiveram muito espaço. Na Revolução Cubana, sim. O Maio de 1968 em Paris foi um movimento totalmente estudantil. E um dos gatilhos foi a invasão da Sorbonne pela polícia. Na França, ainda hoje, a polícia entra raramente na universidade. Justamente porque se sabe que há o estatuto de autonomia das universidades e intervenções policiais provocam a reação dos estudantes. A polícia simboliza o autoritarismo do Estado contra a juventude, contra os estudantes. Esse choque com a polícia é frequente e, em certas circunstâncias, se transforma na faísca que mencionei antes, a que faz um protesto eclodir. Não podemos subestimar o papel dos estudantes nas revoluções.

 Os da USP foram chamados de bichos grilos de grife, filhinhos de papai, rebeldes sem causa, maconheiros mimados… Como o sr. avalia esse tipo de tratamento?

 Qalquer questionamento da ordem sempre é ridicularizado. Agora, sobre os estudantes serem meninos ricos… É uma mitificação, porque a maioria deles é de origem popular. Não são filhos de latifundiários, como eram os estudantes de antes da 2ª Guerra Mundial. Hoje em dia, a educação se tornou mais popular. Sobre a maconha: na minha opinião, não há razão para transformar o consumo de maconha em assunto de polícia. A maconha não é nem melhor nem pior do que o tabaco e a cerveja e tem um caráter bem diferente das drogas mais perigosas, como cocaína e crack. Então, essa reivindicação de descriminalizar o consumo da maconha me parece bastante razoável. Mas isso foi só um pretexto, porque em cima do tema se armou uma briga e, quando se manifestou o autoritarismo da polícia e do governo, aí assim o protesto cresceu. Muitos estudantes que aderiram à manifestação não o fizeram devido à questão da maconha e sim devido à repressão indiscriminada e arbitrária sobre alunos.

 A sociedade brasileira clama por ordem?

 Não é a sociedade em seu conjunto que se volta contra os estudantes com esse discurso de ordem e repressão. É a imprensa e os representantes da ordem e do governo. Eu me pergunto se parte da população não simpatiza com esses protestos da USP. Pelo menos foi o caso em outros países onde protestos dos jovens e estudantes se tornaram a expressão de um grande movimento popular. Não estou dizendo que isso vá acontecer já no Brasil, mas não há essa dicotomia entre jovens e estudantes de um lado e o restante da sociedade do outro. Essa separação é do interesse da classe dominante, dos governantes mais reacionários, como tentativa de mobilizar a população contra os estudantes.

 O governador Geraldo Alckmin disse que os estudantes da USP precisavam de uma aula de democracia…

 Nós sabemos que no Brasil não há nada mais democrático do que a Polícia Militar (risos). Ela tem uma tradição de várias dezenas de anos de democracia, não é? Democracia do cassetete – que não acho que deva ser a forma mais avançada de democracia. Não deve ser muito sério o argumento do sr. Alckmin. Uma intervenção policial brutal não tem nada de democrático.

Alguns autores contemporâneos, como o irlandês John Holloway, valorizam a articulação dos novos movimentos. Ao contrário do que dizia Marx, agora é possível mudar o mundo sem tomar o poder?

Holloway me deu o livro dele e pediu para que eu fizesse uma resenha, sabendo que eu iria criticá-lo. O livro Mudar o Mundo sem Tomar o Poder tem muitas ideias interessantes e toda a crítica que ele faz ao sistema me parece muito profunda. Mas acho que a proposta dele não faz sentido, porque qualquer ação social e política inevitavelmente implica uma forma de poder ou de contrapoder. O que se coloca é garantir que esse poder seja efetivamente democrático. O movimento, ele mesmo, tem formas de poder, de organização e de gestão democrática. Protesto, revolta e revolução, tudo isso não pode existir se não houver uma organização de uma forma de poder. Não podemos contornar a questão do poder, porque na política não existe vazio. A necessidade é que esse poder seja democrático. Essa é a resposta.

No livro Revoluções, o sr. destaca como os revolucionários muitas vezes são vencidos pela história. Os estudantes de hoje serão vencidos?

Não posso dizer. Mas podemos já constatar, nos países árabes concretamente, que esses movimentos de protestos da juventude não foram vencidos. Eles derrubaram duas ditaduras sinistras, na Tunísia e no Egito, com uma mobilização desarmada. Não estou dizendo que isso será uma regra, mas mostra que não há nenhuma fatalidade. As revoluções são sempre imprevisíveis, acontecem onde ninguém espera.

SOCIÓLOGO E PESQUISADOR DO CENTRE NATIONAL DE LA RECHERCHE SCIENTIFIQUE (CNRS), DE PARIS


OCCUPY WORLD – Videos geniais

Queridos,

Gostaria de compartilhar com voces tambem dois brilhantes videos que explicam de forma excelente a situação atual.

