OCCUPY WORD: A dentada da besta acuada

Nota do Autor: Esse artigo extraordinário (se você ainda não leu, o oficial dessa semana foi BELO MONTE: UM DESABAFO) diz respeito à LEI MARCIAL aprovada nos EUA essa semana e também à FRAUDE ELEITORAL RUSSA. Recomendo sua leitura URGENTE e divulgação, pois o que está rolando lá pode muito bem acabar rolando por aqui. Um grande abraço!

Em meu artigo “Sobre Wall Street e Tiranossauros” eu procurei deixar bem claro o que entendo sobre as duas principais ferramentas utilizadas pelo estado (e por sua cabala formada por bancos, barões da mídia e grandes corporações, é claro) para manter a população cativa:

1 – INFORMAÇÃO

2 – FORÇA

Desde o surgimento do ideal da democracia, o item 1 tem sido usado com muito mais freqüência do que o item 2. Maquiavel já dizia que o governante deve procurar ser AMADO e TEMIDO na proporção correta. O domínio da informação quando bem feito cria no povo uma deliciosa sensação de liberdade…

Quando essa sensação começa a cair, quando os artifícios para dominar o povo param de funcionar, essa ferramenta do domínio da informação começa a perder eficiência:

Nos EUA isso explodiu em 2011. Hoje temos mais de 500 focos de revolução e protesto só nos EUA, o movimento OCCUPY conquistou a opinião publica em poucas semanas e parece ter vindo para ficar.

Alguns milhares já foram presos pela polícia durante protestos ou ocupações, e são incontáveis os casos de enfrentamento entre a policia e o povo. A mascara caiu mesmo. Ooops O que acontece então?

Não vou dizer que isso me surpreendeu …

Ontem, dia 13/12/2011, o senado americano aprovou por 93 votos contra 7  uma proposta de LEI MARCIAL que vai possibilitar à policia ou exército (sim, o exército) prender qualquer cidadão americano, sem mandato, sem flagrante, sob acusação de “perturbar a ordem pública”, POR TEMPO INDETERMINADO E SEM JULGAMENTO.

Exato. EUA em estado de sítio.

Tudo em nome da sagrada “segurança nacional”. Segurança pra quem mesmo? O movimento Occupy é pacífico, até agora as unicas pessoas que se machucaram foram os proprios ocupantes, espancados pela policia aqui ou ali.

Onde está a amada liberdade americana agora?

Será que ela vai muito além da liberdade para gastar dinheiro?

Aparentemente não…

A lei foi aprovada com quase unanimidade no senado, e está aguardando apenas autorização final do Presidente Obama. Se entrar em vigor, essa lei representará o fim da liberdade americana para protestar, já que em teoria todo aquele que ir às ruas contra Wall Street poderá ser preso e o exército ganhará autorização federal para tomar as ruas.

Será o tiro de misericórdia no ideal americano, no ideal daqueles bravos revolucionários que fundaram o país sonhando com um mundo melhor…

Só que isso pode representar o inicio de uma nova GUERRA CIVIL AMERICANA, já que a população civil dos EUA é a mais armada do mundo, e certamente não vai se calar quando o exército começar a prender gente a torto e direito.

Na verdade, eu quase torço para essa lei ser aprovada. Seria a ultima máscara que os EUA poderiam tirar, antes de finalmente evidenciar para o mundo todo (e para sua própria população) que se tornaram, no final das contas, uma DITADURA.

Uma DITADURA de capital, com uma FARSA bem encenada de liberdade democrática necessária para manter o povo cativo. Cativo e gastando grana, é claro.

Em meu texto “Sobre Wall Street e Tiranossauros” eu deixei claro que quando a ferramenta da INFORMAÇÃO perde o uso, recorre-se à ferramenta da FORÇA. A fera, quando acuada, MORDE MAIS FORTE.

É quase uma piada histórica que a contraparte dos EUA durante décadas de Guerra Fria, a Russia, esteja passando por situação tão parecida.

Quando a fraude eleitoral absurda de VLADIMIR PUTIN foi revelada ao povo (o premiê foi eleito com 140% dos votos…) o país explodiu em protestos. Milhares. E o resultado ?

Quinhentas pessoas presas pela polícia, outras centenas agredidas violentamente. O líder da oposição, Ilia Yashin, preso. O resultado das eleições, a despeito do repúdio da população, permanecerá inalterado.

Quando a mascara de Putin caiu, ele mostrou o que realmente é: UM DITADOR.

Quando a máscara colorida e estrelada dos EUA caiu durante os levantes do Occupy Wall Street iniciados em setembro de 2011, o que você viu por trás?

Como será que está se sentindo o povo americano, ao descobrir que 93% de seus senadores aprovaram uma lei que vai coibir completamente a liberdade do PROPRIO POVO? O quão representados eles devem estar se sentindo?

Se isso está ocorrendo até na tal “terra da liberdade”, o que faz você pensar que no Brasil as coisas serão muito diferentes?

Por isso pense bem antes de aplaudir a próxima repressão da polícia contra uma manifestação popular, meu caro amigo.

Como os norte-americanos estão aprendendo agora da pior maneira, amanhã os olhos atingidos por spray de pimenta podem ser os seus…

……

 

OBS: Mais uma vez eu me surpreendo com o silencio da mídia brasileira sobre o que eu julgo ser o acontecimento mais importante da semana, senão de todo o mês. Mas enfim, eu já desisti de confiar neles faz tempo.

MATERIAL COMPLEMENTAR:

Sobre a Lei Marcial nos EUA 

Video :

http://www.youtube.com/watch?v=u0ZoWSyXh-E

Artigo:

 http://correiodobrasil.com.br/lei-marcial-e-aprovada-nos-eua-e-podera-iniciar-revolucao/341556/

Página no Facebook criada sobre o assunto –

https://www.facebook.com/groups/199150136836306/

As vezes só dando risada mesmo –

 http://www.thedailyshow.com/watch/wed-december-7-2011/arrested-development

Petição criada nos EUA para enfrentar a proposta de lei-

 https://wwws.whitehouse.gov/petitions/%21/petition/veto-national-defense-authorization-act-2012-several-provisions-bill-pose-threat-civil-liberties/GLfhBn6D?tm_source=wh.gov&utm_medium=shorturl&utm_campaign=shorturl

Sobre a “dentada” de Putin no povo da Russia 

Russia prende 500 manifestantes em marcha contra fraude:

 http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20111207-pelo-menos-500-sao-presos-em-passeatas-na-russia-contra-fraudes-nas-eleicoes

Denuncias de fraude não mudarão eleições na Rússia:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/12/12/denuncias-de-fraude-nao-mudarao-resultado-das-eleicoes-na-russia.jhtm


OCCUPY WORLD: “Teorias da Conspiração” ou “A Fera Encurralada”

“Conspiração da mídia?

Excessos de violência da polícia?

Poderosos no controle tentando manter o poder a qualquer custo?

Você não acha que isso é coisa de “teoria da conspiração’ demais não? Um pouco de inocência? “

Você não tem idéia da quantidade de vezes que me falaram isso na minha vida. Acho que em parte eu criei esse blog por preguiça de ficar respondendo milhares de vezes o mesmo questionamento.

Esse texto será minha resposta definitiva a esse pessoal que realmente acha que as coisas estão indo da melhor forma possível, que acredita na idoneidade de todas as instituições (só não acredita em políticos, que original), e que as leis e a polícia servem incondicionalmente ao povo. Acho que vou imprimi-lo e andar com algumas cópias no bolso, só por garantia. A vida é muito curta, no final das contas.

Vou segmentar esse artigo em 2 partes, uma concentrada na pergunta que inaugura o texto (‘Conspiração da mídia?’) e outra discorrendo sobre as conseqüências de estarmos ACORDANDO para essa incômoda realidade.

Como de costume não é um artigo curto, possui 6 páginas, mas não vejo forma breve de tecer uma boa argumentação sem me demorar um pouco. Se não posso torná-lo curto, pelo menos prometo me empenhar em torná-lo divertido. Boa leitura!   

Parte 1 – “Conspiração da mídia?”

