Sobre Steve Jobs, Zeitgeist e Revolução

Nota do autor: A morte de Steve Jobs ter acontecido durante um período tão selvagem de explosões anticapitalistas como o movimento dos Indignados e o Occupy Wall Street sempre me soou no mínimo algo irônico. A diferença da repercussão desses fatos nas pessoas ao meu redor por outro lado nunca soou irônico, apenas um pouco triste.

Faz meses que eu queria ter escrito esse artigo, e é com prazer que agora o submeto a sua avaliação e os convido a discuti-lo comigo. Um grande abraço!

 

Você sabe o que Zeitgeist significa?

Com o crescimento do Movimento Zeitgeist e também a divulgação do ótimo documentário com mesmo nome, essa é uma palavra que tem sido muito usada, mas cujo significado acredito ser misterioso para a maioria das pessoas. Zeitgeist significa basicamente o “espírito da época”. É o conjunto de pensamentos, opiniões e posicionamentos comuns à maioria dos indivíduos nascidos em certo momento histórico e pertencentes a certo grupo social.

O “espírito da época” é o que determina se a maioria das pessoas de certo espaço-tempo da história acredita em Deus ou em Osíris, ou Zeus, ou Odin. É o que determina se a maioria das pessoas deseja ser um cavaleiro, ou um nobre aristocrata, ou CEO engravatado, ou um herói de guerra. É o que determina se normal é ter preconceito contra gays, ou negros, ou então ser cabeça aberta, vestir uma roupa colorida, praticar sexo livre e colocar flores na ponta de espingardas.

É evidente que não se pode considerar a imensamente complexa raça humana uma grande massa. Pessoas são diferentes, OK. Mas somos invariavelmente produto do nosso ambiente em grande parte de nossa personalidade, e estamos muito mais presos a essas premissas iniciais do que gostaríamos de admitir.

Retomando o paralelo com o evolucionismo de Darwin de meu ultimo texto, podemos assumir que diferentes ambientes favorecem indivíduos com diferentes características não é mesmo? Um sujeito ponderado e dado à filosofia não iria muito longe durante o período de cruzadas na Europa, nem faria brilhante carreira no exército de Gengis Khan ou Alexandre o Grande. Um sujeito questionador, com dificuldade em obedecer à hierarquia, não teria grande sucesso se nascesse na Alemanha durante o Terceiro Reich ou na Itália Fascista de Mussolini.

Isso nos leva a lançar um olhar critico ao espírito de NOSSA época e para aqueles considerados os heróis de nossos tempos. Nossos macho-alfa.

Nos leva a falar de Steve Jobs.

Quando Steve Jobs morreu uma imensa comoção se deu tanto na mídia e internet, quanto nas mesas de bar e rodas de conversa. Todos estavam extremamente contrariados e tocados com a morte prematura do bilionário workaholic. Ao mesmo tempo, Julian Assange, um brilhante ativista que dedicou sua vida a furar o lobby da grande mídia e levar a verdade incomoda às pessoas estava sendo preso, perseguido e injustiçado, e 99% das pessoas que eu conheço sequer tinham conhecimento do fato, quanto mais uma opinião.

O que deve ser notado em tudo isso é a imensa inversão de valores na qual nossa sociedade busca suas bases hoje em dia.

Vou ser bem direto nesse próximo ponto: Steve Jobs não era um grande homem. Era sem dúvida um grande empresário. Isso se confunde muito em nossos tempos. Steve Jobs era sim um herói, um herói de uma época onde conhecimento e ideais valem menos do que dinheiro e bugigangas, onde design vale mais do que conteúdo.

O bilionário que descobriu que tinha um câncer em 2004 e passou os últimos anos de sua vida trabalhando 13 horas por dia, repudiava o termo “responsabilidade social” e contratou fornecedores que utilizavam trabalho escravo na China, é o herói de nosso tempo. Homens como ele ocupam as capas de páginas como Você SA; Alfa, entre outras revistas. Sujeitos como ele ganham prêmios de “homem do ano”.

Veja bem, meu objetivo aqui não é avacalhar um defunto, muito menos um defunto tão ilustre. Estou plenamente ciente da importância de Jobs na difusão do conhecimento pela internet, até no fato de eu estar escrevendo em um blog nesse exato momento. Estou apenas questionando o modelo de nosso tempo. Questionando o FETICHE que gira em torno desse modelo.

Os grandes exemplos de nossa época poderiam ser grandes pensadores, grandes filósofos. Ou grandes cientistas. Enfim. Qualquer coisa. Mas em um mundo regido por capital, invariavelmente nossos homens do ano serão grandes empresários.

Os apartamentos dos Jardins, Leblon, etc., estão lotados de milionários como os citados acima, só que anônimos. Homens que possuem muito mais do que jamais serão capazes de gastar, especialmente porque nunca se permitirão sequer o tempo para isso, ocupados como estão em conseguir mais, e mais, e mais.

E tudo o que você aprendeu desde que era pequeno é que com bastante trabalho e sacrifício pessoal quem sabe um dia você poderá ser um deles.

“Se mate de trabalhar. Seja melhor que todos ao seu redor. Sacrifique mais. Faça sempre mais. Se você fizer bem esse trabalho, conseguirá ocupar um cargo de grandes responsabilidades e vai ganhar um gordo salário todo mês.

Com isso você poderá comprar. E comprar. E comprar. E todos vão olhar para você e morrer de inveja. E nesse momento você terá atingido o nirvana do capitalismo. Será enfim bem-sucedido.”

 

O que você diria sobre uma pessoa que já comeu tudo o que ela precisa e continua se empanturrando mesmo assim. Comendo, comendo, até que o estomago rompa?

Doente não é? No mínimo psicologicamente problemático.

O que você diria sobre uma pessoa que já emagreceu cada grama de gordura do corpo e continua fazendo regime. E tomando remédio. E vomitando?

Ou sobre uma pessoa viciada em plásticas, que já mutilou o próprio rosto e corpo tanto que nem mesmo os pais seriam capazes de reconhecer?

Bom, você já entendeu. A ÚNICA coisa que difere esse tipo de workaholic faminto por riquezas muito além de sua capacidade de uso fruto e todos os demais tipos listados acima, é que esse primeiro espécime ajuda a roda a girar. Ele é “útil”, “necessário”.

Em um reino de loucos, o mais insano de todos ocupa o trono.

O macho alfa de nossa sociedade, o estereótipo do bem-sucedido onde se marca um alvo e para onde são disparadas nossas crianças desde que elas sentam numa cadeira de escola (algumas até antes) é esse: Um lunático faminto por poder. Não tenho palavras delicadas para definir isso, apenas eufemismos covardes que prefiro não usar.

