USP: Um desabafo

Aviso: Esse artigo possui 6 páginas. Se você achar longo demais não se preocupe, certamente a VEJA ou a GLOBO poderão te dar um resuminho que você será capaz de processar em 3 minutinhos, antes de assistir o Big Brother. Obrigado por nos visitar.

 “Cinco da manhã. Você mora no CRUSP, mas não é afiliado a partido nenhum. Sempre foi apenas estudar, diz que se sente orgulhoso pela coroação do seu próprio esforço em conseguir passar na USP, e por isso mesmo sempre foi contra qualquer paralização – a Universidade é para estudar, não é para discutir política. Você estuda Literatura, então te interessa discutir o texto crítico que fala da obra literária que fala de política. Essa é sua carreira. Então começa a respirar mal, dormindo, porque tem gás lacrimogênio entrando pela sua janela. Tenta sair, mas tem luz de helicoptero na sua cara. Ouve bala de borracha de madrugada, e criança chorando, vê de relance cavalos e fuzis de verdade, gente algemada, gente gritando. Chega mais perto no meio da fumaça, para ver o que é. Sente a força nas costas, cai no chão. É algemado. Entenderam tudo errado. Você não queria ajudar ninguém…”

-Yuri Bossonaro

Esse artigo tem como objetivo lançar uma luz sobre os eventos lamentáveis do dia 08/11, ultima terça, quando a ocupação da reitoria na USP se tornou uma zona de guerra com mais de 400 policiais da tropa de choque, 3 helicópteros, policia montada, fuzis, gás lacrimogêneo e bala de borracha. 72 estudantes e funcionários da USP foram detidos. Dezenas de outros, como o coitado do texto acima, apanharam por estar no lugar errado na hora errada.

A despeito de minha raiva instantânea por tudo o que aconteceu, o pior veio depois, ao me deparar com a hedionda complacência e quase admiração com que amigos, familiares e tantos outros aplaudiram as ações da PM, como se estivéssemos falando da ocupação de um morro tomado por traficantes e não da invasão de uma reitoria repleta de alunos, estudantes…

Talvez isso se deva ao fato de que grande parte dessas pessoas não tenha a menor idéia de quem seja João Grandino Rodas, o reitor da USP e responsável pelo “massacre” da ultima terça, e também não tenha a menor idéia do que os alunos realmente reivindicavam. Prefiro tentar manter algum otimismo ou esperança na minha espécie.

Decidi perfurar o “lobby” da grande midia uma vez mais e fornecer algumas informações.  O que cada um fará com elas, ou se elas serão capazes de mudar a cabeça de alguém, ja nao posso dizer. Só não posso me calar.

Antes de falar sobre o ocorrido da ultima terça, acho interessante um breve esclarecimento sobre os 3 principais elementos da tragédia: Os estudantes da FFLCH, João Grandino Rodas e a Policia Militar Brasileira.

Sobre os estudantes:  

Segundo ranking internacional feito pela Top Universities, nove cursos da USP figuram entre os 200 melhores do mundo. Dentre esses, seis são da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas: Filosofia, Sociologia, História, Lingüística, Ciências Políticas e Geografia.

http://www.topuniversities.com/

Posto que esse índice mede o resultado do aprendizado do aluno, é interessante citá-lo para mostrar como aqueles barbudos subversivos que nossa mídia marrom tem pintado como um “bando de baderneiros sem causa” são na verdade as maiores mentes de nosso país, pelo menos sob o aspecto acadêmico.

Pode-se alegar que os responsáveis pela ocupação na reitoria não representam a vontade de todos os alunos da FFLCH, isso é fato. Mas se existem divergências quanto aos meios adotados pelos ocupantes e os demais alunos, o mesmo não se aplica aos fins. Que fins são esses? Voltaremos nisso em breve.

Sobre João Grandino Rodas:

Reitor da USP, colocado lá por José Serra em 2009, Grandino Rodas participa do corpo docente da universidade a muito mais tempo, possuindo um histórico bastante questionável de relacionamento com militares durante o período da ditadura.

Rodas também está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por corrupção pelo envolvimento em escândalos como nomeação a cargos públicos sem concurso (inclusive do filho de Suely Vilela, reitora anterior a Rodas), criação de cargos de Pró-Reitor Adjunto sem previsão orçamentária e autorização legal, e outros.

É considerado o reitor mais ausente da história da universidade, jamais se colocando a disposição tanto dos alunos quanto do próprio corpo docente, sendo inclusive o primeiro reitor da história a ser considerado “persona non grata” pela Congregação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em represália a constantes ataques contra seu atual diretor.

Desde muito antes dos recentes episódios que colocaram em cheque a segurança da universidade, como o assassinato do aluno no estacionamento, já possui um histórico extremamente próximo com a Policia Militar. Em 22 de agosto de 2007, na época diretor da Faculdade de Direito, foi responsável pela entrada da tropa de choque na Faculdade, expulsando manifestantes da UNE e do MST, estudantes e membros do diretório acadêmico que haviam ocupado o prédio como parte das manifestações da Jornada da Defesa da Educação.

Em janeiro de 2011 foi responsável pela demissão em massa de 270 funcionários, por corte de verbas – a despeito dos imensos desvios e má aplicação do orçamento. Esse fato e diversas outras denuncias lhe renderam um convite para prestar esclarecimentos na Assembléia Legislativa de São Paulo (24 de março de 2011), mas ele não compareceu. Ele também não compareceu a dezenas de outras reivindicações e assembléias convocadas pelos alunos e professores ao longo de seu mandato. O que se fala é que é mais eficiente reclamar para Deus do que para João Grandino Rodas, no que concerne qualquer problema, duvida ou questionamento a respeito do que se passa na USP.

Sobre a Polícia Militar

Considerada uma das policias mais violentas do mundo, é um órgão que durante as décadas de ditadura foi usado como maquina de repressão do estado sobre a população. Foi NO MINIMO indiretamente responsável ou NO MINIMO conivente com o desaparecimento e assassinato de pelo menos 475 pessoas, segundo o livro “Direito a memória e à verdade”, publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos na ultima década.

Durante o período da ditadura a Policia Militar e a USP tiveram um relacionamento particularmente tenso, já que os principais movimentos de combate à ditadura no Brasil nasceram na universidade. Uma parcela considerável de nossos desaparecidos políticos daquele período eram alunos ou professores.

É uma policia subordinada aos governos dos estados e não às prefeituras, um modelo bastante raro no mundo. É apenas uma das muitas alternativas para assegurar a segurança pública, como a Policia Civil ou a Guarda Civil da USP, que deixou de receber treinamento e investimento por decisão do próprio Grandino.

Protagonizaram diversos eventos recentes de abuso de violência e repressão a artistas de rua, passeatas pacíficas ou movimentos como o Acampa Sampa.

O então delegado da Policia Militar (e hoje deputado estadual) Hélio Luz deu um chocante depoimento no documentário “Noticias de uma Guerra Particular” onde ele é bem categórico em dizer que “a polícia faz o papel de ‘proteção da elite’ e só pode usar a repressão para controlar dois milhões de pessoas nas favelas”. Ele admite que a polícia é uma instituição corrupta e afirma que “nós garantimos uma sociedade injusta”.

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Apresentados os personagens da tragédia, vamos aos fatos.

A despeito da crença popular de que o fato que desencadeou  na invasão da reitoria e subseqüente violência da ultima terça tenha sido a prisão de 3 estudantes por estar fumando maconha no campus, os problemas do movimento estudantil que resultaram na ocupação da reitoria datam de muito antes.

A USP carece de planejamento urbanístico que favoreça a segurança, carece de iluminação apropriada e desde que Grandino Rodas assumiu a Guarda Universitária – real responsável pela segurança da autarquia (significa pela constituição que possui direito à autonomia administrativa) que é a USP – tem sofrido constantes cortes orçamentários, cortes em treinamento, equipamento, etc.

Isso já é pauta de discussão entre os diversos membros do movimento estudantil faz anos. Grandino Rodas não apenas ignorou durante anos os apelos do movimento, como adotou algumas outras medidas “excelentes” para a segurança da faculdade, como proibir a circulação de não-alunos nas dependências da Universidade.

Obviamente essa proibição vale apenas para as pessoas que como eu ou você, usam a portaria da USP, mas não para os trombadinhas ou traficantes que pulam os muros ou se embrenham pelas matas que cercam o campus. A USP já era um local ermo, se tornou um lugar ainda mais vazio. Sem iluminação e sem investimento algum em segurança, se tornou realmente terra de ninguém.

O que poucos enxergam é que isso foi deliberadamente provocado por Rodas ao longo de anos, sob constantes protestos e reclamações do corpo estudantil, para criar uma situação que JUSTIFICASSE a presença da PM na universidade.

As reivindicações dos alunos que invadiram a reitoria e foram arrancados de lá na porrada essa semana não eram”poder fumar maconha no campus”. O que eles queriam era o que já estavam pedindo a anos: Investimento real na segurança da Universidade, mas não abrindo as portas para a PM e fechando para a população (o que Rodas fez).

Grande parte do movimento estudantil da USP era contrário à ocupação do prédio da reitoria, mas são TOTALMENTE solidários às reivindicações listadas acima. Prova disso é a adesão de mais de 3000 alunos na assembléia realizada no dia 08/11, onde se decidiu pela greve.

Todas as decisões de Rodas nos últimos anos confluem para um único fim: Coibir a autonomia administrativa da universidade. Implodir sua estrutura de forma a justificar uma presença cada vez mais constante do estado, um movimento para a privatização das universidades e sua subseqüente subordinação ao segundo setor.

A palavra “Democracia” é derivada do grego “demo” (povo) e “cracia” (poder ou governo). Em um mundo onde nossa “democracia” tem se tornado uma ditadura subliminar, em que o estado se coloca sobre o povo e as empresas e corporações se colocam sobre o estado, a USP (berço intelectual, historicamente responsável pelo nascimento da maioria das revoluções que nosso país conheceu) possuir autonomia administrativa é uma imensa ameaça e um incomodo a ser extirpado.

E usando os bons e velhos artifícios de MEDO para convencer a população de que é preferível abrir mão da própria liberdade para ter segurança (11/09 e o ato patriótico nos EUA, só pra dar um exemplo bem recente) os grandes veículos de mídia, subordinados ao estado e às grandes empresas, estão conseguindo virar a opinião pública contra aqueles que lutam pela nossa liberdade.

Agora está feito. Você pode ter lido (talvez pela primeira vez) os motivos REAIS da ocupação no prédio da reitoria, pode ter ouvido um outro ponto de vista, e continuar achando tudo isso sem significado, continuar achando a causa vazia. Tudo bem.

Não acho que toda a população precise concordar com os motivos de um protesto ou de outro. Como me disseram ontem e eu concordo, “democracia também é divergência de opiniões”. A única coisa que espero da população é que não concorde com a violência que rolou. O cassetete que usaram é um só, pra bater na cabeça deles ontem e na minha (e na sua) amanhã.

Há um direito que antecede o direito codificado, o direito natural. Um código inerente à humanidade presente em todo ser humano, que faz a morte ser crime em quase todo canto, ou acende a luz dentro da maioria, criando desconforto ao saber do apenamento com a morte. Estrahamente esse mesmo código não indica à maioria que, NUNCA, meninos ou homens podem ser espancados, mesmo após condenação. Simplesmente não consigo entender o sangue nos olhos, quase em júbilo, com que algumas pessoas defenderam a violencia que foi perpretada na USP ontem. Me faz me perguntar se estamos perdendo nossa humanidade. Nós evoluimos alguma coisa desde que ficavamos em arquibancadas do coliseu babando enquanto gladiadores eram decapitados ?

Sei que toda generalização é burra, que não existe apenas um tipo A e um tipo B de pessoa, e também não gosto de ficar citando rede social de internet em meus textos, acaba zicando um pouco o ar de “atemporalidade” que eu gosto de dar para eles. Mas é impressionante como todas as pessoas que ontem de manha, no Facebook, estavam defendendo a invasão violenta da PM na reitoria, que estavam chamando os estudantes de “maconheiros sem causa”, de noite já estavam falando sobre a novela, o jogo de futebol, postando foto do brigadeiro que fizeram no microondas. E aqueles que se horrorizaram com o que aconteceu, que replicaram os manifestos dos estudantes, as fotos da violencia, de noite continuavam trocando textos, informações, se indignando. E hoje continuaram fazendo o mesmo…

E esse primeiro “tipo A” hipotético (a do futebol ou da novela) também é o mesmo tipo de pessoa que costumava usar os jargões “Dilma terrorista” ou “Bolsa-Esmola”, entre outros. É nosso brasileiro burguês médio, que só gosta de discutir politica na medida necessária para não fazer feio nas conversas de escritório, mas no fundo não está realmente interessado em nada e prefere viver como escravo – fingindo que é livre por poder trocar o Iphone todo ano – do que enxergar a verdade desconfortável.

É o cara que se tivesse vivido em 70 e poucos no Brasil, chamaria o guerrilheiro que lutava contra a ditadura de “ladrão” ou “terrorista”, e que acharia que é OK um estudante ou professor sumir ou tomar um tiro numa ruela por aí, afinal eles estavam “pedindo por isso mesmo”.

Todo mundo quer que as coisas fiquem bem, sem ter que limpar a sujeira depois. É patético o argumento de que “nao queremos pagar a conta” de meia de duzia de móveis quebrados na reitoria, enquanto Rodas esta sendo investigado por desvios de MILHÕES !  A desinformação do povo me dói o estomago …..

Como diria o ditado popular, “as vezes é necessário quebrar alguns ovos para fazer uma omelete”. Mas o burgues brasileiro médio é do tipo que come em restaurantes, ele nao sabe quebrar ovos nem fazer omelete.

Uma vez mais, cabe aos “barbudos que moram de aluguel”  oferecer a outra face (e infelizmente as vezes uma cadeira ou um tomate) para o cassetete e o escudo da tropa de choque, na luta para construir as mudanças das quais um dia todos esperamos usufruir …

Mais de 3 mil estudantes se reuniram, em greve, não só os “barbudos maconheiros inuteis” mas também seus futuros advogados e médicos, dispostos a discutir o que aconteceu e por um fim no terror que se instituiu na USP. Mas todos eles devem ser mesmo apenas um bando de desocupados lutando por seu direito de fumar maconha livremente e estar acima da lei …

Encerro meu texto com um pedido simples e direto: Ninguém é obrigado a ter uma opinião sobre esse assunto (ainda que eu ache estranho que isso nao ocorra naturalmente). Ninguém é obrigado a concordar com isso tudo, aliás falei com muita gente razoável e inteligente que continua sendo contra a ocupação e não tenho problema algum com isso. Ninguém é obrigado a ter uma causa, em primeiro lugar. Conheço pessoas incríveis que preferem fazer milhares de coisas em vez de se aborrecer com política e respeito isso totalmente. São as pessoas tipo C, D, E, F, G, etc desse mundo. Diversidade é essencial em qualquer sociedade saudável.

Mas, às pessoas que ficaram lotando meu facebook, caixa de e-mail ou meus ouvidos mesmo, com argumentos parcos sobre “maconheiros vagabundos” e sobre como a policia “tem mais é que descer o cacete”. A essas pessoas eu mando um recado.

Todo mundo que quiser opinar sobre o assunto com essa intensidade – nem que seja para condenar os estudantes e defender Rodas e a PM – tem que se informar o mínimo primeiro.

Toda discordancia, todo questionamento, será benvindo e acrescenta na discussão. Isso é democracia. Mas falar sem pensar não acrescenta. É só produzir barulho.

Melhor voltar pro Big Brother.

Se não for ajudar, pelo menos não atrapalhe.

………

NOTA POSTERIOR À PUBLICAÇÃO DESSE ARTIGO – Hoje, dia 11/11, o Estado de São Paulo anunciou a decisão da PM em construir sua primeira unidade DENTRO da Universidade de São Paulo. Já existe planejamento de local, construção, já existe projeto feito.

Mais do que nunca sou levado a acreditar que a prisão dos 3 estudantes fumando maconha na outra semana foi um ato deliberado feito com o objetivo de criar revolta nos estudantes e atrair a atenção da midia, garantindo a manipulação da opinião publica.

A PM tem circulado pela USP faz semanas, e a despeito do consumo de maconha la dentro realmente ocorrer com certa liberdade, nunca ninguém foi preso. De repente, uma semana antes de anunciarem a criação dessa unidade dentro do Campus, a policia resolveu prender alguém. Coincidência ?

Acho que não … E infelizmente os estudantes morderam a isca…

MATERIAIS COMPLEMENTARES INTERESSANTES:

Paulo Moreira: Uma verdade sobre a USP

http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/?p=3314&cp=all#comments

Eugenio Bucci : Entre o capuz e o capacete

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,usp–entre-o-capuz–e-o-capacete-,799415,0.htm

Carta Maior: Relatos dos alunos sobre a violencia policial na invasão

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19076

Carta Capital: Do massacre do Carandiru ao comando da Rota

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/do-massacre-no-carandiru-ao-comando-da-rota/

Luiz Carlos Azenha: Violencia da PM Paulista, seu proprio brasão explica

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/violencia-da-pm-paulista-seu-proprio-brasao-explica.html

Estado: Cresce numero de mortos envolvendo a Rota

http://blogs.estadao.com.br/jt-seguranca/cresce-numero-de-mortes-envolvendo-a-rota/


95 Comentários on “USP: Um desabafo”

  1. amilton monteiro disse:

    essa ansia por informações de origem x ou y pra poder criar opiniões e se sentir seguro ao discutir o assunto as vezes não permite uma real reflexão sobre tudo que acontece. eu mesmo, lendo reportagens de sites, vendo na tv e ao mesmo tempo lendo textos de estudantes, vendo imagens e etc, não parei pra refletir sobre o que ocorria agora de fato: achava mais do mesmo, nada diferente de bobagens – na minha opinião – do ME de 2, 3 anos atrás. foi encontrando um relato “neutro” (claro que entre aspas, essa neutralidade/imparcialidade não existe. enfim) sobre o ocorrido que comecei a ter outro olhar. seu texto e outros compartilhados pelo facebook também ajudam nisso. esse imediatismo da nossa sociedade, de imagens feitas para serem compartilhadas minutos depois dos acontecimentos e de discussões imeditadas, onde todos devem ter seus pontos de vista, opiniões e uma bela carga de informações e já ter um posicionamento acaba ajudando nesse comodismo – ninguém reflete, ninguém quer mudar pois não vê o que está errado. começo a pensar que, durante a ditadura (apesar que ODEIO comparar essa epoca com os dias atuais), quem não estava diretamente envolvido na luta, achava que tudo estava bem… será que quem vive na urgência de mudanças percebe que essas são de fato necessárias?