Não estamos falando de Arquivo X aqui. Não estou dizendo que existe um maligno Dr. Mídia sentado em uma poltrona, acariciando um gato preto e dando gargalhadas diabólicas enquanto distorce as informações que você, pobre cidadão inocente, lê em seu jornal matinal junto de uma xícara de café (alguém ainda consegue fazer isso hoje em dia?). Estamos falando de negócios.

Voltemos ao bom e velho mantra do corporativismo: “O objetivo de uma empresa é trazer lucro para o acionista”. Isso é um fato. Essa coisa de cada empresa ter uma missão institucional bem bonita e emocionante é coisa de marketeiro. Acreditem! Eu sou um… A despeito de toda a boa vontade que o dirigente de certa empresa possa por ventura possuir, o objetivo final de cada uma delas é trazer o máximo de lucro possível para seus sócios, e uma grande revista ou um grande jornal é acima de tudo, uma EMPRESA.

Como toda empresa que se preze, ela vai buscar os meios de maximizar sua lucratividade, respeitando o máximo possível as leis para que os números não sejam comprometidos, minimizando ao máximo os custos sem que a qualidade do produto caia e os números centrais da equação acabem sendo modificados. Faz sentido? Qualquer empresa opera segundo o mesmo preceito: do mercadinho familiar da sua esquina aos maiores bancos ou corporações que se espalham por todo o globo.

 O que mudou nos últimos anos?

Bom, nos velhos tempos em que cada jornal era uma empresa independente, a linha editorial seguida costumava ser a ideologia ou crença pessoal de seu editor ou proprietário. Nada de novo nisso. Todo bom jornalista sabe que essa coisa de “imparcialidade jornalística” é um conto da carochinha, criado para conferir credibilidade (e um caráter inquestionável de VERDADE) a tudo o que é publicado. Claro que os números eram importantes, mas seu principal administrador era um jornalista, não um MBA em marketing ou administração, e as coisas acabavam sendo um pouco mais inocentes.

O problema é que os tempos modernos criaram um monstro bem feio chamado CONGLOMERADO. CORPORAÇÃO. GRUPO DE EMPRESAS. Hoje, aquele jornal que você lia com seu café pela manhã, na época que ainda tinha tempo de fazer isso, se transformou em apenas UM PRODUTO de um imenso MIX de uma corporação, que possui canais de TV, empresas de bem de consumo, escolas, parcerias com bancos, enfim, tudo o que você puder imaginar.

Sabe aquela ilusão do Cidadão Kane, que prefere brigar com a mulher a publicar uma critica tendenciosa para seu numero de dança? Ou aquele J. Jameson dos gibis do Homem Aranha, que fuma charutos e publica editoriais assustadores por não gostar de carinhas fantasiados? Acabou. Já era…

A linha editorial de seu jornal favorito não é mais pautada pela ideologia do editor, ela é pautada pelos interesses econômicos do grupo que a adquiriu. Questão de lógica de mercado.

Isso faz sentido? Ou é teoria da conspiração? Posso estar sendo paranóico, mas no meu modo de ver as coisas, inocente seria pensar que um jornal pertencente a um grupo gigantesco de empresas tivesse liberdade total para publicar coisas que prejudicam esse grupo, afinal a verdade deve estar acima de tudo.

Mas vamos pegar um exemplo real: A Editora Abril. Líder em 21 dos 24 segmentos em que atua, responsável pela publicação de 54 títulos em um universo de 28 milhões de leitores, também é dona das seguintes empresas: Grupo Anglo (Vestibulares), Grupo ETB (Escolas Técnicas do Brasil), DGB (holding de Distribuição e Logística que reúne as empresas Dinap, Treelog e FC Comercial), Elemídia, MTV, Editoras Ática e Scipione, entre dezenas de outras empresas.

Seu diretor editorial, Roberto Civita, possui bilhões de dólares investidos nos mesmos bancos que estamos tentando criticar com o movimento OCCUPY. Você realmente acredita que ele permitiria que alguma revista adotasse uma linha editorial anti-bancos ou que autorizaria uma capa de VEJA malhando a próxima tentativa do nosso governo de aumentar os juros para conter a inflação?

Aliás, vocês acham que QUALQUER meio de comunicação pertencente a um grande grupo seria capaz de adotar uma política anti-bancos? Será que não lemos nada sobre o assunto simplesmente por que não há nada a criticar sobre eles?

Por outro lado, os grandes jornais e revistas adotaram nos últimos anos uma postura bastante ativa como mídia investigativa no que concerne a corrupção no governo, o que é ótimo. O que as pessoas às vezes falham em compreender é que essa luta contra a corrupção de seu amado jornal matinal TAMBÉM possui uma pauta definida por interesses próprios.

Vivemos em uma constante guerra entre partidos. Quem viu a ultima inserção do PSDB na Rede Globo, por exemplo, pode constatar que a linha do debate político em nosso país tem sido cada vez mais o ataque DIRETO contra o partido adversário, em detrimento às propostas de governo que poderiam ser feitas. Os jornais possuem interesses econômicos na definição dos dirigentes do governo. São o principal instrumento de formação da opinião publica e sabem disso.

Se você fosse um político e tivesse a oportunidade de influenciar a pauta editorial de um grande veículo de comunicação, sabendo de seu poder na formação da opinião de seu eleitorado, você não faria isso? É teoria da conspiração? Uma vez mais, estamos falando de negócios.

Não estou dizendo que quando um corrupto é denunciado por um jornal ele seja santo. Claro que não, ele provavelmente é corrupto sim. O problema é que estamos perseguindo apenas os corruptos convenientes. A opinião publica é massa de manobra na briga entre partidos, e a mídia é a mão do pedreiro que passa a argamassa.

Não é à toa, por exemplo, que a reportagem da VEJA sobre o movimento OCCUPY distorcia toda a idéia do movimento, fazendo parecer que as hordas insurgentes contra o capitalismo descontrolado e contra os abusos do mercado financeiro estavam protestando apenas contra políticos corruptos (convenientemente, seus inimigos políticos do PT que afinal das contas estão no poder dessa vez):

 

Como de praxe, atacam os corruptos e não falam nada contra os corruptores. Afinal, como poderiam? Os corruptores estão pagando a conta…

Também não é a toa que os indignados reagiram violentamente a essa decisão da revista, protestando em frente ao prédio da Editora Abril, queimando revistas e publicando notas em seu site oficial desmentindo a reportagem:

 

http://15osp.org/2011/10/26/a-veja-nao-nos-representa/

Agora os convido a se lembrar do posicionamento político  do Estado de São Paulo e da Veja por exemplo. O primeiro declarou-se abertamente partidário do PSDB faz muito tempo, o segundo nem precisa. Todas as recentes ações violentas e condenáveis realizadas pela PM são ordens diretas do governo do estado (ao qual a instituição é subordinada), você realmente acredita que uma publicação que se declarou abertamente favorável ao Governador Geraldo Alckmin é o melhor lugar para se informar a respeito de uma decisão polemica tomada por ele?

Quem é inocente aqui?

Reforço que a mídia é tendenciosa para os dois lados, é evidente. Existem muitas publicações que também apoiarão incondicionalmente partidos de esquerda e atacarão incondicionalmente partidos de direita. Não estou sugerindo aqui que você cancele sua assinatura da VEJA e comece a ler Carta Capital (apesar de a segunda ser uma revista muito superior tanto em informação quanto profundidade de seus textos). Simplesmente pare de acreditar incondicionalmente nos 2 ou 3 veículos que você elegeu como portadores da verdade. Entenda a malha de interesses por trás.

O mais engraçado é a amnésia das pessoas. Eu sou acusado de “paranóia” por sugerir uma manipulação dos fatos na mídia, no que concerne a invasão da USP ou o Occupy Wall Street por exemplo, quando já é sabido e estudado nas escolas que durante o movimento “Diretas Já” a rede Globo exibiu a concentração de pessoas como sendo um levante para a celebração da festa de aniversário de São Paulo. Já é sabido e estudado que o famigerado debate entre Lula e Collor, que definiu o destino daquelas eleições, foi completamente editado pela Globo para facilitar a eleição do segundo. Já é sabido e estudado que o movimento “Caras Pintadas” e o slogan “Fora Collor” que se seguiram foi uma criação da Globo, distorcendo um movimento originalmente criado para defender a criação de carteirinhas de estudantes.

