OCCUPY WORLD : O que nós queremos afinal ?

Nota do autor: O artigo a seguir parte de uma reflexão iniciada nos textos “Por que o capitalismo não é a resposta” e “Por que o socialismo não é a resposta” publicados em outubro.Para melhor entendimento, recomendo a todos que não leram esses textos que o façam antes de prosseguir.

Desde a eclosão do Occupy Wall Street e suas diversas vertentes por todo o mundo tem sido quase o mantra de uma parcela conservadora da população dizer que as centenas de milhares de jovens que foram às ruas no ultimo 15/10 (e devem voltar no próximo 11/11) não sabem o que querem.

Eu fui adolescente em plenos anos 90, a década do vazio, e costumava ouvir o tempo todo que nossa juventude não possuía ideais, não tinha nada pelo qual lutar pois nossos pais haviam “conquistado a duras penas” o status quo confortável em que nos encontrávamos.

Olhando o estado “confortável” em que nos encontramos hoje, é quase engraçado pensar nisso. E é irônico como agora os mesmos que criticavam a passividade de uma geração criticam a pró-atividade da geração seguinte. “Ideologicamente difusos” eles dizem.

Só consigo interpretar a confusão daqueles que fazem esse tipo de crítica como cegueira ideológica. Auto-imposta. Um cinismo cuidadosamente cultivado para tornar suportável a falta de sentido que move nossa sociedade atual. Como camundongos correndo em uma roda dentro de uma gaiola, sem olhar para os lados, não percebem a clareza de nossas demandas.

Para deixar mais claro impossível, coloquemos da seguinte forma. O sistema hierárquico da sociedade global contemporânea é o seguinte:

Povo < Estado < Corporações e Bancos

Tudo o que queremos é acabar com essa insana inversão de valores e colocar cada um em seu devido lugar:

Corporações e Bancos < Estado < Povo

Isso só será possível se conseguirmos:

– Exigir que o atrofiado poder do estado volte a regular as ações descontroladas dos bancos e corporações multinacionais.

– Criar os mecanismos necessários para que o povo permaneça no controle do estado, para que a vontade do povo seja realmente o que é levado a cabo por seus governantes. Um novo modelo de democracia.

Durante décadas acreditou-se que o único contraponto possível ao capitalismo era o socialismo. Com o fantasma bigodudo de Stalin nos assombrando e a imagem de um tanque de guerra atropelando um estudante indefeso na China ecoando em nossas mentes, não me admira que esse hediondo sistema que é o capitalismo neoliberal tenha sido tão tolerado pelas gerações passadas. Ele era um “mal menor”, por assim dizer.

Uma surpresa para aqueles com preguiça mental: Existem outras opções. Existem INFINITAS opções. A humanidade existia milênios antes da Guerra Fria, e já conheceu milhares de sistemas e organizações. O sistema vigente nada mais é do que MAIS UMA tentativa, mais um modelo TRANSITÓRIO. Com algumas vantagens, alguns defeitos. Matéria prima para o amanhã. Imaginar que esse é nosso estado final é no mínimo burrice.

Essa tal “difusão ideológica” da qual esses jovens indignados são agora acusados nada mais é do que produto da constatação óbvia de que eles não querem incorrer nos erros do passado. Estão olhando para o amanhã. Antes de tudo, o que eles querem? Querem discutir.

Para inverter o sistema hierárquico do mundo, como descrevi acima, devemos primeiro destruir os “postulados” criados pelas gerações anteriores. Como disse Hermann Hesse em seu belo romance “Demian”, para nascer precisamos destruir um mundo. As velhas estruturas mentais que nos governam são esse mundo a ser destruído.

Eu os convido a limpar o terreno. Não nos permitamos auto-castrações do tipo: “Essa idéia é louca demais”. Loucura é continuar caminhando em direção ao precipício com os olhos vidrados demais no smartphone para constatar a própria iminência da queda. Loucura é achar que as coisas podem continuar como estão.