    • Anônimo disse:

      Cara, tem muita coisa a se discutir mesmo. Por exemplo, acabo de ler umas estatisticas publicadas pelo ESTADO (nao é exatamente minha fonte favorita) que diz que segundo dados liberados pela PM o indice de ocorrencias contra furtos, lesões corporais e roubo de carros caiu em 92% em média depois que eles entraram la …

      Hmm…OK

      Sem querer bancar advogado do diabo, eu adoraria ver algum tipo de estatistica assim vinda de qq outra fonta que nao a PROPRIA PM né ? Como por exemplo, da Guarda Civil da USP. Naturalmente os caras vao falar o que precisam pra se justificar la. Sem falar que o proprio Rodas se encarregou de transformar a USP em uma terra de ninguém mesmo, pra depois poder enfiar a policia lá. Enfim

      Complicado ….complicado …

  2. Genial! Gostei muito!

    Seu texto foge dos esteriótipos e apresenta os argumentos.
    Existe motivo para os protestos, motivos válidos e acredito que a sociedade tomando conhecimento irá apoiar.
    O que fizeram foi um grande erro, violência contra a polícia, por culpa de 3 maconheiros… Todos sabem a opinião da maioria sobre a maconha, só olhar o sucesso de tropa de elite. E querendo ou não a violência partiu dos alunos.

    Agora a critica a polícia e o bando de ignorante que diz para bater nos estudantes, devem ser os mesmos que dizem que a polícia tem que matar bandido, é 100% válida!
    Só é importante lembrar que a polícia não ficou assim por causa da invasão da reitoria, isso já era esperado, então quando não sairam todos já saberiam o que ia acontecer, daí vem a importância do protesto correto.

    Primeiro, não deixe que imagens negativas, que não estão associadas às reivindicações apareçam… Foi o caso dos maconheiros, com vídeo e tudo e que a impressa usou para direcionar a opinião pública.
    E segundo, só provoque uma reação negativa, se quiser demonstrar que ela existe, o que fizeram, a policia invadir e ser agressiva, foi dentro da regra aceita, difícil esse questionamento.

    Agora a tentativa é mudar a imagem negativa e sinceramente acho que vão conseguir.
    Eu tou esperando faz tempo uma dessas imagens de facebook dizendo: “Aquele que apóia a violência da polícia, pode ser vítima dela também”… O mais absurdo de tudo para mim foi esse pessoal e olha que foram muitos.

  3. Gostei bastante do texto, mas acho que deveríamos tomar cuidado para não rebatermos os argumentos no mesmo nível (eu também me incluo nessa). Nós queremos que as pessoas que apoiaram a PM entendam porque estão equivocadas, e chamá-las de “tipo A” entre outras coisas acaba aumentando a discórdia em vez de chamar mais gente pro nosso lado.
    Na minha opinião temos que nos concentrar nos seguintes três argumentos:
    – Os protestos da usp não são pelo direito de fumar maconha
    – Os protestos da usp são a favor da segurança (e não contra)
    – A Polícia Militar é um órgão que promove mais repressão do que segurança

    • igorius2011 disse:

      É isso Caio, voce ta corretíssimo. Antes de “classificar” as pessoas em dois grupos assim, eu me questionei muito. Como disse no proprio texto, acho toda generalização burra e nao gosto de incorrer nesse erro …

      Mas infelizmente no que concerne questoes assim eu realmente quase posso dividir as pessoas que conheço em dois grupos. Sei que é doido falar isso e ninguém que ler esse texto vai gostar de se sentir parte do “tipo A”, mas é um fato. A classe média brasileira possui muita gente desinteressada, marionete de um ou dois veículos de comunicação, que as vezes resolve abrir a boca pra dar opinião sem repertório nenhum…

      Acho que se 10 pessoas com esse padrão de comportamento lerem meu texto, 7 vao se irritar comigo e nunca mais voltar para esse blog. Mas talvez umas 2 ou 3 questionem suas atitudes e passem a pensar um pouco mais. sei la. Talvez eu esteja sendo um babaca intelecto-elitista .. nao sei mesmo te responder. É só como eu me sinto, e pelo numero de indignados com quem tenho falado, nao estou sozinho nessa. Mas seus argumentos sao MUITO pertinentes e vou pensar neles em um futuro proximo, em outros artigos. VALEU MESMO por participar e um abraço forte !!!

  4. Mariana disse:

    Sou uma das pessoas que está contra os estudantes desde o inicio, afinal a manifestação, desde o começo, nunca se deu para tirar o reitor por causa de seus problemas de desvio de verba. Afinal, ele está sendo investigado há tempos e somente qdo os estudantes foram contrariados é que começou a se falar nessa investigação e etc.
    Após ler o texto e absorvê-lo, mudei algumas opiniões, mas ainda tenho alguns pontos de oposição. Tenho que dizer que realmente não sabia do histórico de diversas tentativas de tratativas com o reitor, mas imaginava que boa coisa ele não era, uma vez que era “persona non grata” na faculdade de direito. Aparentemente, essa invasão foi uma falta de opção, uma vez que não existe diálogo! No entanto, penso que existiam sim outras opções que poderiam ter sido melhor explorada. As duas partes passaram dos limites. Não acho que a PM devia ter tratado os estudantes como traficantes, mas será que se tivesse um volume menor de policiais, suficientes para que houvesse confronto sem massacre, os estudantes teriam saído sem apresentar resistência?! Um ponto para se refletir…
    Mas de qualquer forma, está errado! Não concordo e houve sim exagero.
    Mas a questão é que durante as manifestações faltou focarem no alvo certo: o reitor! Focou-se muito na saída da PM, quando a PM não é o real problema. Erro de estratégia… Ao errar o foco, passou-se para a opinião pública uma visão distorcida dos reais motivos de tudo isso. Se o foco fosse o correto, a mídia teria que noticiar outras coisas, como os podres de reitor! Da forma que foi feita, ficou sim parecendo um monte de maconheiros brigando pq foram contrariados.
    A questão é que com a opinião pública contra os manifestantes, o reitor, governador, etc, ganha mais força para manter as coisas como estão. Qdo se traça uma estratégia em que a opinião pública é necessária para o exito, deve-se lembrar que a maioria acessa somente os maiores veículos de comunicação e, por isso, temos que passar a mensagem correta.

    • igorius2011 disse:

      Mariana, exato ! Acho que o foco dado ao movimento foi errado, ele nao acrescentou e nao lançou uma luz real ao problema do reitor, já que ele é a causa raiz de tudo.
      Estou certo de que a opinião publica jamais seria contrária ao movimento se soubesse de seus motivos reais. Infelizmente a midia nao ajuda muito, te sugiro que leia a VEJA do proximo domingo e veja (rs) o que ela vai falar. Coisa boa nao vai ser. Uma sugestão é visitar o blog do Reinaldo Azevedo (o bom e velho tio Rei, da uma googlada) e ver as merdas que ele ja falou …
      Esse é o ponto. Não sao bandidos. São meninos. Impulsivos, sujeitos a falha. Mas cheios de boa intenção e querendo mudar a realidade de nosso país. Não sao bandidos e não sao uma ameaça. Pelo menos pra nós. Mas a julgar pelo que rolou tem alguns grupos se sentindo bem ameaçados ja …e eu acho isso muito bom. OBRIGADO POR NOS VISITAR !! Volta semana que vem que vai ter mais !!!

  5. Anônimo disse:

    cara, lindo! cada paragrafo é um melhor do q o outro. já dizia o meu pai quando eu era criança: “muito ajuda quem não atrapalha”. parabéns pelo texto, muito bem escrito e um alento em meio a essa fumaça podre! abs!

    • igorius2011 disse:

      Obrigado pelo feedback cara ! Me ajuda a divulgar esse texto e meu blog e se curtiu mesmo me siga para receber sempre minhas atualizacoes e textos (ou entao volta semana que vem que tem mais)! Estamos juntos nessa luta para criar um mundo novo ! Abraços !

  6. Franco Sattamini disse:

    Nem tanto ao mar, nem tanto a terra . . .

    Congratulo o autor pela dedicação e pela exposição de fatos muitas vezes desconhecidos pela população em geral. Entretanto o mesmo mostra também um desconhecimento sobre outros fatos, tal qual a maioria da população, alguns dos quais descrevo abaixo:

    1. O autor responsabiliza a Polícia Militar por atentados ao direito do cidadão durante a “ditadura militar”: . . . é um órgão que durante as décadas de ditadura foi usado como maquina de repressão do estado sobre a população . . .

    Explicação: como o nome diz (militar) esta polícia é organizada em princípios de hierarquia e é subordinada ao poder político. Não atua por conta própria. Durante o governo militar, estava subordinada ao mesmo. Hoje está, da mesma forma, subordinada ao governo atual. Que isto fique bem claro, pois é fato incontestável.

    O autor diz que é um modelo raro no mundo. Esta informação é no mínimo equivocada. Vamos lembrar que existem várias forças policiais. A polícia civil, polícia militar, polícia federal são formas comuns em todo o mundo, tais quais nos Estados Unidos, pro exemplo: State Troopers (subordinados ao estado), Municipal Police, Military Police, FBI, etc.

    Quanto a corrupção da mesma num dado período da nossa história ou outro, esta não é de forma alguma diferente de outras formas de corrupção em todos os outros setores da vida pública Brasileira, sejam de direita ou de esquerda. Ver a Polícia Militar de hoje com a mesma ótica dos tempos da ditadura militar é simplesmente absurdo e irresponsável! Tal corrupção é resultado daqueles que de fato detém o poder, e não da corporação a estes subordinada.

    Que fique aqui lembrado o exemplo do trabalho da polícia militar no Rio de Janeiro nas recentes “limpezas” dos redutos do tráfico, que por sua vez, queiram ou não admitir, é estimulado por todos aqueles que compram “um bagulhinho” prá fumar seja lá onde for!
    Importante: eu particularmente sou a favor de legalização, porém enquanto esta não existir, cada bagulhinho ajuda a comprar armas e ajuda a matar inocentes nas ruas das nossas cidades, o que fere o “direito natural” citado pelo autor.

    2. O Tipo A ao qual o autor se refere, na verdade compõe a grande maioria dos estudantes da USP. O processo superficial de criação deste estereotipo feito pelo autor é na minha opinião, tão distante da verdade quanto dia para a noite. Pensar que nossa sociedade se divide em apenas Tipo A e Tipo B é de fato burrice, como colocou o próprio autor. Este tipo de colocação se torna então irrelevante, já que a mesma é baseada em burrice (palavras do autor).

    3. Uma das grandes qualidades do nosso povo é saber dar a volta por cima, e se para fazer isto é necessário falar de Futebol e Novela ao final do dia, que assim seja! Na manhã seguinte, a vida continua e mais uma vez, lidamos com os problemas do dia a dia. É uma digna forma de equilíbrio. (Nota: particularmente, eu não ligo nem pra futebol nem pra novela).

    Crescí com meus sábios pais me ensinando que a virtude está no meio e não nos extremos. De fato, quanto mais eu vivo, quanto mais eu vejo, constato que o equilíbrio é o caminho da evolução. Até mesmo intelectualidade em excesso é um fator negativo. Ser intelectual sem entender os fatores socias e psicológicos de um povo é ser “itelectualoide” . . . é se achar mais do que o próximo . . . é desprezar a leveza de espírito. Este tipo de conceito pode ser encontrado nos princípios de praticamente todas as filosofias espirituais (não estou falando de religião!).

    Por fim, abusar do direito estabelecido para reclamar os seus próprios direitos é uma dicotomia que não faz sentido. É auto-negação. Ou seja, é dizer “quero os meus direitos, e para tanto estou transgredindo os seus direitos”.

    Na democracia, o direito de um acaba onde começa o direito do próximo. O direito a segurança pública da estudante que não quer ser estuprada, ou do estudante que faz um curso noturno e necessita usar transporte coletivo para ir e vir tem que ser respeitado. Tenho certeza que aqueles que tiveram tais direitos protegidos pela presença e/ou ação da polícia, são gratos à mesma.

    É necessário que esta discussão saia do âmbito pseudo partidário de esquerdistas ou direitistas. Estes são problemas humanitários, e como tal, devem ser tratados sem influência de interesses políticos. Porém, para se mudar um sistema, há que primeiro entendê-lo de fato, e usar inteligentemente os processos legais que hoje existem a disposição da nossa população. O Brasil é um país livre e democrático . . . em constante evolução social. Este momento é crítico, e se o país for empurrado em direções radicais, de direita ou de esquerda, perderemos a nossa grande chance de fazer do mesmo uma grande nação, equilibrada, justa e humana.

    É tempo de entender que não vivemos mais na ditadura militar. Esta foi extinta há mais de 20 anos! Há que se ter a consciência do passado, porém enxergar o Brasil de hoje, sem jargões já tão ultrapassados.

    Agir, sempre; Acovardarmo-nos, nunca. Usar os caminhos da razão e do direito, absolutamente, afinal não se pode idolatrar “Deus e o Diabo” ao mesmo tempo!

    • igorius2011 disse:

      Franco, primeiramente gostaria de agradecer pela sua extensa participação, eu adoraria que todos que lessem esse blog lessem também os comentários e opinassem dessa forma. Como eu fiz questao de colocar em um dos primeiros textos daqui, o “Espaços de Diálogo”, esse blog nao é um lugar onde eu posso VOMITAR minhas informações para o mundo, e sim um espaço para construção coletiva de idéias. Para isso é necessário que ocorram contrapontos, como o seu.

      Gostaria antes de tudo de reforçar que meu texto nao tem como objetivo DEFENDER a ocupação. Ele é acima de tudo um protesto contra a euforia da opinião publica com a violencia usada pela policia na desocupação da reitoria.

      Sobre a policia. Tanto eu sei que ela é apenas UMA das milhares de formas de policiamento e segurança que podem existir que fiz questao de frisar isso no inicio do texto. A da USP sempre foi a GUARDA CIVIL da propria USP. Até o inicio do fim, no “reinado” do Rodas ….

      É EVIDENTE que a PM de hoje nao é exatamente a mesma da época da ditadura, seria tolo e infantil achar isso. Mas a PM nao deixa de ser um instrumento de uso da força do estado para manter cativa a população. Recomendo o documentário “Noticias de uma Guerra Particular” que aborda a questao muito bem.

      Sobre a classificação das pessoas, como eu ja disse para outro comentador acima, de fato acho que incorri em um erro. Eu quis dizer que apesar de nao gostar de classificar as pessoas, essa classificação as vezes parece se auto-impor e se forçar à minhas opiniões. No final talvez tenha incorrido nesse erro ao manter o exemplo. De qualquer forma essa foi a parte possivelmente mais emocional em um texto que deveria ser estritamente racional …. valeu a dica. Vou guardar para o futuro.

      Desde ja agradeço e te mando um grande abraço. Espero que volte sempre e continue acrescentando em todas as discussões ….

      • Thiago Menezes disse:

        Parabéns pelo seu lúcido e transparente comentário! Principalmente, na ferida exposta que tanto preocupa: O consumo de drogas, e a maléfico tráfico. Interessante, é que alguns acham que o policial tem “bola de cristal”, abordagem necessita ser em todos os usuários, pois, os usuários também podem ser traficantes, podem ser pequenos, mas causas enormes estragos na sociedade. Vejo nossa sociedade caminhando a desgraça, tudo hoje é normal, “tempos modernos”, tem que legalizar. Enfm, sinceramente apenas vejo muita coisa piorar!

    • Cristina disse:

      Olá Franco Sattamini.

      Gostei muito do modo como expos seus argumentos, pautado no discurso do ‘não extremos’, pois acredito realmente que o equilíbrio é o caminho certo, visto que a nossa História nos mostra o quanto os exageros são destrutivos, bem como a arrogância e demais ‘paixões’ inferiores. Acredito que estamos vivendo mais uma vez uma sociedade dos extremos e estamos pagando caro por isso. Por isso, meus parabêns! Fiquei muito contente ao ler os textos.

      Ao autor principal, congratulo pelos esclarecimentos e sobretudo pela forma democrática como tem tratado os comentários dos demais; o faço pois é tão comum hoje em nossa sociedade discussões inflamadas, que muitos acreditam ser saudáveis, mas que a meu ver nos fazem ser ainda mais arrogantes e cegos para o entendimento real das coisas.

      • igorius2011 disse:

        Cristina, meu objetivo nao é converter ninguém para uma causa ou outra, quero expor os comentários na mesa, pois apenas a reflexão pode gerar evolução.

        Acredito nisso profundamente, por isso mesmo sou tao intensamente contra toda forma de censura ou repressão a manifestações. E por isso acredito que mesmo certas proibições de nossa sociedade TEM SIM que ser revistas.