As pessoas JÁ SABEM que a mídia fez muito mais do que apenas publicar noticias, ela ajudou a escrever a história de nosso país como a conhecemos hoje. Essas pessoas só tem dificuldade em acreditar que isso esteja acontecendo AGORA. Inocência? Ou cegueira auto- imposta?

O cérebro humano possui uma tendência natural a querer estar no controle.  Rezamos diante de situações maiores do que nós, pois assim temos a sensação de que podemos influenciar esses acontecimentos de alguma forma. A idéia de que não temos controle sobre certas coisas ao nosso redor é terrível, e acho que a cegueira da opinião publica no que se refere a esse tema é decorrente disso. Uma má noticia: Se não nos esforçarmos um pouco mais, não poderemos manter controle nem mesmo sobre nossas próprias opiniões.

Sua única defesa contra isso é buscar informação em múltiplas fontes. É questionar, é ir atrás.

Para isso você vai precisar dedicar um pouco mais de atenção às coisas do que permite uma folheada nas manchetes de um jornal no tempo de um cafezinho. Considero esse um preço pequeno a se pagar, para deixar de ser uma marionete.

Parte 2 –O mundo está acordando. E agora ?

Como eu procurei colocar em meu artigo “Sobre Wall Street e Tiranossauros”, existem basicamente duas formas de manutenção de poder sendo exercidas sobre nós nesse exato momento. O poder da informação e o poder da força. Quando o primeiro cai, o governo e seus patrocinadores (as mega corporações) recorrem ao segundo.

Não é a toa que os últimos levantes e movimentos  de 2011 tem provocado reações tão agressivas de seus governos (e em países com a democracia mais frágil, como no Egito, resultado em verdadeiros massacres). O poder está acuado. Pela primeira vez o poder não sabe o que fazer, pois manipular a mídia não é o bastante, as informações continuam vazando, constantemente, as pessoas continuam se levantando, e questionando, e confrontando.

A reação de uma besta encurralada é morder. E eles morderam. Forte :

Policial atira spray de pimenta em estudantes sentados em protesto do Occupy Wall Street:

http://www.youtube.com/watch?v=HaeCqChRQms

 

Violenta desocupação da Praça da Liberdade, em Wall Street, resultou em 200 prisões (e mais 100 até o final da semana), velhos e adolescentes atacados com spray de pimenta e pelo menos uma baixa: o bebê da ativista grávida Jennifer Fox, chutada na barriga pela policia:

http://rt.com/usa/news/occupy-miscarriage-fox-seattle-959/

Quase 5000 pessoas foram presas por todos os EUA desde que os protestos do Occupy começaram, em setembro.

 

Policia reprime protestos no Egito. Pelo menos 32 estudantes já foram mortos pela policia desde o inicio dos levantes:

http://www.noticiasbr.com.br/numero-de-mortos-em-protestos-no-egito-aumenta-para-32-30359.html

 

Cerca de 400 policias da PM invadem reitoria ocupada por 175 estudantes na calada da noite, prendendo 72 pessoas. Relatos de abuso de violência surgem por toda parte:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19076

Será apenas um delírio meu essa idéia de enxergar esses eventos todos como algo relacionado? Serei apenas um paranóico iludido por “teorias da conspiração” por estar propondo que isso esteja ocorrendo?

Acho que não.

A besta morde quando é acuada. É quando ela é mais perigosa. Mas por estar mordendo, ela esta expondo sua fragilidade.

Longe de mim ignorar o processo histórico e o diferente momento de cada um desses levantes, em cada um desses países (e os outros 980 onde ocorreram protestos e ocupações em 2011). Cada caso é um caso, cada protesto possui sua peculiaridade e cada governo sua forma de reagir a ele.

Mas também não se pode ignorar o padrão.

Se estamos conseguindo acuar nosso inimigo, então devemos estar preparados para mordidas ainda mais violentas. Não é hora de se acovardar, pelo contrário. Isso seria nadar e morrer na praia. Está chegando a hora de manter a pressão, de vencer o lobby da comunicação de vez, de ir para as ruas, de pegar ainda MAIS pesado.

Vivemos um momento histórico sem precedentes, e estamos assistindo de camarote o monstro que se tornou o sistema capitalista atual se debater furioso e tentando se defender.

Pensar o contrário, em minha humilde opinião, que é uma imensa inocência.

………

PS: Essa manhã recebi de um amigo meu essa reportagem maravilhosa que mostra como muitos policiais de NY, cansados de combater o proprio povo que juraram proteger, acabaram de se juntar ao movimento. Uma luz de esperança ?

http://rt.com/news/police-join-protesters-ows-621/

MATERIAL COMPLEMENTAR

Sobre a crescente violência na repressão dos movimentos Occupy:

http://www.alternet.org/story/153172/how_do_we_know_ows_is_winning_elites_are_desperate_to_suppress_it/?page=1

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2011/nov/25/shocking-truth-about-crackdown-occupy

http://rt.com/news/occupy-us-camps-dismantle-543/

Desde 2004 o PSDB gastou R$ 250 milhões com a mídia (sem licitações):

http://www.viomundo.com.br/denuncias/serra-psdb-educacao-midia-acoes-entre-amigos.html

http://fichacorrida.wordpress.com/2011/09/30/cartacapital-quer-saber-por-que-s-a-veja-poca-e-isto/

http://namarianews.blogspot.com/2011/09/alckmin-9-milhoes-pela-fidelidade-da.html#ixzz1bzMX1Lmg

O maior confronto entre ocupantes e policia em NY desde o inicio dos protestos. O tempo passa e o movimento só se fortalece:

http://rt.com/usa/news/occupy-wall-street-619/

O que realmente aconteceu no ultimo dia 11.11.2011 (e foi ignorado pela mídia, claro):

http://www.youtube.com/watch?v=ctlW6vZgQuo


Sobre Steve Jobs, Zeitgeist e Revolução

Nota do autor: A morte de Steve Jobs ter acontecido durante um período tão selvagem de explosões anticapitalistas como o movimento dos Indignados e o Occupy Wall Street sempre me soou no mínimo algo irônico. A diferença da repercussão desses fatos nas pessoas ao meu redor por outro lado nunca soou irônico, apenas um pouco triste.

Faz meses que eu queria ter escrito esse artigo, e é com prazer que agora o submeto a sua avaliação e os convido a discuti-lo comigo. Um grande abraço!

 

Você sabe o que Zeitgeist significa?

Com o crescimento do Movimento Zeitgeist e também a divulgação do ótimo documentário com mesmo nome, essa é uma palavra que tem sido muito usada, mas cujo significado acredito ser misterioso para a maioria das pessoas. Zeitgeist significa basicamente o “espírito da época”. É o conjunto de pensamentos, opiniões e posicionamentos comuns à maioria dos indivíduos nascidos em certo momento histórico e pertencentes a certo grupo social.

O “espírito da época” é o que determina se a maioria das pessoas de certo espaço-tempo da história acredita em Deus ou em Osíris, ou Zeus, ou Odin. É o que determina se a maioria das pessoas deseja ser um cavaleiro, ou um nobre aristocrata, ou CEO engravatado, ou um herói de guerra. É o que determina se normal é ter preconceito contra gays, ou negros, ou então ser cabeça aberta, vestir uma roupa colorida, praticar sexo livre e colocar flores na ponta de espingardas.

É evidente que não se pode considerar a imensamente complexa raça humana uma grande massa. Pessoas são diferentes, OK. Mas somos invariavelmente produto do nosso ambiente em grande parte de nossa personalidade, e estamos muito mais presos a essas premissas iniciais do que gostaríamos de admitir.

Retomando o paralelo com o evolucionismo de Darwin de meu ultimo texto, podemos assumir que diferentes ambientes favorecem indivíduos com diferentes características não é mesmo? Um sujeito ponderado e dado à filosofia não iria muito longe durante o período de cruzadas na Europa, nem faria brilhante carreira no exército de Gengis Khan ou Alexandre o Grande. Um sujeito questionador, com dificuldade em obedecer à hierarquia, não teria grande sucesso se nascesse na Alemanha durante o Terceiro Reich ou na Itália Fascista de Mussolini.

Isso nos leva a lançar um olhar critico ao espírito de NOSSA época e para aqueles considerados os heróis de nossos tempos. Nossos macho-alfa.

