OCCUPY WORLD : E o Brasil com isso ?

Muitas vezes ao longo da ultima semana escutei questionamentos, como por exemplo qual seria o papel do Brasil nesse bizarro contexto de crise mundial.

O que temos a ver com uma revolta que nasceu em Wall Street e que está mais inflamada na Europa, bloco em clara crise economica ?

Por que deveriamos nos envolver quando o Brasil, na contramão das potências em decadência, promete ser um dos paises mais poderosos do mundo em poucos anos ?

Primeiramente, talvez justamente por isso. Porque seremos poderosos. Porque teremos o poder de ditar como se fará negócios no futuro. E não podemos incorrer nos mesmos erros. Não podemos deixar que o Brasil, a China e a India sejam a Europa e os EUA de amanhã.

E talvez porque já tenhamos motivo o bastante para reclamar hoje mesmo, especialmente quando o assunto é regulamentação do mercado financeiro.

Uma pequena análise de nossa situação hoje já ilustra isso para qualquer um entender. Meu irmão Edson Bossonaro, viciado em economia, resumiu de forma excelente a situação toda, como agora compartilho com vocês:

As taxas juros brasileiras são as maiores do mundo (isso nao é novidade). Essa aberração financeira é criada pela Copom (composto em 95% por dirigentes de instituições financeiras privadas e apenas 5% por membros do Banco Central). Elas são aumentadas toda vez que um rumor sobre aumento de inflação (e o fantasma de uma era Collor a muito tempo superada) assombra a população brasileira.

O principio do raciocínio falacioso (ou malicioso?) é que por meio do desaquecimento de mercado, seja por pautarem as operações com derivativos por meio das emissões de títulos de dívida (especulação no câmbio, nesse caso), seja por elevarem os custos financeiros das operações interbancárias, todos os setores sejam levados a receber esse aumento de taxa, inibindo a inflação.

Acontece que a nossa inflação não é causada por um, mas sim três fatores principais:

1- Elevação dos preços administrativos (etanol, gasolina – que tem porcentagem em álcool – ou biodiesel – soja) e dos alimentos

2 – Aquecimento SETORIAL da economia (especialmente automóveis e maquinarias)

3 – Operações de câmbio realizados pelos bancos.

Os aumentos dos preços administrativos e dos alimentos são causados devido às terras especulativas (180milhões de hectares) e ao agronegócio – que visa penas a operação mais rentável – exporta commodities e força a população a comprar produtos industrializados e processados (vendemos açúcar e compramos etanol).

O aquecimento setorial é realmente causado pelo consumo, mas é facilmente solucionável por medidas de incentivo ao mercado interno (como a adotada pelo ministério da fazenda de que 60% das peças de máquinas agrícolas e 65% dos automóveis devem ser brasileiros). Muitas vezes essas medidas são tidas como autoritárias pela população desinformada ou mídia mal-intencionada.

As operações de câmbio são causadas por uma moeda sobrevalorizada há duas décadas, isenções fiscais da remessa dos lucros especulativos ao estrangeiro (exemplo IOF), juros elevadíssimos, mercado estável (risco de default baixo) e desregulamentação do mercado de derivativos.

Os bancos encontram no Brasil a oportunidade perfeita de comprar títulos de dívida (geralmente por operações de mercado futuro, se comprometendo a vender tal quantidade de moeda até um ano estipulado – o que abre margem para capitais fictícios; temos uma reserva cambial de 350 bilhões, mas como isso é feito pela conta de capitais, não é um número real).

Os bancos trazem contingentes enormes de dólares ao Brasil; excesso de moeda causa inflação, que nesse caso é controlada pela emissão de títulos de dívida do Estado, comprando o excesso de moeda, adquirindo uma reserva cambial absurdamente alta e investida nos bônus americanos que são pautados por juros de 1%.

Fato: as nossas taxas de juros são um absurdo. Além de consumirem 44,7% do orçamento da união ao ano, ainda são convites à festança ignominiosa das finanças, especuladoras em derivativos.

Parece óbvio que as medidas para conter a inflação que o governo escolhe tomar hoje favorecem aos bancos e grandes empresas em detrimento de toda a população, quando poderia ser exatamente o CONTRARIO.

Isso só ocorre pois o estado encontra-se hoje altamente ENFRAQUECIDO diante do poder financeiro dessas instituições, muitas vezes internacionais, distantes, impunes (ou impuníveis).

Aqui no Brasil ja se tornou praxe atacar o corrupto. Isso é lindo e estamos amadurecendo nesse sentido.

Chegou a hora de amadurecer o discurso e atacar também o corruptor.

É sobre isso que o OCCUPY WALL STREET fala. Não é apenas uma passeata contra a corrupção. Ela ataca as proprias bases do sistema que torna essa corrupção possível.

É facil para um veículo de midia denunciar um corrupto aqui e ali, e é inegável o resultado positivo dessa denúncia.

Já não é tão facil atacar o maquinário por trás do corrupto, a própria estrutura social ou economica que torna essa corrupção possível. Todo grande jornal ou revista do país é uma empresa, e faz parte desse maquinário.

Um politico nao pode ser a unica forma da sociedade exercer seu poder de decisão, pois ele pode ser corrompido. Um jornal nao pode ser a unica forma da sociedade se informar, pois ele pode ser corrompido.

É por isso que nossa esperança reside na coletividade. A informação democratizada na internet. A democracia participativa, em detrimento da representativa. Algo que nunca foi possível, pois não havia a tecnologia necessária para faze-lo.

Estamos vislumbrando horizontes misteriosos, porém belos. Pelo menos para quem tiver coragem de se manter em pé, e enxergar além da neblina do passado que cobre as possibilidades de um novo futuro …



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