Primeiro no que diz respeito à Espanha (e no final de contas a todos nós):

http://www.youtube.com/watch?v=CkQhygB6wps

Depois no que diz respeito ao Capitalismo como um todo:

http://www.youtube.com/watch?v=d5CzZqauTVs

O primeiro video é em espanhol mesmo, mas com as legendas fica facil entender.

O segundo está dublado. O que nao significa que seja fácil de entender…é um vídeo denso, mas maravilhoso.

Quero mante-los ocupados e com bastante lição de casa enquanto preparo meu proximo artigo.

Um forte abraço a todos!


OCCUPY WORLD : Fontes de informação

Amigos,

Enquanto meu novo texto nao sai gostaria de compartilhar com voces uma serie IMENSA de endereços e espaços onde se pode conseguir informação sobre as diversas ocupações no Brasil e no mundo DIARIAMENTE, consolidada pelo meu colega Fabio Mocci Camargos.

Gosto de pensar em meu blog como um espaço para reflexão e aprofundamento de alguns pontos sobre as ocupações (pelo menos estou lutando por isso), mas sei que existem outros espaços onde pode-se conseguir quase diariamente updates sobre o assunto.

Não posso falar por todos eles, na verdade estou certo de que muitas das opiniões expressadas nesses espaços podem eventualmente divergir.

Sugiro apenas que voces busquem ler o maximo possível sobre o assunto e formem sua própria opinião, pois isso só será possível se voce beber de muitas fontes.

Amanhã ou quarta espero publicar meu texto novo e espero que voces possam me visitar para ler, criticar e comentar.

Um forte abraço!

_____________________________

Sites e Blogs

 15o SP

http://15osp.org

 Ocupa Campinas

http://ocupacampinas.blogspot.com/

Ocupa Rio

http://www.ocupario.org

Ocupa Salvador

http://ocupasalvador.wordpress.com

Democracia Real

http://www.democraciarealbrasil.org

Ocupa USP Contra Repressão

http://ocupauspcontrarepressao.blogspot.com

USP em Greve

http://uspemgreve.blogspot.com/

11/11/11

http://111111.coolmeia.org/

Anonymous SP

http://anonymoussp.wordpress.com/

Grupos

 Democracia Real Brasil

https://www.facebook.com/groups/239232942767847/

 Democracia Real SC – Acampadas

https://www.facebook.com/groups/290154697663726/

 Ocupa Brasil

https://www.facebook.com/groups/175048285922424/ 

 NASRUAS.BR

https://www.facebook.com/groups/nasruas/

 NASRUAS.SP

https://www.facebook.com/groups/NASRUAS.SP/

 NASRUAS.MA

https://www.facebook.com/groups/nasruas.ma/

 #OcupaCuritiba:

https://www.facebook.com/groups/ocupacuritiba/

 Anonymous São Paulo:

https://www.facebook.com/groups/235985683086646/

 Ágora (Anonymous):

https://www.facebook.com/groups/223909667665967/

 Grupo de estudos políticos e sociais.

https://www.facebook.com/groups/171372232941487/

 Você Ativista (recusando o sistema de servidão):

https://www.facebook.com/groups/252152758161061/

Ocupa Wall Street Brasil:

https://www.facebook.com/groups/224030920990926/

Perfis (Facebook)

 Acampa Sampa:

https://www.facebook.com/acampasampa

 Pages (Facebook)

 Occupy São Paulo

https://www.facebook.com/occupysaopaulo

 #acampasampa

https://www.facebook.com/pages/acampasampa/207112696021793

 Ocupa Campinas

https://www.facebook.com/ocupacampinas

 @OcupaSalvador – Acampados em Ondina

https://www.facebook.com/OcupaSalvador

 Ocupa Rio (occupy Rio)