Para clarear nossas possibilidades, formulei 7 propostas, 7 itens que se forem atendidos certamente mudarão radicalmente a estrutura hierárquica do mundo descrita acima. São os seguintes:

1 – A intervenção direta do estado na maquina financeira representada pelos bancos. O fim das operações sem lastro, o fim da especulação.

2 – A intervenção direta do estado nas ações das corporações e multinacionais espalhadas pelo mundo. O teto da riqueza. O limite para o crescimento. A regulamentação do fluxo de capital das multinacionais para suas matrizes.

3 – O fim da “pessoa jurídica” como a conhecemos. O fim da impunidade do “crime corporativo”.

4 – O fim do seqüestro de patentes. Uma nova visão sobre a “propriedade intelectual”.

5 – O fim da confidencialidade das ações do estado e das corporações. A criação de ferramentas de auditoria com as quais o povo vigiará e regulará as instituições públicas e privadas.

6 – A revolução da mídia e da comunicação, que dará suporte aos mecanismos de auditoria citados acima.

7 – DEMOCRACIA PARTICIPATIVA. O mais importante de todos os pontos. A submissão completa e incondicional do estado ao povo. A criação de ferramentas psíquicas e tecnológicas que possibilitem esse fim.

Não estou dizendo que essa é a receita de bolo para criarmos um novo mundo. São apenas 7 idéias, 7 coisas em que devemos começar a pensar seriamente se quisermos mudar as coisas. Deve haver muito mais a ser feito. Eu apenas defini 7 tópicos que pretendo desenvolver.

Não há espaço nesse artigo para nos aprofundarmos suficientemente em cada um desses pontos. Em vez de tentar fazê-lo e inevitavelmente me tornar superficial ou leviano, prefiro abordar com atenção cada um desses tópicos, um por um, nas próximas semanas.

Os convido a escrever, mandar suas idéias, criticas e sugestões. Afinal de contas as ruas, os acampamentos e os blogs desse movimento nada mais são do que espaços de diálogo. Se preferirem o silencio por enquanto, os convido simplesmente para voltar daqui a uma semana ver a coisa tomando forma.

Não somos “ideologicamente difusos”. Não somos “levianos”. Apenas estamos começando do zero. Estamos construindo um belo monumento à liberdade e ao amanhã, e não sabemos ainda que cara esse monumento vai ganhar no final do caminho.

Como arquitetos de vanguarda, temos apenas uma certeza: Às vezes é preferível arriscar do que aceitar de pronto o erro absoluto.

Espero vocês daqui a uma semana.


17 Comentários on “OCCUPY WORLD : O que nós queremos afinal ?”

  1. Muito coerente a sua abordagem.

    Afinal, o que nós queremos?

    Queremos dialogar, discutir, questionar….

    Ora, mas eles nos querem sempre com a resposta na ponta da língua, um modelo estruturado de sociedade, tal como uma receita de bolo, que seja mais eficiente que o capitalismo.

    Não notam eles que o que questionamos é o processo, o modo de proceder, a dinâmica social que é fetichizada por aquilo que cega essa sociedade: a mercadoria, e por conseguinte, o dinheiro.

    O mundo pode nem mudar, mas o exercício democrático que essas praças no mundo todo estão fazendo é mais do que um ato político, mas um ato de coragem.

    sair da inércia é difícil – e eu acredito veementemente que vivemos um momento único e oportuno para sairmos da inércia!

    Abr

    • igorius2011 disse:

      Falou muito bonito. É isso. Estamso expondo as chagas de um sistema em colapso, a despeito das tentativas das elites dominantes em “maquiar” isso.

      Não existem respostas fáceis, e recorrer a um modelo passado nao é o caminho.

      Por isso eu proponho acima de tudo uma discussao. Temos que discutir se quisermos criar.