Nos leva a falar de Steve Jobs.

Quando Steve Jobs morreu uma imensa comoção se deu tanto na mídia e internet, quanto nas mesas de bar e rodas de conversa. Todos estavam extremamente contrariados e tocados com a morte prematura do bilionário workaholic. Ao mesmo tempo, Julian Assange, um brilhante ativista que dedicou sua vida a furar o lobby da grande mídia e levar a verdade incomoda às pessoas estava sendo preso, perseguido e injustiçado, e 99% das pessoas que eu conheço sequer tinham conhecimento do fato, quanto mais uma opinião.

O que deve ser notado em tudo isso é a imensa inversão de valores na qual nossa sociedade busca suas bases hoje em dia.

Vou ser bem direto nesse próximo ponto: Steve Jobs não era um grande homem. Era sem dúvida um grande empresário. Isso se confunde muito em nossos tempos. Steve Jobs era sim um herói, um herói de uma época onde conhecimento e ideais valem menos do que dinheiro e bugigangas, onde design vale mais do que conteúdo.

O bilionário que descobriu que tinha um câncer em 2004 e passou os últimos anos de sua vida trabalhando 13 horas por dia, repudiava o termo “responsabilidade social” e contratou fornecedores que utilizavam trabalho escravo na China, é o herói de nosso tempo. Homens como ele ocupam as capas de páginas como Você SA; Alfa, entre outras revistas. Sujeitos como ele ganham prêmios de “homem do ano”.

Veja bem, meu objetivo aqui não é avacalhar um defunto, muito menos um defunto tão ilustre. Estou plenamente ciente da importância de Jobs na difusão do conhecimento pela internet, até no fato de eu estar escrevendo em um blog nesse exato momento. Estou apenas questionando o modelo de nosso tempo. Questionando o FETICHE que gira em torno desse modelo.

Os grandes exemplos de nossa época poderiam ser grandes pensadores, grandes filósofos. Ou grandes cientistas. Enfim. Qualquer coisa. Mas em um mundo regido por capital, invariavelmente nossos homens do ano serão grandes empresários.

Os apartamentos dos Jardins, Leblon, etc., estão lotados de milionários como os citados acima, só que anônimos. Homens que possuem muito mais do que jamais serão capazes de gastar, especialmente porque nunca se permitirão sequer o tempo para isso, ocupados como estão em conseguir mais, e mais, e mais.

E tudo o que você aprendeu desde que era pequeno é que com bastante trabalho e sacrifício pessoal quem sabe um dia você poderá ser um deles.

“Se mate de trabalhar. Seja melhor que todos ao seu redor. Sacrifique mais. Faça sempre mais. Se você fizer bem esse trabalho, conseguirá ocupar um cargo de grandes responsabilidades e vai ganhar um gordo salário todo mês.

Com isso você poderá comprar. E comprar. E comprar. E todos vão olhar para você e morrer de inveja. E nesse momento você terá atingido o nirvana do capitalismo. Será enfim bem-sucedido.”

 

O que você diria sobre uma pessoa que já comeu tudo o que ela precisa e continua se empanturrando mesmo assim. Comendo, comendo, até que o estomago rompa?

Doente não é? No mínimo psicologicamente problemático.

O que você diria sobre uma pessoa que já emagreceu cada grama de gordura do corpo e continua fazendo regime. E tomando remédio. E vomitando?

Ou sobre uma pessoa viciada em plásticas, que já mutilou o próprio rosto e corpo tanto que nem mesmo os pais seriam capazes de reconhecer?

Bom, você já entendeu. A ÚNICA coisa que difere esse tipo de workaholic faminto por riquezas muito além de sua capacidade de uso fruto e todos os demais tipos listados acima, é que esse primeiro espécime ajuda a roda a girar. Ele é “útil”, “necessário”.

Em um reino de loucos, o mais insano de todos ocupa o trono.

O macho alfa de nossa sociedade, o estereótipo do bem-sucedido onde se marca um alvo e para onde são disparadas nossas crianças desde que elas sentam numa cadeira de escola (algumas até antes) é esse: Um lunático faminto por poder. Não tenho palavras delicadas para definir isso, apenas eufemismos covardes que prefiro não usar.

Se você está se dando ao trabalho de ler esse artigo até o final eu presumo que você já tenha superado essa idéia porca de felicidade não é? Mas até você chegar nesse ponto, quanto de sua energia você teve que dedicar para limpar essa merda toda de seu campo de visão? Quantas dificuldades você encara todos os dias simplesmente por tentar enxergar o mundo de outra forma?

Nossa sociedade está doente. Nossos modelos são doentios. E para começar a mudar as coisas, mudar para valer, precisamos antes remover esse carimbo distorcido de nossas cabeças.

Estendi-me um pouco no exemplo de Steve Jobs apenas para marcar uma chaga profunda na rocha onde estou esculpindo meu argumento. Para mudar o mundo, precisamos antes de tudo mudar nossa própria cabeça. Eu falei sobre modelos, mas poderia ter falado sobre hábitos de consumo, sobre crenças e valores, sobre qualquer coisa. Poderiamos fazer um livro só sobre isso.

O ponto é que precisamos nos libertar das amarras de pensamento que nos prendem ao ZEITGEIST de nossos pais, das gerações passadas, para então sermos capazes de alçar vôos maiores e criar um NOVO espírito. Criar um novo mundo.

Como eu disse acima, acredito que somos (no mínimo em grande parte) um produto de nosso meio. Só que nosso meio está todo errado, então temos que começar a pensar na quantidade enorme de porcaria que precisamos esvaziar de nosso cérebro antes de começar a criar esse novo mundo.

Parte da humanidade parece ter acordado para o absurdo de nossa condição, mas muitos ainda estão enxugando os olhos, cambaleando pelo quarto, tentando se encontrar. Existe um novo Zeitgeist sendo esculpido…nas cidades do oriente médio, nas ruas de NYC ou Madrid… no Vale do Anhangabaú.

Isso nos leva ao ponto principal desse artigo: A urgência por uma auto-reflexão.

Sem querer cair em um clichê, mas me vendo inevitavelmente capturado por ele: Precisamos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo.

É extremamente importante, que antes de você erguer uma bandeira na próxima passeata que for organizada no Facebook em prol de qualquer causa, você se faça o seguinte questionamento: Eu sou mesmo a favor disso? E nesse caso, eu estou vivendo minha vida de acordo com essa causa?

Sejamos bem francos e diretos aqui. Se você realmente acredita em um mundo mais justo, com uma distribuição de renda mais humana, então você NÃO quer ser o Steve Jobs. Você não quer ser nada nem perto dele. Também não quer ser o Bill Gates, nem o Abilio Diniz, nem o Samuel Klein ou o Silvio Santos.

Se você acha que as imensas corporações são um poder destrutivo no mundo atual, então você NÃO QUER trabalhar em uma.

Se você acha que os fazendeiros de gado estão destruindo a Amazônia e isso te incomoda, não pode falar sobre isso sem no mínimo questionar de onde vem a carne que você come, e o quanto você tem comido dela todos os dias.

Não dá pra criticar o consumismo descontrolado das pessoas trocando o smartphone todo ano, ou babando na idéia de um dia comprar uma Ferrari.

Resumindo: Não dá para vestir a mascara de Anonymous na passeata do Acampa Sampa e terno e gravata na segunda para ir trabalhar em um banco.

Não estou sugerindo que as pessoas abandonem seus empregos da noite para o dia e morram de fome, claro que não. Mas procurem conferir um peso um pouco maior de seus ideais nas suas escolhas profissionais futuras.

Sei que é uma critica vulgar e apelativa essa que alguns conservadores dirigem aos recentes levantes contra o capitalismo: Que as passeatas em Wall Street estão cheias de playboys com Iphones e roupas da GAP. Sem duvida, é uma critica tola, covarde. Mas mesmo desse latido ridículo podemos aferir uma pequena lição: Para mudar o mundo, precisamos começar a rever alguns de nossos valores. Analisar alguns de nossos hábitos e costumes.

Não é algo confortável, eu sei. Nesse ponto estou certo de que muitos leitores devem estar um pouco irritados comigo. Alguns pensando que eu sou extremista, talvez, ou hipócrita.