Se você está se dando ao trabalho de ler esse artigo até o final eu presumo que você já tenha superado essa idéia porca de felicidade não é? Mas até você chegar nesse ponto, quanto de sua energia você teve que dedicar para limpar essa merda toda de seu campo de visão? Quantas dificuldades você encara todos os dias simplesmente por tentar enxergar o mundo de outra forma?

Nossa sociedade está doente. Nossos modelos são doentios. E para começar a mudar as coisas, mudar para valer, precisamos antes remover esse carimbo distorcido de nossas cabeças.

Estendi-me um pouco no exemplo de Steve Jobs apenas para marcar uma chaga profunda na rocha onde estou esculpindo meu argumento. Para mudar o mundo, precisamos antes de tudo mudar nossa própria cabeça. Eu falei sobre modelos, mas poderia ter falado sobre hábitos de consumo, sobre crenças e valores, sobre qualquer coisa. Poderiamos fazer um livro só sobre isso.

O ponto é que precisamos nos libertar das amarras de pensamento que nos prendem ao ZEITGEIST de nossos pais, das gerações passadas, para então sermos capazes de alçar vôos maiores e criar um NOVO espírito. Criar um novo mundo.

Como eu disse acima, acredito que somos (no mínimo em grande parte) um produto de nosso meio. Só que nosso meio está todo errado, então temos que começar a pensar na quantidade enorme de porcaria que precisamos esvaziar de nosso cérebro antes de começar a criar esse novo mundo.

Parte da humanidade parece ter acordado para o absurdo de nossa condição, mas muitos ainda estão enxugando os olhos, cambaleando pelo quarto, tentando se encontrar. Existe um novo Zeitgeist sendo esculpido…nas cidades do oriente médio, nas ruas de NYC ou Madrid… no Vale do Anhangabaú.

Isso nos leva ao ponto principal desse artigo: A urgência por uma auto-reflexão.

Sem querer cair em um clichê, mas me vendo inevitavelmente capturado por ele: Precisamos nos tornar a mudança que queremos ver no mundo.

É extremamente importante, que antes de você erguer uma bandeira na próxima passeata que for organizada no Facebook em prol de qualquer causa, você se faça o seguinte questionamento: Eu sou mesmo a favor disso? E nesse caso, eu estou vivendo minha vida de acordo com essa causa?

Sejamos bem francos e diretos aqui. Se você realmente acredita em um mundo mais justo, com uma distribuição de renda mais humana, então você NÃO quer ser o Steve Jobs. Você não quer ser nada nem perto dele. Também não quer ser o Bill Gates, nem o Abilio Diniz, nem o Samuel Klein ou o Silvio Santos.

Se você acha que as imensas corporações são um poder destrutivo no mundo atual, então você NÃO QUER trabalhar em uma.

Se você acha que os fazendeiros de gado estão destruindo a Amazônia e isso te incomoda, não pode falar sobre isso sem no mínimo questionar de onde vem a carne que você come, e o quanto você tem comido dela todos os dias.

Não dá pra criticar o consumismo descontrolado das pessoas trocando o smartphone todo ano, ou babando na idéia de um dia comprar uma Ferrari.

Resumindo: Não dá para vestir a mascara de Anonymous na passeata do Acampa Sampa e terno e gravata na segunda para ir trabalhar em um banco.

Não estou sugerindo que as pessoas abandonem seus empregos da noite para o dia e morram de fome, claro que não. Mas procurem conferir um peso um pouco maior de seus ideais nas suas escolhas profissionais futuras.

Sei que é uma critica vulgar e apelativa essa que alguns conservadores dirigem aos recentes levantes contra o capitalismo: Que as passeatas em Wall Street estão cheias de playboys com Iphones e roupas da GAP. Sem duvida, é uma critica tola, covarde. Mas mesmo desse latido ridículo podemos aferir uma pequena lição: Para mudar o mundo, precisamos começar a rever alguns de nossos valores. Analisar alguns de nossos hábitos e costumes.

Não é algo confortável, eu sei. Nesse ponto estou certo de que muitos leitores devem estar um pouco irritados comigo. Alguns pensando que eu sou extremista, talvez, ou hipócrita.

Já me adianto a esses últimos dizendo o quanto é difícil escrever esse artigo, pois eu também estou cheio de vícios e hábitos errados que estou tentando vencer todos os dias. Parcialmente, estou escrevendo esse texto para mim mesmo também.

Mas algumas coisas precisam ser ditas, soem agradáveis ou não:

Não dá para ser um revolucionário nas ruas (ou na internet) e não mudar absolutamente nada de sua vida no dia a dia. Fazer isso é lutar contra si mesmo.

Assim como no meu texto da USP eu não procurei dizer aos outros que opinião ter, não farei isso aqui. Não quero te dizer o que acreditar, ou que batalhas lutar. Eu apenas ofereço informação e proponho reflexões.

Só estou sugerindo que ao identificar algo que o sensibilize, uma causa pela qual lutar valha a pena, você procure se aprofundar no assunto. Leia, pesquise. Se contextualize. Liberte-se dos hábitos e opiniões que você não escolheu, mas que foram apresentados a você desde criança. Liberte-se um pouco mais do velho Zeitgeist.

Se torne o modelo daquilo  que você gostaria de ver ao seu redor.

Se necessário faça uma lista. Sim, uma lista no papel, de hábitos e mudanças que você acha que deve provocar em sua vida para se aproximar mais dos ideais que te motivam. Além de uma vida mais feliz, você criará um pequeno núcleo de insurgência, uma pequena explosão de revolução, no interior de seu próprio ser. 

Vá para as ruas também. Revolução não se faz só de casa. Mudar os hábitos é lindo, mas o capitalismo neoliberal é uma criatura ardilosa, capaz de se adaptar aos diferentes hábitos das pessoas. Ele sobreviverá. Ë por isso que cedo ou tarde você terá que ir para as ruas.

Mas quando o fizer, poderá erguer o rosto ao sol e gritar…

Com vontade…

Com propriedade…

Desperto…

Se você quer ajudar a esculpir um novo mundo, você precisa ter as mãos livres.


45 Comentários on “Sobre Steve Jobs, Zeitgeist e Revolução”

  1. Paty disse:

    Oi Igor!

    Sempre adoro os teus textos; acabo identificando muitos pontos em comuns em relação aos nossos pensamentos perante ao sistema, à sociedade, ao mundo…

    Sobre Steve Jobs, eu acredito que ele foi uma figura exemplar para o mundo na questão de criatividade e tecnologia, além de elaborações de novos designs cada vez mais práticos, funcionais e belos. Ele realmente foi ótimo nesse ponto (eu como designer, não consigo negar isso), e merece ser lembrado por isso. Porém, SOMENTE por isso. Ele passou a vida toda trabalhando em um ritmo insano; desde quando deixar tudo o que é mais importante na vida de lado, e colocar o trabalho e os lucros a frente de tudo, é exemplo a ser seguido?? Para mim, isso é loucura! A vida não é resumida em juntar riquezas que você nunca conseguirá gastar! E a família? E os amigos? E os pequenos prazeres da vida? E não adianta falar que “eu tenho prazer em trabalhar”, que para mim, isso não é justificativa. É uma bênção você amar o que faz, mas mesmo assim, mesmo amando o que se faz, deixar todo o resto de lado para esse vulgo “amor” é neura, é obsessão. É doença.