        Houve um tempo que ser a favor do divórcio era considerado uma agressão aos bons costumes e uma ameaça à sociedade. Precisamos rever certos conceitos, nenhum assunto deve ser tabu para discussão. Meu objetivo não é que todos os meus leitores saiam daqui concordando comigo, é apenas fortalecer o repertório de informações e o exercício de uma retórica baseada em fatos e nãoém bravatas preconceituosas como as que eu ouvi tanto por ai …

        Obrigado por nos visitar !

  7. wesley guerra disse:

    Bom ver outro lado, mas não me convenceu… Ja fui na USP e festas, cheiro de maconha, parece não incomodar ninguém… E quando uma aluna é assaltada ou vitima de tentativa de estrupo, um monte de gente culpa a falta de policia… sorry, mas não me convenceu…

    • igorius2011 disse:

      Wesley, meu objetivo nao era convencer ninguém, apenas oferecer informações para argumentações mais inteligentes do que “bando de maconheiro vagabundo” e “a policia tem que descer o cacete”.
      Só te pergunto uma coisa: Voce mesmo ja foi em varias festas na USP e sentiu que la dentro a maconha é praticamente legalize nao é ? Daí a policia vai la e prende 3 carinhas, não te parece estranho ?
      É como aquelas viaturas passando na frente dos puteiros na Rua Augusta todo dia, daí uma bela madrugada vão la e prendem UMA prostituta fazendo ponto.
      Não te soa deliberado ? Não acha que exista um motivo por tras de tudo, no caso em questao, conquistar a opinião publica ? Tem gente bem inteligente por trás disso meu caro, e sinceramente espero estar errado, pois o mundo vai se tornando um lugar cada vez mais sombrio a medida que penso nisso. Infelizmente acho que nao estou…
      Abração e obrigado por ler !

  8. Vcs de humanas dão muuuuita volta e ficam procurando palavra chique para falar a mesma coisa. #fail

    FATO: Quem é contra a polícia é a favor de bandido.

    Polícia não é igual a repressão, quem anda na linha e cumpre direito e deveres não tem o temer.

    Se esse “protestinho” não fosse regado a maconha e bebida não teria 1 lá. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    • igorius2011 disse:

      Amigo pensei muito antes de aprovar seu texto, mas achei melhor faze-lo afinal esse é um espaço democratico.

      Primeiramente, quem disse que eu sou de humanas ? Porque eu resolvi discutir um assunto ? Porque os caras de exatas ou biológicas não tem tempo para essas coisas ? É esse tipo de pensamento lamentável que nao leva nosso país para frente. Espero realmente que meu blog seja visitado por muitos médicos, engenheiros, biologos ou matemáticos ….

      Agora vamos la amiguinho. Durante o terceiro reich caso voce nao entregasse seu vizinho judeu para a gestapo voce era bandido. Durante a ditadura voce nao entregar seu vizinho esquerdista para a PM era crime também. E na epoca do Apartheid na Africa do Sul voce deixar um negro sentar do seu lado no onibus era contra a lei, contra a policia, e te qualificava como bandido.

      O que voce me diz ?

      Voce se esquece que as leis são feitas por pessoas, e estao em constante mudança. O dia que o povo parar de questionar suas leis e simplesmente abaixar a cabeça infantilmente, deixando os poderosos “decidirem por eles” será o dia em que abriremos mão do que nos faz humanos.

      Espero realmente que voce repense essas posições, e ofereço meu espaço para voce conversar e desenvolver essas posições conosco, se assim desejar.

      Abraços !

      • Anônimo disse:

        Muito bem, o comentario foi meio ofensivo mesmo e acho que voce tem direito a sua resposta igorius2011, apenas acho que os exemplos que voce usou nao se aplicam ao Brasil. Em algum momento a PM obriga a delacao de inocentes? Por acaso ela esta pregando o racismo?

        Enquanto a maconha ou outras drogas nao forem legalizadas elas sao ilegais e quem usa ASSUME O RISCO CONSCIENTEMENTE de ser preso por transgredir leis. Se a maconha deve ou nao ser legalizada é outra história. Mas por enquanto ela é ilegal e fornece SIM dinheiro a bandidos. Enquanto o “jeitinho” nao for abolido do Brasil, acredito que o pais nao tem maturidade para a legalizacao das drogas, ou voce me garante que a lei antifumo e cumprida 100%?

        E quanto aos alunos presos, eles descumpriram uma ordem judicial, portanto, houve a chance de continuarem o protesto de forma legal, desocupando o predio e fazendo o protesto de outras formas, em outros lugares, mas preferiram “pagar pra ver”. Garanto que a maioria da populacao veria a desocupacao voluntaria com bons olhos e poderiam ate achar a reinvindicacao mais convincente.

        Por essa e outras, ainda acho manifestacao lamentavel e conduzida de forma a depreciar ainda mais os estudantes que participam, os tres que estavam sendo presos pelo porte de maconha estao participando da manifestacao? Eles estavam juntos na ocupacao e foram levados com os colegas? Ou ficaram em casa rindo a toa de terem escapado?

      • igorius2011 disse:

        Amigo, a PM certamente nao esta pregando o racismo. A PM nao prega nada, ela é um simples instrumento de quem esta no poder.

        E SIM, quem esta no poder prega algum tipo de preconceito. No nosso caso não é racial, ele é mais comportamental…sim, estou falando de maconha, mas nao é o caso aqui.

        Eu concordo que a manifestaçao foi extremamente mal-conduzida. Em momento algum em meu texto eu disse o contrário… ou disse ?

        Meu objetivo aqui nao é fazer as pessoas CONCORDAREM com a forma que a ocupação foi conduzida, mas sim ENTENDEREM que existe mais por trás de tudo isso do que o direito de fumar um baseadinho ….

        Abraços !

    • igorius2011 disse:

      Amigo, faz mais de dois mil anos que foi escrito, na Grécia, um texto lindo chamado ANTIGONA que trata de uma reflexão simples mas essencial:

      Toda lei deve ser cumprida incondicionalmente, apenas por ser lei ?

      Se não concordamos com uma lei, qual a melhor forma de pressionar o mundo para a mudança dela ?

      Thoreau, Ghandi e muita gente inteligente concorda: DESOBEDIENCIA.

      A desobediencia civil DEPENDE da quebra das leis com as quais não concordamos. Não estou advogando a favor ou contra a proibição da maconha (terei um texto só sobre isso no futuro), só dizendo que aqueles que são a favor da legalização não tem que esperar até que suas demandas tenham sido atendidas para “começar a usar”.

      Todos violamos pequenas leis, mais ou menos. Atire a primeira pedra aqui quem nunca baixou uma musica da internet, ou bebeu umas cervejas e pegou o carro …. As leis de uma sociedade mudam para acompanhar as mudanças da sociedade, não o contrário. Não podemos definir HOJE as leis para a sociedade que esperamos encontrar AMANHA.

      É evidente que em minha resposta ao comentário eu usei exemplos extremos. Mas poderia falar sobre exemplos mais simples, como a proibição do divórcio, o apedrejamento de adulteros ou a bem recente proibição de nos reunirmos em grupos maiores do que 10 pessoas (acho que era 10) durante a época da ditadura.

      O ponto é o seguinte. A policia é uma importante ferramenta da manutenção da segurança e da ordem. Isso é uma faca de dois gumes. É otimo no sentido de fornecer segurança individual ao povo … é perigoso no sentido de lutar para manter a ordem vigente, o status quo daqueles que estão no poder. E as vezes esse status quo precisa ser questionado. E quando se faz isso, infelizmente, se desafia a policia.

      Não estou pregando o enfrentamento da policia, ou a desobediencia de leis, longe de mim ! Só estou dizendo que as coisas não sao tao preto no branco, quando se fala em “desrespeitar leis” …

      Um grande abraço !

    • engenheiro disse:

      Nem tudo pode ser resumido a derivadas e integrais.. Na pratica as coisas são complexas demais para serem resolvidas com pensamentos exatos. Eu, como engenheiro, admito essa dificuldade, uma vez que só sou treinado para pensar de acordo com regras pre-estabelecidas. Essas “palavra chique” , dos “humanas”, que possibilitam que um texto tenha alguma coesão, diferente da sua resposta para ele; FATO: Quem é contra a polícia é a favor de bandido.

      • igorius2011 disse:

        Meu amigo…. todos nós podemos nos tornar bandidos da noite para o dia, sem que mudemos uma virgula em nossa conduta ou atitudes

        Basta que seja criada uma lei que determine isso.

        Existem leis que são inegavelmente corretas, como a que proibe o assassinato, roubo, agressão, etc. Outras bastante questionaveis. Quem questiona elas não é um bandido, pode ser uma pessoa ajudando a criar o que será lei amanha …

        Enfim, acho que estou andando em circulos …

  9. Parabéns pelo texto. Muito bem escrito e muito claro sobre as opiniões e informações prestadas.
    Concordo que o Estado no Brasil tem, desde muito tempo, oprimido a população de todas as formas possíveis, principalmente nas universidades públicas.
    Me formei na UnB e por algum tempo participei ativamente do movimento estudantil. Nesse período vi e vivi muitas coisas interessantes sobre política estudantil e também não engoli essas história de “direito de fumar maconha”.
    Considero que a ação da PM foi totatalmente desastrosa e criminosa. Porém, também acho que acima de tudo devemos respeitar as leis, mesmo quando estas leis não são respeitadas a nosso favor. Lamento as ações dos estudantes pois considero que ato público dever ter planejamento, começo, meio e fim. Do contrário se torna ineficaz e avalisa ações como a da PM e de boa parte da imprensa reacionária deste país.

    • igorius2011 disse:

      Cara, os estudantes que ocuparam o predio fizeram o que fizeram sem dar a minima para a opinião publica, isso é fato. Eu apoio os fins, nao sei se apoio os meios. Só que apoio menos ainda a ação da PM e MENOS AINDA a opinião publica sanguinária que se seguiu.
      Um abraço e obrigado por vir. Semana que vem tem novo texto !!

  10. Lolla disse:

    Divulgando no face.

    Parabéns.

  11. Ananda disse:

    os episódios recentes na USP parecem ter sido um capítulo importante num caminho pra privatização das universidades. a opinião pública manifestou de várias formas não querer pagar a conta do ensino com seus impostos.
    a universidade pública não serve só pra quem passou no vestibular ela serve à sociedade. educação não é um ticket que você compra, vale 4 anos e acaba a validade. boas universidades públicas reverberam na sociedade de muitas formas. será que as pessoas realmente acham que pode haver boa saúde pública, segurança pública, ensino fundamental, por ex. sem boas universidades públicas?

    será que é esse imposto mesmo que está “fazendo falta”? É essa conta que parte da classe média e o governo não querem pagar? gap, maconha, pm, reitor atual à parte, a conclusão simplificada que muita gente está incorporando, me parece uma economia que vai causar muito mais danos…

    infelizmente a gente não decide exatamente a qual projeto destina nossos impostos. quando a gente “grita” que não quer nosso imposto no ensino público, a gente está dizendo: “alguém pode assumir essa conta? ela não interessa a mim, contribuinte”.

    nada muda diretamente, mas propaga uma idéia. é essa idéia destrutiva que a gente quer propagar? a gente devia ter orgulho de custear um ensino que mesmo sucateado como está ainda é referência. imagina se tivesse mais investimento, mais vagas, mais pesquisa, melhores salários…

    cada um acha o que quiser da PM, da maconha, do estudante… mas pensa antes de encher a boca pra falar que é o seu dinheiro. o seu dinheiro também ta sendo usado pra treinar policiais que ficam lá parados no meio das rotatórias da USP, num lugar onde quase ninguém passa à pé. a região onde o menino foi assassinado pelo menos até 2 meses atrás continuava uma escuridão…

  12. Flávio disse:

    Que isso sirva de lição para os estudantes prestarem atenção sobre o assunto ‘poder da mídia’. Ela não é apenas palavras no papel, em determinados momentos é exatamente isso que aconteceu, massificação de uma idéia.

    Agora quero ver quanto tempo vai demorar para desfazer essa mentalidade que já foi colocada na cabecinha fraca de milhões de brasileiros.

    Que sirva de lição ao partidarismo que envolve as discussões políticas, também, e que não agrega NADA, como nossa própria história de 40 anos atrás já mostrou.

    Boa sorte a vocês que fazem o papel de cidadão e tentam melhorar o país!

    • igorius2011 disse:

      Flavio, corretissimo. Os estudantes precisam abrir os olhos, e ver que existe uma opinião publica que é essencial conquistar. Então cuidado com a forma que forem protestar, pois ela pode ser decisiva no sentido da população “comprar a idéia ou não”. Poucos realmente vão atrás.
      E SIM, o partidarismo em nada acrescenta. Ficamos como os cidadãos de 1984 defendendo a Eurásia ou a Oceania, brigando em nome de um partido ou outro, enquanto uma pequena elite assiste a gente brigando de cima de seus camarotes …..
      Obrigado por vir nos visitar Flavio !!! Volta daqui a uma semana que terei mais textos !

      • Roberto disse:

        Eu acho que enquanto a opinião pública for baseada em informações provindas de fontes que fornecem informação em troca de lucro, ela jamais será conquistada. A mídia molda a cabeça do cidadão tal qual for mais interessante a quem paga. A internet nos permite sair um pouco deste eixo, mas as pessoas preferem piadinhas à informação de verdade, de quem não ganha nada com ela (seu blog, por exemplo).

        Essa PM que nós temos não nos serve, serve ao Poder. Se a polícia tivesse a nossa segurança como finalidade, usaria todo o contingente dessa lastimável operação do dia 08/11 para evitar crimes de verdade. E não pra prender um punhado de estudantes desarmados. A opinião pública é tão cega que ignora algo tão claro. O Malcolm X acertou em cheio.

        Aproveito pra comentar que acho louvável sua paciência pra responder comentários alienados e sem fundamento.

      • Franco Sattamini disse:

        Vamos esclarecer esta questão da polícia de uma vez por todas:

        1. Polícia sim, é da fato comandada, e não diretamente pela população, e é assim que deve ser;

        2. Polícia faz parte do mais baixo escalão do poder executivo. Este como o nome diz, executa o estabelecido pelo poder legislativo;

        3. O legislativo é o representante do povo (vocês por acaso lembram que nós brasileiros votamos há mais de 20 anos??);

        Portanto, se a polícia não nos serve, reclamem a quem de direito: LEGISLATIVO! A forma de mudança é através do execício da cidadania, pelo voto, pela pressão ao poder legislativo, pela educação e não pelo ataque àqueles que simplesmente são servidores públicos daqueles que nós, o povo, colocamos no poder!

        Chega de discurso ultrapassado! Os tempos são outros!

      • igorius2011 disse:

        Franco, sua resposta ja carrega algum nivel de conservadorismo que eu estou tentando desmontar com esses textos.

        Ela presume que tenhamos que possuir um poder executivo e um legislativo. Que essa organização seja a unica alternativa. Que o povo NÃO POSSA definir suas leis diretamente …

        Voce me parece um cara inteligente e tem que admitir que existe um certo nivel de inferencia no que voce disse. Não é um postulado escrito em pedra que as coisas TENHAM que ser assim (da uma lida nos meus outros textos).

        Mas com uma coisa eu concordo. A policia é realmente um nível mais baixo do poder vigente, é praticamente um EXECUTOR apenas, e foi um erro IMENSO dos manifestante criticar diretamente a POLICIA.

        Tanto por ser inefetivo, quanto por agredir a opinião publica …

        Gostaria de ter visto mais cartazes dizendo “FORA RODAS”. Gostaria de ter visto mais dialogos como os que estamos tendo aqui, mais textos como o meu, e menos invasão.

        Reforço hoje e sempre que meu texto nao foi escrito para defender INCONDICIONALMENTE o movimento de ocupação, que aliás é cheio de problems e defeitos/ Eu apenas quis ilustrar que há mais por baixo do pano … isso nao pode ser ignorado, e sua opinião final sobre a forma que a questão foi conduzida nao muda isso …

      • Franco Sattamini disse:

        Igorius,

        Infelizmente sua colocação de que minha posição “carrega um nível de conservadorismo” não poderia estar mais distante da realidade! Sou uma pessoa extremamente liberal, tanto em assuntos políticos, como na minha vida pessoal.

        Me parece que você não está conseguindo separar (ou entender) o meu entendimento dos sistemas das minhas convicções polítco-sociais.

        Sou uma pessoa que teve oportunidades únicas na vida: viajei o mundo, viví em 3 continentes diferentes, aprendí vários idiomas, e tendo uma paixão inata por culturas diferentes e assuntos de evolução espiritual e social do ser humano como um todo (à despeito de raça, credo ou cor), lí muito, observei muito, aprendí muito, e se Deus quiser, continuarei a aprender mais e mais.

        Entretanto, não me iludo com idéias utópicas que não podem JAMAIS funcionar na prática. Você fala do povo definir suas leis diretamente??? Mesmo??? Como é que de fato isto ocorreria? Como é que você sugere que mais de 100 milhões de pessoas decidam diretamente as suas leis? Como seriam essas “assembléias”? Quem as coordenaria?
        Como você imagina esta estrutura?

        Me parece um tanto inocente da sua parte achar que não seria necessário criar uma estrutura que no mínimo, seria muito semelhante à dos poderes atuais, mesmo que com nomes diferentes!

        Você se contradiz quando questionado aqui . . . você defende argumentos de ataque à polícia, e depois afirma que foi um erro imenso dos manifestantes criticar diretamente a mesma. Qual é afinal a sua posição quanto a polícia?

        Outrossim, a polícia (mais uma vez) não é praticamente um EXECUTOR . . . a polícia é DE FATO, PURA E SIMPLESMENTE um executor.

        Minha frustração é com relação a este constante ataque à polícia, como instituição, baseada em argumentos que mostram um desconhecimento da estrutura vigente.