Já me adianto a esses últimos dizendo o quanto é difícil escrever esse artigo, pois eu também estou cheio de vícios e hábitos errados que estou tentando vencer todos os dias. Parcialmente, estou escrevendo esse texto para mim mesmo também.

Mas algumas coisas precisam ser ditas, soem agradáveis ou não:

Não dá para ser um revolucionário nas ruas (ou na internet) e não mudar absolutamente nada de sua vida no dia a dia. Fazer isso é lutar contra si mesmo.

Assim como no meu texto da USP eu não procurei dizer aos outros que opinião ter, não farei isso aqui. Não quero te dizer o que acreditar, ou que batalhas lutar. Eu apenas ofereço informação e proponho reflexões.

Só estou sugerindo que ao identificar algo que o sensibilize, uma causa pela qual lutar valha a pena, você procure se aprofundar no assunto. Leia, pesquise. Se contextualize. Liberte-se dos hábitos e opiniões que você não escolheu, mas que foram apresentados a você desde criança. Liberte-se um pouco mais do velho Zeitgeist.

Se torne o modelo daquilo  que você gostaria de ver ao seu redor.

Se necessário faça uma lista. Sim, uma lista no papel, de hábitos e mudanças que você acha que deve provocar em sua vida para se aproximar mais dos ideais que te motivam. Além de uma vida mais feliz, você criará um pequeno núcleo de insurgência, uma pequena explosão de revolução, no interior de seu próprio ser. 

Vá para as ruas também. Revolução não se faz só de casa. Mudar os hábitos é lindo, mas o capitalismo neoliberal é uma criatura ardilosa, capaz de se adaptar aos diferentes hábitos das pessoas. Ele sobreviverá. Ë por isso que cedo ou tarde você terá que ir para as ruas.

Mas quando o fizer, poderá erguer o rosto ao sol e gritar…

Com vontade…

Com propriedade…

Desperto…

Se você quer ajudar a esculpir um novo mundo, você precisa ter as mãos livres.


OCCUPY WORLD: Sobre Wall Street e Tiranossauros (por que nós vamos vencer)

Nota do autor: Esse texto fala sobre a expulsão dos manifestantes de Wall Street pela policia na madrugada de hoje, entre outros artifícios que tem sido usados para nos calar, e porque nós vamos vencer apesar de tudo.

Há mais ou menos 65 milhões de anos os Tiranossauros reinavam supremos sobre a Terra. Com presas imensas, um tamanho descomunal e uma capacidade de caça incomparável, ninguém podia com eles. Os mamíferos eram minúsculos, viviam nas sombras, se moviam em silêncio, estavam na base da cadeia alimentar.

Subitamente algo aconteceu. Um meteoro, como um gigantesco Deus ex Machina, se chocou com a Terra levantando uma nuvem imensa de poeira, que tapou o sol por meses, matou as plantas, os imensos dinossauros herbívoros que delas se alimentavam, e conseqüentemente, o Tiranossauro. Os pequenos roedores pré-históricos, que nunca desenvolveram grandes presas ou porte respeitável, haviam aprendido a ser furtivos, a precisar de pouco, a se multiplicar rapidamente. Eles herdaram a Terra.

A beleza infinita da teoria da Evolução de Darwin é que ela pode ser aplicada a qualquer modelo ou organização de espécies desse ou de qualquer planeta onde a vida possa eventualmente figurar. A sociedade humana não é exceção alguma. E por isso eu não estou nem um pouco pessimista – talvez um pouco furioso apenas – com o que ocorreu na ultima madrugada.

Dessa vez até quem só lê Estado de São Paulo está sabendo. Desocuparam Wall Street. NA MARRA. Como hienas, centenas e centenas de policiais cercaram os acampamentos no meio da madrugada (1h20 da manha), ameaçando prender todo aquele que não juntasse suas coisas e saísse em cerca de 20 minutos. Pelo menos 200 pessoas foram presas durante a operação, e o mais interessante é que quase metade desse numero não é representado por acampantes, e sim pessoas das imediações que se indignaram e foram interceder por eles.

Vale dizer que essa não foi a primeira vez que a prefeitura de NYC tentou desocupar a praça. No dia 15 de outubro uma grande operação foi montada, mas eles cometeram o erro de “dar bandeira demais” e acabaram tendo duas mil pessoas não-acampantes encarando de frente a polícia. O prefeito recuou, é claro. Mas aprendeu a lição.

Sendo silenciosa e rápida o bastante, a operação da ultima madrugada fez o que a primeira não conseguiu: Se esquivar furtivamente de uma imensa massa da população de NY que APOIA o movimento. Limpou a Praça da Liberdade rápido o bastante para impedir um imenso enfrentamento publico.

A prefeitura de NY estava esperando um bom motivo para remover a ocupação faz semanas. Mas esse motivo não apareceu: A ocupação foi pacífica, organizada e conquistou rapidamente a simpatia da população de sua cidade e do resto do mundo. A coisa complicou. Como convencer a população de que o cassetete era necessário para preservar a ordem publica, se a ordem publica não havia sido agredida?

O prefeito apelou então para o plano B: A mentira, o silencio. Vamos atacar de madrugada, ele pensou. Vamos fazer isso sem ninguém ver. As centenas de policiais da operação não apenas bloquearam diversas estações de metro e a ponte do Brooklin, para isolar a área: Eles impediram qualquer repórter de se aproximar do local.

Agora, vamos ao questionamento óbvio: Se a policia atende aos interesses do povo (e a maioria da população da cidade apoiava o acampamento), por que agir na calada da noite, longe dos olhos da imprensa e da opinião publica? Por que esconder tudo dessa maneira?

A resposta é uma só: A policia NÃO ATENDE AOS INTERESSES DO POVO. O policial é um ser humano, e ele individualmente atende apenas ao interesse do empregador. O empregador, por sua vez, atende ao interesse do governo. E o governo por sua vez, atende ao interesse do empresário que suborna, que patrocina suas campanhas. Não tem povo aqui. O povo estava na praça, sendo arrastado para a traseira dos furgões.

Infelizmente para eles, as barracas estavam cheias de computadores com webcam. Cada manifestante possuía um celular com câmera, a expulsão foi documentada ao vivo. Foi gerado mais material sobre o assunto, na forma de fotos, vídeos e relatos, do que todas as emissoras do mundo todo conseguiriam exibir por meses.

Abaixo uma reportagem interessante que recebi sobre a brutalidade da policia documentada por essas cameras e celulares. A reportagem foca não apenas a expulsão de Wall Street mas também as expulsões de Seattle e São Francisco que ocorreram quase ao mesmo tempo :

http://rt.com/usa/news/police-occupy-seattle-francisco-503/

O senhor da foto acima tem 84 anos e foi atingido com spray de pimenta. Seu nome é Doril Rainey. Algumas grávidas e adolescentes também foram agredidos de forma semelhante.

Abaixo uma reportagem interessante sobre como a policia tentou esconder a destruição do acampamento, além de ter saqueado a biblioteca montada pela ocupação:

http://www.viomundo.com.br/politica/heloisa-villela-policia-de-ny-tentou-impedir-a-midia-de-registrar-a-destruicao-de-acampamento.html?awesm=fbshare.me_Aeztf&utm_campaign&utm_medium=fbshare.me-facebook-post&utm_source=facebook.com&utm_content=fbshare-js-large&fb_source=message

A informação vazou.

Como reagir a isso?

Bom, o próximo passo é usar um bom lobby sobre as empresas responsáveis pelos grandes veículos de comunicação. Isso está sendo feito nesse exato momento. Eles não precisam convencer TODO MUNDO, apenas uma parcela da população grande o bastante para que os indignados sejam vistos como fogo de palha. Os donos do mundo de hoje não tem tempo para ler blogs ou assistir Youtube, eles estão ocupados demais trabalhando e fazendo o mundo girar.

Observando a situação não é difícil traçar o Modus operandi de nossos inimigos. Como eles SEMPRE vão nos enfrentar, pois foi como fizeram (e funcionou) por séculos:

1- FORÇA FISICA

2- BOICOTE DE INFORMAÇÃO

(alguma semelhança com a desocupação da reitoria da USP na semana passada é mera coincidência)

FORÇA foi o único recurso necessário para dominar o povo durante séculos de existência humana. Quando nasceu a democracia (ou pelo menos o ideal de democracia) nasceu uma forma de dominação ainda maior: A INFORMAÇÃO.