https://www.facebook.com/OcupaRio

 Occupy Brazil

https://www.facebook.com/OccupyBrazil

 #OcupaAssembleiaBH

https://www.facebook.com/pages/OcupaAssembleiaBH/293313930679121

 Occupy TV Globo

https://www.facebook.com/pages/Occupy-TV-Globo/225328960862228

 UNIVERSO CIDADE LIVRE – A Universidade do Acampa Sampa

https://www.facebook.com/pages/UNIVERSO-CIDADE-LIVRE/180178802067429

 Democracia Verdadeira, JÁ

https://www.facebook.com/Democracia.Verdadeira.Ja

 Plano Anonymous Brasil

https://www.facebook.com/PlanoAnonymousBrasil

 Anonymous Brazil

https://www.facebook.com/pages/Anonymous-Brazil/176515172418412

 Anonymous Rio

https://www.facebook.com/pages/Anonymous-Rio/231139103603112

 Movimento Zeitgeist Brasil

https://www.facebook.com/mzbrasil

 Save Xingu

https://www.facebook.com/SaveXingu

 Twitter

 Acampa Sampa

http://twitter.com/#!/AcampaSampa

 Ocupa Rio

http://twitter.com/#!/OccupyRio

 Ocupa BH

http://twitter.com/#!/ocupabh

 Occupy Brazil

http://twitter.com/#!/OccupyBrazil

 Manifestação.org

http://twitter.com/#!/manifestacaoorg

 Acampadas Brasil

http://twitter.com/#!/AcampadasBrasil

 Indignados do Brasil

http://twitter.com/#!/IndignadosBRA

 Vídeos

 Youtube

http://www.youtube.com/user/acampasampa

 #OcupaRio – Performance Brasil

http://vimeo.com/30973131

 Live Stream – Acampa Sampa (ao vivo em alguns momentos):

http://www.livestream.com/anonymousBR

 11.11.11 Brasil

http://vimeo.com/32261963

 Eventos (mesmo os que ja passaram continuam publicando informações) 

Evento Mundial – 11.11.11 Occupy The Streets. Occupy The World.

https://www.facebook.com/event.php?eid=179186642163285

Evento Nacional – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo.

https://www.facebook.com/event.php?eid=125532647554958

Conexão quântica #ACAMPA SAMPA

https://www.facebook.com/event.php?eid=286682441352274

Bauru/SP – 11.11.11 – Ocupe as Ruas. Ocupe o Mundo – Bauru

http://www.facebook.com/event.php?eid=214132585322799

Belo Horizonte/MG – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo. // Belo Horizonte – MG

https://www.facebook.com/event.php?eid=315236811824749

Brasília/DF – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo. // Brasília

http://www.facebook.com/event.php?eid=235765829815777

Curitiba/PR – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo..COM AMOR!! Viva la ReLOVucion!!

http://www.facebook.com/event.php?eid=239638342758204

Florianópolis – Indignados Floripa convocam: 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo.

https://www.facebook.com/event.php?eid=289715184383495

Goiânia/GO – Chamada Urgente 11.11.11 – Revolução Global (11/11/2011)

http://www.facebook.com/event.php?eid=142578259177698

Jundiaí – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo – Jundiaí – SP

https://www.facebook.com/event.php?eid=290167121005784

Natal/RN – Assembleia Popular Pela Democracia Real Já Em Natal

http://www.facebook.com/event.php?eid=166121263480204

Nova Friburgo/RJ – Nova Friburgo vai às ruas – Juntos somos fortes!

http://www.facebook.com/event.php?eid=238357832886815

Porto Alegre/RS – 11.11.11 OCUPA POA – Porto Alegre-RS

https://www.facebook.com/event.php?eid=195046663903407

Rio de Janeiro/RJ – 11.11.11 Ocupação Mundial (Cinelândia – Rio de Janeiro)

http://www.facebook.com/event.php?eid=111910212254406

São Carlos/SP – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo – São Carlos

http://www.facebook.com/event.php?eid=134908853279413

São Paulo/SP – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo – São Paulo

http://www.facebook.com/event.php?eid=270147923028712

Vitória/ES – 11.11.11 – Ocupe As Ruas. Ocupe O Mundo – Vitória

http://www.facebook.com/event.php?eid=242782322447022

AULA PÚBLICA VLADMIR SAFATLE

https://www.facebook.com/event.php?eid=266285936740153

Paulo Arantes no Ocupa Sampa, sábado, dia 29/10 às 17 horas.

https://www.facebook.com/event.php?eid=311665375514429

Operação de divulgação da Acampada de São Paulo

https://www.facebook.com/event.php?eid=305729992786201

MOVIMENTO ACAMPA SAMPA – VAMOS AJUDAR

https://www.facebook.com/event.php?eid=284740221546603


OCCUPY WORLD: O fim da história

Dica: Leiam esse brilhante texto do Jerome E. Roos, a mais bela sintese do que está acontecendo agora, a mais clara evidencia de que estamos assistindo de camarote o final de uma era..

O ano de 2011 marca o fim do Fim da História

Publicado em 10/24/2011 por ocupawallstreetbr

 

 
Por Jérome E. Roos – 23 de outubro de 2011 / Traduzido por Mauricio Lopes Caldas

Fonte: http://roarmag.org/2011/10/the-year-2011-marks-the-end-of-the-end-of-history/

Quando o sistema força pessoas comuns a se tornarem revolucionárias, você sabe que você não está mais no Fim da História. Você está bem na sua beirada.