        O que não muda neste cenário é o fato de que quem cria as leis não é a polícia, e nem o poder executivo ou judiciário. É o legislativo. São os políticos nos quais votamos. Se o engodo político brasileiro nos incomoda, então usemos da cidadania para estirpar o mesmo da nossa sociedade.

        Mais uma vez, só pra deixar claro: sou liberal. Se vc se recorda, faço inclusive menção em minha primeira resposta de que sou a favor da legalização (outro tópico polêmico). Acho que isto dá uma boa idéia de que não sou conservador (vale aqui uma nota: sou a favor da legalização não porque uso ou usei drogas . . . na verdade nunca as usei, mas justamente porque defendo um sistema que não seja hipócrita).

        Tenho dois filhos, os quais me respeitam como líder, não como força opressora.
        O que faço para merecer a admiração e respeito deles?
        Muito simples:

        1. Não prego conceitos ambíguos. O que se aplica a eles, se aplica a mim também;
        2. Sou flexível e sempre pronto a escutá-los e analisar fatos dentro de uma ótica nova.

        Pregar respeito, sem respeitar não funciona;
        Defender direitos, sem respeitar o direito dos outros, não funciona;
        Não se pode pregar a defesa dos direitos civís por meios do desrespeito dos mesmos.

        Se posicionar parcialmente dentro daquilo que, num determinado momento, se aplica de forma mais adequada aos meus objetivos nada mais é do que o que luto contra: engodo político!

        Ser claro e preciso sem ter medo de admitir meus erros, sem ter medo de reavaliar minhas posições, ter consciência do que é de fato possível usar de forma sustentável e inabalável para atingir meus objetivos não faz de mim um conservador.

        E de fato, já estou cansado dos ignorantes ataque à polícia!

        Tive um professor de história no pré-vestibular, que dentro do seu brilhantismo e sabedoria me ensinou algo que nunca esquecí:

        A extrema direita e a extrema esquerda são tão extremas que se dão as mãos atrás do grande barril da política!

        Mais uma vez, vamos deixar de lado os discursos antiquados pois estes sim, são o que nestes tempos de hoje (quase 2012) se transformaram em conservadores. Permanecer empacados nos idos dos anos 60 e 70 e nas promessas vazias daquela esquerda que nada mais era do que faminta de poder, isto sim é conservadorismo.

        Todos estes discursos são conservadores . . . velhos, antiquados e não funcionam mais!

        Vamos crescer??

      • igorius2011 disse:

        Franco, vou pensar especialmente nisso que voce disse: Sobre com o aumento do publico do blog, aumentar a responsabilidade …

        Tambem vou me aprofundar em minha pesquisa sobre a policia militar … nao quero cometer injustiças …

        Sobre minha “visão de mundo” eu abri uma discussão inicial sobre isso no texto: “OCCUPY WORLD: O que nos queremos” e me aprofundarei em um dos 7 pontos principais por vez ao longo das proximas semanas. Voce será benvindo para voltar sempre que quiser e para comentar sempre!

        Abraços!

    • igorius2011 disse:

      Franco, o que eu mais prego aqui é abandonarmos os discursos do passado e seguirmos em frente.

      Acho que voce esta me confundindo com um extrema-esquerda, mas isso certamente eu nao sou. Inclusive dois de meus textos favoritos nesse blog chamam “Por que o capitalismo nao é a solução” e “Por que o socialismo nao é a alternativa”. Você tem terminado todos os seus comentários com o convite “Vamos crescer?”. Essa é a proposta do site.

      Pra deixar claro de uma vez por todas. Não tenho nada contra a policia como instituição em si. Por enquanto ela é necessária (e tao longe quanto eu consigo enxergar nas possibilidades de organização humana). Tenho SIM algumas ressalvas quanto a existencia de uma policia MILITAR mas nao é hora de discutir isso.

      Subentende-se que quando eu critico a ação da policia eu estou criticando as decisões de quem deu as ORDENS. Tanto no caso da USP, por exemplo, quanto no caso de meu novo texto, onde critico a violencia usada pela policia de NY para remover os manifestantes de Wall Street.

      Só que nao basta criticar nosso LEGISLATIVO ou nosso sistema de leis. Vou dar um exemplo recente:

      Somos protegidos pela nossa constituição no que tange nosso direito de protestar nas ruas, desde que nao perturbemos a ordem publica ou depredemos o espaço publico. Duas coisas que pode-se dizer que os ocupantes da reitoria fizeram, de uma forma ou outra, então teoricamente a ação da PM seria legitima (ainda que desproporcional) correto ? Vamos ignorar o principio de autarquia que rege a USP e tecnicamente resguarda por lei a instituição da intervenção policial, vAMOS FINGIR que isso nao existe. Seria legitima certo?

      O que me dizer entao da ação da PM no ACAMPA SAMPA ?

      A ocupação foi pacifica, nao tinha interesse de ser permanente (e nao possui, portanto nao é juridicamente qualificada como moradia irregular), nao perturba a ordem publica e nem depreda espaço publico. Mesmo assim a PM tem tentado tirar eles de la desde que eles ocuparam o espaço faz mais de um mes. Ja foram registrados varios casos de violencia policial na ocupação, que só nao foi removida por que eles estao filmando e fotografando tudo o tempo todo e ja conseguiram umas 3 limiares na justiça e inclusive uma investigação aberta contra um delegado.

      Amigo, nao tenho NADA contra o policial, inclusive sou amigo de um. Uma coisa nao impede a outra.

      Agora para encerrar a questao de vez – pelo menos para mim, preciso me dedicar aos outros textos – o objetivo de meu texto foi simplesmente explicar à população que a ocupação da reitoria nao teve como objetivo protestar pelo direito de fumar maconha. E que os apelos dos estudantes para a policia sair da USP possuem raizes um pouco mais profundas do que rebeldia adolescente. Tambem quis ilustrar que existe muita corrupção na instituição por causa do Rodas, e também que existe mais por trás nos interesses da presença da PM no campus do que simplesmente “assegurar a segurança da população.”

      Concordar ou nao comigo é outra história. Não foi meu objetivo aqui convencer o mundo. Se você é contra o abuso de violencia e contra os argumentos parcos do tipo “vagabundo maconheiro tem mais é que apanhar” então você esta do meu lado, mesmo discordando nos demais pontos.

      É isso Franco. Realmente espero que voce se torne leitor de meu blog, pois eu valorizo muito o espirito critico nas pessoas. Nao acho que o consenso seja necessário, democracia tambem é discordar. O debate fortalece o raciocinio e consolida as idéias.

      Forte abraço !

      • Franco Sattamini disse:

        Amigo,

        Mais uma vez vc fala: “A PM tem tentado tirar eles de lá” . . . que tal colocar “A PM foi ordenada a tentar tirá-los de lá”?

        Esta falta de clareza na escrita infelizmente (sei que não é seu intento) insufla o denegrimento de uma instituição, e tira o foco daqueles que são de fato responsáveis.

        Este é o meu ponto. Você é uma pessoa que dedica parte do seu tempo a questões socio-politicas, e o faz de forma bastante articulada. Porém quero apenas lembrá-lo de que quanto mais atenção você ganhar com o seu blog, maior será a sua responsabilidade para com os seus leitores, para com a sociedade. Por isso tenho que debater pontos específicos.

        Fiquei um pouco decepcionado entretanto com o seu grifo na palavra MILITAR . . . Espero que você não seja um dos que, mais uma vez, baseado em coisas antigas seja anti-militar.

        Se este for o caso (sei que esta discussão sai do âmbito deste artigo), de convido, ou melhor, te desafio a apontar um militar, um general, um coronel, que tenha ficado rico as custas do dinheiro público . . . que tenha mandado a família passear e fazer compras na Europa, de avião oficial, as custas do dinheiro público . . . que tivesse até mesmo a oportunidade de nomear parentes e amigos a cargos públicos, etc.

        Acho que eles devam governar o país? Não, de forma nenhuma. Tão pouco eles o acham.
        Vai aqui uma informação: a ditadura militar foi o período da nossa história com os mais baixos salários sendo pagos aos mesmos. Interessante, não?

        Quem dera a Polícia Militar fosse de fato subordinada as Forças Armadas (o que é previsto em lei – por isso o nome Polícia Militar). Não haveria corrupção na mesma.

        Assim, como só podem existir duas opções (militar ou civil) para a força policial, eu posso dizer que a polícia militar é infinitamente melhor sobre vários aspectos:

        1. Corrupção – não dá nem mesmo pra começar a comparar a corrupção entre as polícias militar e civil;

        2. Preparação tática;

        3. Organização hierárquica (apesar de que muitos esquerdistas extremos não gostam de hierarquias).

        Porém, antes que você pense que sou reacionário, conservador, ou direitista, quero colocar o seguinte:

        Meu pai, homem de grande cultura e sabedoria, de fortes princípios morais e integridade acima de qualquer dúvida, teve sua vida praticamente destruída durante o período militar.

        Meu pai foi procurador federal, atingiu o mais alto nível de sua carreira, tinha acesso direto ao gabinete presidencial de Juscelino Kubitschek (ainda tenho cartas de próprio punho do mesmo para meu pai). Depois de 40 anos de impecável carreira dedicada ao serviço público, morreu pobre, roubado de seus direitos previdenciários, reduzido financeiramente a praticamente nada! Um dos vários erros crassos daquele governo, porém, mostre-me um governo que não cometa erros crassos, eu estarás me mostrando um filme de ficção!

        Ou seja, eu tinha tudo para ter “raiva de militar”, porém entender de forma mais profunda e saber quem é quem em cada situação é muito importante. Cada coisa no seu lugar.

        Por fim, você não explicou como seria aquela estrutura do povo definindo suas próprias leis, sem a existência de algo semelhante ao que temos . . .

        Por tudo isso, porque continuo achando que a abordagem é antiga e superficial (para os tempos modernos, para uma nova ordem mundial), hoje faço esta última colaboração aqui no seu blog.

        Quero ressaltar entretanto o valor do seu trabalho e dedicação. Acredito que esteja no caminho correto, que tenha o coração no lugar certo. Tenho certeza que um dia, você verá as coisas sobre um ponto de vista mais abrangente, mais desprendido, mais aberto.
        Na verdade, acho que você já está quase lá . . . mantenha a mente aberta, e principalmente não tenha vergonha de mudar de opinião, pois sem mudança não há evolução.

        Saúde e paz e obrigado pela boa discussão democrática!

        “”Hay hombres que luchan un dia y son buenos.
        Hay otros que luchan un año y son mejores.
        Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos.
        Pero hay los que luchan toda la vida: esos son los imprescindibles. ”
        . . . Bertold Brecht

  13. Ana disse:

    Excelente texto! Você articulou muito bem sobre como todos estamos nos sentindo sobre a raiva doentia que se propagou no facebook em relação aos estudantes que ocuparam a reitoria!

  14. Muito bom o texto, sempre é importante ter um outro ponto de vista sobre um determinado assunto. Confesso que a poucos dias só tinha o ponto de vista da mídia, mas após a descrição de uma aluna da USP do que ocorreu no dia da retomada de posse, um alerta me soou. Já passei por uma greve da USP com invasão da reitoria e vejo que o ocorrido na época, está ocorrendo novamente, como a falta de informação e a falta de apoio popular devido ao que é mostrado pela mídia. Mas fica ai o meu apoio, e agradeço por oferecer o seu ponto de vista.

    • igorius2011 disse:

      Obrigado Pedro ! Eu mesmo mudei minha opiniào sobre algumas coisas ao ler alguns comentários aqui. Continuo firmemente defendendo os pontos de meu texto, mas comecei a pensar que os alunos no futuro devem buscar formas alternativas de se expressar publicamente, e tambem em formas de conquistar mais a opinião publica…. Ou seja, a reflexão evolui o raciocinio de todos os envolvidos. Sem duvida quem realmente entende o que rolou la nao consegue ficar contra os alunos do jeito que estava antes …. Forte abraço !

  15. carol disse:

    Minha opinião sobre qualquer tipo de invasão é sempre a mesma: descer o cacete, como vc disse. Justifico, invadir algo q nao é seu, destruir, depredar etc é crime e os alunos receberam um aviso da justiça sobre a reintegração de posse. Ponto 1.
    Ponto 2: Não vi excessos da policia, aliás vi alguns noticiarios, de varios tipos, e em em deles haviam alunos reclamando de homofobia (???), qual é o foco? A idéia é só desmoralizar a policia?
    Ponto 3: se a prisão dos 3 alunos usuarios de maconha nao foi o estopim para a revolta dos alunos, pq logo após esse episódio ocorreu a invasão?
    Democracia tb é baseada em exposiçao de opiniões, se os alunos tinham uma opiniao a defender e discutir pq ficaram com o rosto coberto e agindo como amotinados em uma rebelião de presos?

    • igorius2011 disse:

      Carol só uma correção a um erro clássico que voce cometeu em seu comentário. A USP não é propriedade privada. A USP é espaço publico. Como contribuintes, a USP é um pedacinho de todos nós sim.
      Concorde ou não com a ocupação, o que os alunos estavam fazendo era simplesmente ocupar um espaço publico para protestar, aliás o que hoje algumas centenas de milhares de pessoas farão pelo mundo, aliás o que foi feito ontem no centro de São Paulo em represália ao que rolou na USP essa semana.
      E a prisao de tanta gente / violencia da policia é um bom motivo para se cobrir o rosto não é ? Ficar em casa confortavel é mais facil.
      Mas essa é só minha opinião, obrigado por compartilhar a sua comigo. Forte abraço e volte sempre para nos visitar !!!!

      • Franco Sattamini disse:

        Quem cometeu um erro clássico foi você . . . Errou ao confundir um espaço público com o direito de ocupá-lo, destruí-lo e depredá-lo. De fato, a USP é um espaço público, que necessita ser preservado para o benefício de TODOS, e ninguém tem o direito de destruí-lo.

        O direito de uso de um espaço público termina no momento em que se desrespeita o direito do outro de continuar a usufruir do mesmo.

        Isto sim é democracia. O resto é anarquia, opressão!

        Invasão, ocupação, piquete, depredação e destruição são também formas de violência, de opressão.

        Este é o problema dos discursos antiquados: acham justificáveis as ações violentas, opressoras e ilegais, desde que seja para atingir um objetivo de uma ideologia.

        Errado! E o que então é feito do direito daqueles que não concordam com aquela ideologia? Devem ser oprimidos pelos “nobres rebeldes”???

        O direito de um acaba onde começa o direito do outro. É um fato das leis naturais, não políticas, mas humanas!

        Enquanto a sociedade não aprender este conceito básico, nunca haverá paz e justiça social.

        É simples assim!

    • igorius2011 disse:

      Outra observação: Lembre-se que ao defender o “descer o cacete” hoje, voce está dando abertura para que isso ocorra amanha com outro grupo de pessoas, talvez mais proximo a voce, talvez lutando por uma causa pela qual voce acredita.

      Sempre me lembro de uma inscrição que li em uma parede em um campo de concentração em Berlim (Shatzenhausen ou algo assim) :

      “Quando eles foram atrás dos ciganos, eu me calei pois nao era cigano
      E quando eles foram atrás dos mendigos, eu me calei pois nao era mendigo
      Quando eles perseguiram os comunistas, eu me calei por nao era comunista
      Quando eles prenderam os artistas, eu nada fiz, pois nao era artista
      Quando eles foram atrás dos judeus, eu me calei pois nao era judeu
      E quando eles foram atrás dos negros, eu me calei pois nao era negro

      E quando eles foram atrás de mim, nao havia restado ninguém para fazer alguma coisa …”

  16. yurimachador disse:

    (Resposta a um primo que aplaudiu a PM)

    Estive lá, e a Imprensa só entrou na sala da Reitoria 1 hora e meia depois dos policiais. Uma hora e meia sem filmadora, como todo mundo trancado lá dentro. E vai ser difícil desconsiderar os relatos de dezenas de estudantes (não só os que foram presos, mas muita gente que viu) gente amordaçada, apanhando com cacetete, coronha e bota, com fuzil apontado. Fora que não tinha maconha no meio, e – se alguém se der ao trabalho de procurar mais sobre o assunto – nem é este o motivo pelo qual queremos a saída da PM. Isso é realmente preguiça mental. Fora que a própria polícia quebrou metade do prédio, de propósito, tanto que a própria perícia não deu causa ganha contra os estudantes quanto à depredação do espaço público. A perícia só provou as pixações sendo de parte dos estudantes. O resto, pelo jeito, aconteceu naquela madrugada. Agora, é mais fácil simplificar a coisa mesmo. Porque não foram vocês que nem estavam participando do movimento mas receberam bomba de gás na cara, nem foram vocês que não puderam ter aula nem sair do perímetro porque tinham caminhões e ônibus da GOE e do Exército bloqueando a passagem, nem foram vocês que acompanharam o desenvolvimento de anos da implementação de uma reforma univesitária arbitrária, contra a vontade dos professores, a partir de um reitor deslegitimado tanto por não ter sido eleito por ninguém lá dentro – mas escolhido autoritariamente pelo Governador – quanto por ter vários processos, inclusive criminais nas costas, tanto de desvio de verba pública quanto por criação de cargos de confiança para familiaries, inclusive tendo sido considerado PERSONA NON GRATA pelos advogados do Largo da San Francisco, nem são vocês que estudam em um dos outros 100 cursos fora os privilegiados da tríade do mercado (que hoje não são mais três, fato, devem ser uns 5, entre FEA, POLI, Pinheiros etc) que recebem quase a totalidade da verba do governo destinada à USP, não estudam em um desses OUTROS, que não recebem nem os restantes 5% para manutenção mínima do espaço físico e já foram ameaçados por tentativas de dissolução de parte do corpo acadêmico para um projeto de educação à distancia – barrado inclusive por ocupação e greve.