      Abraços e obrigado ! Nao deixe de visitar e ler osp roximos textos OK ? E me ajude a divulgar o material !!!!

  2. yurimachado disse:

    Igor, continuo adorando os textos, mas achando que você peca por atribuir ao movimento um desejo interno seu, projetando uma previsão otimista sua para o agora. Não que eu não acredite nesta previsão, só estive no Anhangabaú algumas vezes, e milhões de vezes no centro do movimento estudantil da USP (que ainda participa em massa do Anhangabaú, e representa a insistência de uma minoria muito antes de uma força insipiente e, ainda pior, está muito menos disposta a discutir o novo desprezando modelos anteriores do que a dividir-se em partidos e pré-determinações, ao contrário do que você quer, eu quero e você diz) acho que estamos ainda algum tempo atrás deste momento que você narra. Não infelizmente, porque cada país tem seu tempo e história (e no Brasil estamos na contramão da descoberta da falência absoluta da liberdade corporativa, uma vez que constamos entre os países que mais se desenvolverão com a quebra das potências econômicas, inclusive sonhando em tomarmos um espaço cedido pela velha guarda, dentro das antigas estruturas – não das novas) existe mais a reformar e discutir no interim das manifestações brasileiras – e, sim, principalmente quanto à falta de foco e ao insistente coro a limitar a insatisfação do povo à corrupção do Estado (que pode vir da manipulação midiática, mas tem absoluto respaldo na maioria também pelo momento otimista que vive o Brasil, em contradição com os EUA e a Europa), do que de fato existe interesse dentro das manifestações, como estão, para reformar e discutir o sistema vigente. Se estivessem, os manifestantes brasileiros, difusos, mas debatendo, se aglomerando de verdade, criando este espaço aberto (como parece que têm feito em outros países, onde a o tempo da revolução chegou antes, não por maturidade do povo mas por uma ainda mais imaturidade/infantilidade da estrutura econômica em levar às últimas consequências a ausência de limites para a conquista e manutenção de mercado, valores e ações) poderia ser mesmo significativo, mas o que parece ter nascido no Anhangabaú foi um símile moribundo de uma Assembleia do Movimento Estudantil da USP. Nisto, demora-se muito mais tempo discutindo burocraticamente a organização física – barracas, tomadas, comida – aceitando democraticamente, aos moldes de uma (como já conquistada) democracia participativa, a poli-participação de manifestantes de todos os temas (não só de ideias diferentes em relação à Economia ou ao Governo, mas também quanto à maconha, a homofobia, o aborto – o que não seria um problema propriamente se ESSES não acabassem representando a maioria e inclusive acabassem atentando contra a permanência da manifestação em provocar deliberadamente e sem qualquer razão para tal as instituições policiais sempre presentes, e que afinal ainda representam a antiga lei, que não foi instantaneamente mudada ao se instaurar essa fictícia Democracia Participativa, essa República Liberal do Anhangabaú), além de quê, até por ter aparentemente declarado independência da cidade, a nossa sede do Wall Street se isolou, deixou de “assaltar” a opinião geral faz tempo, e mesmo que tenha (bem positivamente) começado a organizar “aulas públicas”, não diversificou seu público. Resultado: você tem grupos soltos entregando as suas presenças por diferentes motivos, muitos de natureza avulsa à discussão de estruturas sociais, sejam justas ou não, todos ligados absolutamente por sentimento único de vaidade. A mesma vaidade que faz você e eu projetarmos a nossa visão de mundo e o nosso sonho de Estado para as demais pessoas, contentes porque está começando aquilo que a gente esperava. Só que não. Está cedo. Este blog faz mais do que aquela manifestação, ainda. O que deveria ser, paradoxalmente, um tiro na sua e na nossa vaidade. Porque isso aqui deve ser construído assim mesmo, e vai levar alguns anos, mas ainda está bem à frente do nosso Wall Street. Você sabe que eu compartilho de boa parte das suas ideias para o mundo, principalmente porque elaboramos juntos uma penca delas. E adoro a iniciativa de criar esse espaço para conversar. Mas acho perigoso se apaixonar e estimular a paixão por um movimento fictício, neste ponto. Porque isso não vai instigar a manifestação daqueles que não se manifestaram, mas a sua passividade. Porque todo mundo que quer um mundo novo mas sequer foi até o Anhangabaú vai se sentir vingado pela sua previsão, e continuar em casa, torcendo. A internet é um território livre, mas autoritário o suficiente (pelo quanto dissolve o grupo e até o indivíduo) para manter cada um no seu quarto, entre os seus livros, também isolados na proclamação de uma segunda independência, ainda mais virtual, ainda mais longe. Eu acredito no debate, óbvio, e acho que ele é a opção agora. Mas acredito na desconfiança, na visão crítica e na estratégia. Esta que joga um pouco para frente o ânimo com a resposta do povo. Não infelizmente.