As Revoluções Tunisiana e Egípcia. A primavera árabe. O iminente calote grego. A cada vez mais provável quebra da zona do euro. A segunda onda da crise financeira global. O retorno vingativo da crítica sistêmica ao capitalismo. O ressoante chamado no mundo todo por democracia real. As manifestações dramáticas contra austeridade, desigualdade e neoliberalismo na Espanha, Grécia, Chile e Israel. As revoltas em Atenas, Londres e Roma. A ocupação de Wall Street e a difusão do movimento pelos EUA. Os protestos massivos de milhões de pessoas em 1000 cidades e em 80 países no dia 15 de 0utubro. Até a morte de Muammar Gaddafi.

Tudo isso aponta para a direção de uma simples mas inequívoca verdade: 2011 marca o Fim do Fim da História. Além do horizonte monótono da democracia liberal e do capitalismo global, os eventos deste ano não só abriram todo um novo capítulo no desenrolar da saga da humanidade, como colocaram os alicerces para um desfile sem fim dos capítulos a seguir. O que está sendo destruído não é tanto o sistema capitalista democrático como tal, mas a crença utópica que o sistema é o único modo de organizar a vida social na busca eterna por liberdade, igualdade e felicidade.

Há quase 20 anos atrás, seguindo o colapso total da União Soviética e o descrédito final do estado comunista, o cientista político americano Francis Fukuyama conjecturou que “nós podemos estar presenciando… não só o fim da Guerra Fria, ou o passar de um período particular de história de pós-guerra, mas o fim da história como tal: quer dizer, o ponto final da evolução ideológica da raça humana e a universalização da democracia liberal ocidental como a forma final de governança humana.” Duas décadas depois da publicação de O Fim da História e o Último homem, a tese de Fukuyama demonstra estar mais abalada do que nunca.

Isso para não repetir o clichê esquerdista de que o neoliberalismo está morto – como Slavoj  Žižek assinalou, a ideologia já teve duas mortes, primeiro como tragédia, seguindo os ataques terroristas de 11/09, e depois como farsa, seguindo o colapso financeiro global de 2008 – mas para assinalar que o neoliberalismo como tal finalmente revelou o que sempre foi: uma ideologia zumbi mascarada com face de humanidade, assim como o famoso polvo vampiro de Matt Taibbi’s, “incansavelmente enfiando seu funil sanguinário em qualquer coisa que cheire parecido com dinheiro.”

O Imperador Neoliberal Está Nú

Enquanto os anos de 2001 e 2008 marcaram, respectivamente, as mortes política e econômica do neoliberalismo, 2011 marca o Fim do Fim da História. Porque só agora está ficando claro para as pessoas do mundo que, pelos últimos vinte anos, no estivemos vivendo simplesmente uma mentira. De fato, o implícito consenso popular que no passado legitimou o capitalismo democrático agora parece estar se desfazendo de maneira mais rápida do que o esquema Ponzi que sustentou a ilusão de sua superioridade moral. Depois de vinte anos de estagnação dos salários, acelerado crescimento da desigualdade, desemprego juvenil excessivo e difundida alienação social, o estouro da bolha de crédito global finalmente desvelou a nua essência do sistema.

O capitalismo de mercado livre democrático não é o que nos foi dito que era: como os anos recentes amplamente demonstraram, ele não é nem livre nem democrático. Guerras foram travadas em nome do Big Oil (grandes empresas petrolíferas) apesar da gritante oposição popular. Cortes de impostos foram feitos em favor do Grande Capital apesar do gritante déficit de orçamento. E agora, bancos em falência estão sendo resgatados e cortes draconianos no orçamento impostos em nome do Grande Capital Financeiro, apesar tanto da gritante oposição popular quanto da evidência incontestável que isso só faz piorar o déficit. O sistema deixou de fazer sentido. Suas contradições internas o estão corroendo por dentro.

Portanto, hoje, toda uma geração de pessoas jovens, desprovidas de esperança e oportunidade, está se levantando para constestar a noção absurda que esse estado de coisas desastroso constitui de alguma maneira o ápice da “evolução ideológica da raça humana.” É isto realmente o melhor que podemos fazer?  É essa a ordem mundial utópica que Fukuyama previu quando anunciou a vitória eterna da democracia liberal e do capitalismo global sobre seus inimigos invisíveis? Com bancos falindo, países quebrando e dívidas privadas galopantes, o mundo ideal de Fukuyama certamente começou a parecer muito mais fraco agora que a farra de gastos abastecida por crédito que o sustentava caiu de cabeça em direção ao seu fim inevitável.

A magia acabou. O feitiço foi quebrado. E o que as pessoas do mundo estão tentando deixar claro para aqueles no poder é que nós sabemos. Nós sabemos que o s sistema está podre por dentro. Nós sabemos que o seu suposto sucesso não consegue passar por escrutínio. Nós sabemos que as suas grandes conquistas – do mercado global de capitais à moeda única européia – foram construídas em areia movediça financeira e institucional.  E nós sabemos que a coisa toda está pra desabar como um castelo de cartas. Desde a Praça Tahrir a Times Square, de Madrid a Madison, de Santiago a Syntagma, nós sabemos que o imperador neoliberal está nu.