    Nem se deram ao trabalho de imaginar que justamente porque fazemos parte de um desses OUTROS cursos, constantemente somos obrigados a entrar em conflito com a Reitoria – inclusive com apoio total dos Professores, agora mesmo os do DIREITO, que são menos vagabundos do que a gente, não são? – e justamente por isso, temos Assembleias quase semanais e uma agenda de greves constantes – a partir da qual, historicamente, já conseguimos barrar dezenas de projetos insatisfatórios do governo para a USP, e inclusive conseguimos a contratação de professores suficientes para os nossos 800 alunos anuais, que alguns anos atrás não conseguiam se matricular em créditos obrigatórios por falta de cadeiras – e assim incomodamos bastante. Já que incomodamos bastante, e é fácil criar uma justificativa na opinião pública, a partir da divulgação enviesada da ocorrência de alunos fumando maconha (que não são sequer do movimento estudantil, e mesmo se o fossem não o representariam), para dissolver espaços estudantis (e impedir Assembléias), coibir manifestações com a presença da Tropa de choque, prender em cárcere privado uma unidade inteira de moradores do CRUSP com gás lacrimogêneo unica e exclusivamente para que não saíssem de seus apartamentos e participassem da indignação quanto ao abuso policial, e ainda por cima ignorar o centro do Trafico de Drogas da São Remo, que todo mundo sabe o endereço, inclusive da casa do Chefe do Tráfico que fornece a tal maldita maconha para os estudantes, o Senhor Fernando, vulgo Nando, com seus campanguinhas DuCoco e General Ribeiro, assim bloqueando investidas de paralização crítica contra projetos do Governador de mercantilização da Universidade – com a criação de cursos pagos de Pós-graduação, a diminuição de verbas para contratação de funcionários concursados (e posterior aumento de verbas para inserir empresas privadas com funcionários terceirizados à salários pífios, muitos destes que inclusive andaram aparecendo na mídia acusando um sistema porco de pagamento atrasado, que inclusive terminou – no caso do pessoal da limpeza – em decretação de falência de 2 das empresas, que não pagavam os impostos, tiveram de fechar, e simplesmente não pagaram os funcionários por 3 meses – não gente mimada, gente que ficou sem dar o que comer para os filhos)…

    ‎…todo um processo de dissolução do movimento estudantil (que caso vocês não se lembrem, também foi o mais importante foco de luta contra a Ditadura Militar fora as guerrilhas urbanas – inclusive muitas vezes junto a elas, Lamarca, Marighella, Frei Betto – e do Araguaia – que inclusive contava com representantes desse mesmo movimento -, tentando democratizar o Brasil enquanto esse tipo de mentalidade aí aplaudia justamente a “segurança” das ruas do período de chumbo) que culminou com o aumento absurdo de viaturas da Policia Militar (que não por acaso leva “Militar” no nome, sendo uma das raridades ainda no mundo, um braço do Exército encarregado do policiamento das ruas que surgiu, inclusive, justamente para reprimir manifestações políticas) com a desculpa porca do assassinato de um estudante da FEA (que foi assassinado depois da PM já ter entrado, caso vocês não saibam), ainda considerando que nenhuma das outras sugestões de como aprimorar a segurança na USP foi acatada pela Reitoria, que manteve a iluminação ruim, os circulares rareando depois das 9 da noite, os itinerários dos ônibus não completando trajetos até o metrô ou linhas externas de ônibus, obrigando centenas de alunos a atravessarem a pé matagais escuros depois da aula, todos os dias, e lembrando ainda por cima que existe a permanência de uma lei, em voga na Universidade, surgida no AI-5 (lembram desse?) que permite à polícia militar, nebulosamente, dissolver manifestações que “atentem contra os bons costumes (???)”… sem esquecer, claro, que existia a opção de treinar melhor a Guarda Universitária (ou permitir que ela usasse, por exemplo, as motonetas compradas no meio do ano para facilitar as rondas noturnas e que estão paradas à vista de todo mundo faz meses ao lado do COSESP), ou em pior das hipóteses inserir a Polícia Civil, abrir a Universidade para visitação pública depois das 20h e nos fins de semana (onde ela se torna um parque, como o Ibirapuera, só que ermo e proibido para todo mundo que não é estudante, criando realmente uma ilha de isolamento), etc. Ainda pra lembrar, duas semanas atrás, uma estudante da Biologia da USP levou um tiro no Olho na Avenida Politécnica enquanto a Polícia fazia ronda da FFLCH. Enquanto eu ia pra aula sempre com um carro de polícia estacionado por perto da Letras. Enquanto eu passava de carro constantemente por Blitz sempre na Luciano Gualberto, parando carros de estudantes, não policiando e prevenindo assaltos.

    O mundo é simples.

  17. Isabela disse:

    Só nao concordo com os atos dos estudantes em relação à pixação/depredação, visto que este mesmo ano tivemos ocupação aqui na UEM e na UFPR, porém respeitando o patrimonio publico.

    • igorius2011 disse:

      Tambem acho que vacilaram com as pixações … infelizmente os erros de poucos queimam o filme da maioria …. Vamos torcer pra opinião publica mudar um pouco com os esclarecimentos que tao rolando agora ….

  18. Stephanie disse:

    Acho super legal cada um poder expressar suas opiniões.
    Mas acho que o que todo mundo deveria fazer é tentar descobrir quais são os fatos reais mesmo. Porque cada hora são mais policiais que vieram, uns dizem 400, uns dizem 500, e eu acho que 100 policiais fazem diferença. A questão aqui é que se fossem 100 policiais e 70 alunos poderia gerar um conflito muito maior do que o que foi, e todos sabem disso. Não justifico violência, de forma alguma, mas pelo que a gente vê aqui dentro da USP, aluno também não é o ser mais pacifico do mundo. Todas as manifestações que eu já vi aqui em SP tinham presença da polícia, e a maior parte delas acabou de forma pacífica. E aí eu pergunto: se os estudantes clamam tanto pela não-violência, então porque jogam pedras nos policiais? É falta de coerência.
    Outro fato que eu quero acrescentar, os 3 estudantes da FFLCH não foram os primeiros a serem pegos com maconha (e foi uma DENÚNCIA!). Semanas antes um estudante foi abordado por portar maconha na Poli, assinou o termo e ficou tudo certo, sem baderna. Eu faço Biologia e por mais que eu saiba que não tem um carro da PM parado ali, já os vi passarem por aqui algumas vezes (e olha que a Biologia fica num dos lugares mais perigosos da USP).
    Não li todos os comentários, mas vi um que dizia da menina da Biologia que levou um tiro… Foi FORA da USP, foi uma fatalidade que poderia ter sido evitada pela polícia sim, e pelo que eu sei ela apoia a PM aqui.
    E o Rodas é corrupto, dizem que os PMs estavam sem identificação, então temos mais é que protestar mesmo. Eu só não entendo é porque o protesto aqui dentro da USP tem que sempre ser na forma de invasão ou greve. Na época do Collor foi gente que não é brincadeira protestar e conseguiram tirar o Collor do poder. Então porque a gente não vai protestar contra a corrupção (inclusive do reitor) na rua? Com cartazes, com muita gente para falar? Sinceramente, todos nós estamos cansados de saber que invadir reitoria ou fazer greve não resolveu nada até agora.
    E só para finalizar, todos os contra-pm que eu conheço dizem que a PM está aqui para fazer repressão política. Mas engraçado né, porque como você mesmo disse, teve uma assembléia com 3000 pessoas! E a assembléia aconteceu, os alunos discutiram tudo que precisavam, e hora nenhuma eu vi policial entrando lá para reprimir a opinião de alguém.

    • igorius2011 disse:

      Stephanie, o que tudo isso me leva a pensar é que a maioria do movimento estudantil estava corretissimo em criticar a invasão da reitoria.

      Esse é uma tática que além de nao dar resultados, sempre volta a opinião publica (e de alguns alunos) contra o movimento e acaba dando em quebra pau.

      Mas por outro lado, talvez justamente por isso eles façam assim. Porque incomoda …

      Não tenho uma resposta definitiva, mas também nao era a intençao de meu texto oferecer essa resposta. Só quis esclarecer dois pontos aqui:

      1- Os alunos que ocuparam o prédio NAO são rebeldes sem causa, nem estavam brigando pelo direito de fumar maconha.

      2 – O problema de segurança da USP e a presença da PM para reverter essa situação possui muito mais embaixo do pano do que o que se tem falado …

      Sobre as fontes, realmente fica dificil constatar a validade de todas, os numeros exatos. Já ouvi muita coisa que deve ser boato, que deixei de lado nesse artigo. Talvez tenha deixado passar alguma coisa, justamente para isso ofereço o texto para “juri popular” do publico esclarecido, que sempre convido à debater e participar. Nao bloqueio NENHUM comentario nas mediações …

      Soube que vai ter um novo encontro hoje, na Biologia. Se souberem de novas informações ou acontecer algo importante, nao deixe de voltar aqui e me contar hein ?

      Obrigado e um forte abraço !

  19. Carol (cunhada) disse:

    Só pra deixar uma coisa clara: quem estuda na USP sabe que desde que o Rodas foi colocado na posição de reitor, ouve-se o tempo inteiro “Fora Rodas!” por todos os lados da universidade. ELEIÇÕES DIRETAS não são uma reivindicação nova.

    Mas o problema essencial do movimento estudantil hoje pra mim é justamente esse: nada sai dos muros da USP. Acho mesmo que existe um monte de gente que lê as manchetes dos jornais e folheia a VEJA e já sai com opinião formada e criticando tudo por aí. Tem muita gente “A” mesmo, Igor, você está certo. É só pegar uma pessoa dessas e colocar na parede, fazer perguntas, mandar ela desenvolver argumentos: elas não conseguem. Tá tudo bem só trabalhar, comprar e dormir. E os alunos da USP são baderneiros e maconheiros, mas ao mesmo tempo um médico, advogado, professor, dentista, biólogo ou o escambau formado na USP são sempre bem vistos. PREGUIÇA MENTAL, pois aluno da USP = futuro profissional formado pela USP! Dã…

    MAS não deixa de ser difícil até pra uma pessoa que não tem preguiça mental entender o que se passa dentro da USP. Era preciso que o Jornal do Campus não fosse só do Campus. Era preciso que as pessoas conhecessem o reitor, e conhecessem por que ninguém, a não ser o Serra, quer esse reitor na USP. Era preciso saber por que a vontade de uma pessoa vale mais que a vontade de uma comunidade de milhares de alunos, funcionários e professores. Era preciso que o movimento estudantil SE ADEQUASSE à realidade de hoje, pensasse mais, pensasse ESTRATEGICAMENTE. Não sei mais se greve é o melhor método de se atingir alguma coisa hoje. É preciso pensar em novas fórmulas, novas respostas.

    Quanto à polícia militar, não tenho mais o que dizer. Como o Igor bem lembrou, o próprio delegado da PM admitiu que é uma instituição corrupta e que garante uma sociedade injusta. Tudo bem a PM ser violenta. Tudo bem a PM revidar com spray de pimenta, bala de borracha e bomba de gás lacrimogênio quando alguém joga umas pedras ou faz umas pixações. Tudo bem se for nos estudantes da usp. Tudo bem se for nos moradores de favela. Porque em mim, homem, branco, rico, que moro nos Jardins ou em Alphaville, comigo a PM nunca vai mexer. Então, spray de pimenta nos olhos dos outros é refresco.

    Mas a minha crítica e a minha tristeza principal é mesmo com o Movimento Estudantil da USP. Enquanto essas pessoas não pararem pra pensar mais e agir menos, a opinião pública (burra a priori) nunca vai ficar do lado delas. Enquanto o ME só pensar nas próprias pautas, e não no que está acontecendo no resto do mundo, vai ficar mesmo isolado. Enquanto o ME não for melhor estruturado, vai continuar sendo possível que facções menores ajam em detrimento da maioria, e ainda assim, em nome da maioria. Enquanto o ME pensar que greve é solução pra tudo, os objetivos da greve vão ser sempre desvalorizados, porque atualmente, a verdade é que ninguém tem medo de greve. Depois do que aconteceu no 08/11, pelo visto ninguém tem mais medo de invasão da reitoria. Mas eu gosto de lembrar a vocês que em 2007 ocorreu a primeira ocupação da reitoria da USP. Lembram do que aconteceu? http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u306343.shtml

    A USP acatou as propostas. Foram contratados novos professores, feitas reformas em alguns prédios (a reforma na FFLCH começa esse ano), conseguidas mais vagas para moradia estudantil.
    (pra quem não acredita em mim: http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u5298.jhtm)

    Quais as diferenças entre 2007 e 2011? Em 2007, a ocupação da reitoria era ALGO NOVO. Assustou. Em 2007, houve greve e apoio geral dos professores, funcionários e alunos. Em 2011, já viu-se. Não houve diálogo com o reitor (nunca há diálogo com o reitor), mas o movimento estudantil (pior ainda, dois segmentos do movimento estudantil, uma minoria) acabou caindo nas próprias fórmulas pré-estabelecidas e que já não pegam ninguém de susto. A opinião pública já era a mesma (http://4.bp.blogspot.com/_WdYOhpt3q4g/S9g-S_lSdcI/AAAAAAAACgA/NrDnPo8oa28/S660/1.jpg), e não mudou nada o fato de que em 2007 a reitora acatou as propostas e os alunos saíram em paz (inclusive limparam o prédio). Funcionou há 4 anos, mas e hoje? Deve-se insistir nas mesmas fórmulas ou buscar algo novo?

    Espero ter jogado alguma luz nessas questões, porque quanto ao episódio 08/11, não tenho mais o que falar. Igor já disse tudo por mim.

    • igorius2011 disse:

      Carol, valeu MESMO cunhada, voce acrescentou muito na discussão. O movimento estudantil precisa mesmo encontrar novas maneiras de conquistar a opinião publica.

      Esse texto foi publicado a menos de 5 dias e ja tem mais de 3000 visualizações, acredito na internet como uma forma nova de expressão, uma chance de revolucionarmos a midia, que esta completamente corrompida no Brasil …

      Gostaria que todos os mombros do movimento estudantil pudessem ler esse texto e os comentários, e quem sabe pensar em novas idéias …

      Abraço forte !!!

  20. RODOLFO disse:

    Discutir privatização, corrupção e má gestão alçança uma esfera em nível de Brasil e Mundo também. Não podemos circunscrever esse fenômeno MACRO á uma causa estudantil. A impressão que se tem é que diante de uma ocorrência isolada resolveram tirar roupas sujas do fundo do baú. A privatização da USP será inevitável, pois se houvesse segurança, aquele estudante estaria entre nós agora. Já temos visto várias administrações públicas em estatais, bancos e até rodovias serem entregues à administração privada em nome da eficiência e segurança, com isso, os corruptos perderam muito espaço. O que não se pode admitir é que se ache bonito pixar, fumar e pensar que ir para a escola é festa, e que polícia atrapalha mesmo. Segurança tem que existir desde os mais luxuosos condomínios até as favelas. Não é isso que só os brasileiros clamam, qualquer cidadão no mundo o faz também. Acredito que estejam brigando no lugar errado e que existem alunos, dentre os bons – que são a maioria – que não estão nem aí e que querem pixar, fumar e fazer festa escondido da polícia mesmo, eu mesmo já ouvi isso. É como numa partida de futebol, há os que têm senso esportivo e vão para o espetáculo, no entanto bandidos se infiltram e cometem as badernas que culminam até em assassinatos. É preciso ter um General tal qual Napoleão para canalizar as lutas nos lugares certos e identificar os momentos de atacar e não ir de “carona” em pseudo causas.

    • igorius2011 disse:

      Seu comentário parte da premissa de que tudo vai bem no mundo, e que devemos buscar apenas a “maior eficiencia” dos orgaos estatais, algo que só pode ser atingido pela provatização.

      Eu proponho uma outra visão. Eu proponho a visão de que o mundo dominado pelas corporações e empresas privadas apenas PARECE ir melhor, pelo menos para o branco rico, enquanto a miséria, a degradação ambiental, etc, são levados para longe de nossas sacadas.

      A boa e velha ocupação dos morros da zona sul mesmo. Para ingles ver, literalmente. Para ingles, americano, frances, etc etc, verem …

      Como eu disse, nao precisa concordar comigo. Fico feliz de voce ter lido e espero ter contribuido para com suas argumentacoes e reflexões futuras, assim como os diversos comentarios aqui contribuem para as minhas.

      Forte abraco !

  21. Awesome! Texto devidamente compartilhado.

  22. Anônimo disse:

    Não acredito em teorias da conspiração. A PM atua em todo o território nacional, o que, inclui a USP, não existindo nada que impeça a sua atuação e a instalação de um posto policial na Cidade Universitária.

    A Guarda Municipal não atua armada, o que, não apenas seria ineficiente na tentativa de coibir a violência, como tornaria a própria guarda alvo de bandidos, estes sim, armados.

    Agora dizer que a PM atua de forma violenta e invadir a reitoria e depredar o patrimônio público mostra a total falta de bom senso destes “estudantes”, que desrespeitam a opinião de maioria (a FEA já manifestou que em maioria seus alunos optaram pela presença da PM) e mais ainda desrespeitam o patrimônio público.

    Se há corrupção na reitoria, grande novidade, já que isso acontece em todos os escalões em quase todos os órgãos da opinião pública e provavemente vai acontecer na próxima gestão, mas a ausência de mnfestações durante todos os escandalos do governo Lula mostra q a corrupção da direit a e punível enquanto a da esquerda é consequência desta.