    Quando a guerra chegar é que vai ser a hora. Até lá, acho que eu, você, Nicolas, Vitor, Allan, Junior, podíamos, como disse antes de um grupo, nos juntarmos para fazer um site. Você continuar com os textos, e entrarmos outros. Mas com o foco que ainda não está na rua. E discutir diretamente como sair daqui e levar a guerra para fora.

    Nisso, também não sou a favor da manutenção do rosto do Anonymous. Porque ela não agrega, ela separa. A sua concepção permite que cada integrante acredite e faça uma coisa diferente. Você não está falando pelo Anonymous, mas por você. Coloque o seu rosto e abandonamos a ficção.

    Bom trabalho!

    • igorius2011 disse:

      Yuri, meu querido. Desde ja sou muitissimo grato por sua contribuição. Gostaria que cada um que lesse meu texto tivesse um feedback assim para me dar.

      Antes de tudo, eu uso o rosto do Anonymous pois como todo bom estudante de publicidade (desertor) eu acredito na força dos simbolos e dos ícones. E o Anonymous, de uma forma ou outra, tornou-se um simbolo rapidamente reconhecido desse movimento. É evidente que cada um que clama pra si parte do nome Anonymous tem a liberalidade de desenvolver um discurso levemente diferente, essa é a consequencia inevitável de um movimento em massa que “pipoca” simultaneamente em todo o mundo, em vez de ser formulado com calma, em um unico lugar, saido dos porões de uma casa ou algo assim. Que cada pessoa nesse mundo veja essa máscara e saiba o que ela representa. Até que esteja tão interiorizado na mente de todos que ela nao seja necessária.

      No que se refere à imaturidade do movimento até agora, concordo. Mas acredito que depois de anos e anos de silencio, todos estejam com vontade de colocar para fora aquilo que maturaram por anos no silencio de suas casas. Gostaria que se perdesse mais tempo falando sobre democracia participativa, por exemplo, do que vegetarianismo (apesar de ser vegetariano), mas quem sou eu para “ditar as regras”? Estou feliz o bastante pelas pessoas estarem saindo de casa e falando alguma coisa.

      Criei esse blog justamente por sentir que o movimento brasileiro está meio “verde” ainda, mas todo dia me comovo com a energia e disposição das pessoas. Gostaria que esse blog fosse apenas um dos milhões de Espaços de Diálogo, gostaria que um dia esse blog nem fosse mais necessário.