    Steve Jobs trabalhou feito um cão, acumulou riquezas incontáveis, e… Morreu, sem aproveitar nada disso. Me faz lembrar muito de um comentário notável que Dalai Lama fez, ao ser questionado sobre o que mais o surpreende no mundo:

    “Os homens… Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
    E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente e nem o futuro.
    E vivem como se nunca fossem morrer… E morrem como se nunca tivessem vivido.”

    Taí uma descrição perfeita para o que aconteceu com Steve Jobs, e que vai acontecer com muita gente ainda (infelizmente). Trabalhar é bom; é preciso. O ser humano realmente não nasceu para ficar parado, sem fazer e nem pensar em nada. Mas tudo precisa ter um equilíbrio, um bom senso. Precisa ter a hora do trabalho, precisa ter a hora do hobby, precisa ter a hora de comer, a hora de dormir, a hora de sair e fazer um exercício, a hora de ajudar o próximo, a hora de se juntar com a família, a hora de se juntar com os amigos, a hora para rezar e meditar, e assim vai… As pessoas se esquecem disso. E se frustram com a vida, sem saberem por quê (mas já falei sobre isso em um comentário anterior…)

    Steve Jobs é exemplo de como a criatividade pode ir longe. Mas também é um exemplo de como o trabalho excessivo é MUITO prejudicial às nossas vidas, às nossas mentes e às nossas almas…

    E o que você comentou sobre “termos que fazer uma auto-análise”, é simplesmente fantástico. Aplaudo de pé. Não há nem o que comentar sobre esse ponto; TODOS deveriam SEMPRE fazer uma auto-análise, e não somente nos ativismos, mas como um SER HUMANO em geral. As pessoas entrariam muito menos em conflitos se fizessem antes uma auto-análise; se olhassem de perto os seus próprios defeitos, suas próprias falhas, os seus argumentos, as suas ações e suas escolhas. Muitas pessoas por aí apontam o dedo no rosto de qualquer um sem maiores cerimônias, mas esquecem-se de olhar o seu próprio eu antes de fazerem isso.

    Por causa desse comportamento egoísta, as pessoas estão se distanciando uma das outras, ao invés de se aproximarem..

    E tudo isso é culpa dessa idéia que se propagou no mundo inteiro; é preciso trabalhar feito um cão para ficar rico e poder comprar de tudo que te dê status, como uma forma de merecimento. Porém, você não tem tempo com seus amigos, nem com seus familiares, nem com ninguém; você se afasta de todo mundo aos poucos… Por consequência, você se concentra no seu próprio EU; e com isso, coloca todas as suas vontades e desejos acima de qualquer coisa e circunstância, já que “trabalha demais pra isso”. Você foca em si mesmo; danem-se os outros, os sentimentos dos outros, as opiniões dos outros, afinal, você rala todos os dias para ter tudo, e eles sabem disso, e precisam respeitar o teu “mau humor”, o teu “estresse”.

    E pessoas assim passam essas “lições” para seus filhos, que passam para seus netos… Até que a roda fica insuportável. É o que vemos por aí, hoje em dia. Um bando de crianças e adolescentes mimados e mal educados, que não sabem respeitar nem os próprios pais; que trocam de celulares como se fossem roupas, e que se acham “injustiçados” por não terem uma calça jeans da marca Diesel. Que se acham no direito de acharem repugnantes todos aqueles que não tem o mesmo que eles; e se acham no direito de fazerem de tudo para conseguirem aquilo que ainda não possuem.

    E pior, não digo isso me referindo apenas à classe A; a classe B, C, D e E estão contaminadas pelo mesmo vírus da ignorância material. A única diferença, é que eles se individam até o pescoço para poderem ter aquilo que querem…

    É uma sociedade que está rumo à falência… Mas há salvação ainda! É preciso muita auto-análise, muito auto-crítica, muita conquista da humildade. Quem conseguir abrir os olhos pra isso, tem um longo caminho pela frente, pois não é fácil. Mas é necessário para o bem do mundo todo.

    E para a nossa sobrevivência como espécie…

    • Igorius Mab disse:

      Paty, concordo em genero e grau, como sempre, heheehhee.

      Vivemos em uma sociedade completamente contaminada, e pra ajudar existem forças poderosissimas que precisam nos manter “doentes” para manter seu status quo. Somos bombardeados diariamente por propagandas, por reportagens compradas na grande midia, tentando nos manter DOENTES.

      É por isso que me apaixonei pelos movimentos e revoluções de 2011. Sinto que as pessoas estao começando a acordar. Nao sei como ampliar isso além de nosso limitado alcance geográfico, de classe social. Acho que temos que fazer nossa parte. E nossa parte é muito mais do que simplesmente fazer uma pequena auto reflexão.

      Temos que discutir, temos que mostrar, temos que convidar os outros a se juntarem a nós ….

      Assim talvez consigamos sobreviver. Assim talvez nos tornemos algo melhor do que o que temos sido até agora.

      Um beijão! Agradeço MESMO pelo apoio e te peço ajuda para divulgar o texto. Vamos seguir lutando …. chegou a hora !
      🙂

      • Paty disse:

        Pior do que sermos bombardeados por propagandas, é não termos o auto-controle de conseguir SUPERAR o anseio que elas nos criam; de conseguir controlar o nosso impulso. É o mesmo que termos que dizer um “não” para uma criança com cara de pidão, querendo algo. O desejo de ceder à vontade é muito grande, mas é necessário sermos rigorosos para criarmos uma disciplina; de aprender a enxergar que tem muitas coisas das quais a gente realmente não precisa.

        Mas muitas pessoas não tem essa percepção. E isso por muitos motivos, que não vou escrever de novo, senão vão me achar repetitiva! rsrsrs

        Agora em questão de ampliar isso, esse movimento, vejo que realmente precisamos botar a mão na massa. É a nossa função ter que abrir os olhos das outras pessoas; de fazê-las enxergar coisas que elas não estão enxergando. Talvez o caminho mais fácil seja através das pessoas que tem idades próximas à nós, nas casas dos 20 à 40 anos, vamos assim dizer. Os mais velhos geralmente estão muito engessados em opiniões e medos antigos, o que complicaria alguma mudança no sistema. Talvez o que podemos pegar deles como exemplo é a cautela – movimentos assim podem por vezes acabar mal; então ter cautela com quem entra no movimento é extremamente necessário (digo isso em relação aos extremistas, nazistas, fanáticos fissurados por gestões e políticas perigosas).

