NOTAS SOBRE CUBA

Esse texto esperou quase dois anos para ser escrito. Não foi falta de vontade, nem falta de tempo. O ponto é que normalmente costumo ter muita certeza de tudo o que eu escrevo, e é extremamente difícil ter certeza a respeito de qualquer coisa em Cuba. A realidade multifacetada e complexa dessa linda ilha no Caribe desafia as convicções de qualquer esquerdista (ou direitista) filosoficamente honesto que se aventurar por lá.

 Mais do que nunca, tenho certeza de que os principais abismos que nos separam dos outros cidadãos desse planeta não são formados por distâncias físicas, ou religiosas, mas sim por distâncias sociais. Temos mais em comum com um colega de classe (social) que vive do outro lado do mundo, do que com um irmão Cubano pobre aqui do lado do Brasil. E é com essa reflexão que eu inicio meu texto.

Estive em Cuba no começo de 2012. Gostaria de dizer que morei lá por alguns meses, que viajei na caçamba de velhos caminhões soviéticos, transportando cana pelo interior de Cuba enquanto conversava com camponeses ainda mais velhos e queimados de sol a respeito de Batista, Castro e a revolução. Certamente seria mais romântico, mas acontece que fui a Cuba como turista mesmo, esticando uma semaninha em Havana e depois visitando uma ou duas praias do Caribe, porque ninguém é de ferro. Só uma pessoa que já foi para Cuba entende como isso basta para torcer seu cérebro como se torce um pano de chão usado num tanque de lavar roupa.

Não há experiência frívola em Cuba. Mesmo se você tentar se internar em um resort All Included, descendo no aeroporto de Varadero e fugindo direto para ele na hora de ir embora (o que, acreditem, muita gente faz), não há como se esquivar da realidade brutal e absurda que se arremessa na nossa cara assim que pisamos naquela ilha verde e bonita: Não sabemos nada. Somos mimados. Bobinhos. O simples fato de termos dinheiro para chegar lá e curtir uns dias de férias já denuncia nossa completa ignorância da realidade do mundo, que em Cuba (diferente da maioria de nossos destinos turísticos habituais) não pode ser isolada em alguma periferia, ou escondida atrás de um muro. Bem que tentam.

Geralmente, quando viajamos, tentamos puxar assunto com os taxistas, com as pessoas que nos atendem nos restaurantes. Puxamos conversa, tentamos saber o que eles pensam do prefeito da cidade, sobre como é viver por lá, qual a ultima novidade. Em Cuba, são os locais que vêm falar conosco. O tempo todo. Em dois dias lá, ao menos que você tape os ouvidos e saia correndo cantarolando toda vez que um cubano te abordar, você já terá ouvido umas cinco histórias de vida diferentes, que te deixarão emocionado, bravo, invejoso, compadecido, tudo ao mesmo tempo. Ainda tenho cravado na minha memória o rosto de todos aqueles com quem eu falei ao longo de minha estadia, e tenho certeza de que todo mundo que visitou esse lugar tem os seus.

Claro que cada pessoa tem uma convicção política, um histórico de vida, e processará a experiência de uma forma distinta. Mas pelo que tenho notado, toda vez que converso com minha esposa ou alguma outra pessoa que voltou de lá, noto que existe um tipo de padrão na forma que reagimos a Cuba. Dividirei o restante do meu texto em três tópicos, “Choque”, “Reflexão” e “Conclusão”. O ultimo tópico foi nomeado de forma reconhecidamente falaciosa: aviso desde já que não há conclusão definitiva sobre esse assunto tão complicado.

1.    O CHOQUE

Cuba é uma ditadura. Não há como negar isso, e qualquer pessoa que disser o contrário, nunca foi pra lá.

O cubano não pode falar com o turista por muito tempo, ao menos que seu trabalho exija isso. Se uma conversa durar demais, logo o cidadão é abordado por uma autoridade policial, que manda ele “dispersar”. Conversas corriqueiras na rua então, nem pensar. Conhecemos um casal de cubanos em “Paseo del Prado” e conversando com eles, nos sentimos como se estivéssemos comprando drogas ou algo do tipo.