Gaddafi e Fukuyama: do lado errado da história

Um dos retratos mais ilustrativos do Fim do Fim da História é a morte sangrenta de Muammar Gaddafi. Enquanto céticos estão totalmente certos ao se revoltarem contra a campanha imperial da Otan na Líbia, muitos na esquerda ainda falham ao não ver o enorme simbolismo por trás da queda do Irmão Líder. Gaddafi, de alguma maneira, foi a última corporificação do Fim da História. Tendo chegado ao poder como um revolucionário socialista pan-arábico no final dos anos 60, ele terminou como um dos mais bem-sucedidos capitalistas. Enquanto ele continuou sua retórica de lamentar os maus do imperialismo ocidental, ele pareceu mais do que disposto à oferecer os espólios de seu país às mesmas forças neo-coloniais que ele tão avidamente ridicularizava.

De acordo com um relatório de 2008 publicado pelo Financial Times, Gaddafi “exaltava as virtudes das reformas capitalistas”. Tratando a Líbia como seu negócio familiar, ele agradava às Grandes Empresas Petrolíferas, distribuindo contratos lucrativos para corporações ocidentais como Eni e Shell. Depois disso ele permitiu que os lucros se acumulassem em seu fundo privado “soberano” enquanto empregava Wall Street para reciclar este capital excedente para obter lucros adicionais. No processo, enquanto o povo da Líbia permanecia seriamente prejudicado por seu subdesenvolvimento crônico, Gaddafi desviava $168 bilhões das riquezas da nação para o exterior. Não é de se surpreender que o Ocidente rapidamente ficou tão feliz de ser seu amigo.

Ainda assim, o que é mais revelador sobre a conversão repentina de Gaddafi de liberador socialista para opressor capitalista, não são seus fortes laços com o stablishment neoliberal do ocidente. O que é mais revelador é sua conexão pessoal com Francis Fukuyama. Nos anos de 2006 e 2008, Fukuyama fez parte de um grupo seleto de intelectuais que figuravam entre líderes mundiais contratados – e generosamente pagos – pelo Monitor Group, uma firma de Relações Públicas americana aconselhada por ex-diretores da CIA e da MI6 (inteligência britânica), para ajudar a limpar a imagem de Gaddafi no ocidente como parte de uma ofensiva charmosa concebida para ajudar a legitimar a incursão líbia no Fim da História. De acordo com documentos secretos vazados por ex-oficiais líbios, “Fukuyama fez duas visitas à Líbia (14-17 de agosto de 2006 e 12-14 de janeiro de 2007).”

Ele proferiu uma palestra no Greek Book Centre em Tripoli e lecionou uma aula sobre a Líbia na Johns Hopkins University (Maryland, Baltimore). Ele também proferiu uma palestra, entitulada “Minhas Conversas com o Líder”, que marcou “a primeira vez que O Livro Verde foi exigido como leitura aos estudantes em uma das escolas de política mais influentes no mundo.” Aparentemente, não somente nós, mas o próprio Fukuyama acreditava que Gaddafi era a corporificação do Fim da História. Sua queda, portanto, mesmo que nunca tivesse sido bem sucedida sem a ajuda militar imperialista do ocidente, refuta totalmente a tese de Fukuyama. Até porque, se realmente chegamos no Fim da História, como pode o autor dessa tese  acabar ele próprio descaradamente no lado errado da História?

O colapso da zona do Euro como o Fim do Fim

No entanto Gaddafi não foi o único “erro” histórico de Fukuyama. Em reposta a alegações que o Fim da História era um argumento puramente Americocentrico, em 2007 Fukuyama escreveu um artigo para o Guardian reinvindicando  retroactivamente que “O Fim da História nunca foi ligado a um modelo americano específico de organização social ou política… eu creio que a União Européia reflete de maneira mais precisa do que os Estados Unidos contemporâneo como o mundo irá se parecer no fim da história.” Ao julgar-se a partir do destino da União Européia, revela-se que Fukuyama, ironicamente, acabou por estar certo da maneira errada.

Como escreveu o New York Times outro dia, “o euro era um projeto político que visava unir a Europa depois do colapso soviético em uma esfera de prosperidade coletiva que levaria a um federalismo maior. Ao contrário, o euro parece estar dividindo a Europa… há uma tensão no sistema político e dúvidas sobre as instituições democráticas que nós não havíamos presenciado desde a queda da União Soviética.” A profunda integração européia, totalmente em linha com a filosofia do Fim da História, produziu uma situação tão assolada pela crise que o futuro da economia mundial agora depende do destino de um só membro da comunidade européia – um que responde a somente 2% do PIB total da União: Grécia.