      E sim, quando a coisa engrossar MESMO espero me sentar com essas pessoas que voce falou e pensar. E agir. Meu deus tem tanta coisa que vamos precisar fazer …

      • yurimachado disse:

        A única coisa que acho que deve manter em mente é que lá fora não está acontecendo bem como você falou, Igor. E, por exemplo, isso de dizer que as pessoas ficaram caladas muito tempo mas agora estão falando também não é muito verdade aqui no Brasil, até pelos motivos que te disse. Eu frequento passeata e manifestação, especialmente pela USP há quase 10 anos agora, e posso te dizer que o Anhangabaú tem as mesmas características de todas as manifestações e passeatas junto às quais já estive. Nisso, essas pessoas que estão falando aqui já falavam, e basicamente as mesmas coisas. Sou entusiasta do Occupy onde ele realmente aconteceu. Aqui, precisamos é ficar preocupados com a questão de como não repetirmos os mesmos modelos e as mesmas descentralizações de sempre – que é exatamente o que estamos fazendo, repetindo. Sempre fizemos nossas manifestações como “campos abertos de discussão”. A novidade seria focar uma vez. Acho o seu otimismo bonito, principalmente porque ele é um tanto “virginal”. É hora de textos como o seu, que são novidade, mas também de começar a pensar em refazer o movimento todo, bem devagar, pra que daqui alguns anos a sua previsão se cumpra. Não está se cumprindo.

    • igorius2011 disse:

      Yuri, o que acha de transformarmos esse blog em um site mesmo e estruturar esse grupo que voce propoe em cima desse template ja existente ?

      Podemos mudar a cara dele, configurar ele direito, fazer de tudo em cima dele, mas ja aproveitar o endereço e tudo mais ..até por que ja estou “tagueado” em alguns grupos sociais que certamente queremos atingir…

      Quanto mais gente ajudando e quanto mais gente conseguirmos atingir, melhor….

      • yurimachado disse:

        Eu topo, só vamos ter que discutir um pouco datas, porque agora vem um longo recesso em que nem em São Paulo eu vou estar. Florianópolis, depois Rio depois Recife. Queria começar a conversar com as pessoas interessadas pra colocar isso em prática no ano que vem, quando eu voltar de Pernambuco. O que acha?

    • igorius2011 disse:

      Não diria refazer o movimento, mas focar o movimento sem duvida. Aliás, esse é o objetivo original de tudo isso que eu estou fazendo. Gostaria de poder imprimir esse ultimo texto e distribuir ele no dia 11/11 até. Vamos dar foco pra essa coisa maravilhosa que esta surgindo. Valeu querido !

  3. Sharine disse:

    Igor, faz tempo que estou pensando… Não escrevi nada porque não estou a par dos problemas de economia nem da crise mundial – só sei o que leio nos jornais, com pouca profundidade. Mas sou funcionária do MinC e percebo que em tudo existe interesse político. O povo (no sentido geral) acaba aderindo a um ou outro movimento por empatia, sem saber bem o que está apoiando. Não sou pessimista, mas acho que, antes de qualquer revolução, precisamos dar instrumentos às pessoas para que elas realmente participem de um sistema democrático. Não falo da internet – a rede é democrática, sim, mas também é preciso saber usá-la. Falo de educação, que de forma alguma se restringe às escolas. Os meios de comunicação são importantíssimos, mais talvez do que livros e professores. Claro que o Estado deve regulamentar – acho que é para isso que ele existe. Mas cada um tem que saber como contribuir tanto para seu crescimento pessoal quanto para um mundo sustentável. Cada vez mais acredito que isso só será possível com educação, no sentido acima – longo prazo – e com a organização da própria sociedade. Acho que nosso papel de comunicadores é exatamente este neste momento, e ele se constrói no dia a dia, mais do que com revoluções…

    • igorius2011 disse:

      Fala Sharine ! Eu acho que voce ta CERTA !!! O problema das revoluções do passado é que era uma MINORIA pensante derrubando o poder vigente usando as massas. Uma vez no poder, essa minoria oprimia essa massa. Falo sobre isso no texto relacionado a esse, o “Por que o socialismo nao é uma alternativa”.

      A unica forma da coisa funcionar é com a participação da maioria de um ponto de vista filosófico. Por isso eu criei esse blog … pra audar a divulgar nesse sentido as reflexoes e questionamentos.