O cubano não pode usar internet, ao menos que seu trabalho exija isso. Cubanos que possuem amigos ou família fora, geralmente usam colegas que trabalham com internet para manter contato. Conhecemos um cubano, que trabalhava na “Heladeria Copélia”, a famosa sorveteria de “Vedado”, que mandava recados para a namorada americana por meio de um amigo que trabalhava com comércio exterior.

O cubano não pode vender seu carro ou casa. Ou mesmo trocar com outra pessoa. Cada bem é fruto de uma distribuição feita pelo estado ainda na época da revolução. Hoje isso começou a ser flexibilizado por Raul Castro, com severas restrições.

O cubano não pode viajar. O governo de Raul está começando a flexibilizar essa regra também, mas na prática ainda não existe turista cubano indo pra fora. Mesmo dentro da própria ilha, existem praias e regiões restritas para o cidadão, onde só podem ir turistas.

Varadero. Exclusiva para turistas.

Um cubano que perca o emprego, não pode simplesmente pleitear um novo emprego em outro lugar. Ele precisa entrar em uma fila. Conhecemos um taxista em nossa viagem através de “Matanzas”, que era chefe de cozinha e perdeu o emprego quando o restaurante onde ele trabalhava fechou. Foi designado pelo governo para atuar como taxista enquanto aguarda em uma fila, para voltar a exercer sua vocação quando chegar a vez dele. A previsão é de cinco anos ou mais.

Cuba é incrivelmente pobre.

O crescimento do turismo nos últimos dez anos criou uma situação ridiculamente chocante e absurda, que será certamente uma das primeiras coisas a ser notadas por turistas que se aventurarem por lá: Duas moedas. Dois pesos e duas medidas. O peso turístico está em paridade com o dólar, enquanto o peso cubano (acessível apenas ao cidadão ou no mercado negro) é muito menos valioso. O que é uma medida até interessante para manter mais dinheiro dentro do país, acaba tendo conseqüências bizarras, já que uma coca cola e um sanduíche em qualquer barzinho de Cuba, comprado por um turista, pagaria mais de um mês de salário de qualquer trabalhador cubano. O turista se torna automaticamente um milionário, uma árvore de dinheiro. Como conter a prostituição nesse país, sendo que duas noites que uma menina cubana passe com um turista paga um ano inteiro de salário dela? Como reverter a realidade bizarra em que uma faxineira de banheiro de bar, que ganha algumas moedas por noite de turistas embriagados, fecha o mês ganhando mais dinheiro do que um médico ou engenheiro?

Havana é linda e fotogênica. Mas está caindo aos pedaços. Mesmo. Vários prédios estão bloqueados por “Perigo de Derrumbe” e vários deveriam estar. Os prédios decadentes de Havana saem lindos nas fotos, mas certamente não são bons lugares para se viver.

As pessoas não passam fome, mas comem muito pouco. Os cupons-alimentação que recebem do governo não são o bastante, dependendo do tamanho da família, e não é raro ser abordado por um cidadão no meio da rua, pedindo uma caixa de leite. Saímos para jantar com aquele casal que conhecemos em “Paseo del Prado” (claro que pagamos a conta), e vimos com os próprios olhos eles apenas beliscarem a comida, guardando mais da metade para levar para os filhos em casa.

Nunca me esquecerei da noite em que eu e minha esposa conhecemos o porteiro do prédio onde estávamos hospedados (uma amável casa de família, algo bem comum por lá). Fascinado pelo Brasil, nosso novo amigo era fluente em português e outras duas línguas (algo bem comum por lá). O padrinho de seu filho era Brasileiro e o sonho dele era visitar nosso país, mas ele deixou claro, com todas as letras, que jamais iria realizar o sonho do filho. Estavam presos na ilha. Quando nos despedimos dele e entramos no elevador, olhamos um nos olhos do outro e choramos. Choramos por uns 15 minutos.