        Talvez o mais simples passo seja realmente tentar agrupar jovens/adultos interessados, e organizar palestras explicativas, levantar debates, ouvir e compartilhar informações ao vivo, e não só pela internet. Quanto mais pessoas abrirem os olhos, maiores são as chances de atingirmos as grandes massas, e fazer os outros 99% gritarem conosco.

        Acho que começos assim fazem muita a diferença.🙂

    • igorius2011 disse:

      Paty acho que nao precisamos resistir a TODO impulso nosso. Se voce tem uma tara descontrolada por pulseirinhas, ou sei la o que … acho que nao há nada de errado comprar pulseirinhas. Se um cara é viciado em videogames ele nao precisa se tornar um infeliz na vida e mandar reciclar todos os jogos deles ….

      Acho que uma das coisas que impede muita gente de dar o primeiro passo em busca de mudanças significativas na propria vida é o lance do 8 ou 80…. ou eu sou um revolucionário que mora numa caixa de papelão ou então eu sou um cinico que esta cagando e andando pra tudo …

      Acho que o cerne de qq auto-reflexão dessa natureza é : “O que é REALMENTE importante pra mim?”.

      Não importa que tenham me dito a vida inteira que devemos trocar o carro uma vez a cada 3 anos mais ou menos, pra ele nao desvalorizar…. eu LIGO MESMO pra carro? Ou eu cago e ando? Pois se eu cago e ando, enquanto meu carro andar eu vou usar ele …

      E por ai vai com tudo…. O problema é que nosso sistema jamais nos convida a questionar o que realmente é importante. Basea-se na idéia de que NOVO e MAIOR é sempre melhor …. mas melhor pra quem ?

      Sobre a idéia de multiplicar o conhecimento, eu tenho visto a coisa timidamente ganhar a grande mídia. Eles tentaram ignorar tudo por meses, mas nao ta mais rolando …ta começando a ficar feio pra eles … enfim …

      Temos que continuar pressionando …e divulgando os textos ….e falando, gritando, chamando gente pro nosso lado …

      As coisas TEM que mudar ….

  2. Karina disse:

    Igor,

    Venho acompanhando todos os seus textos, e concordo com a maioria do que vem sendo dito! Eles também tem me auxiliado a entender um pouco mais sobre tudo que está acontecendo, quando ao nao ter conhecimento sobre algum assunto que voce trata, faço uma pesquisa.. isso é.. consulto outras fontes, outras opiniões, outras visões….para formar a minha!

    Enfim, resolvi comentar neste, pois sobre o clichê que voce cita no texto, é algo que eu insisto todos os dias para as pessoas a minha volta… agir conforme nossos pensamentos… muitas pessoas sabem a teoria… que se continuar tudo como está, estamos caminhando para o caos… mas nao colocam isso em pratica nas suas proprias vidas… mesmo algumas pessoas que estao ao meu redor que eu julgo ‘conscientes’ fazem parte do consumo desenfreado, comem carne sem consciencia nenhuma, trocam de celular sempre que possivel, como voce mesmo cita………….

    Complicado, mas acredito na mudança, mesmo que lenta, e que ela começa com cada um de nós…e que com isso podemos realmente ‘contagiar’ essas pessoas que estao a nossa volta………. agora, como atingir a grande massa, pessoas que nao tem acesso a informação ( ou que sao totalmente manipuladas por ela), ou até mesmo as pessoas mais velhas que ja estao imersas no sistema a muito mais tempo e completamente cegas? Me pergunto isso sempre e nao consigo ter uma resposta….

    Parabens pelos textos………!!!

    • Igorius Mab disse:

      Karina,

      O problema de como atingir as massas é uma das questoes que mais me incomoda. Podemos viralizar esse texto o quanto for, ele NUNCA chegará em certas camadas de nossa população.

      E como voce vai explicar para um cara que nao sabe se vai conseguir comida no jantar que ele tem que seguir seus sonhos e procurar um trabalho que esteja de acordo com seu estilo de vida??

      Realmente esse é um dos becos sem saída com os quais me deparo.

      Nao tenho uma resposta direta para isso, mas acho que temos que continuar tentando. Temos que divulgar, temos que chamar as pessoas. Talvez a medida que o mundo va se transformando em um lugar um pouco menos injusto, por meio de nossa açào DIRETA, essas pessoas vão se tornando menos INALCANÇAVEIS.

      A miséria é uma forma de alienação, tem sido um recurso das elites por séculos. Talvez consigamos criar um novo mundo onde essa miséria seja muito reduzida, e as pessoas consequentemente menos alienadas. Não sei … precisamos tentar. Eu preciso de sua ajuda e a de todos os meus leitores não apenas para divulgar meus textosmas tambem para produzir seus proprios nucleos de mudança. Vamos lutando.
      Um forte abraço e obrigado por me visitar ! NA semana que vem tem mais !!!

  3. luis disse:

    Muito bom o texto, parabens!

    A unica coisa que me incomoda eh que vc utiliza o termo Zeitgeist em um contexto diferente.

    Eu enxergo o Zeitgeist de maneira quase que oposta! rs

    Acredito que o Zeitgeist seja o espirito do tempo sim, esse de mudanca, entao acho que nao devemos largar o Zeitgeist, e sim abraca-lo, esse novo espirito do tempo, de mudanca, de paz, de amor.

    Vc diz “O ponto é que precisamos nos libertar das amarras de pensamento que nos prendem ao ZEITGEIST de nosso tempo, do espírito de nossa época, para então sermos capazes de alçar vôos maiores e criar um NOVO espírito. Criar um novo mundo.”

    O Zeitgeist de nosso tempo eh o da mudanca, eh o dessa geracao nova de indigos, dos annonymous, de wall street, da USP, do Egito!

    Enfim, entendo o termo de outra maneira =)

    • Igorius Mab disse:

      Você esta certo Luis. Acho que vivemos ainda cativos do Zeitgeist de nossas gerações passadas, o Zeitgeist de nossos pais. Tem um novo espirito da época surgindo e ele é brilhante e deve ser sim seguido. E construido …

      Vou até dar uma ajustadinha no texto para contemplar seu comentário, valeu mesmo a contribuição !

    • Igorius Mab disse:

      Luis, ajustei cara ! Voce tava certo e acho que ficou bem melhor! Depois me fala o que achou !
      Forte abraço !!!

      • luis disse:

        Opa valeu pela consideracao em responder o comentar e ainda pensar em revistar o texto por isso! nem precisava! rsrs

        a maioria dos autores recheados de arrogancia orgulho simplesmente rebateriam qualquer comentario “contra” (e eu nem fui contra) com qualquer argumento tolo simplesmente por orgulho.