      As vezes eu me pergunto se conseguirimos produzir essas mudanças a tempo para evitar nossa propria extinção no planeta … bom …tomara, hehehe. 🙂

      Obrigado por me visitar ! Volta sempre (ja tem texto novo hoje!!!). E divulga se vc curtir !

  4. Rafael disse:

    só uma coisa, dizer que estão começando do zero, com propostas que não são NADA novas, é um pouco de inocencia, nao???

    falta definir algumas coisas, acredito

    “submissão do estado ao povo” acho que primeiro precisamos discutir quem é o estado, não é??pois, na minha opinião, o estado não deve ser submisso, deve ser extinto,e outra forma de organização substituí-lo….bom, não quero desenvolver nadaaqui, pois estou um tanto ocupado, mas lanço essas duas idéinhas aqui

    • igorius2011 disse:

      Rafael, ja pensei muito na extinção completa do estado, vivo tendo longos debates com membros do LIBER, o partido dos Libertários, que são muito influenciados pela Escola Austriaca e pedem a extinção completa do estado.
      Acho que isso tem que ser feito em etapas. HOJE me parece impossível a extinção completa do estado, mas acho que ela será uma consequencia natural de uma crescente preocupação da população com seu proprio destino (amadurecimento de nossa sociedade) e do desenvolvimento dos mecanismos de democracia participativa que devemos criar.
      Como eu esbocei em meu texto … vamos ver ! Nao sabemos bem o final do caminho. Não acredito na destruição do estado HOJE sem colocar nada no lugar … mas concordo contigo que essa hipotese também nao deve ser descartada !
      Obrigado por vir !!!!! Volte semana que vem, tenho novo artigo para publicar ! Continue participando !

  5. Ramon disse:

    Olá Igor. Vou contribuir com meus 2¢:

    (i) Já pensei muito nesse assunto das categorias de “pessoas” no mundo, e acredito que atualmente existem 3 tipos: PESSOAS FÍSICAS, PESSOAS JURÍDICAS e PESSOAS POLÍTICAS. As duas primeiras são óbvias, e quanto à terceira, é um conceito cínico que cunhei, correspondendo a todos aqueles políticos e juristas eleitos, que tenham direito a foro privilegiado ou imunidade parlamentar. Digo cínico porque, enquanto tu acredita na redução de poderes da PESSOA JURÍDICA, eu acredito no impedimento da oficialização da PESSOA POLÍTICA, porque no ritmo que caminha nossa estrutura governamental, é apenas uma questão de tempo até que este tipo de pessoa seja oficializado, porque praticamente já existe entre nós este conceito. Com esta autonomia, as PESSOAS POLÍTICAS poderão ultrapassar as PESSOAS JURÍDICAS em poder, pois irão manipular ainda mais os recursos governamentais em favor próprio e das PESSOAS JURÍDICAS que o favoreceram. E uma vez que se torne PESSOA POLÍTICA, ela não perderá mais esta alcunha, tal qual aposentadoria vitalícia para comandantes e parlamentares, e poderá usufruir de direitos não tão igualitários. Pode-se até se considerar uma aberração este meu pensamento, mas como disse, é uma forma cínica e cética como vejo nosso destino através de simples interpolação dos fatos…

    (ii) Antigamente, até o século 19, as empresas se iniciavam como comunidades de pessoas (físicas) agregadas em prol de uma finalidade, relacionada a uma necessidade do povo. Atualmente, não passam de “Pessoas Jurídicas”, literalmente, surgidas no final do século 18 do oportunismo sobre as mudanças na constituição americana quando da abolição da escravatura: se utilizaram dos mesmos direitos concedidos às pessoas negras. Hoje nada mais são do que investidores e lobistas, visando ao máximo o lucro. Talvez uma forma de reduzir esse apetite nocivo das empresas seja um maior incentivo para cooperativas. Acredito muito no poder das cooperativas, acho que são o caminho para que um dia o Anarquismo seja sustentável – sim sou adepto, mas não sou comunista🙂. Em nossa atual condição global, o Anarquismo é uma utopia, pois não há como descentralizar poder com o nível atual de maturidade social da humanidade. O risco de corrupção é muito grande. Mas as cooperativas poderiam contribuir em muito para a evolução da humanidade no aspecto de “Compartilhar”. Essa é a palavra chave, para que nossa permanência na terra seja sustentável. No ritmo em que caminha, o consumismo e a busca da lucratividade desse modelo econômico irá exaurir os recursos da terra em muito pouco tempo…