Se a vontade da população define o governo, manipulando a vontade da população se manipula o governo. Bingo. 1+1=2.

Só que da mesma forma que o Tiranossauro fazia quando reinava supremo, nosso inimigo se acostumou a usar os recursos que possui a seu favor. Ele se acostumou a estar por cima. Por isso mesmo agora nosso inimigo abriu uma imensa brecha estratégica. O espaço na armadura onde nós vamos cravar nosso golpe.

A internet veio como um meteoro e se chocou contra seu mundo de certezas cenográficas. E a responsabilidade de usar esse novo recurso reside em cada um de nós. Sem exceção.

A teoria da evolução atesta que as espécies que melhor se adaptam a um ambiente acabam vigorando, espalhando melhor seus genes, prevalecendo. A constante mudança de ambientes provoca subseqüente constante mudança de espécies dominantes. É por isso que esse espaço geográfico urbano onde você mora não está cheio de Alossauros ou Tigres Dentes de Sabre. O que é força em um momento se torna fraqueza no momento seguinte.

Nós somos a próxima espécie. Nos vamos herdar o planeta.

Se a vontade da população define o governo, RETOMANDO o controle sobre a comunicação, levaremos a verdade para a população. Assim retomaremos o governo. Bingo. 1+1=2.

O que nós devemos fazer?

1 – QUANDO DECIDIREM USAR FORÇA CONTRA NÓS, TEMOS QUE DENUNCIAR, DOCUMENTAR, TORNAR SUA VIOLENCIA PUBLICA. EXPOR SUA FEIURA. PARA ISSO PRECISAMOS SER IMPECÁVEIS. NÃO DAR MOTIVO. NUNCA BATER PRIMEIRO

2 – QUANDO ELES MENTIREM, QUANDO DISTORCEREM A INFORMAÇAO, TEMOS QUE ASSUMIR O PAPEL QUE A MIDIA NEGLIGENCIOU. ESCREVER. FALAR. COMUNICAR O ESCONDIDO.

Ao menos que eles “desliguem a internet”, o que não é possível simplesmente porque o sistema que alimenta o poder DELES já depende muito dessa tecnologia, eles não tem como enfrentar isso.

E não nos esqueçamos de que apenas 10% da população do planeta tem acesso à internet. Ela sozinha não bastará. Teremos que falar com as pessoas, criar redes, envolver, continuar indo às ruas, chamando a atenção. Pressionando.

O uso constante dessa tática, a repetição, a insistência, vai acabar vencendo. E se eles criarem um recurso novo, que não está sendo considerado, nós somos maioria. Nós temos menos a perder. Nós formularemos um contra-ataque.

Hoje nós não somos exatamente 99%. Somos uma minoria desses 99% que acordou. Por meio dessa tática, nós vamos aumentar nossos números. Vamos fazer jus ao nosso slogan. Hoje a caneta é mais forte do que a espada, mas tem gente demais usando a caneta contra nós, precisamos aumentar nossos números.

No momento que conseguirmos, no momento que o domínio da informação for nosso, nós teremos que lidar com outro tipo de problema: Eles ainda terão a força. E encurralados, eles nos enfrentarão.

Não se enganem. Dificilmente essa etapa do processo será pacifica. Eu adoraria dizer que sim, mas não posso prometer isso. Mas SE em algum momento nós tivermos que soltar a caneta e segurar a espada, nesse momento nós seremos MESMO uma maioria absoluta.

Nossas multidões terão se erguido por toda a parte, em números infinitamente maiores do que os que se ergueram no dia 15-10 ou no 11-11. E nesse momento, nós vamos vencer.

Hora de segurar a caneta…

Nós temos um mundo para retomar…

…..

NOTA: Poucas horas após a expulsão, os manifestantes já haviam conseguido uma liminar para voltar para a Praça da Liberdade. O governo liberou o retorno, devido a imensa pressão da população, sob a condição de que as barracas não fossem instaladas por enquanto.

Eles ocuparão não apenas a praça da liberdade mas também as proprias ruas de Wall Street. Indignados do mundo todo já prometem novos levantes.

Na sexta feira, 18/11, mais 200 pessoas foram presas, dessa vez devido a protestos realizados em Wall Street, totalizando 300 pessoas presas em apenas uma semana.

O movimento Ocupe Wall Street anunciou planos para cerca de mais 30 ocupações e garantiram que mesmo durante o rigoroso inverno americano se revezarão em turnos para manter ocupação simbólica.

Ao mesmo tempo, a prefeitura de Londres e provavelmente outras ao redor do mundo buscam recursos legais para expulsar seus ocupantes. A saga continua e cabe a nós decidir como ela vai terminar.

Acompanhe ao vivo tudo o que rola nas ocupações do mundo no seguinte livestream:

http://occupystreams.org/item/occupy-wall-street-nyc


OCCUPY WORLD : O que nós queremos afinal ?

Nota do autor: O artigo a seguir parte de uma reflexão iniciada nos textos “Por que o capitalismo não é a resposta” e “Por que o socialismo não é a resposta” publicados em outubro.Para melhor entendimento, recomendo a todos que não leram esses textos que o façam antes de prosseguir.

Desde a eclosão do Occupy Wall Street e suas diversas vertentes por todo o mundo tem sido quase o mantra de uma parcela conservadora da população dizer que as centenas de milhares de jovens que foram às ruas no ultimo 15/10 (e devem voltar no próximo 11/11) não sabem o que querem.

Eu fui adolescente em plenos anos 90, a década do vazio, e costumava ouvir o tempo todo que nossa juventude não possuía ideais, não tinha nada pelo qual lutar pois nossos pais haviam “conquistado a duras penas” o status quo confortável em que nos encontrávamos.

Olhando o estado “confortável” em que nos encontramos hoje, é quase engraçado pensar nisso. E é irônico como agora os mesmos que criticavam a passividade de uma geração criticam a pró-atividade da geração seguinte. “Ideologicamente difusos” eles dizem.

Só consigo interpretar a confusão daqueles que fazem esse tipo de crítica como cegueira ideológica. Auto-imposta. Um cinismo cuidadosamente cultivado para tornar suportável a falta de sentido que move nossa sociedade atual. Como camundongos correndo em uma roda dentro de uma gaiola, sem olhar para os lados, não percebem a clareza de nossas demandas.

Para deixar mais claro impossível, coloquemos da seguinte forma. O sistema hierárquico da sociedade global contemporânea é o seguinte:

Povo < Estado < Corporações e Bancos

Tudo o que queremos é acabar com essa insana inversão de valores e colocar cada um em seu devido lugar:

Corporações e Bancos < Estado < Povo

Isso só será possível se conseguirmos:

– Exigir que o atrofiado poder do estado volte a regular as ações descontroladas dos bancos e corporações multinacionais.

– Criar os mecanismos necessários para que o povo permaneça no controle do estado, para que a vontade do povo seja realmente o que é levado a cabo por seus governantes. Um novo modelo de democracia.

Durante décadas acreditou-se que o único contraponto possível ao capitalismo era o socialismo. Com o fantasma bigodudo de Stalin nos assombrando e a imagem de um tanque de guerra atropelando um estudante indefeso na China ecoando em nossas mentes, não me admira que esse hediondo sistema que é o capitalismo neoliberal tenha sido tão tolerado pelas gerações passadas. Ele era um “mal menor”, por assim dizer.

Uma surpresa para aqueles com preguiça mental: Existem outras opções. Existem INFINITAS opções. A humanidade existia milênios antes da Guerra Fria, e já conheceu milhares de sistemas e organizações. O sistema vigente nada mais é do que MAIS UMA tentativa, mais um modelo TRANSITÓRIO. Com algumas vantagens, alguns defeitos. Matéria prima para o amanhã. Imaginar que esse é nosso estado final é no mínimo burrice.

Essa tal “difusão ideológica” da qual esses jovens indignados são agora acusados nada mais é do que produto da constatação óbvia de que eles não querem incorrer nos erros do passado. Estão olhando para o amanhã. Antes de tudo, o que eles querem? Querem discutir.