    Vc afirma q a sociedade foi manipulada pelos meios de comunicação, mas não acredito que neste caso isso aconteça. O que acontece é pais verem seus filhos trabalharem saírem cedo de casa, trabalharem durante todo o dia e irem para a faculdade, cansados, enfrentando o transporte público lotado, tudo para poder arcar com o custo de mensalidades cada vez mais altas.

    Enquanto isso, vários “estudantes”, que convenhamos, se trabalhassem não estariam lá, parecem menosprezar aquilo que é custeado pelo sociedade, isso sim revolta estes pais.

    Como uma estudante disse: “o problema é essa democracia”, afinal a dtadura de esquerda é justificável enquanto ainda se vê fantasmas de uma ditadura de direita, quando que na verdade se você tiver o mínimo de bom senso sobre a natureza humana vai entender que não existe direita e esquerda e sim o poder, pq todos fazem o que podem por ele e são capazes de tudo para permanecer no poder. Exemplo maior disso, o ex-presidente Lula sancionou a nova lei de falências dando preferência aos Bancos antes mesmo da Fazenda Pública no recebimento dos crèditos. Atitude mais conservadora de direita impossível.

    Ainda a maconha é droga ilícita e seu uso é feito deliberadamente dentro da Universidade. Mas pergunto, se ela esta presente é pq alguém vende, ou seja, traficantes atuam dentro da USP, independente de quanto vendem e o que vendem não deixam de ser atuantes em nome de outros traficantes, seus fornecedores e financiam o tráfico, que gera violência, senão na USP em comunidades pobres nas quais a população vive com medo.

    • igorius2011 disse:

      Amigo, eu respondi um comentário muito parecido com o seu la em cima, entao se me permite vou copiar e colar parte do trecho:

      “Seu comentário parte da premissa inicial de que tudo vai bem no mundo, e que devemos buscar apenas a “maior eficiencia” dos orgaos estatais, algo que só pode ser atingido pela privatização, pela manutenção absoluta da ordem publica por meio da policia, etc.

      Eu proponho uma outra visão. Eu proponho a visão de que o mundo dominado pelas corporações e empresas privadas apenas PARECE ir melhor, pelo menos para o branco rico, enquanto a miséria, a degradação ambiental, etc, são levados para longe de nossas sacadas.

      A boa e velha ocupação dos morros da zona sul mesmo. Para ingles ver, literalmente. Para ingles, americano, frances, etc etc, verem …”

      A idéia original de que questionar a ordem e desafia-la é coisa de moleque, e que se fossem pessoas “sérias”, estariam trabalhando, é completamente absurda.

      Não teriamos visto nada novo acontecer no mundo, caso todas as pessoas tivessem apenas “trabalhado para manter o sistema vigente” em vez de muda-lo. Não teria ocorrido renascimento, nem revolução francesa, na melhor hipotese ainda estariamos queimando pessoas na fogueira e vivendo em castelos fedidos, coçando nossos piolhos e assistindo a execuções publicas …

      Cabe aos jovens SIM questionar a ordem vigente e MUDAR O MUNDO. Isso é muito mais importante do que simplesmente “assumir seu lugar em uma sociedade pré-estabelecida”. Mas enfim … ja esgotei minha argumentação a respeito disso nas outras respostas.

      De qualquer forma obirgado por vir. Abraços !!!!

    • igorius2011 disse:

      AMigo, para complementar, mando abaixo o depoimento de um aluno da FEA que estava TRABALHANDO enquanto os vagabundos faziam revolução:

      https://www.facebook.com/notes/cleber-pelizzon/voc%C3%AA-n%C3%A3o-me-quer-como-aluno-da-usp/10150449372328142

      Um grande amigo pediu minha opinião sobre os acontecimentos recentes na USP. Agora longe de São Paulo, quis saber como alguém da USP e além disso, da FEA*, vê toda essa situação. Realmente de longe fica difícil entender. Temos de passar por uma cortina de fumaça criada pelos mais diversos meios de comunicação, é bem verdade.

      No entanto, não posso me colocar em uma posição de esclarecimento dos fatos, por si só. Já existem relatos suficientes para isso, de alunos que estavam nas assembléias ou no momento da ocupação (link 1). Já existem também diversas análises interessantes sobre o que aconteceu (link 2) (link 3). Estou somente na posição de falar como um aluno da USP que ao mesmo tempo é da FEA, ou seja, um monstro formado por ambiguidades.

      Sou aluno da FEA. Trabalho durante o dia, 10, 12, até 14 horas por dia. Estudo à noite. Ou melhor, vou às aulas quando posso. Como trabalhor, pago meus impostos. Como somente vou à USP para assistir às aulas e nunca depredei o chamado patrimônio público, sou um bom beneficiário dos cidadãos que com seus impostos pagam por minha educação. Não sou “vagabundo”, não fumo maconha no campus.

      Mas você não me quer como aluno da USP. Fazendo o que eu faço atualmente, estou simplesmente colocando seu precioso dinheiro no bolso. Com o conhecimento que adquiro nas salas de aula, faço uso somente em meu benefício, pois consigo um emprego melhor, um bônus melhor no final do ano, mais lucro para meu empregador. Mas ainda assim muitos acham que me querem como aluno da USP.

      Como alunos da USP, aqueles que participaram e participam das assembléias, aqueles que invadiram e invadem reitorias, estão, permitam-me, fazendo o que se espera de um aluno da USP. A Universidade é o lugar onde se questiona, onde se reflete sobre nossos problemas, onde se ensina e onde se aprende. A universidade é o lugar para indignar-se, para pensar em um mundo melhor. Utópico? É este o papel da universidade: proteger o pensamento crítico que vai mudar o mundo.

      O que os vagabundos fizeram foi justamente trazer a atenção para diversos problemas que enfrentamos atualmente. Com a escolha unilateral do atual reitor, temos o fantasma da ingerência. Com as ações friamente calculadas do atual reitor, que desqualifica os protestos dos estudantes manipulando (ou seria compactuando?) a mídia, trazendo a atenção para a camiseta de marca, para a depredação (que, sabemos todos, não existiu), temos o fantasma da perseguição, da tentativa de tornar-mos todos dormentes. Com os gritos de “vagabundo” e “maconheiro”, mergulhamos no abismo do debate raso sobre as drogas em nossa sociedade. Com os gritos de “mimado” e “playboy”, nos perdemos na escuridão que é o debate da segurança pública.

      Quem você quer como aluno da USP são justamente eles, e não eu. São aqueles que gozando de sua juventude, são revolucionários, sabem que seu papel é pensar em maneiras de mudarmos para melhor, e não aqueles que vêem a universidade como um instrumento de formação de técnicos, que mais tarde, como arquitetos, não se perguntarão quantas casas faltam em nossos países, como bem disse Allende. São aqueles que defendem uma universidade livre para pensar, mas também que defendem uma sociedade livre para pensar, que da mesma maneira que não querem uma polícia que persegue estudantes, não querem uma polícia que persegue membros de uma comunidade no morro.

      Mas, e a ocupação? Sou a favor. Apesar de ter ocorrido daquela maneira, após decisão de assembléia contra a ocupação (pelo menos o que li foi que foi aprovada mais tarde, depois de uma redução drástica de quorum), aqueles alunos tiveram a coragem de se expor e expor a situação crítica que nossa universidade (e a sociedade) se encontra. A coragem daqueles alunos (que não são ingênuos como muitos disseram e sabiam que seriam presos e humilhados) permitiu que meu grande amigo, admirador de Allende e Mário Quintana, pudesse discutir a universidade, a polícia e a sociedade com colegas, familiares, estudantes e trabalhadores que de outra maneira estariam tão distantes da USP.

      Não desejem estudantes dormentes. Desejem estudantes sonhadores.

      Em tempo: os alunos da FEA, e da USP, querem segurança, o que não quer dizer que querem a Polícia Militar no campus. Os alunos possuem propostas claras e objetivas para a solução da segurança: mais iluminação (você sabia que é a política de segurança pública mais eficiente?), abertura da universidade para circulação de pessoas, ou seja maior integração à cidade (o que significa que não nos vemos como um oásis no meio da cidade), policiamento por uma guarda universitária equipada e composta por mais mulheres (queremos sim, um policiamento independente e que possa prezar pela segurança das pessoas sem ser um instrumento de coerção, coação, repressão). Todas são medidas comprovadamente eficazes.

      Cabe ainda apontar, que o assassinato de nosso colega da FEA não foi a causa da PM no campus. Como? Ora, a presença da polícia militar já estava ocorrendo de forma mais intensiva no campus antes do ocorrido. Não sepode dizer que o número de incidentes diminuiu com a PM (a USP possui estatísticas de ocorrências: http://bit.ly/sXlp0U). A PM no campus é, sim, consequência deste ocorrido pois foi usada para criar um embate entre bons e maus: maus são os estudantes, que querem fazer o que bem entendem no campus sem policiamento, bons são o reitor, o governador, que passaram por autoridades preocupadas com a segurança dos estudantes “a favor da PM”, dividindo o movimento estudantil, colocando a população contra os estudantes.

      (Agradeço ao caro amigo Tainã Novaes, crítico e sonhador)

      *a FEA é a Faculdade de Administração, Economia e Ciências Contábeis da USP

      link 1: http://www.facebook.com/notes/shayene-metri/desabafo-de-quem-tava-l%C3%A1-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse/233831886679892

      link 2: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ocupacao-patetica-reacao-tenebrosa/

      Link 3: http://raquelrolnik.wordpress.com/2011/11/10/truculencia-para-todos-mais-sobre-a-usp/

  23. André disse:

    Lamentável o que apresenta no texto.Você aparece criticando a imprensa por influenciarem na opinião das pessoas, colocando alguns alunos da USP (porque não foram todos) como vilões, e heróis o reitor e a PM. Você fez a mesma coisa só que de forma inversa: os heróis são os alunos e os vilões o reitor e a Polícia Militar.
    Muito mau também o cara que os manifestantes escolheram para representá-los diante da imprensa. O que ele foi dizer, falou lendo, só que: ele não sabia ler muito bem.
    Não sei qual é a sua ligação com os alunos da USP, mas com a nossa língua você com certeza não deve ter muita.
    Você também diz que esses manifestantes são “as maiores mentes do nosso país”, são tão bons assim que fumam maconha sabendo que não é algo tão aconselhável. Também diz que os alunos queriam que pessoas de fora da Universidade tivessem acesso permitido, o que é um absurdo. O que faz da USP diferente de qualquer outra Universidade?
    Cita que os alunos queriam segurança. Maior segurança do que ter PMs dentro da instituição? Não resolveria todos os problemas, mas com certeza diminuiria. Ou você acha normal um vídeo que foi passado na Band? 4 homens derrubam, agridem com socos e chutes (na cabeça e nas costas) uma estudante que não faria mal pra ninguém, e ainda roubam os objetos dela….
    E esses manifestantes precisavam ter tomado um dos prédios da instituição? E são tão valentes pra fazer isso que cobriram o rostos com camisas para não serem identificados.
    Mas concordo com o fato de para ter uma opinião sobre um assunto como, é preciso saber a “versão” de todas as partes envolvidas, mas as que você apresentou, e mesmo a declaração do aluno Yuri no início, não foram convincentes, e só passaram a imagem de que a atitude dos policiais militares foi mais do que justa.

    • igorius2011 disse:

      Meu amigo, voce citou algo importantissimo aqui. Eu nao clamo para mim a alcunha mentirosa de ser IMPARCIAL.

      Não sou IMPARCIAL. Nunca serei.

      E sabe o que mais ? NINGUEM É IMPARCIAL.

      O problema é que hoje se le o que sai na grande midia, como VEJA ou ESTADO, e a pessoa média, que nao pensa muito, encara essa VERSAO da realidade que eles leem la como REALIDADE.

      É inocente e tolo o mito da imparcialidade jornalistica, e eu jamais incorrei nele. Eu recomendo a todos que lerem meu blog a investigarem as informações usadas nele, e a lerem outros veiculos de midia também, como o ESTADO, para obter um contraponto (nao vou recomendar a VEJA para nao subestimar a inteligencia de meus leitores).

      Dito isso, que eu nao sou imparcial, prossigamos…

      Sobre as “maiores mentes de nosso país fumarem maconha apesar disso nao ser tao recomendável”. Essa é uma generalização perigosa, acima de tudo. A grande midia tem pintado um ridiculo quadro em que todo aquele que se levantou nesse movimento era “maconheiro”, o que nao é verdade. VOce nao precisa SER uma coisa para DEFENDE_LA. Acho que deve ser dificil para uma parcela mais conservadora da população entender esse raciocinio, ja que foram ensinados a defender apenas os proprios interesses, o bom e velho “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

      Eu jamais abortaria um filho, mas sou a favor da legalização do aborto. Nao fumo maconha, mas defendo a legalização (vou falar mais disso depois). O ponto nao é defender o meu interesse, mas defender aquilo que julgo correto.

      E mesmo se TODOS eles fumassem, voce acha que isso os desqualificaria como intelectuais ? Grande parte dos intelectuais do nosso passado eram usuarios de drogas, o que nao desqualificou sua produção cultural. Agora mesmo que o fizesse, voce considera que todo aquele que faz qualquer coisa que “não é o melhor”esta automaticamente desqualificado ?

      Você come carne vermelha todos os dias ? Não deveria, nao é bom pro planeta nem para seu corpo.
      Voce se exercita diariamente ? Deveria, se nao o faz, não esta sendo “o mais correto possivel”.
      Você usa o carro todos os dias ? Não deveria …

      bom, voce ja entendeu.

      Espere aparecer o homem perfeito, para dar a ele propriedade para falar alguma coisa, e tudo o que voce vai ouvir o resto de sua vida é silencio …

      Obrigado por nos visitar ! Forte abraço !

  24. A sociedade a cada dia fica mais cega pela mídia, pelos mesmos jornalistas que podem ter sido os “barbudos maconheiros” de ontem, mas que se venderam à pressão financeira e ficam enchendo a população de verdades fabricadas.
    A imagem do estudante foi e vem sendo denegrida dia após dia, o movimento estudantil não pode se manifestar que é baderneiro, não pode fazer uma passeata que já ganha a antipatia de todos por conta de 20min. a mais de transito. Ninguém se lembra do passado de luta dos estudantes, não lembra que não é só pra lutar contra ditadura ou pra pedir o impeachment do Collor que nós servimos, lutamos não só pelos nossos direitos como alunos de instituições de ensino onde a liberdade deveria, DEVERIA, ser respirada em todos os cantos, mas também lutamos pela liberdade geral da sociedade, queremos um mundo melhor, mas os “”adultos”” só enxergam um bando de barbudo maconheiro mesmo.
    Todos falam de deixar um mundo melhor para seus filhos, entretanto condenam aqueles que tentam se tornar filhos melhores para o mundo.

    • igorius2011 disse:

      Falou e disse meu amigo. Infelizmente a memória das pessoas é muito curta. Muitas distrações, penso eu …

      Se as pessoas tivessem maior respeito e atenção pela propria história, talvez nao vivessem girando em circulos.

      Obrigado por ler e participar ! Volte sempre ! Amanha tenho post novo hein ?

  25. Jeftte disse:

    Hj a USP amanhã as Universidades Federais (UF) que só podem sofrer intervenção da PF, a realidade é que o ensino público brasileiro caminha p a privatização, enquanto as universidades públicas carecem de maiores investimentos, o gov. federal finge se preocupar com o avanço do ensino superior investindo em faculdades privadas (literalmente privadas) de péssima qualidade. Todos os investimentos estruturais realizados em UF nos últimos anos não esconde o futuro que nos esperam, o descumprimento da constituição, que nos garante o ensino publico e gratuito de qualidade, os níveis fundamental e médio ja sentem o peso da ausencia de qualidade…

    • igorius2011 disse:

      Exato Jefte ! NADA vai bem e privatização do ensino publico será DESASTROSO para nosso pais.

      Infelizmente são dezenas de veiculos de comunicação e fatos deliberadamente provocados falando contra nós … e a maioria das pessoas tem preguiça de pensar. Vamos ver onde isso vai dar … mas vamos continuar fazendo nossa parte, falando, divulgando.

      Volte sempre e me ajude a divulgar. Amanha tem post novo !

      Abra;ço forte !

  26. Sophia disse:

    Os estudantes tinham todos os motivos do mundo para reivindicar: a péssima administração da USP, a opressão que sofrem do reitor Rodas, a entrada da PM num Universidade que deveria ter sua própria guarda, etc. etc. etc. Mas faltou tanta estratégia e… Esperteza na manifestação deles! Quem se informa e procura saber o que aconteceu de verdade percebe que eles não estavam lutando pelo direito de fumar maconha no pátio da FFLCH, mas por algo maior… Da maneira como eles se mostraram, entretanto, ficou parecendo exatamente isso, infelizmente. Sendo as maiores mentes do país, e também do mundo, os estudantes poderiam ter pensado numa maneira melhor de expressar seu descontentamento. Eles perderam o foco, me parece, falando mais da PM do que do Rodas, e foram tachados pela mídia como “rebeldes sem causa” (mesmo não o sendo, acredito) por que não foram enfáticos na manifestação ou conseguiram mostrar ao que vieram. Ótimo texto, por sinal!

    • igorius2011 disse:

      Concordo em genero e grau com voce Sophia. O problema nao é a causa deles, ninguém minimamente razoável discordaria da causa.

      O problema é a forma que eles encontraram de passar a mensagem. O foco foi errado … os meios … pelo visto errados tambem.

      A tomada da reitoria foi feita por algumas centenas, o comicio que se seguiu deve muitos milhares. Vamos torcer para o bom senso prevalecer entre esses corajosos alunos, e para que eles amadureçam o movimento com esse aprendizado de agora ..

      Obrigado pelos elogios. Amanha tem post novo ! Nao deixe de vir.

      Abraço forte !