Mas a Grécia é somente o canário na mina de carvão. É um sintoma, não a causa, da crise européia. Quando a Grécia der o calote, será apenas uma questão de tempo para que os investidores percam confiança na Itália e na Espanha. Ambos considerados grandes demais para quebrarem – mas também grandes demais para serem resgatados. O fundo de resgate europeu não é grande o suficiente para salvá-los, e Alemanha e França estão presas num entrave de como aumentá-lo. Ao mesmo tempo, o sistema bancário europeu  insolvente está na iminência de um colapso. Um calote grego irá empurrar inúmeros bancos para a falência, forçando os governos centrais a distribuir mais uma vez resgates financeiros. Isto, por sua vez, irá agravar ainda mais o endividamento soberano e por conseqüência suas notas de crédito serão rebaixadas, trazendo a crise de débito “grega”para o coração do capitalismo europeu.

A conclusão, em outras palavras, é que não há escapatória fácil dessa crise – nem mesmo os tão invocados eurobonds, como recentemente Martin Wolf assinalou para o Financial Times. O euro, aquele grande projeto da elite que deveria ser o pináculo da integração européia, está vacilante. Em meio ao processo, as instituições tecnocráticas pós-ideológicas européias perderam suas últimas sombras de legitimidade que tinham. O edifício está caindo, e falando francamente, nossos líderes não tem nem idéia do que fazer. A crise da Europa, ao final, é a crise mundial. E está longe de ser uma crise meramente econômica: e bem lá no fundo, nós estamos enfrentando aquilo que Joseph Stiglitz chamou de crise ideológica do capitalismo. Isto está obviamente muito longe do “ponto final da evolução ideológica da raça humana.”

A crise do capitalismo e o retorno do reprimido

Não é surpresa, portanto, que 2011 tem visto a volta – como uma vingança – da crítica sistêmica do capitalismo. Nas últimas semanas, importantes publicações que suportam o livre-mercado como o Wall Street Journal, o Financial Times, Business Insider e Fortune admitiram que Karl Marx poderia estar certo sobre a tendência auto-destrutiva do capitalismo. O motivo para esse repentino ressurgimento da crítica político-economica Marxiana é dupla: primeiro, as elites começam a compreender que nós estamos prestes a entrar em uma outra Grande Depressão. E, segundo, a repressão sistemática da imaginação radical que o mundo pós-ideológico de Fukuyama ocasionou.

A esse respeito, uma linha direta pode ser traçada desde o slogan arrebatador de Margareth Tatcher, “não há alternativa”, até a política neoliberal em resposta a crise fincanceira. Enquanto banqueiros vêm acumulando remunerações recordes, ao resto da população é dito simplesmente que não há alternativa às medidas de austeridade draconianas. A narrativa ideológica é a mesma por todos os lugares: “nós estamos todos juntos nessa, todos nós precisamos apertar nossos cintos, mas a mensagem implícita é na verdade: “não ousem imaginar uma alternativa.” Ainda assim, como Matt Taibbi recentemente pontuou, um pequeno imposto de 0.1% em todas trocas de títulos e ações e um imposto de 0.01% em todas trocas derivativas poderiam pagar todos os resgates americanos, tornando muito do “necessário” aperto de cinto desnecessário. Esta é uma alternativa confiável bem aqui na nossa frente. Por que não está sendo discutida?

De volta ao ano de 2009, Fukuyama publicou um artigo na Newsweek com o título triunfante “A história continua terminada”, na qual ele afirma que, apesar do fato de “a crise ter começado em Wall Street – o coração do capitalismo global – … a legitimidade do sistema global pode ter sido arranhada, mas ainda não caiu.” Dois anos depois assistimos às ruas de Londres, Roma e Atenas pegando fogo, a ocupação pacífica de Wall Street, Puerta Del Sol, Syntagma, e centenas de outras praças ao redor do mundo; um dia de ação global sem precedentes em 15 de outubro, com protestos em quase 1000 cidades em mais de 80 países. Testemunhamos à raiva. A frustração. A indignação. Está aqui. A legitimidade está caindo. Fukuyama, parece, estava comemorando um pouco cedo demais.

No sentido freudiano, nós estamos presenciando o retorno do reprimido. Se você diz às pessoas durante duas décadas que não há alternativa ao mundo no qual elas vivem, e, ao mesmo tempo, tira suas rendas, seus direitos, seus serviços públicos, e toda dignidade que ainda lhes resta, você pode esperar que essa repressão psicológica do potencial revolucionário vai voltar de alguma forma cedo ou tarde. Se você reprime a coerente ideologia emancipatória das massas, assim como o Fim da História pretendeu fazer, você literalmente acaba tendo a incoerente e apolítica rebelião de Londres. Sobre isso, a coisa mais importante que as revoluções Tunisiana e Egípcia poderiam ter feito é relembrar a humanidade que na verdade há sim uma alternativa ao status quo – que realmente existe um “fora” do desmedido capitalismo global.