Para inverter o sistema hierárquico do mundo, como descrevi acima, devemos primeiro destruir os “postulados” criados pelas gerações anteriores. Como disse Hermann Hesse em seu belo romance “Demian”, para nascer precisamos destruir um mundo. As velhas estruturas mentais que nos governam são esse mundo a ser destruído.

Eu os convido a limpar o terreno. Não nos permitamos auto-castrações do tipo: “Essa idéia é louca demais”. Loucura é continuar caminhando em direção ao precipício com os olhos vidrados demais no smartphone para constatar a própria iminência da queda. Loucura é achar que as coisas podem continuar como estão.

Para clarear nossas possibilidades, formulei 7 propostas, 7 itens que se forem atendidos certamente mudarão radicalmente a estrutura hierárquica do mundo descrita acima. São os seguintes:

1 – A intervenção direta do estado na maquina financeira representada pelos bancos. O fim das operações sem lastro, o fim da especulação.

2 – A intervenção direta do estado nas ações das corporações e multinacionais espalhadas pelo mundo. O teto da riqueza. O limite para o crescimento. A regulamentação do fluxo de capital das multinacionais para suas matrizes.

3 – O fim da “pessoa jurídica” como a conhecemos. O fim da impunidade do “crime corporativo”.

4 – O fim do seqüestro de patentes. Uma nova visão sobre a “propriedade intelectual”.

5 – O fim da confidencialidade das ações do estado e das corporações. A criação de ferramentas de auditoria com as quais o povo vigiará e regulará as instituições públicas e privadas.

6 – A revolução da mídia e da comunicação, que dará suporte aos mecanismos de auditoria citados acima.

7 – DEMOCRACIA PARTICIPATIVA. O mais importante de todos os pontos. A submissão completa e incondicional do estado ao povo. A criação de ferramentas psíquicas e tecnológicas que possibilitem esse fim.

Não estou dizendo que essa é a receita de bolo para criarmos um novo mundo. São apenas 7 idéias, 7 coisas em que devemos começar a pensar seriamente se quisermos mudar as coisas. Deve haver muito mais a ser feito. Eu apenas defini 7 tópicos que pretendo desenvolver.

Não há espaço nesse artigo para nos aprofundarmos suficientemente em cada um desses pontos. Em vez de tentar fazê-lo e inevitavelmente me tornar superficial ou leviano, prefiro abordar com atenção cada um desses tópicos, um por um, nas próximas semanas.

Os convido a escrever, mandar suas idéias, criticas e sugestões. Afinal de contas as ruas, os acampamentos e os blogs desse movimento nada mais são do que espaços de diálogo. Se preferirem o silencio por enquanto, os convido simplesmente para voltar daqui a uma semana ver a coisa tomando forma.

Não somos “ideologicamente difusos”. Não somos “levianos”. Apenas estamos começando do zero. Estamos construindo um belo monumento à liberdade e ao amanhã, e não sabemos ainda que cara esse monumento vai ganhar no final do caminho.

Como arquitetos de vanguarda, temos apenas uma certeza: Às vezes é preferível arriscar do que aceitar de pronto o erro absoluto.

Espero vocês daqui a uma semana.


OCCUPY WORLD: Iluminismo 2.0 ?

Não é facil conversar sobre economia. Finanças então …. ih muito chato! Você viu a novela ontem ? E o Palmeiras hein ?

Como um generalista, ou seja, um daqueles caras que gostam de ler sobre TUDO mas não se especializaram particularmente em nada ( praticamente um pária nos dias de hoje), sempre achei incrivel como parece muito mais dificil falar sobre finanças, cambio, derivativos e ….bom, seus derivados, do que discutir qualquer coisa realmente existente na natureza. Sim, existente, pois “derivativos” não existem de fato. Um sistema criado pelo HOMEM, que só faz sentido em um contexto BASTANTE especifico de nossa história, é muito mais dificil de compreender do que qualquer coisa REAL que se encontra na natureza.

Claro que sem entender nada sobre o assunto fica dificil discutir, e quem domina a informação fica literalmente “por cima da carne seca”.

Esse negócio de “compreender a linguagem para poder questionar” me lembra muito de um pequeno episódio de nossa história que vale a pena retomar:

“Na idade média não se sabia ler. Deixem eu colocar isso de uma forma mais veemente: NINGUEM sabia ler. Ler era uma coisa intelecualóide, sisuda, chata e complexa, que apenas sacerdotes e politicos dominavam.

Isso era particularmente benéfico para o clero, afinal eles dominavam uma informação considerada ESSENCIAL na época, e a manipulavam para a obtenção de regalias às custas das ‘pessoas ordinárias’.

Claro que lá por mil quinhentos e bolinha, com a expansão da população urbana, as navegações, ascenção da classe burguesa (etc etc) a quantidade de analfabetos reduziu na Europa, mas esse não era um problema – particularmente para os padres – afinal todos os textos religiosos eram em latim.

Daí apareceu um sujeito chamado Martinho Lutero, um carinha subversivo que teve a ‘bizarra’ idéia de que a bíblia deveria ser escrita em outras linguas além do latim, tornando possível às outras pessoas acessarem essa informação DIRETAMENTE, sem passar pelo CLERO, olha só que absurdo.

Claro que a consequencia DIRETA disso foi que as pessoas começaram a questionar o clero. Não é como se elas tivessem abandonado a religiosidade completamente, elas simplesmente passaram a regular o clero, pararam de comprar as infames indulgências, tickets VIP para o céu, esse tipo de coisa.”

(não vamos falar dos evangélicos fanáticos que existem até hoje, por favor, essa manhã acordei bem humorado)

A internet acaba de criar perspectivas novas e interessantes para nossa auto-destrutiva humanidade. Se em mil oitocentos e bolinha ocorreu o primeiro grande divisor de águas da história humana na Terra, o ILUMINISMO (marcado pela revolução industrial, a revolução científica e a revolução francesa), gosto de pensar que hoje vivemos um ILUMINISMO 2.0 (marcado pela revolução da comunicação e subsequente revolução da democracia).

Claro, a história dirá se estou sendo otimista ou não.

Movimentos como os do ultimo 15 de Outubro (sobre os quais eu tenho falado exaustivamente faz semanas) eclodindo o tempo todo a despeito de todos os esforços dos poderosos dos dias de hoje (representados no passado pela monarquia, nobreza e clero, hoje pelos CEOs de corporações, banqueiros, politicos e barões da mídia) em sufocá-los, são o sinal mais claro disso.

A razão principal disso é uma só: DEMOCRATIZAÇAO DA INFORMAÇÃO. O latim era o portão de aço separando a informação do povo a quinhentos anos atrás, o dominio dos meios de comunicação era o portão de aço separando a informação do povo até meados dos anos 90.

Daí se popularizou uma coisinha maravilhosa chamada internet. E com ela, as redes sociais, os blogs, os tumblrs, os CANAIS.

Dezenas de artigos, textos, vídeos são criados a cada segundo e jogados na rede, feitos por pessoas como eu ou você, que estão de saco cheio e resolveram falar. Alguns entendem mais de finanças ou economia, outros mais de politica ou sociologia. A informação é traduzida da linguagem acadêmica. Ela ganha o mundo. As pessoas entendem.

Elas entendem……

Uma lampada acende dentro da cabeça delas ….

Elas se enfurecem ….

Sei que não viverei o bastante para ver isso, mas gosto de pensar que um dia meus filhos ou netos poderão ler um trecho de sua história recente que fale mais ou menos isso:

“Na idade média do neoliberalismo não se entendia de finanças ou economia. Deixem eu colocar isso de uma forma mais veemente: NINGUEM sabia nada sobre finanças ou economia. Esses eram assuntos intelecualóides, sisudos, chatos e complexos, que apenas banqueiros, CEOs e politicos dominavam.

Isso era particularmente benéfico para os banqueiros, afinal eles dominavam uma informação considerada ESSENCIAL na época, e a manipulavam para a obtenção de regalias às custas das ‘pessoas ordinárias’.

Daí apareceram uns carinhas subversivos, que resolveram começar a investigar as informações que recebiam da mídia ou do estado em vez de aceitar por certo tudo o que ouviam (nonsense!). Eles começaram a ir para as ruas, e escrever, e protestar, e pressionar. Resolveram que queriam decidir os caminhos de sua sociedade DIRETAMENTE, sem aceitar a representatividade aclamada pela classe política e empresarial, olha só que absurdo!