        Mas so para dizer, na vdd ainda compreendo o Zeitgeist de maneira diferente. Me interpretei meio mal na verdade. O que acho eh que o Zeitgeist eh continuo, eh o espirito do tempo, do presente, do agora. Entao eh atemporal, nao existe o “velho” e o “novo” e sim um espirito da epoca. UM espirto, que existe AGORA, entendeu?? rsrs

        Porque acho que na verdade o passado e o futuro sao simplesmente construcoes da mente, nao existe de verdade. O passado eh apenas um apego da mente, e o futuro um possibilidade. Mas a unica coisa que existe eh o AGORA, o PRESENTE. Entao podemos dizer que o Zeitgeist eh o espirito do planeta NESTE MOMENTO! A energia que o cerca! O potencial que entao surge a partir desta energia que gera a mudanca, gera o futuro.

        Entao o zeitgeist do momento eh o de mudanca, pois algumas pessoas estao despertando, acordando da ilusao. O potencial esta no ar. O movimento eh constante, sempre, e AGORA ele aponta para o novo, para a mudanca!

        Bem, nao sei se consegui explicar direito… rsrs Mas eh mais ou menos o que enxergo a partir de alguns textos, do filme de minha analise pessoal. Por favor, nao precisa corrigir nada, o texto esta excelente! o objetivo e a narrativa estao muito coerentes com sua ideia, e geram muita reflexao, o que eh o mais importante.

        Li alguns comentarios tambem a respeito da importancia de Steve Jobs enquanto ser criativo, revolucionario, linkado com a revolucao da comunicação e midias sociais. Mas acredito que para a proposta do texto a analise esta perfeita. Nao podemos esquecer os lados positivos do individuo, eh verdade, mas estamos falando dos valores da sociedade, e nesse ponto sua critica se encaixa sim ( e vc com muito respeito exalta isto em seu texto).

        Portanto, so tenho a dizer Parabens! =)

        E vamos refletir juntos, sem ego, sem orgulho, e sim com compreensao e compaixao, para com o compartilhamento de informacoes, opinioes, e pontos de vista possamos evoluir juntos para a unidade, paz e amor!

        Viva a mudanca! Viva o Zeitgeist!

  4. Igor, parabéns pelo texto e principalmente pelo ânimo! Complicado comentar aqui, pois pra cada parágrafo eu teria uma enxurrada de comentários, dúvidas e contradições. Talvez eu não tenha essa propriedade ou coragem de afirmar que pretendo esculpir algo, acho que as relações de poder sempre vão existir, mas tenho tentado manter as mãos livres. E dessas “mãos livres” que você fala surgem um monte de outras contradições, muito cansaço e alguns ótimos momentos de vida.

    Talvez um erro primário esteja em transformar tudo em fetiche, dessa dramaturgia na vida o tempo todo: herói, mocinho, bandido. Se você gosta de drama, vá ao teatro, lê um romance…rs. E mesmo assim, os bons romances, roteiros e peças vão mostrar que até os personagens fictícios tem suas contradições.

    O capitalismo cai como uma luva na futilidade, que é humana sim. Deve ser por isso tanto amor por ele. Tem muita gente descontente, gritando. Mas existe muita gente contente que se adequa perfeitamente a tudo, ou engessada, e cansada do chefe e do metrô cheio.

    Dizem que a gente vive no mundo que a gente escolhe, mas e aí? construímos um muro? vários cercadinhos? ou sejamos ousados e buscamos influências do que achamos mais correto e humano, e propagamos elas somadas ao novo pensamento que achamos que nosso tempo deveria ter. Mas ao fazer isso, não estaríamos lutando por influenciar a massa que ta cansada, e se conseguirmos não estaremos dominando os pensamentos dela?

    Mas agir de acordo com seus pensamentos e anseios, isso já é um grande passo, né?

    • Igorius Mab disse:

      Ananda, querida, primeiramente obrigado pela contribuição e pelos elogios !!!

      Acho que vivemos tempos incriveis, porém perigosos. O erro de certas revoluções no passado é que elas sempre foram provocadas por uma minoria, e acabaram levando uma minoria no poder. Não importa o slogan que se tenha usado, sempre foi isso.

      Hoje nós podemos clamar representatividade pelos 99%, mas nao somos realmente isso. Ainda estamos em um CERCADINHO, como voce colocou.

      Por isso precisamos gritar. Divulgar. Convidar a todos para uma grande reflexão. Mas só conseguiremos realmente influenciar as pessoas se pudermos servir de exemplo, não é?

      Assim paramos de ajudar o inimigo, ganhamos legitimidade em nosso discurso e além de tudo vivemos vidas mais felizes. Acho que é um bom começo.
      Forte abraço e volta sempre hein ?

  5. Samer Ghosn disse:

    Muito bacana, parabéns! Eu tenho muitas dúvidas neste sentido, as vezes sinto que estou desperdiçando meu tempo, mas como se desprender das amarras das quais somos bombardeados 24hrs por dia?? Como seguir um modelo ideal de valores e atitudes sem ter se vender ao sistema? Como balancear o trabalho com os ideiais? Como vencer sua própria vaidade em detrimento do seu ideal?

    • Igorius Mab disse:

      Hahahaha acho que nao existe uma resposta para a coisa. Mas existem algumas coisas que podemos tentar, pelo menos eu tenho tentado:

      -Olhe TUDO o que vier da Televisão e das grandes revistas e jornais com desconfiança. Aliás, tente reduzir o quanto voce olha disso, e procure ir mais na literatura especializada sobre os assuntos que te interessarem mais. Hoje em dia existe isso para QUALQUER assunto …

      -Não escolha um UNICO modelo. NUNCA. Pegue as melhores coisas aqui, e ali, e monte sua propria estrutura ideal.

      -Se voce nao esta feliz com seu trabalho…MUDE. Se por algum motivo nao der pra fazer isso imediatamente, tenha um plano de ação. Ele nao pode ter mais de 5 anos pra frente ou nao será um plano de ação, será comodismo disfarçado …

      -Como vencer a propria vaidade? Como vencer nossos velhos vicios? Não sei bem Samer, hehee. Acho que viajando o maximo que voce puder. E conhecendo culturas diferentes. E lendo muito. E discutindo muito com todos que encontrar ao seu redor.

      Sei la … nao tenho todas as respostas … mas essas idéias me parecem um pequeno começo …

    • Igorius Mab disse:

      Samer, em tempo, OBRIGADO por visitar meu blog, volta sempre para novos posts, temos mais ou menos um por semana OK ?

      Se curtiu ajuda a divulgar!

      Forte abraço!!!