Viajar para Cuba, se você mantiver seus olhos abertos e não for um completo idiota, é pesado. E naquele momento, acho que o peso de tudo o que recebemos ao longo dos últimos dias bateu mais forte do que nunca.

2.    A REFLEXÃO

No que concerne quase tudo na vida, o primeiro contato com uma realidade nova muitas vezes não acompanha uma subseqüente reflexão. A velocidade com que as coisas acontecem geralmente faz com que nos agarremos à primeira impressão, e possamos virar a página para o próximo assunto. A primeira impressão é a que fica não é?

Não quando o assunto é Cuba.

Não podemos deixar isso acontecer nesse caso, simplesmente porque a reflexão que essa pequena ilha caribenha nos instiga, é uma reflexão muito maior, que atinge diversos aspectos de nossa sociedade e da própria raça humana. Acha que estou exagerando?

Ao menos que você tenha descoberto algum pacote secreto da CVC para a Coréia do Norte, ou então uma máquina do tempo que te leve de volta para a Russia Stalinista, visitar Cuba pode ser sua ultima chance de conhecer um lugar no mundo que não foi contaminado, ou convertido – para usar uma palavra mais leve – por uma forma ou outra de corporativismo. Que ninguém venha falar da China, com seu totalitarismo de estado ultra-capitalista (que talvez reúna o pior dos dois mundos).

Tentar enxergar além do óbvio (os cubanos tem pouca liberdade e vivem em um estado de pobreza) é mais do que desenvolver uma opinião inusitada sobre um destino exótico para as próximas férias. É iniciar uma reflexão essencial sobre o que deveríamos manter em nossa sociedade atual, e o que deveríamos destruir. Basicamente: o que podemos aprender com uma sociedade que se organizou de uma forma completamente diferente da nossa?

Quem lê apenas a primeira parte do meu texto e depois desiste (porque ele é muito longo, eu sei…eu sei…) certamente fica achando que, além de ser um inferno, Cuba é um péssimo destino turístico, já que deixa seus visitantes chocados e deprimidos com uma realidade cruel e esmagadora. Nada poderia ser mais distante da verdade.

Cuba é um lugar lindo, abençoado com uma beleza além da conta, e a despeito de todas as dificuldades que tem que enfrentar no dia a dia, poucas vezes vi um povo tão feliz quanto o cubano.

Apesar de ganhar pouco, todo cubano tem trabalho, que, aliás, executa apenas algumas vezes por semana, tendo mensalmente tantos dias de folga quanto dias úteis (o que torna a idéia de ‘fim de semana’ comicamente abstrata para muita gente com quem conversei, e descansa dia sim, dia não).

Apesar de comer pouco, todo cubano come. Apesar de morar mal, todo cubano tem casa.

Todo cubano fala pelo menos duas línguas, a maioria fala três. Todo cubano tem acesso à medicina de qualidade, e remédios gratuitos.

As cinco em ponto, todos os dias, o “Malecón” de Havana se enche de cubanos jogando conversa fora e dando risada, enrolando duas horas com seu copinho de rum a tiracolo (porque não tem muito) e tocando algum instrumento.

Cubanos descansam ao entardecer no Malecón

Cubanos descansam ao entardecer no Malecón

Ainda que esse mesmo cubano alegre e sorridente tenha críticas ferrenhas a fazer contra Fidel Castro, assim que se sentir seguro o bastante com você para desabafar a respeito, ele está lá, vivendo a vida, enquanto a imensa massa de gente pobre de nosso ultra-capitalismo está apenas começando uma jornada de 3 horas de baldeações entre ônibus e metrô, para chegar em casa, na periferia da periferia.

Entendem onde eu quero chegar? Vamos um pouco mais a fundo…

Vivemos inevitavelmente presos em nossos próprios parâmetros – nossas referências iniciais – e é muito difícil para a elite brasileira, da qual TODOS NÓS fazemos parte (se você está lendo esse texto 99% de chance de se incluir nesse grupo) enxergar a dura realidade na qual a esmagadora maioria do mundo se encontra. Por trás das lentes de nossas câmeras semi-profissionais da Canon, fotografando as ruas belas e decadentes de Havana (para depois poder contar em alguma mesa de bar na Vila Madalena, pagando 8 reais em um chope, que visitamos um lugar exótico nas ultimas férias), certamente Cuba  parece um lugar ridiculamente precário.