Claro que a consequencia DIRETA disso não foi o fim da civilização como a conhecemos. Mas as pessoas começaram a questionar as corporações, e os banqueiros, e os politicos. Não é como se elas tivessem declarado estado de anarquia, ou voltado a viver em cavernas, elas simplesmente passaram a regular essas instituições, a subjugá-las. O mundo voltou para os trilhos a tempo, o ideal iluminista original foi retomado. Nos salvamos da iminente extinção.”

Otimismo ? Talvez. Quem me conhece sabe que eu alterno entre momentos de total descrença para com a humanidade com momentos de amor incondicional por essa espécie maluca de primata que pipocou no planeta uns poucos milhões de anos atrás, e como eu já disse, hoje estou de bom humor.

Essa fagulha de fé que eu tenho na espécie humana que me faz perder tanto tempo com esses textos, quando poderia estar lá fora aprendendo a manipular esse sistema a meu favor, comprando uma Ferrari, queimando dinheiro no Shopping Cidade Jardim, esse tipo de coisa.

Se um dia eu perder essa fé nao sei se viro um shopper individualista ou se mando tudo pra puta que o pariu e vou morar em uma floresta (se ainda restar alguma).

Até lá vou tentar fazer minha parte….

Que venha nosso iluminismo 2.0 !

……………………..

OBS: Para ilustrar como assuntos complexos e essenciais para o ser humano tem ganhado a rede de forma acessível e criativa, coloco abaixo dois exemplos excelentes.

Um deles é um vídeo que resume muito bem a bolha dos imóveis que acabou culminando na crise de 2008 e no começo do fim do mundo como o conhecemos (and I feel fine):

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=EqW9srTn7xM

O outro é a brilhante palestra da ativista ambiental Anne Leonard sobre consumismo e como o ideal neoliberal está consumindo nosso planeta e nos levando à beira da extinção:

http://www.youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k

Vídeo. Texto. Placa ou faixa para protesto. Megafone ou mouse. Boicote. O arsenal é variado e está disponível. Do que precisamos agora é gente … gente pra se mover do lugar, pegar essas armas e fazer alguma coisa.

Que tal escolher a sua? Que tal assumir uma posição?


OCCUPY WORLD : ACAMPA SAMPA !!

Na próxima semana pretendo publicar neste blog a conclusão de minha trilogia, iniciada com uma critica ao capitalismo, seguida de uma critica do socialismo. Essa conclusão vai propor uma série de medidas que devem ser tomadas na criação de um novo contraponto ao capitalismo desumano que vivemos hoje, sem para isso sacrificar nossa humanidade errando pelo outro extremo.

Como esse texto vai dar um pouquinho mais de trabalho, achei por bem usar o espaço hoje para atualizar todo mundo sobre o que anda rolando no ACAMPA SAMPA, no Vale do Anhangabaú.

Essa ocupação nasceu no dia 15 de outubro, junto aos diversos movimentos que eclodiram no mesmo sábado e sobre os quais eu falei em meu primeiro post do OCCUPY WORLD: Agora é Guerra.

No dia 15 de outubro tivemos em Sampa duas passeatas. Uma delas na Paulista e outra no Largo São Bento, que se deslocou até o Vale do Anhangabaú (do lado daquela pintura imensa de OSGEMEOS) e está acampando lá.

Apesar de repressão violenta da polícia, que já levou alguns manifestantes presos, levou caminhão pipa para jogar água nas barracas, spray de pimenta e já tentou despejar os ocupadores sob o argumento falso de que eles estão “ocupando ilegalmente espaço publico” tentaram desmontar o acampamento quase todo dia desde que eles chegaram.

O fato é que a ocupação seria ilegal se eles quisessem de fato morar no espaço, se instalar lá. Como eles estão ocupando aquela região temporariamente, com o objetivo de protestar, sua permanência lá é garantida pela constituição.

A associação brasileira pela democratização e pela liberdade de expressão impetrou no dia 17/10, essa segunda, um mandato contra o coronel PM Álvaro Batista Camilo, devido às primeiras repressões, e a violência parece ter aumentado com a sensação de revanchismo.

O espaço está sendo palco de uma série de palestras, debates e fóruns sobre a democratização direta, que é um pouco aquilo sobre o qual já falei nesse blog. Democracia Participativa em vez de Democracia Representativa. Como tornar esse sonho possível?

É até interessante que o Vale do Anhangabaú seja o cenário desse movimento, considerando que a 27 anos atrás tivemos no mesmo local o Comício pelas Diretas.

Já ouvi muitas criticas ao movimento Acampa Sampa, bem como ao próprio Occupy Wall Street e todas as centenas de movimentos- irmãos que eclodiram pelo mundo: “sem foco”. “sem ideologia definida”, “muitos assuntos abordados”.

Pois tudo o que me comoveu nesse movimento até agora é justamente seu apartidarismo, sua pureza ideológica. Como eu fiz questão de esclarecer no meu ultimo texto, esse não é um movimento socialista, um sócio-democrata, ou o que quer que seja. Podem não saber EXATAMENTE o que esperam ver no final dessa longa jornada, claro que não, não se pode criar uma nova forma de organizar o mundo da noite para o dia, e já ficou claro que nem o capitalismo que conhecemos e nem o socialismo que conhecemos serão alternativas viáveis. Não se pode construir nada em cima de ruínas, é necessário limpar o terreno antes.

O movimento Acampa Sampa está bastante organizado, se mantém pacífico, está organizando palestras, comícios e discussões diárias abertas a todos que quiserem participar.

Está clamando de volta para o povo o uso do espaço público. Usando esse espaço como cenário para construção de idéias.

O movimento Acampa Sampa está lindamente documentado em tempo real, você pode obter notícias dele de diversas maneiras:

1) Centenas de vídeos que eles estão postando diariamente no Youtube:

Resumo geral dos primeiros 6 dias:

Manifesto declarado no fórum:

Documentações da repressão policial:

2) Acompanhar ao vivo por meio de câmera e link no livestream:

http://www.livestream.com/anonymousbr

3) Acompanhar pelo Twitter, com posts a todo segundo:
#acampasampa

4) Acompanhar pelo Facebook, basta adicionar o Acampa Sampa como seu amigo:
https://www.facebook.com/#!/acampasampa

A Guerra no Iraque só foi possível porque o governo americano MENTIU para seu povo.

O Nazismo na Alemanha só cresceu porque o governo alemão MENTIU para seu povo

O capitalismo desumano no qual vivemos só é tolerado pelas pessoas, pois cria uma ilusão.
Achamos que ele funciona pois não vemos a merda se acumulando nas favelas e nos países de terceiro mundo que pagam a conta de toda a nossa ostentação.

Se as mentiras levam a humanidade, como massa, a fazer coisas estúpidas, talvez a liberdade possa nos salvar. A democracia participativa nascerá do nosso amadurecimento, do crescimento de nossa capacidade de divulgar informação. De espalhar. De discutir.

Apesar os esforços da mídia corporativa pelo contrário, o movimento está sendo divulgado como nunca por seus organizadores, a internet está bombando de informação.

Se você está lendo isso, é sua responsabilidade SIM ajudar a divulgar. Eles estão se esforçando ao máximo para que saibamos o que está acontecendo, nós ficamos com a parte fácil:

Coisa de um ou dois cliques.

Se além de divulgar você quiser ajudar de alguma outra forma, lembre-se de que eles estão nas ruas e toda ajuda, seja com alimento, equipamento de divulgação, material de leitura (para desenvolver nos fóruns), pilhas, geradores, tudo será bem-vindo.

Ligue nos seguintes telefones para saber como ajudar: 4114-0525 (infra) 8117-4751 (alimentação).

Outra coisa que você pode fazer é ligar para o fórum João Mendes e reclamar da decisão da juíza do fórum de que o Acampa Sampa não pode permanecer, pois é qualificado como “moradia ilegal”, algo completamente sem propósito:

(11) 2171-6000

Lembrem-se, eles não estão lá lutando apenas pelos próprios direitos. Eles estão lutando por nós também. Um dia nós colheremos os frutos de iniciativas como essas, não é nada além de nossa obrigação apoiar como for possível.

Como você vai ajudar?