  6. Du caralho… sem mais… vou refletir por aqui…
    Parabéns

  7. Suely disse:

    Voce traduziu o que venho questionando em mim e no mundo. Vivo o disparate de consumir cada vez menos mas, trabalho com publicidade…e não é fácil arrumar outro meio de vida depois de 15 anos na área, mas acho que me aprofundar nas mudanças que se fazem necessárias em algum momento vão me levar a um trabalho que esteja de acordo com o que acredito. Estimular a reflexão nesse momento é o mais importante, seja contra ou a favor, o importante é pararmos de nos deixar levar…
    Parabéns!
    abs
    Suely

    • Igorius Mab disse:

      Suely uma pequena confidencia: Também sou publicitario de formação. Acho que pessoas como eu e voce acabamos naturalmente enxergando um pouco de cinismo sobre o que sai por aí na midia e nas propagandas não é ? Conhecemos as regras do jogo.

      Por eventualidades em minha vida acabei nao trabalhando com isso, mas também não encontrei exatamente meu ponto ideal. Tem muita coisa que eu quero mudar, como eu disse, escrevi esse texto pra mim mesmo tambem …

      Acho que nao precisamos mudar da noite pro dia, mas temos que nos movimentar para esse sentido. E ensinar nossos futuros filhos diferente do que fomos ensinados. E mudar nossos hábitos…

      Não acho que de pra fazer tudo. É muita porcaria deixada pra trás pelas ultimas geracões para revolucionarmos tudo de uma só vez … mas temos que lançar esse olhar critico interior sim.

      Concordo contigo. Não da pra mudar TUDO. A vida é muito louca e as vezes não da pra voltar no tempo e nadar contra correnteza completamente. Mas podemos parar de nos deixar levar.

      Obrigado pela participacao!! Continua voltando hein ? Semana que vem tem mais.

      Forte abraço!!!

  8. Liana disse:

    Oi Igor.
    Tenho lido seus textos e gostado muito do que vejo. Parabéns pela iniciativa.
    Estou em um momento de absorver todo o conteúdo e informação disponível para então priorizar algumas causas e abraçar as minhas lutas, e seus textos tem me ajudado nesse processo.
    Mto a refletir, mesmo!

    • Igorius Mab disse:

      Liana, obrigado mesmo! Fico muito feliz em saber disso, minha maior recompensa é saber que posso provocar um impacto positivo na vida de alguém.

      Pretendo continuar postando um texto novo por semana, pelo menos, e espero contar com sua presença aqui me visitando, comentando, questionando, criticando…

      Tem tanta informação rolando por ai que fica até dificil saber que causas comprar, que mudanças adotar. Mas como já foi colocado la em cima … nao da pra continuar só indo com a corrente nao é mesmo?

      Um forte abraço!

  9. Sharine disse:

    Igor, li seu texto, obrigada por compartilhar. Acho que o Steve Jobs está inserido em nosso tempo, assim como os movimentos de ocupação que estão surgindo: todos fazem parte de uma mesma época em que a riqueza passou a ser mais “imaterial”. Assim, as relações sociais, as redes, são importantes nos dois sentidos – precisamos encontrar o equilíbrio. Lembrei deste texto do prof. Rogério da Costa, que foi meu orientador do mestrado. Acho que pode contribuir: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/4801/3605.

    Aproveitando que estou contribuindo, minha dissertação: http://www.univerciencia.org/index.php/record/view/63613. Fala sobre consumo, mas segui um caminho diferente do exposto em seu texto… De qualquer forma, são visões diferentes sobre o mesmo assunto…

    Beijos

  10. Rodrigo Nery disse:

    Muito bom seu texto! Idéias que já fazem parte da minha ha um bom tempo mas que são sempre bem vindas com novas roupagens. Sugiro que visite o site do projeto Tempo de ser (www.tempodeser.org.br) e também o do Movimento Zeitgeist Brasil. Outra coisa que acho muito pertinente é assistir filmes antigos e novos com este olhar. É engraçado ver como Hollywood mesmo fazendo parte dos 1% contra sempre usou os ideais deste novo Zeitgeist em seus roteiros. Mesmo assim, sempre escolhemos olhar para o outro lado, ou melhor, para o nosso lado. Afinal, todos ao nosso redor são meros objetos de cena de um longa-metragem chamado nossas vidas. Vou deixar você com um pensamento, talvez para seu próximo texto: Não importa os desafios e as mudanças necessárias. Somos uma sociedade emergente. Isso significa que mesmo ao dar um passo para trás, iremos sempre para frente. Grande abraço!

  11. Eu sempre gostei de analisar o mundo e nossos hábitos, tendo como base a biologia humana. Sendo assim, cheguei a uma conclusão do motivo pelo qual o capitalismo se sustenta de forma quase que inabalável, mesmo que muitas pessoas sejam contra ele.

    O princípio básico do ser humano é a luta pela sobrevivência. Todos os reflexos e involuntariedades que ocorrem no nosso organismo são voltados para a sobrevivência.

    Vivemos em um mundo onde o dinheiro está diretamente relacionado com esse instinto mais básico e é por isso que, na minha opinião, o sistema se perpetua. A inflação é o grande inimigo do povo, já que os reajustes salariais são bem menores do que deveriam ser (se ocorrerem) para que você continue sobrevivendo como antes. Se antes um pão custava 10 centavos e você ganhava 100 reais, você estaria apto a sobreviver muito bem, mas se o pão começar a custar 2 reais, você automaticamente vai se sentir obrigado a trabalhar mais para manter o seu padrão de sobrevivência.

    Isso é levado ao extremo, quando vemos casos como o citado no texto, onde trabalhar virou não só uma maneira de sobrevivência, mas também uma patologia.

    Enquanto essa relação Capital/Sobrevivência existir, o sistema vai perdurar, e com ele, todo o tipo de abominação que conhecemos.

    • Igorius Mab disse:

      Ricardo, concordo com voce! Trabalhar está ligado ao DNA do homem, o trabalho que desempenhamos diariamente é a nossa própria versão da boa e velha “luta pela sobrevivencia” que tem existido desde o inicio do planeta (e é aliás o que fez de nossa raça o que ela é hoje). Não há nada de errado no trabalho.

      Não há nada de errado em competitividade.

      Não há nada de errado no capitalismo …NA TEORIA

      O problema é que no “mundo real” as coisas se comprovaram menos simples. Quem estava no poder distorceu as regras do jogo, de forma a se manter lá, e transformou o que deveria ser um ato natural de todo ser humano em uma loucura incansável e sem sentido … uma semi- escravidão que até uma geração atrás era ovacionada por todos …

      Enfim …. é isso que precisamos combater. É isso que precisa acabar.

      Obrigado por ler e por participar amigo! Ajuda a divulgar se gostou! Semana que vem tem mais !!!!

      • Já assinei e vou receber as atualizações por e-mail!

        Eu aprendi a conviver com esse tipo de “problema”, por ser estudante de jornalismo e sempre rolar aquelas piadinhas envolvendo pobreza! haha

        Meu pai, ontem mesmo, me falou uma coisa que achei muito interessante:

        – Se você se importar com dinheiro, vai deixar de se importar com todo o resto.

        Eu concordei com isso, acho que desde sempre, só não tinha tornado isso, um pensamento concreto.