As casas estão desabando? É verdade.

A discrepância monetária entre o peso cubano e o peso turístico gera um abismo semi-hediondo entre o turista e o morador? É verdade.

O cubano comum não pode viajar livremente como turista, e está de certa forma preso dentro do seu próprio país? Ainda é verdade pra quase todo mundo…

Mas antes que comecemos a dissertar sobre as vantagens da democracia maravilhosa na qual nós, civilizados, vivemos, eu peço licença para perguntar:

Você já pensou em passar suas próximas férias em uma favela brasileira? Ou em uma comunidade de garimpeiros no norte de Minas Gerais?

Já visitou a casa da sua faxineira?

Já parou pra comparar o seu poder de consumo com o do gari que limpou a sua rua as 3 da manhã de ontem, no frio, enquanto você dormia enroladinho no seu edredom? Sabe quantas refeições ele pula por mês para economizar dinheiro?

Já perguntou pra um empacotador do Pão de Açúcar se ele tem alguma esperança de um dia viajar pra fora do país?

Antes de ficar chocado e emocionado com o discurso do médico Cubano no plenário, essa semana, sobre as péssimas condições de vida dos médicos que trabalham em Cuba; já se perguntou o quão chocantes seriam as realidades e depoimentos se oferecêssemos a mesma voz aos milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, mesmo depois de todos os bolsas famílias e milagres econômicos dos últimos anos?

Somos mimados. Mimados e incapazes de enxergar a realidade da imensa maioria de nossos próprios conterrâneos. Olhamos com pena para o cidadão cubano e somos ao mesmo tempo incapazes de encarar o morador de rua embaixo da ponte por quem passamos na volta pra casa.

Tomemos por exemplo as centenas de populações ribeirinhas que moram no interior da Floresta Amazônica: Vivem sem energia elétrica, sem hospital e sem escola a menos de um dia inteiro de barco. Tomam banho na mesma água onde jogam suas fezes. Sobrevivem com menos de um real por dia. Nascem, crescem e morrem anônimos à nossas vidas protegidas.

Favela ribeirinha brasileira

Favela ribeirinha brasileira

O que pensariam essas pessoas, assim como os milhares de moradores de rua, os centenas de milhares de favelados, e quer saber? Os milhões de trabalhadores de classe baixa de nosso país, se lhes fosse oferecida a oportunidade de viver em um lugar onde saúde e educação publica funcionam? Onde eles teriam comida e moradia garantidas pelo estado?

Fala-se muito da truculência do estado cubano em relação à sua população. Mas alguém que adora falar sobre isso, já visitou uma batida do Bope ou da Rota em um morro? Já testemunhou uma chacina da PM em algum bairro de periferia?

Será que o mesmo cubano que nos vê, bem vestidos e cheios da grana, fotografando seu bairro decadente, invejaria tanto assim nosso estilo de vida se soubesse que sua maior chance (estatisticamente) caso tivesse nascido no Brasil, seria morar em uma favela?

A grande questão que devemos levantar, meus amigos, não é se trocaríamos a nossa vida confortável e mimada, pela vida do cubano pobre.

A questão que devemos levantar é: Se vivêssemos como a imensa maioria da população do Brasil (e do mundo) vive, não preferiríamos viver em Cuba?

3.    CONCLUSÂO

 Indo e vindo nessa reflexão complicada a respeito de tudo o que vi quando viajei para Cuba, fiquei empacado nesse texto por quase dois anos. Ainda não possuo todas as respostas, mas escrevi mesmo assim, para instigar um pouco mais de reflexão para aqueles que acham que as possuem.