    • igorius2011 disse:

      Cara adorei sua definicao da pessoa politica. Colocaria nesse saco nao apenas aqueles que esao de fato trabalhando para governos, mas todo aquele cuja posição privilegiada torna INVULNERAVEl. Todo aquele que possui um aparato de advogados e fianças / multas previstas em orçamento com valores tao altos que se sentem invenciveis, inatingiveis.

      Ultimamente tenho pensado que o primeiro passo, para voce descaracterizar esse tipo de gente, esse tipo de injustiça, é por meio de um aparato de LEIS auditadas pela população e exercidas por um estado mais forte.

      Apenas em um primeiro momento, desde que esse “estado fortalecido” mantenha-se subjugado à populaçao em uma democracia participativa.

      E sim, isso seria um estagio intermediario para um futuro onde talvez a populaçao (e os mecanismos de democracia participativa) estejam tao amadurecidos e empodeirados que o estado se torne dispensável. Uma anarquia ordenada ou algo assim … mas isso é papo para mais de seculo …

      E estou 100% com voce no que se refere a cooperativas. É um modelo que pode funcionar. É um modelo menos corruptivel.

      Obrigado pela participação cara, vamos construindo juntos esse novo mundo. Amanha tem texto novo, nao deixe de me visitar.

      Abração !

  6. opassodosim disse:

    Oi, Igorius! Parabéns pelo texto, cara! Realmente, nós temos algumas idéias muito parecidas, mas você aborda toda a questão de uma maneira muito mais concreta do que a minha, e traz muitas referências interessantes para a discussão também.🙂

    Não sei em que medida eu estou em condições para discutir com propriedade as propostas que você fez, mas, embora talvez não esteja na melhor das condições para discuti-las em seus detalhes e especificidades, talvez consiga discutir as idéias por trás delas, conforme você for elaborando… =) Seja como for, acredito que um dos itens mais cruciais é o 6, precisamente porque penso que será em grande parte ele que fornecerá os instrumentos necessários para que seja possível construir uma democracia efetivamente participativa e mesmo direta, assim como garantir que, em uma série de aspectos, que o monopólio da informação se desestruture e não consiga mais se reestabelecer, ao menos não com a mesma força.

    Seja como for, a gente vai discutindo, com toda certeza! Acredito, realmente, que chegou a hora de pensar o novo! =)

    • igorius2011 disse:

      Amigo, o item 6 é CRUCIAL. Na verdade, meu proximo texto será sobre ele. Pois sem ele, nada mais poderá ser feito.

      Na terça que vem venha me visitar e falamos a respeito do post novo ! Se puder me ajudar a divulgar o texto, agradeço muito !!!

      E nao precisa ser modesto, seu texto tinha bastante clareza e certamente vai me ajudar MUITO. E o material consolidado que voce preparou tambem ! Estamos juntos nessa !

      Forte abraço !!!

      • opassodosim disse:

        Ótimo, então! Semana que vem discutimos o texto!🙂
        Ajudo sim, já publiquei o link no meu facebook, espero que ajude🙂
        E a idéia e esperança do texto era, justamente, poder contribuir de alguma maneira pra construção desse movimento por meio de idéias para se pensá-lo e organizá-lo… Por isso, fico muito feliz que você diga isso =))

        Abração!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s