O levante dos indignados e a crise da democracia

As revoluções árabes encorajaram a juventude alienada da Europa e da América a começar a sonhar de novo, a reinvindicar sua imaginação radical em face de uma das maiores crises de legitimidade na história da democracia liberal. A medida que uma consciência crítica faz seu caminho de volta ao discurso mainstream, a hegemonia cultural do neoliberalismo se encontra novamente sob ameaça. Os primeiros sinais desta consciência crítica emergente começou a aparecer em Madrid em 15 de maio. Alguns dias mais tarde, a BBC noticiou que uma mobilização de estilo egípcio estava crescendo na Espanha. Após algumas semanas, centenas de milhares de pessoas de todos os tipos se reuniram ao redor do país enquanto o movimento dos indignados se espalhava pela Europa.

Em 17 de setembro, o movimento espanhol 15-M culminou em um dia global de ação contra os bancos e a ocupação de Wall Street, convocada pela revista anti-consumista canadense Adbusters. As manifestações de Wall Street subseqüentemente ajudaram a catalisar o próximo dia global de ação, convocados pelos manifestantes espanhóis para 15 de outubro. Sob o mesmo banner “unidos por uma mudança global”, a resistência mundial chegou a proporções sem precedentes, com protestos simultâneos acontecendo em 1000 cidades em mais de 80 países. Com sua declaração inocente que “ a legitimidade do sistema global não caiu,” Fukuyama mais uma vez se encontra no lado errado da história.

Afinal, se a democracia liberal é realmente o ápice da evolução ideológica da humanidade, como pôde acontecer que milhões de pessoas estão tomando as ruas do mundo todo exigindo algo diferente? Se a democracia representativa é o ápice, por que esses jovens estão cantando “não nos representam!”, e então por que eles gritam por uma democracia real no seu lugar? Como os movimentos de massa em Israel e no Chile demonstraram, o fenômeno não pode ser reduzido somente a crise, porque mesmo economias crescentes não conseguiram evitar que a onda de indignação inundasse as ruas de suas cidades. Na verdade, o problema vai muito mais além. Como os indignados gostam de cantar, “não é a crise, é o sistema.”

Zygmunt Bauman pôs o dedo no x da questão: enquanto a política permanceu nacional, o poder não desapareceu com os fluxos globais. Mudanças tecnológicas e reformas neoliberais conspiraram para criar uma situação na qual governos democraticamente eleitos não mais têm o poder de transformar suas promessas em políticas. Acabamos numa situação na qual votar não é mais escolher as políticas que nossos governos devem colocar em prática, mas sim sobre quem deve colocar em prática as políticas exigidas pelo setor financeiro. Chamar isso de democracia é absurdo. O levante dos indignados não é mais que a compreensão coletiva de que a democracia representativa liberal, sob condições de profunda integração econômica, não é nada liberal ou representativa. O Fim da História, ao contrário de uma democracia consolidada como a última forma de governança humana, foi totalmente solapado.

A beirada da história e o retorno da politica constestadora

O Fim do Fim da História não é o mesmo que o fim do neoliberalismo. Como já vimos antes, ideologias zumbis têm o seu modo de permanecer além de sua data de validade. Enquanto houver capitalistas (ou candidatos a capitalistas), sempre haverá uma forma ou outra de filosofia capitalista. O Fim do Fim da História não é tanto sobre a erradicação da visão de mundo individualista do capitalismo, que é impossível sem recorrermos ao tipo de tática de estado repressivo que nós estamos tentando superar, mas sobre a volta da política contestadora como característica definidora da vida social. Em outras palavras, o Fim do Fim da História não é tanto sobre superação da luta política mas a descoberta de que, por definição, nós nunca podemos superar a luta política. Enquanto houver injustiça, haverá luta – e partir do fato que sempre haverá injustiça, sempre haverá luta.

O fim da história, portanto, não é nem possível nem desejável. O anseio por um estágio final de desenvolvimento institucional e ideológico é, ou puramente totalitário, ou puramente utópico. Enquanto certos anseios utópicos podem nos inspirar a nos elevarmos às mais altas esferas enquanto espécie, nós sempre teremos que nos lembrar que nenhuma ordem social é dada para sempre. Nossa Utopia deve sempre ser o desejo do espírito que nos põe em ação, mas nós temos que admitir o fato de que ela nunca pode se tornar uma realidade. A história simplesmente nunca acaba. Como o escolar neo-Gramsciano Stephen Gill colocou, “a história está sempre no fazer, num jogo dialético entre agente, estrutura, consciência e ação.” Ou, como o Subcomandante Marcos expressou de maneira mais poética, a luta é como um círculo: você pode começar em qualquer lugar, mas ela nunca pára.”