Não vou nem entrar no mérito de quanto da pobreza cubana (e da truculência do estado) não é uma conseqüência direta do embargo americano, e ao programa de incentivo à dissidência que eles promovem em Miami. Não vou morder a isca fácil de tornar essa reflexão um texto anti-americano, quando ele pode ser algo mais.

A verdade é que, politicamente falando, sempre tentamos assumir um lado, o da direita ou a da esquerda. E se somos moderados, somos em cima do muro, alienados, não queremos nada com nada. Estamos sempre buscando uma camisa para vestir.

Visitar Cuba é de certa forma, partir um coração idealista: Não existem utopias.

Voltar de Cuba e encarar com realismo esse lado do mundo é igualmente assombroso: Vivemos em direção a uma distopia.

O preço que pagamos para nossa vida confortável é alto demais. O alto salário que certos cargos garantem em nosso país, só consegue ser tão alto à custa de uma imensa massa que vive uma vida miserável, trabalha muito e ganha pouco, vive mal, come mal, não tem acesso a nada. Essa é a realidade que ignoramos todos os dias, para nossa vida não virar um inferno de culpa.

Nossa democracia e sistema de eleições parece livre, mas na verdade foi a muito tempo assimilado pelas grandes empresas, que com patrocínio à campanhas e lobby se apoderaram da agenda política dos governantes que escolhemos. O liberalismo morreu, foi substituído por um corporativismo canceroso.

Nossos recursos naturais estão se esgotando, as massas miseráveis estão se multiplicando, e nosso sistema continua se baseando em uma máxima irrealista de crescimento indeterminado, em um sistema isolado (o planeta Terra) cujos recursos são mortalmente limitados.

O sistema onde crescemos nos ensinou que é um absurdo querermos comprar banana no supermercado, e só ter maçã. Que é absurdo ter alguém limitando o quanto podemos crescer na carreira, o quanto podemos ganhar, quantos bens podemos acumular.

Vivemos em um sistema que nos ensinou a não olhar nem pra trás (para os milhões de pobres que deixamos no caminho) e nem para frente (para a realidade horrível que estamos construindo para nossos netos). Estamos distraídos demais usufruindo de nossa liberdade de consumir e aproveitar a vida.

Incômoda favela crescendo e estragando a vista do morro.

Incômoda favela crescendo e estragando a vista do morro.

Certamente Cuba não possui as respostas, e certamente é cheia de defeitos. Defeitos horríveis que eu não faço reservas (como esse texto mostra) na hora de levantar.

Mas devemos ter em mente, também, que o sistema instituído por Fidel Castro há décadas atrás não tem mais do que alguns anos de vida, e antes que ele desapareça de vez, devemos dedicar algum tempo a refletir sobre ele.

Devemos pensar o quanto não estamos a nossa maneira, vivendo em um tipo de ditadura também. Uma ditadura do capital. Que só não nos incomoda tanto (ainda que eu veja cada vez mais e mais amigos deprimidos com seus trabalhos) porque demos a sorte de nascer na posição privilegiada da pirâmide.

Devemos pensar o quanto não podemos aprender – como espécie – na hora de compartilhar um pouco o que temos, em vez de simplesmente fechar os olhos à realidade horrível que nos cerca e cresce ao nosso redor. E quem sabe não reclamar tanto na hora que lançarem o próximo programa social, ou tentarem instaurar um sistema de tributação pesado sobre riqueza extrema (algo que aliás muitas potências capitalistas, como a Alemanha, instituíram a anos).

Devemos ter cuidado na hora de falar de Cuba, porque nem tudo é o que parece. Nem tudo é tão preto no branco. Um pouco menos de corporativismo, e um pouco mais de consciência social que Cuba acabou desenvolvendo na marra, poderia sim fazer muito bem para nosso Brasil tão reacionário e duro com sua população pobre, que ainda é maioria absoluta.

Às vezes é melhor continuar se questionando do que estacionar na primeira resposta.


8 Comentários on “NOTAS SOBRE CUBA”

  1. Anônimo disse:

    Texto muito, muito bom e pertinente do meu grande amigo Igor Machado, em um momento bastante oportuno, de reflexão sobre a vinda de médicos cubanos ao Brasil.