        Anyway, parabéns pelo ótimo blog!

  12. marci disse:

    Concordo com vc em tudo! Mas é dificil mudar a cabeça das pessoas que estao hipnotizadas pelo materialismo e consumo. Sei que vc é muito mais otimista do que eu, e gosto disso, senao nao entraria mais no blog. Sei la, de repente me contagia,rsrsr
    Me lembra o mito da caverna de Platao; as pessoas estao olhando pro lugar errado e consequentemente interpretando errado tb!!

    • igorius2011 disse:

      Sim!! E para produzirmos mudanças significativas precisamos começar a olhar para a direção certa.

      Me forço a ser otimista. No dia que parar de funcionar, eu fecho esse blog, viro boy e fecho um camarote na Disco … heheeh

  13. Jony disse:

    AHOOOOOOOOOOOOO!

  14. Caramba, esse texto rachou minha cabeça em dois! Hahaha…
    Achei muito doida essa comparação do vício por ganhar dinheiro com o vício por comida. E ao mesmo tempo acredito que o conceito é um pouco mais profundo do que isso! O vício por comida é um vício pelo prazer proporcionado por ela, o vício por ganhar dinheiro é pelo prazer de ter retorno sobre as atividades que vc faz, e que isso seja traduzido em forma de dinheiro, que na verdade é apenas uma representação de muitos momentos de prazer em forma de papel. Certamente que tudo em excesso é prejudicial, e acredito muito que a felicidade está no equilíbrio, mas só atingindo os extremos somos capazes de distinguir isso, enquanto não chegarmos lá haverá sempre aquela vontade de alcançar o máximo, eu acho que é uma energia que nos impulsiona, e cabe a nós direcioná-la bem. E para direcioná-la bem é fundamental mesmo, como vc disse, pensarmos bem a respeito dessa causa que nos move!

    • igorius2011 disse:

      Fernanda, eu sou 100% a favor de explorarmos os extremos. Amarmos com intensidade, nos irritarmos TANTO a ponto de criar um blog (hehehe), ter momentos de puro hedonismo, momentos de produtividade no talo (até para vermos do que somos capazes…). Concordo em muito com voce !!!

      O problema é que dispomos de uma quantidade limitada de anos de vida, e portanto não podemos nos dar ao luxo de viver TUDO no extremo. Cada caminho que escolhemos acarreta no abandono de tantos outros caminhos…

      O ponto é … será que as pessoas não estão escolhendo o caminho do excesso do sacrificio pessoal (que nao produz nem felicidade, nem sustentabilidade para o planeta, nem nada senão $$$ para uma minoria) por estarem sendo SEDUZIDOS por esse fetiche do super-capitalista?

      Não estamos sendo ludibriados por um zeitgeist distorcido ?

      Não serão todas essas manifestações por toda parte um sintoma claro de que começamos a acordar?

      Obrigado pelos elogios, significam muito para mim! Se esse texto te instigou, nao deixe de voltar aqui e ler os proximos que escreverei, nem de navegar pelo site e ver outras coisas que ja escrevi!

      Um beijo grande!!!

      Igorius Mab

  15. Samer Ghosn disse:

    Po… agora fiquei ansioso pelo próximo passo!! Compro uma metralhadora e vou pra porta da Apple???? hehehe brincadeira, mas sério, se tiver alguma idéia de transformar o movimento em algo concreto creio que eu seria adepto. Abss

    • igorius2011 disse:

      Eu tenho algumas idéias na verdade, hehehe

      Como eu disse, acho que o primeiro passo a ser dado é uma mudança pessoal. Uma revisão completa de nossas crenças, hábitos de consumo, de nossos modelos, de nossos objetivos na vida. Esse é um processo continuo, nao é algo que a gente possa fazer uma só vez e pronto (mas como mtos nunca fizeram, geralmente qdo começam tem mto a ser feito, heheehehe)

      Isso envolve começar a pesquisar os fornecedores de nossos alimentos, de nossos celulares, de nossos carros. Se uma coisa que gostamos muito tiver uma história sórdida, temos que interiorizar que talvez essa coisa nao deva mais fazer parte da história de nossa vida. Ponto.

      Um segundo passo é divulgar e apoiar aqueles que ja estao fazendo algo. Os indignados, os ocupantes de wall Street e agora da Paulista (e de centenas de lugares do mundo).

      Um terceiro passo é nos juntarmos a eles. Talvez pontualmente, de primeira …. depois mais, e mais, e mais.

      Eu gosto de escrever, entao, tento fazer isso escrevendo. Mas cada um é bom ou gosta de uma coisa e pode contribuir para esses movimentos de uma forma diferente.

      Temos que buscar, por meio de pressão popular, divulgação e protesto atingir aqueles 7 itens que eu descrevi em meu texto “O que nós queremos afinal?”, voce já leu esse? Olha no meu arquivo !!! No momento que tivermos esses 7 pontos cumpridos estou certo de que ja teremos mudado radicalmente as coisas….

  16. Daniel Prata disse:

    “Arquitraves compósitas coríntio-toscanas do cornijamento… Certas pessoas só deveriam poder entrar na biblioteca apresenteando uma receita médica. (…) livros de arquitetura são como pornografia para Denny. Estamos nos Estados Unidos. Você começa com punhetas, depois passa para orgias. Você fuma um baseado, depois passa pra heroína. Toda a nossa cultura se baseia no maior, melhor, mais forte, mais rápido. A palavra-chave é progresso.
    Nos Estados Unidos, quem não renova e aperfeiçoa sempre o próprio vício é um fracassado.”

    “O problema (…) é igual ao de qualquer outro vício. Você está sempre se recuperando. Está sempre reincidindo. Representando. Enquanto não acha algo pelo que lutar, você se contenta em lutar contra algo.”

    – Chuck Palahniuk – “Choke”

    Boa, Igorius. Se todo mundo buscasse com mais humildade e reflexão as respostas para os próprios questionamentos – em vez de transformar tudo em pretexto para defender sua superioridade sobre o próximo, ou seguir criando pequenas obsessões que ajudem a esquecer todas as outras questões e diferenças que nos incomodam – a absurda quantidade de resmungos de hoje daria espaço a mobilizações mais interessantes e maior entendimento sobre o que somos e onde estamos.

    Parabéns pelo seu movimento!

    • igorius2011 disse:

      É exatamente isso que eu proponho o tempo todo no meu blog querido … quero instigar as pessoas a se aprofundarem nas questões que as tocam!

      Nossa geração quebrou o silencio,apatia e cinismo das gerações anteriores.

      Transformar a cacofonia desordenada em movimentos realmente transformadores é nosso proximo desafio, e sinto que estamos começando a fazer isso …

      Abração querido !! Volta sempre !!!

  17. andretoso disse:

    Igor, esse texto diz muito sobre o que acontece comigo neste momento.