Em um excelente editorial do Guardian outro dia, Jonathan Jones observando uma foto de Ocuppy Wall Street fez a seguinte observação arrebatadora:

“Esta é uma fotografia de um ponto de virada na história, não porque o movimento Occupy necessariamente obterá sucesso (qualquer sucesso que possa ser) mas porque ela revela a profundidade de novas possibilidades de debate em um momento que tão recentemente pareceu concordar sobre fundamentos econômicos. Occupy Wall Street e o movimento global que ele inspira pode ainda se provar como um efetivo chamado à mudança, ou pode ser apenas fogo de palha. Não é esta a questão. E também pouco importa se o protesto está certo ou errado. O que importa é que o capitalismo desmedido, uma força que por seu dinamismo econômico parecia inquestionável, acima de reprovações ou reformas, um monstro que nos acostumamos a ser gratos por existir, repentinamente encontra toda sua feiúra amplamente comentada, exposta em meio às luzes de Times Square. O imperador da economia está nú.”

“Este é um momento inacreditável”, ele continua. “Se belisque”. O ano de 2011, com todas suas crises e revoluções, marca o que Slavoj Žižek em sua fala no Zuccotti Park, chama de “o acordar de um sonho que está se tornando um pesadelo.” Marca o retorno da política contestadora. E, com isso, marca o Fim do Fim da História. Não que a história tenha parado por algum instante sequer – nós apenas ficamos confusos por um tempo por conta do colapso do arqui-rival do capitalismo, e pensamos que a história havia parado. Mas o fato é que a história que continua a se fazer está sendo capturada nas notícias de jornal, nas fotografias poderosas, e nas palavras de um uma simples senhora de classe-média grega durante a greve de 48 horas de outubro: “Eu nunca fui de esquerda,” ela disse, “mas eles nos forçaram a tornarmos extremistas.” Quando o sistema força pessoas comuns a se tornarem revolucionárias, você sabe que não está mais no Fim da História. Você está bem na sua beirada.


OCCUPY WORLD: Ultimas novidades do dia

Occupy Wall Street é acima de tudo um espaço. Se você for participar de algum comício, ou grupo de discussão sobre como a nossa sociedade precisa ser re-desenhada. Por favor deixe suas ideologias em casa. Leve apenas o necessário para contribuir, e ouça o que os outros tem a dizer.

Não se pode encher um copo cheio.

Se queremos criar um mundo melhor para TODOS, então temos que dar espaço para TODOS falarem. Vamos tornar cada concentração um pequeno universo que pretendemos replicar pelo planeta.

Um espaço de paz. De amor. De troca de idéias. Onde as pessoas se importam umas com as outras. Onde as pessoas falam. Onde as pessoas escutam.

Abaixo transcrevo um trecho desse belo texto escrito por uma norte-americana que fez a diferença. Recomendo o texto inteiro, é excelente, mas está em inglês e não encontrei tradução.

“Eu acho que Occupy Wall Street é nesse momento mais um ESPAÇO do que um MOVIMENTO. É um espaço onde as pessoas que se identificam com uma frustração comum com o mundo como ele está – e tem sido – estão se reunindo e discutindo maneiras de recriar esse mundo.

Para algumas pessoas, é a primeira vez que elas pensam sobre como o mundo precisa ser recriado. Para outros, é um assunto sobre o qual ja pensavam faz algum tempo. Isso significa que aqueles que têm pensado a mais tempo devem ter todas as respostas? Não, isso só significa que há muito aprendizado acontecendo, e há muito o que se ensinar.”

http://www.racialicious.com/2011/10/03/so-real-it-hurts-notes-on-occupy-wall-street/

Esse blog está publicando muitas outras histórias e depoimentos das pessoas que estão no epicentro do OCCUPY, os quarteirões de Wall Street. Recomendo uma navegada.

——

Aproveitando a atualização, gostaria de fazer um adendo que não tem tanto a ver com o assunto lá de cima.

É interessante como esse movimento – o povo reclamando para si o uso do espaço publico como local de construção de idéias e expressão de descontentamentos – tenha gerado tanta repressão e ódio da parte de seus governantes.

As histórias de choques com policiais se espalham pelo mundo. É interessante como o mesmo governo que pregou pela liberdade de expressão do povo egípcio ou libio por exemplo, tenha tanta dificuldade em legitimar a liberdade de expressão do próprio povo …

Me despeço nesse post com esse lindo, porém triste, video a respeito disso. Vale uma reflexão.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RGRXCgMdz9A