OCCUPY WORLD : AGORA É GUERRA

Sempre achei engraçado como tem gente que considera as históricas distópicas (ao exemplo de V de Vingança, Blade Runner ou 1984) como apenas possíveis “futuros apocalípticos”.

Sempre dei risada dessas historias sobre  “propagandas subliminares” ou grupos secretos no melhor estilo “Código Da Vinci”, sobre como eles estariam nos manipulando secretamente.

Nessas duas situações colocadas eu noto um ponto comum: Uma forte inclinação das pessoas em acreditar que hoje as coisas vão bem (ou pelo menos o melhor possível) e que o inimigo ou ameaça é algo distante, externo, secreto.

Para mim parece evidente. Nós estamos vivendo em 1984.  Nosso grandes irmãos são os Rupert Murdochs e Monsantos da vida, nossos Illuminatti são a família Civita, a Rede Globo, a Fox News. Nossos inimigos tem nome, rosto, e nós os alimentamos diariamente sem querer, presos dentro de uma estrutura na qual nascemos e agora precisamos romper se quisermos ter um futuro.

Dói pensar que grande parte das pessoas do mundo vive em constante luta para se auto-justificar, defendendo suas proprias crenças e valores nos quais foram criados mesmo sob sacrifício de toda lógica ou bom senso.

Como diz um velho ditado navajo, não se pode acordar alguém que finge estar dormindo.

Em 2011 algumas pessoas cansaram de fingir.

Desde 2008 estamos recebendo alguns sinais claros de que a coisa não vai bem. Não vou discorrer longamente sobre nossa crise economica, as raizes dela, etc, pois nem me considero qualificado para isso. Mas falando de forma bem resumida: A agua bateu na bunda.

No dia 15 de outubro desse mês, o ultimo sábado, vivemos um momento histórico sem precedentes: O movimento OCCUPY WALL STREET, cuja primeira expressão relevante de seu nascimento foi um acampamento montado nas calçadas do coração da economia norte-americana, ganhou as ruas do mundo.

Foram 950 cidades em 82 países, que receberam centenas de milhares de manifestantes cansados dos abusos do mercado financeiro, do excesso de poder conquistado pelas grandes corporações, preocupados com o destino de nosso planeta, sendo consumido descontroladamente para saciar a ganancia insana de 1% de poderosos.

Eles eram os outros 99%.

Segundo organizadores do movimento (apesar de tudo, uma fonte muito mais confiável do que os grandes veiculos de midia, falarei sobre isso em breve), foram mais ou menos 150mil em Berlim, 100mil em Roma, 150mil em Amsterdam, 80mil em Tókio e Seul, 30 mil em Santiago. Na Espanha, centenas de milhares tomaram as ruas em Madrid, Barcelona, Huesca e muitas outras. 950 cidades meus amigos !!!

Foi com certeza a maior adesão simultãnea a um mesmo movimento da história de nossa espécie.

Perto dos numeros apresentados, a representatividade em São Paulo foi relativamente timida: 400 pessoas no Largo São Bento e 200 na Avenida Paulista. Tive a oportunidade de visitar as duas concentrações.

Não foi surpreendente quando no dia seguinte, ao abrir o Estado de São Paulo, li apenas uma nota de rodapé a respeito das passeatas, na ultima página do caderno de Economia. A reportagem mostrava basicamente uma foto de 3 delinquentes quebrando uma vitrine de banco na Italia, ignorava mobilizações imensas como as da Espanha, distorcia todos os números para baixo, distorcia até mesmo os motivos das revoltas.

O Estado de São Paulo teve a coragem de dizer que em São Paulo as 75 (?) pessoas da passeata revindicavam a legalização do aborto e da maconha.

Isso foi previsível, mas inéditamente cara-de-pau.

Nem vou citar a VEJA, que teve como capa nesse dia uma matéria sobre saúde e corpo.

Estamos vivendo um momento histórico sem precedentes. Não se pode observar separadamente a crise financeira de 2008 (e suas ‘marolas’ nos anos seguintes), a crise do mercado comum europeu, a primavera árabe, as revoltas em Londres do começo do ano e o nosso maravilhoso OCCUPY WORLD de agora, como coisas separadas. Não são.

Todos esses movimentos são expressões sintomáticas e inevitáveis de um sistema sangrando por baixo da maquiagem.

Enquanto a poeira vaza debaixo dos tapetes, os grandes veículos de comunicação insistem em distrair nossa atenção com denuncias politicas (obviamente focadas no partido contrário ao que apoiam), ignorando fatos interessantes, como que a corrupção no Brasil compromete 2% de nosso PIB enquanto os juros que pagamos aos bancos compromete 44%. Que assunto deveria estar na capa dos jornais? Quem está ganhando com esse silêncio seletivo?

A internet criou a possibilidade da população se informar de verdade. Pela primeira vez, não sabemos apenas aquilo que meia duzia de poderosos quer que saibamos.

Desde criança, ávido leitor de quadrinhos, me recordo de uma frase célebre: “Com grandes poderes vêm grande responsabilidade”.

Se as gerações anteriores puderam alegar “desconhecimento” em sua defesa, tudo o que nós poderemos alegar para nossos filhos é APATIA.

Tornarei esse blog um veiculo para veicular o que estão lutando tanto para esconder. Farei isso pois sinto que é necessário. Pois acho que todo mundo deve fazer.

Aguardem atualizações.

Nossos inimigos mostraram as garras…

Agora eles tem um rosto…

Então eles podem sangrar.

Agora é guerra.


5 Comentários on “OCCUPY WORLD : AGORA É GUERRA”

  1. Felipe disse:

    Parabéns pelo excelente texto, repassando a todos, leitura obrigatória!

  2. Vitor Lobato disse:

    A “água bateu na bunda” e veio com muita bosta.

  3. Érika Valois disse:

    Ótimo texto. Conseguiu sintetizar de forma clara o que está acontecendo com a economia global, e que vem sendo boicotado pela grande mídia.

  4. Mako disse:

    Muito bom meu velho….
    Esperemos resultado disso tudo.

  5. Parabens meu caro !! Fico feliz de saber que contribui com isso !! um abraco, Pi


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