    Eu sou jornalista, trabalho com isso há 10 anos e perdi completamente a esperança de que meu trabalho neste meio mudasse algo. Sempre senti a realidade do mercado de trabalho e dos valores sociais meio doente e decidi ir estudar psicanálise exatamente por isso. A psicanálise nasceu para que o homem questionasse o seu próprio pensamento e, hoje, 100 anos depois de sua invenção, ela questiona tudo, inclusive ela mesma. Se pegarmos psicanalistas contemporâneos eles vão falar a mesma coisa que você disse no texto acima: a realidade está adoecida e o homem perdeu seu self, perdeu completamente sua face humana e tornou-se escravo de hiper-realidades que só existem em seus desejos de ter mais e mais.

    Vendo tudo isso e infeliz no meu trabalho como jornalista, me formei em psicanálise e comecei a atender em agosto. A experiência clínica simplesmente é fantástica, pois é o momento em que o ser humano sai das hiper-realidade e entra em contato novamente com sua face humana, com seu não-saber. É no divã que ele percebe que existe algo que ele de fato não controla (na psicanálise a ideia de incosciente – mas o inominável, o natural, o mistério que somos nós pode ter qualquer nome ou não).

    Quando faço um atendimento me sinto vivo, reconectado com a minha humanidade, despregado de uma realidade simulacro que preciso, de segunda a sexta, cumprir no meu emprego. Mas não posso largá-lo hoje. Vivo sozinho em São Paulo, pago todas as minhas contas e o dinheiro do meu trabalho sustenta inclusive os meus cursos de psicanálise. No entanto, aos poucos, esforço-me por me despregar de vez dessa realidade. Estou estudando, atendendo com afinco, construindo um caminho a médio prazo para conseguir apenas atender meus pacientes e fazer aquilo que acredito.

    Acho que a revolução pessoal é tão importante quanto a revolução coletiva. Na verdade, acho que uma alimenta a outra. O mais importante, além de nos posicionarmos no mundo, é participarmos dele. É entendermos onde está enterrada nossa face humana (rubada de nós por uma realidade doente e que tem compulsão por dinheiro) e cavarmos até encontrá-la. A terapia me possibilitou isso e esse é meu objetivo com cada um dos pacientes de clínica social que estou atendendo. E é maravilhoso ver pessoas sem condições financeiras nenhuma que deitam em um divã sedentos pela vida, sedentos por fugir desse simulacro que causa um mal estar em todos os seres humanos. Essas pessoas, como a maioria de todas as pessoas que vivem ao nosso redor, só precisam de um apoio, de sentar e conversar por uma hora sobre a vida. Elas só precisam despertar para suas respectivas faces humanas. Cai a máscara e aparece a face.

    Sugiro que leia o texto que escrevi assim que comecei a entender na clínica. Ele diz muito do que penso sobre o assunto e tem bastante relação com esse seu texto: http://sppsic.wordpress.com/2011/09/13/a-psicanalise-e-o-esvaziar-se-de-si/

    Parabéns pelo blog e abraço!

    • igorius2011 disse:

      André,

      Primeiramente quero dizer que é uma honra receber um dos cabeças do SeteDoses e também um jornalista de profissão em meu blog. Eu entendo essa desilusão que você sentiu com sua profissão, pois eu senti ela na minha também.

      Se no jornalismo há uma promessa de nobreza na profissão, na possibilidade de se levar a verdade à população e tudo mais, na publicidade há uma promessa de arte, da possibilidade de se criar coisas inovadoras, divertidas, que tornam o mundo mais colorido, e não apenas mais abarrotado de tranqueiras que as pessoas compraram sem querer de verdade …

      Enfim, acho que como comunicador, seja jornalista, seja publicitario, ou você morre (na profissão) ou vive o bastante para se tornar um vilão (citando Batman …nerd é fogo, hahaha).

      Eu descobri por outro lado que as noções de comunicador que recebi na faculdade, mais a clareza sobre o funcionamento do mundo atual que eu desenvolvi trabalhando em empresas e fazendo pós em administração, me qualificou para oferecer algo diferente para as pessoas, um tipo de texto ou material que normalmente não sai por aí (ja que meus colegas de formação geralmente estao ocupados demais só tentando ganhar muita grana).

      Acho que somos condicionados a acreditar que na vida só há um caminho. Escola. Faculdade. Estagio. Carreira. Trabalho. Trabalho. Trabalho. Muitas posses. Aposentadoria. Morte.

      Eu penso o contrário.

      Olha só um jornalista com anos de profissão dando um 180 e virando psicanalista. Olha quanta gente reinventando a propria vida de acordo com seus ideais, e não com um comando imbecil que receberam desde que nasceram de uma socidade viciada e filosoficamente questionavel !!!

      O que voce está fazendo é exatamente o que eu recomendaria para cada leitor que me questionasse a respeito, e na verdade é o que eu estou fazendo também. Se voce jogasse tudo pro ar da noite pro dia e mandasse o jornalismo para a PQP de uma hora pra outra, provavelmente acabaria se enrolando e no final ia aceitar emprego até na VEJA pra pagar as contas. Respeitando seu processo de transição, voce conseguirá mudar de vida sem acabar com a que voce ja tem, hehehe. Busco o o mesmo hoje como empresário …. me afastar das práticas e segmentos que não me atraem … migrar para algo mais a ver com minha cara … mais a ver com meus ideia.s. E enquanto isso escrever, escrever …. tentar trazer mais gente pro nosso lado, hehee

      UM forte abraço cara, volta sempre e comenta sempre que quiser!@ Semana que vem tem mais !!!

  18. […] o que disse em meu artigo “Sobre Steve Jobs, Zeitgeist e Revolução”, para produzir mudanças realmente significativas no mundo temos que parar de usar a régua […]

  19. Sergio Filho disse:

    Esse texto é bacana. Precisamos com certeza repensar o nosso consumo. Tenho orgulho de utilizar móveis na minha casa com 70 anos de idade, acredite. Foram todos herdados.

    • igorius2011 disse:

      Exato!!! Todos temos centenas de habitos que podemos mudar, do móvel antigo ao meio de se locomover, etc. É essencial mapear e mudar esses hábitos, se quisermos construir um mundo novo! Forte abraço!!!!

  20. Andreia Freire disse:

    Parabéns! Adorei o conteúdo, esses questionamentos passam pela minha cabeça todos os dias.

    o meu ideal é o humanismo universal. Mais sei lá, parece difícil sobreviver fora do sistema, até mesmo para cumprir alguns ideias somos dependentes de outros.

    por alguns vezes me sinto nesse sistema como Robin Hood.
    vencer no capitalismo, explorar o máximo dele, (como aprendemos com Steve Jobs e outros).

    ideias não alimenta, o mundo precisa mais do que somente ideias. Precisa das mesmas associadas a obras.


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