  27. Zair disse:

    ZP,

    O que podemos deduzir de tudo isto é que a imprensa é um órgão de DEFORMAÇÃO.

  28. Stolf disse:

    Será que dá tempo de eu participar ainda? Vai ficar longo, mas como o Igor fez no começo do texto dele, desafio suas mentes e seus olhos a um pouco de trabalho.

    Vou começar por um erro histórico que reparei no seu texto, Igor: guerrilheiros que lutaram contra a ditadura e a favor da democracia? Desconheço a existência de guerrilheiros lutando pela democracia nos anos de chumbo. Quem lutou pela democracia foram Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro e seus pares. Guerrilheiro no Brasil lutava por outro tipo de ditadura, uma comunista como em Cuba ou na Coréia do Norte. Tanto é assim que o partido comunista no Brasil recebia orientações da nave-mãe soviética. 

    Lembrar disso, ou que a Dilma participou de um grupo terrorista, sim, que tem nas costas execuções sumárias e assassinato de civis, não é reacionarismo de direita, mas sim compromisso com fatos históricos. A história não é fantasia, não é epopéia. A história é cinza e as vezes cumpre lembrar que certos períodos não tiveram heróis. A ditadura se instaurou no Brasil em 64 porque não havia quem defendesse a democracia, nem à direita, nem à esquerda.

    Por que essa digressão histórica? Porque quero ressaltar que não está no DNA das esquerdas o gene da democracia. Muito menos nessa esquerda radical minoritária que se instalou nas instituiçōes de representação estudantil. Porra, esses caras não reconhecem as críticas feitas por Nikita Krushev a Stalin na convenção do Partido em 56. Na redemocratização do país, esses caras apostaram na bagunça e votaram contra a constituição de 88. Pelas barbas do profeta, tinha nego pendurando cartaz com foto de Mao Tse Tung num daqueles ônibus… Mao foi responsável pela morte de 70 milhões, ele merece ser lembrado como ídolo de alguém nos dias de hoje?!

    São tão autoritários que não têm interesse em usar os mecanismos hoje disponíveis na USP para consultar o maior número possível de alunos, como o Júpiter Web. Preferem assembléias em horário de aula, onde não são obrigados a escutar os alunos que têm o que fazer, que estudam, os alunos dos campi do interior, em suma… Todo mundo. Querem fazer assembléias intermináveis que possam manipular, que possam ver no olhômetro quantas pessoas votaram em que, em que possam refazer votações até que saia o resultado esperado. São tão autoritários que ganharam as últimas eleições por apenas algumas dezenas de votos, após impugnar algumas urnas da Poli e da FEA. São esses expoentes da democracia que devem ser tratados como aristocracia e poupados da polícia?

    Você fala de polícia repressora, alguns idiotas chegam a chamar de fascista, então vou voltar ao tema por aqui: repressores e autoritários são esses grupos de esquerda que estão aparelhando o DCE e o centro acadêmico da FFLCH. Invasão e piquete? Vai me desculpar quem falou aí em cima que as vezes tem que mudar a lei na força, mas isso aí, em plena era democrática, é fascismo puro e simples. Essa é a melhor tática que esses supostos luminares do pensamento conseguiram planejar? Essa vanguarda é do século XIX.  Esse é o aspecto moral, ao qual voltarei em breve.

    Agora ao aspecto legal: não há justificativa legal para manter a PM fora do campus. Se quer saber, não precisava nem ter fechado convênio. A USP não é uma cidade-estado, não é o Vaticano, enfim ela tem autonomia administrativa, mas não está apartada das constituições do Estado e da Federação. As leis democraticamente instituídas valem lá dentro, sim senhor, e o braço armado da democracia, a polícia, tem que atuar lá dentro se necessário.

    Falando do aspecto técnico, quando você fala de treinar a guarda universitária, quero acreditar que caiu num engodo (porque te conheço um pouco e sinto que é honesto. A alternativa a ter sido enganado é a desonestidade intelectual). A guarda universitária é uma guarda PATRIMONIAL. Guarda universitário não prende, não faz BO, não encaminha inquérito para promotor… Guarda universitário não anda nem armado! Enfim, já me ouviu contando aquele chiste de que guarda municipal não é polícia de verdade? Guarda universitário é ainda pior! Se um guardinha visse alguém sendo assaltado ou encontrasse um defunto dentro do campus, sabe o que ele teria de fazer? Ligar no 190. E não está entre os poderes do reitor mudar isso, porque a lei não permite e não há autonomia universitária que lhe garanta tal poder. Quando aquela minoria dentro da FFLCH sugere que a solução é melhorar a guarda universitária e mudanças urbanísticas no campo, ou está sendo enganada por sua liderança ou está apostando na bagunça. Diga lá, de que adianta guardas desarmados e mais iluminação, frente à garantia de impunidade, à certeza de que não será preso? Precisa de policiamento, sim.

    Quero fazer aqui um aparte quanto à PM paulista. Você disse que é uma das polícias mais violentas do mundo? Com base em que dados? Eu digo que não está entre as polícias mais violentas nem do país! É a polícia mais eficiente do país e isso pode ser demonstrado facilmente com os índices de criminalidade  medidos nas últimas duas décadas. Violenta, truculenta? Eu vi as fotos dos 70 e poucos que foram presos. Dentro e fora dos ônibus. Não tinha um puto ali nem com escoriações para mostrar, nada. A atuação foi impecável e todo aquele contingente foi mobilizado não para reprimir pensamentos, mas para reprimir uma turba fascista com a menor quantidade de dano possível. Não custa lembrar que tinha coquetéis molotov dentro da reitoria e que as únicas pessoas que saíram feridas desde que encontraram aqueles dois rapazes com 1 Kg de maconha foram soldados da PM. Vê que polícia bem treinada não precisa ser violenta?

    Por fim, volto ao aspecto moral. Aquela minoria fala que a PM vai ser usada para reprimir suas manifestações e impedir a livre circulação de pensamento. Vamos ver… Falam que isso já aconteceu antes, não? Eram manifestações pacíficas? Ou tinha ali piquete, ocupação de prédio público e impedimento à livre circulação de pessoas que não concordavam com suas posições? Seja sincero nessa resposta, eu já estudei na USP e estou perfeitamente a par das táticas desse tipo de grupo, principalmente quando há envolvimento do SINTUSP. Manifestação com piquete, podando o direito de ir e vir das pessoas? Em uma democracia? Meu amigo, eu digo que quem obstrui a livre circulação de pensamento na academia são esses grupinhos de esquerda e que a polícia demorou para entrar na USP. Esse tipo de manifestação fascista é contra a lei, é anti-democrática, vai contra o espírito da academia e tem que ser reprimida pelo braço armado da democracia mesmo! Quem sabe, com o tempo, esse povo aprende a pensar e usar argumento para convencer seus pares, ao invés de truculência.

    Ps. Um pequeno a parte? Manipulação da mídia? Mesmo?! Isso está tão fora de moda… Essa mesma mídia deu espaço bem positivo para os invasores da reitoria uns anos atrás. Chegava a parecer que estava surgindo alí uma comunidade perfeita… O problema é que eles acham que a imprensa está apenas cumprindo com sua obrigação quando está a favor deles e que está sendo golpista quando está contra. Como eu disse, quem sabe sendo obrigados a abandonar a truculência, eles tirem as patas dianteiras do chão e comecem a pensar, argumentar… Enfim, essas coisas estranhas que alguém pode esperar que aconteça dentro da academia.

    Ah… Não entrei no mérito de algumas manifestações por pura preguiça. Sugerir que o reitor desviou sozinho quase 300 milhões da USP, UM DÉCIMO do orçamento total da universidade, é de um ridículo atroz.

    • Franco Sattamini disse:

      Só posso dizer uma coisa: PARABENS STOLF! Você foi ao ponto, sem mêdo, sem pratidarismo, sem inocência, sem farças, sem mentiras.
      Mostrou conhecimento histórico, sociológico e político! Mostrou coragem ao expor a verdadeira face dos extremistas: Famintos de poder!
      Parabéns, parabéns, e mais parabéns!!!

    • Stolf disse:

      Complementando:

      O Rodas não foi ‘colocado’ lá pelo Serra, como dizem… O governador recebe uma lista tríplice votada pela comunidade universitária, da qual vai escolher um. Via de regra escolhe-se o primeiro, mas não há nada de anormal, nenhum autoritarismo ou ingerência em escolher o segundo.

      Acho engraçado quem cobra eleições diretas para reitor, fato que só não é inédito na história mundial porque a UnB já implementou com resultados lamentáveis. Por que não cobram democracia direta no DCE? Não precisa nem começar nas assembléias, pode começar usando a plataforma Júpiter para as eleições do DCE. Faz muito mais sentido lá, que é uma instituição representativa, do que para a reitoria.

      Sobre a PM, não existe esse papo de que ela é impedida por lei de entrar na USP. O fato de ser autarquia não transforma a cidade universitária em um território soberano.

      E outra: qual é o problema da polícia ser militar?! É o nome, por um acaso?! A PM faz o policiamento ostensivo e a policia civil faz investigações e encaminha inquérito. Não entendi o problema…

  29. Rui Mendes disse:

    É inacreditável o que está acontecendo na USP. Os estudantes estão sendo acusados de protestar, pura e simplesmente. Estudante neste país de hoje tem que ser carneirinho. Afinal a USP é a melhor universidade gratuita deste país e quem está lá é porque estudou nas melhores escolas pagas e são todos filhinhos de papai. Quer dizer que a classe média, que educa e sustenta os protestantes, é a mesma que os acusa de maconheiros?…A gente precisa dar graças a Deus que ainda existem jovens protestando. É legitimo o direito de fumar um baseado dentro do Campus, afinal são todos jovens e toda experiência nesta fase da vida é importante e a Universidade tem sim que levar isto em conta. Ou existe lugar melhor para tais experiências? Mas o que vemos é uma sociedade civil despreparada, careta e mal informada, que não evoluiu nada nestes últimos trinta anos. Muito pelo contrário, estamos andando pra tráz. Até a imprensa anda editando suas matérias de maneira parcial e acusatória. Será que ninguém percebeu que num mundo sem ideologia o que vale agora é comportamento?…Tomara que isto seja o embrião de outras manifestações…Tomara que nossos estudantes estejam preparados…porque aí vem chumbo grosso…Longa vida aos estudantes da USP!

    • igorius2011 disse:

      Estou certo de que esse é apenas um embriao amigo. E espero realmente que nossos estudantes tenham aprendido com os erros da ultima vez e mudem de tatica ! E se preocupem em expressar para o mundo seus motivos muito bem quando faze-lo.

      Espero que eu nem sequer precise escrever um texto sobre o assunto, de tanto material que eles tenham colocado na net a respeito …

      Vamos torcer, e que continuem os levantes !

      Forte abraço e volte sempre amigo !

    • Stolf disse:

      Aí aí… Direito de fumar maconha dentro da universidade? Experiência acadêmica válida?

      Depois não querem que associem o movimento com consumo de droga e vagabundo… Isso é crime, amigo… Na usp, na rua, na praia ou numa casinha de sapê! Maconha não é categoria de pensamento e estudantes não são uma casta de privilegiados que está acima da lei.

      Em 2004 apoiei, por muitos motivos distintos, a greve geral resultante da tentativa do governo do estado de reduzir o orçamento da USP na votação da LDO.

      Eu e mais uns reunimos todos os 100 alunos da minha sala, expusemos a situação política e prática (aulas precárias sem acesso a biblioteca, bandejão etc. devido a greve de funcionários) e os meus PARES (meus iguais, independente da opinião contrária) saíram CONVENCIDOS a aderir a greve de alunos, por um motivo ou por outro.

      Não foi preciso piquete, violência, nada! E mesmo que alguém não concordasse… Cometer violência contra meus colegas de sala, meus iguais? Jamais. ISSO é protesto, ISSO é ser inteligente e ter respeito pela divergência e AQUILO era motivo. Piquete e ocupação por causa de maconha e PM no campus é coisa de símbios subdesenvolvidos, de macacos morais.

      Hoje a USP tem quase o dobro do orçamento de 2004, em parte por causa do crescimento da arrecadação, em parte porque o percentual do ICMS transferido à universidade não foi reduzido. Esse foi o legado dos protestos daquele ano.

      Desde então houve outras greves as quais não apoiei, que também não mobilizaram outros alunos ou professores (as famigeradas greves de funcionários durante a copa do mundo e as eleicões vêm a mente). A FFLCH estava lá apoiando aquelas boçalidades. O legado disso ninguém conhece.

  30. Anônimo disse:

    Ok. posso ate concordar com partes do texto, mas não posso deixar de lado o que os alunos fizeram ao prédio que foi invadido…..agora querem reclamar da forma que a PM agiu????

    Na minha opinião os alunos não souberam se manifestar e fez a população se voltar contra eles….perderam a oportunidade de mostrar a atitude de jovens responsaveis…e se mostraram inconsequentes.

    Minha opinião

    • igorius2011 disse:

      Existem sérios questionamentos sobre a depredação da USP (muitos dizem que foi a propria PM que depredou). Não sei em quem acreditar, mas de qq forma concordo que os alunos nao fizeram a lição de casa em todos os aspectos, isso acho que é um consenso.

  31. […] Por Igor Machado de Azevedo Bossonaro […]

  32. Marlon Melo disse:

    Ao autor.

    Aqui, caríssimo, não se trata de simples partidarismo por parte dos alunos ou polícia. Seus argumentos são válidos quanto a questão do protesto. Mas digamos que se trate de uma opinião generalizada quanto aos problemas, então que sejam devidamente unidos a causa, alunos, professores e demais representantes (como foi muito bem citado pela CAROL, em relação ao movimento de 2007).

    Um protesto de poucos alunos, frente a todos os demais demonstra… Bagunça. Isso mesmo. Procurei uma palavra melhor, mas não consegui.

    Dessa forma, fica extremamente claro para a mídia, dizer que foi por causa disso ou daquilo. Apenas alguns alunos e ainda após a prisão dos cinco… Você, olhando de fora, diria o contrário?

    Agora, mesmo após a prisão dos cinco, se a maioria realmente se unisse e repudiasse os feitos da reitoria, concordas que o foco mudaria? E porque não houve tal união?

    Outra questão abordada foi quanto à violência. O que você encara como violência? A depredação dos alunos à reitoria, ou a possível irascibilidade por parte da polícia?

    Existem formas e formas de protesto. E a que aqui ficou evidente foi “já que não conseguimos apoio à nossa causa, vamos quebrar tudo”.

    O radicalismo e extremismo podem ser uma boa forma de chamar a atenção. Mas que deve e sempre será repudiado, por ser contra o direito de democracia alheio.

    • igorius2011 disse:

      Nisso eu concordo, como ja coloquei em outras respostas.

      Admiro muito a ocupação feita em Wall Street e outras semelhantes no mundo todo (como meus textos mostram) e certamente nao coloco a ocupação da reitoria no mesmo nivel. Nao foi um trabalho bem feito. Gerou ruido demais. Esclarecimento de menos para a população.

      Estou certo de que no futuro eles serão mais cuidadosos, afinal foram os que mais sofreram as consequencias dos proprios erros …. De qualquer maneira nao se pode igfnorar, como eu ja disse, os verdadeiros motivos, quando eles nos sao apresentados por trás dessa cortina de desinformação …

  33. Acho que faltou clareza dos estudantes na comunicação dos motivos que levaram às manifestações.

    De um lado, eu via o discurso enlatado (e bastante popular no facebook) “esses vagabundos maconheiros depredando o patrimônio construído com o imposto que eu pago”: raso, preconceituoso e difícil de engolir, é verdade. Mas, ao buscar o outro lado da moeda (na internet e junto a amigos estudantes da USP), só encontrei discursos dissonantes e confusos. E, pra coroar, são publicadas as fotos de estudantes com flores e poesia pros policiais (ah, vá!) – ridículo. Honestamente, fiquei sem saber o que pensar.

    Só recentemente (pós-bafafá todo) encontrei relatos mais elucidativos, como o seu, que me ajudaram a perceber que existe, sim, uma grande razão de ser por trás das manifestações dos estudantes. Infelizmente, o movimento foi desorganizado, difuso e carente de comunicação clara à população, inclusive ao resto dos estudantes.

    Não acho que a imprensa marrom seja desculpa para a falta de clareza na comunicação: e as redes sociais? Blogs, twitter, panfleto distribuído aos alunos da USP, sei lá… Esse texto mesmo, só foi publicado em 10.nov. E até esse dia, onde a população poderia buscar informação? Na imprensa, apenas. Muitos dos próprios alunos não estavam entendendo o que acontecia.

    Também não concordo muito com o trecho do texto em que você fala que o tipo de pessoa que proferiu o discurso raso do facebook seja o “burguês de classe-média”. Primeiro, porque acho esse termo “burguês” anacrônico. E a classe média, quem é essa classe média que tanto andam xingando tanto, afinal? Tipo, 50% da população brasileira? Pelamor, né.

    Eu vi todo tipo de gente fazendo esse discurso (de verdade) – gente rica, pobre, esclarecida, tosca… acho que o que elas têm em comum não é a classe social, e sim o modo como consomem informação e formam opinião, que é através da mídia tradicional (lêem um ou dois jornais e assistem ao jornal na TV). Essa maneira de consumir informação ainda é dominante, mas já está em declínio.

    A maioria das pessoas que sabiam que o buraco era mais embaixo, em contrapartida, são aquelas que lêem diversos blogs de opinião, acompanham livres-pensadores no twitter, lêem diversos veículos de mídia na internet e, só então, juntam tudo pra formar sua opinião. E foi aí que os alunos falharam. Eles poderiam ter contado com um grande apoio, caso tivessem conseguido usar essas ferramentas em seu favor.