    Também estive em Cuba em 2012, e respostas fáceis e pré conceitos sobre este país tão complexo como só Cuba é, não ajudam na reflexão.

    Cuba, mesmo com todos os seus defeitos, sendo o principal falta de liberdade de expressão e de ir e vir, ainda assim nos ensina muito e dá um baile no Brasil no que diz respeito aos direitos sociais básicos, como educação e saúde gratuitas e de qualidade, distribuição de renda, taxa zero de analfabetismo, ausencia de crianças pedindo esmolas nas ruas… problemas cronicos do Brasil…

  2. Ísis Drummond disse:

    Texto muito, muito bom e pertinente do meu grande amigo Igor Machado, em um momento bastante oportuno, de reflexão sobre a vinda de médicos cubanos ao Brasil.

    Também estive em Cuba em 2012, e respostas fáceis e pré conceitos sobre este país tão complexo como só Cuba é, não ajudam na reflexão.

    Cuba, mesmo com todos os seus defeitos, sendo o principal falta de liberdade de expressão e de ir e vir, ainda assim nos ensina muito e dá um baile no Brasil no que diz respeito aos direitos sociais básicos, como educação e saúde gratuitas e de qualidade, distribuição de renda, taxa zero de analfabetismo, ausencia de crianças pedindo esmolas nas ruas… problemas cronicos do Brasil…

  3. Ísis Drummond disse:

    Igor, seu texto está irretocável! Parabéns amigo!

    Concordo 100% com a premissa e com a reflexão!

    Na conclusão, achei ótimo que você tenha deixado aberto ao leitor, para que o texto não fique muito tendencioso… porém cada vez mais tenho certeza que precisamos sim das lições da sociedade cubana, para alcançarmos cada vez mais um Estado Social de Direito, democrático e social de VERDADE, com programas que atacam a redistribuição de renda, programas estruturados de saúde e educação, de qualidade, e garantidos pelo Estado, e cada vez caminhando mais para uma democracia direta e participativa, e não nossa democracia primária, dominada por lobbys e na qual as pessoas acham que o mero fato de votarem a cada 4 anos é ser democrático e livre!!!

    A verdadeira democracia direta é muito mais complexa, com o aperfeiçoamento de referendos, consultas, voto distrital, associação de moradores, fortalecimento de subprefeituras, controle direto e transparência nas contas do poder público e no trabalho dos congressistas…

    Uma pena que os países Europeus que tentaram se aproximar um pouco do Estado Social (educação e saúde de qualidade e gratuitas, redução da jornada de trabalho, licença maternidade de 01 ou até 02 anos, taxação de grandes fortunas…) agora estão “quebrados”… com a vitória e a lógica do capitalismo selvagem tentando se impor nestes países europeus…. muito, muito triste…

  4. Ronaldo Cahin disse:

    Muito bom, extremamente ponderado, mas não sei meio caro… também não tenho respostas, mas para mim “Nem tanto mar nem tanto montanha.” me soa a reformismo, a social democracia, o que não me parece um cenário melhor que nenhum dos dois extremos.

    • igorius2011 disse:

      Olá Ronaldo!! Certamente “social democracia” aos moldes do que temos hoje no Brasil não é a solução. Até porque é na verdade um embuste não é? Todos sabemos para quem esses “social democratas” estão governando, e não é para o povo…

  5. eu viveria muito bem na ilha! trocaria qualquer vantagem brasileira(nao vejo nenhuma) pelos ares bravios da terra de castro.

  6. P. disse:

    Ótimo texto, obrigado pela reflexão.

  7. Beatriz Nantes disse:

    Estive em Cuba na mesma época que você (início de 2012) e no mesmo esquema Havana + Varadero. Também pensei em escrever algo desde então, mas também não tinha certezas… enfim, só pra dizer que me identifiquei demais por tantas semelhanças e penso a mesma coisa. Ir pra Havana embrulha o estômago e é um tapa na cara. Obrigada, belo texto


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