    Bom, de qualquer modo, é um alívio ler o seu texto e ter algum esclarecimento do que está acontecendo… só espero ver mais relatos como esse e que isso tudo sirva de combustível para ajudar os estudantes a serem mais bem organizados e claros na defesa de seus interesses (e menos manipuláveis, pelo que vi na perturbadora nota final do texto…).

    • igorius2011 disse:

      Livia, eu concordo com voce em genero e grau. Realmente o problema é a forma de consumir a informação que ainda é predominante entre toda a população, pobre ou rica: Um ou dois jornais e noticiarios.

      Os estudantes nao deram muita bola para a opinião publica, essa é a verdade. A USP virou um microverso, e parece que nada fora dele interessava. Foi justamente esse desconhecimento da maioria que possibilitou o que rolou naquele dia…

      Espero realmente que as coisas mudem, que as pessoas cada vez busquem mais informações em blogs e redes, como alguns tem feito…

      Agradeço pela sua colaboração, peço sua ajuda para continuar na luta. Acompanhe meu blog, volte toda semana para novos pots, e divulgue quando gostar. Aliás nao só o meu, mas de outros como eu por ai …

      Vamos incentivar essa nova forma de buscar informação no brasileiro. Pelo menos naqueles que estao proximos a nós.

      Um forte abraço

      Igor

  34. Pedro Gavinho disse:

    Prezado,

    O que foi apresentado acima é válido, independente das pessoas concordarem ou não. Houve uma preocupação e um esforço de sua parte que creio que não foram repetidos em mesmo grau/intensidade dos alunos que participaram da manifestação, que foi a de divulgar suas idéias.

    Se concordo ou não com as reivindicações? Digo que sim, no entanto, há muito deixei de tomar isso como o foco da discussão.

    A mídia, tanto quanto a deficiência “intelectual” de nossa sociedade não são novidades. O que a mídia faz, e o que ela é, nos é relembrado todos os dias. Somos bombardeados por algum tipo de informação. Assim como somos espectadores constantes da ignorância de nosso povo. É inaceitável que alguém espere que seja diferente ou sinta-se surpreso com esses dois elementos, visto que atualmente eles podem tranquilamente ser considerados constantes. Qualquer expectativa diferente, quanto aos dois (mídia e população via de regra ignorante), é algo utópico.

    Foi apresentado, digo, muito bem apresentado pelo autor desse texto o grau de importância dos cursos da USP, em especial o de humanas. Porém, sendo eles a “nata” de uma sociedade como a nossa, eu pessoalmente tinha expectativas mais elevadas quanto à maneira que iriam se manifestar. A invasão foi, como ato de manifestação um fracasso. Apesar de ter trazido à tona uma questão que passava desapercebida em nossa sociedade, deixou à brecha para que outra versão fosse contada, e não a sua. Não houve uma comunicação clara entre manifestante e sociedade. Além de terem deixado brechas que permitiram a alimentação de um estereótipo (do maconheiro, do vagabundo, etc) que faz com que a sociedade menospreze categoricamente o que é dito por eles, não só fortalecendo como legitimando a opinião de outros.

    Enquanto a mídia e a população forem utilizadas como desculpas, o resultado continuará a ser o mesmo: fracasso. Se são, por exemplo, os estudantes que anseiam pela mudança do reitor, e para isso se faz necessário o apoio de uma parte da opinião pública, eles que devem se blindar contra a mídia e buscarem um canal de comunicação e uma mensagem mais adequada com os que estão fora da questão. É mais do que hora dos movimentos sociais reverem sua maneira de atuar no Brasil, por que atualmente, claramente o resultado não está sendo satisfatório.

    Mas de qualquer forma, foi um prazer a leitura desse texto. Parabéns pelo seu esforço.

    Att,

    Pedro Adriano Goes Gavinho.

  35. Que MERDA de texto, só não digo que perdi meu tempo porque eu dei várias gargalhadas em algumas passagens.

    Não se pode generalizar sobre a PM e uma coisa é certa, a PM não reprime quem anda de acordo com as leis. Como alguém disse acima: “Quem é contra a polícia, é a favor de bandido.”

    Universidade não é lugar de se drogar

    • igorius2011 disse:

      Benjamin, pensei bastante antes de aceitar seu comentario tambem, mas achei melhor afinal essa é a proposta do site.

      Exatamente, a policia não vai te prender ao menos que voce questione ou enfrente a lei. Então tudo o que voce precisa fazer é aceitar qualquer coisa que virar lei não é mesmo ? Tudo o que voce precisa fazer para ficar tranquilo é nunca questionar, nunca reclamar, nunca ir contra o estabelecido …

      Questionar é pra bandido ou vagabundo mesmo.

      Seus argumentos são os tipicos que me motivaram a escrever esse texto. Só que a maioria das pessoas que falava isso, quando leu e pensou um pouco mais, acabou mudando de idéia.

      Diga-se de passagem, mudar de idéia NAO É concordar comigo. É simplesmente sair do lugar comum “maconheiros vagabundos” e “ir contra a policia é coisa de bandido”…

      Mas acho que isso de “pensar um pouco mais” seria exigir demais de certas pessoas. Não posso te culpar cara, a vida é dificil mesmo, melhor enxergar as coisas bem preto no branco mesmo. Pra que complicar se podemos simplificar bastante a realidade né ?

      Bom Big Brother ; )

      • Franco Sattamini disse:

        Caro Igorius,

        Fiquei um pouco decepcionado com sua resposta aqui . . . Pensar que se pode questionar as leis através de confronto com a polícia??? Esperava um pouco mais de vc. As leis são modificadas pelo exercício da cidadania, pelo voto, pelo legislativo, pelo ativismo PACIFICO, DEMOCRATICO E INTELIGENTE. Já ouviu falar de um ditado que que “dois erros não fazem um acerto?

        As polícias fazem parte do mais baixo escalão do poder executivo. Fazem seu trabalho, são comandados. Não se esqueça jamais que os policiais saem todo dia de casa e não sabem se voltam, pois o trabalho deles é se expor, para que os cidadãos de bem possam viver em paz. Estou de fato ficando meio de saco cheio (perdõe-me o linguajar) desta coisa de meter o malho na polícia! BASTA AMIGO! Este discurso não cola mais!

        Confronto de força só faz sentido quando não existe a liberdade de expressão, o que não é o caso do nosso país de hoje.

        TRABALHAR por um ideal, pela modificação e melhora da sociedade não é fácil . . . Demanda tempo, dedicação, articulação, inteligência e capacidade de liderança. É para poucos! Fazer piquete, invadir propriedade pública, desrespeitar as leis não dá tanto trabalho assim . . . especialmente se os que o fazem acham que é “bacana” fazê-lo, pois escutaram as estórias do movimento estudantil de décadas passadas, e pensam que é “maneiro” virar extremista estudantil!!!

        Vale a pena lembrar que o mundo dessas décadas passadas não nos oferecia as poderosas ferramentas de que dispomos hoje para travar uma luta muito mais INTELIGENTE. A mídia digital, os telefones que gravam vídeos, a Internet, YouTube, e-mail, Facebook, blogs etc. dão àqueles que são de fato “mentes pensantes e brilhantes” oportunidades de mudança de opinião pública quase que instantânea! Nada disto existia décadas atrás.

        Vamos mudar o discurso! Quem sonha em ser “lider de movimento estudantil” deve se preparar intelectualmente 10 vezes mais do que antigamente! Deve estar disposto a escrever uma NOVA estória, criar meios novos e modernos de gerar identificação com uma causa, e principalmente ter uma postura RESPEITAVEL, para que a mensagem seja forte, poderosa e indisputável!

        Vamos crescer???

    • igorius2011 disse:

      Franco, sinto que o que separa nossa maneira de pensar é um espaço bem pequeno, pois me identifico com muita coisa que voce fala. Acredito incondicionalmente no poder da internet, como MUITOS de meus textos falam (inclusive o que eu publiquei hoje).

      Veja bem. Não estou sugerindo no meu blog que as pessoas saiam por ai enfrentando a policia. LONGE DE MIM.

      Tudo o que estou dizendo é que as vezes precisamos ir para as ruas SIM (lembra que só 10% da população do mundo acessa a internet … tem gente que NUNCA verá nada se as pessoas nao forem às ruas). A internet é uma ferramenta e tanto, nos oferece possibilidades sem precedentes. Mas nao se conduz uma revolução do começo ao fim só com cliques de mouse…

      E infelizmente as ultimas manifestações publicas que acompanhei tem enfrentado SIM forte resistencia da policia. A marcha da maconha … o Acampa Sampa (a policia tentou desalojar os acampantes dezenas de vezes) … e no mundo inteiro tem sido assim.

      POucos são mais a favor do protesto pacifico quanto eu, amigo. Só que as vezes mesmo o protesto mais pacifico do mundo vai irritar certos poderosos, e infelizmente a ferramenta desses poderosos é a policia.

      Nada contra o policial. O problema é quem está acima dele.

      Veja bem, em Portugal por exemplo, a propria policia decidiu voltar-se contra o governo e desobedeceu as ordens de reprimir as manifestações. Quem sabe nao veremos isso acontecer aqui também ?

      Mas muita gente vai precisar tomar borrachada de vez em quando para que isso aconteça. Pelo menos se as pessoas continuarem pensando tão preto no branco …

      • WILSON MONTEIRO FILHO disse:

        BOM, MEUS CAROS,

        COMO MAIS UMA FORMA DE REFLEXÃO, EU INDICO ESTE TEXTO DE UM HISTORIADOR. ELE ILUSTRA UM POUCO ESTA QUESTÃO DAS LEIS EM UMA VISÃO HISTÓRICA.
        MUITO BACANA.
        UM POUCO DIFÍCIL NO COMEÇO MAS NO FINAL SE ESCLARECE E TORNA-SE GENIAL.
        LEMBREM-SE QUE É UM TEXTO DE UM HISTORIADOR (APRESENTANDO FATOS DA HISTÓRIA), MUITO PROVAVELMENTE OS FATOS NÃO SE ENCAIXAM NA NOSSA ATUAL REALIDADE, PORÉM, SERVE DE ÓTIMA REFLEXÃO.

        http://god-inho.blogspot.com/2011/11/em-nome-da-legalidade-o-caso-da.html

      • igorius2011 disse:

        Completamente BRILHANTE Wilson,

        Um texto breve e simples que mostra como a história foi escrita por aqueles corajosos o bastante para desafiar as leis de seu tempo.

        Acredito que o estudo da história seja CRUCIAL para a formação de qualquer individuo completo. Infelizmente aprendemos história ERRADO no colegio, quando nao temos maturidade para absorver as informações, e 95% das pessoas NUNCA MAIS estudam historia em suas vidas.

        Dai vem os erros absurdos como “quem esta contra a lei é bandido” e ridiculos assim ….

        Obrigado pela contribuição. Por favor volte amanha que ja tenho texto novo, e continue contribuindo sempre.

        Abraços!

        Igor

      • Franco Sattamini disse:

        Olá Wilson,

        Apesar de muito divertido o texto recomendado, sua aplicação prática nesta discussão se resume no questionamento das leis vigentes, o que acredito, todos concordamos.
        Eu pessoalmente acho que ainda vivemos numa sociedade extremamente hipócrita!
        Certíssimo que se deve continuar sempre questionando. Nada jamais permanece imutável. A única certeza da vida é de que tudo se modifica.

        A disputa entretanto é sobre a forma de ativismo. Em 1800 o mundo era completamente diferente e consequentemente as formas de ação viáveis e necessárias eram tais.

        Hoje, acredito que todos podem concordar, o mundo é bem diferente. Para começar, existe o voto, existe liberdade de expressão. Se vivêssemos em 1800, agora estaríamos todos presos!

        Hitler também quebrou as leis vigentes e todos conhecemos o resultado . . . Ele tinha as suas próprias razões para fazê-lo . . . E foi capaz de aliciar praticamente uma nação inteira com a sua filosofia! Coisa de louco, né?? Contudo, isso não fez com que ele estivesse correto.

        O que digo é o seguinte: Você sai de casa dirigindo, vira a esquerda, vira a direita, segue por vários kilômetros aqui e alí . . . Você tem consciência do caminho que traçou. Agora se no meio do caminho você resolver continuar dirigindo olhando para trás . . . Te garanto que não chegará muito longe!

        Temos que olhar para frente, e como TUDO MUDA, não se pode tentar aplicar uma solução antiga à um problema novo, em circunstâncias novas.

        Temos que buscar soluções novas, discursos novos, que não sejam impregnados das tendências ultrapassadas que já não convencem mais.

        Abraços!

      • igorius2011 disse:

        Franco, Hitler quebrou leis vigentes mesmo…

        E criou novas leis, no que concerne judeus, ciganos ou negros que tiveram que ser quebradas por qualquer alemão que quisesse manter o minimo de decencia ..

        Toda a história do homem tem sido uma constante alternância de poderes e consequentemente das leis que consolidavam esses poderes.

        E historicamente o que sustentou essa constante transformação foi o questionamento e constante enfrentamento dessas leis …

        As vezes o enfrentamento pode ser feito por bem, pacificamente, sem violação direta da lei. As vezes não.

        Infelizmente, se olharmos a historia, na maioria das vezes não.

        Por que ?

        Por que geralmente as leis são feitas para consolidar o mundo de forma que aqueles que estao no poder sejam beneficiados …de forma que eles se MANTENHAM onde estao.

        O enfrentamento dessas leis resulta em uma ameaça a esse poder e esse status quo. Isso gera repressão, pois os detentores do poder normalmente detém a força, seja ela representada pela policia, pelo exército, pela mídia …normalmente por todos …

        Por isso é quase impossível se falar em revolução ou em mudança real sem falar em violação de uma lei ou outra. Ghandi violou centenas de milhares de leis …. Jesus Cristo violou as leis do império Romano quando pregou nas ruas …

        A lição que retiramos do Terceiro Reich, Apartheid e dezenas de outros sistemas é que as vezes eles sao injustos e devem ser contestados…

        Acho que nem eu, nem o Wilson, nem voce, estejamos propondo aqui a violação incondicional de qualquer lei. E todos nós concordamos que existem formas melhores e formas piores de voce questionar uma lei com a qual voce nao concorda.

        Tudo o que eu estou tentando dizer é que as vezes não há forma pacifica de questionar uma lei. O simples fato de voce questiona-la ja será uma agressão para o detentor do status quo. Você pode e DEVE procurar oferecer a outra face SIM, eu prego isso em todos os meus textos, até por que assim conseguimos chamar mais gente para nossa causa.

        E aí entra o que eu considero um erro tatico dos responsáveis pela ocupação da USP nessa vez …

        Os detentores do status quo usarão de artificios legais para controla-lo. Quando os artificios legais nao funcionarem, partem para os ilegais (como mandar jagunços matarem agricultores no Pará, aconteceu recentemente, ou dar ordem para a policia usar violencia em um caso onde ela nao seria necessária, etc etc)….

        Funciona mais ou menos assim para os contestadores do status quo. Eles sempre procurarão protestar dentro das leis. Mas quando as leis tornam o ato de protestar algo praticalmente ILEGAL, salvo quando feito em situações bastante controladas (e estrategicamente inofensivas), não há alternativa …

        Mas enfim, acho que chegamos em um ponto onde eu nao vou mudar de idéia, e nem voce. Estamos infelizmente andando em circulos na argumentação …

  36. Gui Lopes disse:

    A minha opinião aqui pode incomodar uma galera, mas vamos lá.

    Concordo em gênero, número e grau com o fim perseguido pelos alunos. Afinal, a PM é um aparelho de repressão ditatorial que já deveria ter sumido do Brasil há décadas! Acredito que somos o único país democrático onde militares são responsáveis pelo patrulhamento das ruas.

    MAS achei de uma ignorância incrível a invasão. Todos nós sabemos a desinformação e má vontade que as pessoas em geral têm no Brasil para tudo o que se refere à política. Além disso, a tal grande mídia não é nossa aliada.

    Sendo assim, o último que se deveria fazer é ser bruto, usar a força. O convencimento, a delicadeza e a paz surgiriam um efeito muito melhor – e provavelmente conquistariam ao menos uma parte daqueles que atacaram os estudantes.

    E essa campanha de paz, essa “revolução delicada” poderia ter sido encaminhada, por exemplo, via redes sociais, que talvez sejam o único lugar onde estado, corporações e pessoas são tratados como iguais.

    Os estudantes não enxergaram isso, infelizmente!

    • igorius2011 disse:

      Gui,

      Pelo menos a mim voce tem do seu lado nessa (estou certo que muitos, quase a maioria aqui, concorda).

      O problema é que durante muitos anos as ocupações em reitoria CONQUISTARAM muita coisa …foram um artificio válido. O problema é que nesse caso (e na contramão do que eu falei em meu novo texto, o “Tiranossauros’)Rodas e o aparelho estatal se adaptaram e os estudantes não …eles continuaram usando as mesmas taticas.

      Uma quantidade consideravel de pessoas era CONTRA essa ocupação e A FAVOR de TODOS os fins buscados por ela. Ou seja, a discordancia era os meios …

      Realmente espero que os estudantes se adaptem, tenham aprendido agora a importancia da conquista da opinião publica e mudem sua tatica …

      Um forte abraço ! Volte sempre, terça feira tem post novo ! E leia os outros textos do blog, se tiver gostado desse !

  37. Armando Grego disse:

    Gostaria de saber porque o cargo de Reitor não se define através de voto, utilizando a meritocracia e o tempo de dedicação e capacitação técnica do candidato. Porque sempre temos que aturar e aceitar indicações políticas que só prestam para gerar mais corrupção e mais desigualdades……se a Faculdade de “Direito”, que estuda e ensina leis e procedimentos, condenaram o infeliz do “Rodas”…….que rodem ele para fora!!! Já!!!!


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